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Versículo da semana:

VERSÍCULO DA SEMANA:
"E por que me chamais: Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu vos digo?" (Lucas 6:46)


Frase do momento

Frase do momento:

"Não é minha intenção atacar o denominacionalismo do cristianismo como errôneo. Eu somente quero dizer que para que o corpo de Cristo encontre uma efetiva expressão local, a base de comunhão deve ser verdadeira. E esta base é a relação de vida dos membros com o Seu Senhor e a sua desejosa submissão a Ele como o Cabeça. Tampouco estou pleiteando por aqueles que irão fazer uma seita carnal daquilo que poderia chamar de 'localismo', isto é, a estrita demarcação de igrejas por localidades. Porque tal pode ocorrer facilmente. Se o que estivermos fazendo hoje em vida se tornar amanhã um mero método, tal que seu próprio caráter alguns dos Seus forem excluídos, possa o Senhor ter misericórdia de nós e quebrar tudo!" (A Vida Normal da Igreja Cristã, capítulo 4. Grifo nosso)

14 de mar de 2011

Deixe Meu Povo Ir (Cap 1)


CAPÍTULO 1                                                        UMA VISÃO CELESTIAL



     
    As instruções que Deus deu a Moisés, Ele também está falando hoje a cada um de nós. Não somente no Velho Testamento, mas também no Novo, encontramos a seguinte advertência: "Vê, pois, que tudo faças segundo o modelo que te foi mostrado no monte" (Êx 25:40 e Hb 8:5). Esta é uma admoestação que precisamos contemplar seriamente.
Moisés foi um homem chamado por Deus para liderar Seu povo e para construir um lugar para Sua morada. Moisés com­preendeu muito bem essa excelente chamada e estava pronto para responder a ela com todo o seu coração.
Entretanto, ele não era livre para fazer o que quisesse. Não tinha liberdade de inventar coisa alguma, de planejar o que quer que fosse ou de fazer qualquer coisa de acordo com os seus próprios gostos ou desejos. Ele foi instruído a fazer tudo estrita­mente de acordo com a visão celestial que havia recebido pes­soalmente, enquanto estava com Deus na montanha.
Veja, Moisés havia subido ao monte santo. Lá, ele passou um bom tempo (40 dias e 40 noites, para ser exato), na real presença do Deus Todo Poderoso. Ele conheceu o temor a Deus. Havia experimentado Sua terrível majestade e poder. Além disso, havia contemplado o coração de Deus e começado a compreen­der algo sobre o que o seu Criador estava desejando. Então, quando desceu daquela montanha, tinha queimando dentro de si uma visão celestial, uma revelação espiritual, que passou a controlar a sua obra, enquanto ele estava construindo uma morada para o Altíssimo.
Essas coisas nos deveriam falar, hoje, bem claramente. Quando nos convertemos e começamos a desejar nos envolver na obra de Deus, isso é algo que devemos considerar seria­mente. Se desejamos ser colaboradores de Deus e auxiliá-Lo na construção de Sua eterna morada, esse é um aspecto importante a ser considerado.
Antes de começarmos a nos empenhar nisso, precisamos ter entrado profundamente na presença de Deus. Não apenas ter entrado, mas ter gasto um tempo - um bom tempo - ouvindo, vendo e compreendendo o que é que Deus deseja. Antes de ir muito além do estágio e das atividades da infância espiritual, é importantíssimo que tenhamos recebido uma revelação celes­tial, de maneira que o nosso trabalho seja feito com substância divina e não meramente com madeira, feno ou palha (1 Co 3:12). Precisamos ter visto o santo plano de Deus e, então, construir de acordo com Sua planta.
Queridos irmãos e irmãs, esta não é uma consideração sem importância. Não é algo com que possamos lidar superficial­mente. Quando começamos a nos envolver em construir junta­mente com Deus, tomamos parte em uma construção que é eter­na. O que Deus constrói por meio de nós será Sua habitação eter­na. Portanto, não pode e não deve ser algo feito sem muita re­velação e oração, e até mesmo temor e tremor. Todos nós de­veríamos ter uma dose saudável de respeito e temor a Deus, quando começamos a construir algo em Seu nome.
O Senhor nosso Deus não habita e nem nunca irá habitar em um templo construído por mãos humanas (At 7:48). Portanto, se não construirmos de acordo com o Seu desenho, o que construirmos não irá satisfazê-Lo, e Ele não irá morar ali. Não será o lugar de Sua morada. Muitos cristãos hoje ficam iludidos porque Deus ocasionalmente visita suas obras em construção. Já que Sua presença vem de vez em quando, eles imaginam que Ele está aprovando o que estão fazendo.
Mas o que precisamos construir urgentemente não é um lugar que Deus venha visitar uma vez ou outra, mas um lugar onde Ele aprecie morar. Precisamos construir a eterna casa espi­ritual de Deus, onde Ele irá residir permanentemente, por toda a eternidade. Para fazer assim, precisamos receber uma pro­funda visão celestial. Tudo o que fizermos deverá ser guiado por esta revelação.


OUTROS PADRÕES 
Milhões de crentes, homens e mulheres de Deus, estão cons­truindo hoje. Há muita atividade cristã. A cada dia literalmente centenas de "igrejas" brotam ao redor do mundo. Agrada-me acreditar que a maioria destes queridos irmãos esteja fazendo o seu trabalho com o coração puro e um sincero desejo de agradar a Deus. Entretanto, muitos deles parecem estar construindo sem muita compreensão do plano celestial. Eles estão simplesmente copiando o que vêem os outros fazendo. Estão construindo de acordo com a visão que viram na esquina de baixo, e não na santa montanha de Deus.
Em vez de receber uma visão de Deus, eles estão confiando no homem. Em lugar de uma revelação celestial, ouvem de um grupo ou de outros que estão fazendo sucesso e atraindo um grande número de pessoas, e então correm a copiar o que estes outros estão fazendo.
Talvez alguns estejam meramente fazendo o que sua deno­minação fez no passado. Possivelmente a tradição os inclinou a certo padrão de construção. Outros podem estar fazendo o que aprenderam na Escola Bíblica ou no Seminário. Outros ainda confiam em sua própria popularidade, dons ou carisma, para atrair e conservar muitas pessoas em seu rebanho. Há, de fato, muitos métodos e padrões sendo usados nas construções hoje.
Mas talvez todos nós devêssemos parar por um momento e considerar cuidadosamente o que estamos fazendo. Este é um assunto muito sério. As coisas que fazemos têm conseqüências eternas. Portanto, não nós feriremos se tomarmos alguns minu­tos e, em oração, avaliarmos nosso trabalho diante de Deus.
Vamos entrar em Sua presença e derramar nossos planos e projetos diante Dele. Vamos com reverência abrir nossos corações para ouvir a Sua opinião. Vamos perguntar honesta­mente a nós mesmos e a Deus: "Todas as coisas que estamos fazendo são realmente à prova de fogo? O que estamos constru­indo é realmente a casa de Deus? Será que é mesmo um lugar onde Ele se alegrará em morar eternamente?"
Em 1 Coríntios 3:10-17, Paulo nos faz algumas admoestações e nos dá algumas instruções sobre como construir a casa de Deus e quais materiais devemos usar. Ele nos persuade a tomar muito cuidado com o que estamos fazendo. Ele diz: "Porém cada um veja como edifica [sobre a fundação]" (vs. 10). Não é suficiente construirmos algo que achamos bom ou algo que os outros aprovem. É essencial construirmos de acordo com o desenho de Deus e com materiais aprovados.
Então, queridos irmãos, sejam cuidadosos! Sejam muito, muito cuidadosos, para que o que vocês estão fazendo esteja em harmonia com a mente de Deus! Não tenham pressa em sair por aí fazendo algo para Deus. É extremamente importante ouvir de Deus e ver a Sua habitação eterna primeiro, antes de começar­mos a construir. Se começarmos com uma visão celestial, então todo o nosso trabalho será aprovado. Desta forma, não seremos envergonhados quando Ele vier e examinar as coisas que temos feito.
Ao prosseguirmos com este livro, estaremos examinando detalhadamente que tipo de materiais devemos usar, mas, por enquanto, precisamos ver claramente que há dois tipos disponíveis. Há materiais sobrenaturais, que são tipificados por "ouro, prata e pedras preciosas"; e os materiais terrenos, repre­sentados por "madeira, feno e palha" (vs. 12). O primeiro tipo tem sua origem em Deus, sendo celestial em qualidade. O segundo tipo é algo meramente humano e natural.
No mundo atual, os dois tipos de materiais podem ser usa­dos para fazer construções impressionantes. Muitas mansões multimilionárias têm a madeira como sua estrutura básica, mas no Reino de Deus, apenas usando os Seus materiais e seguindo os Seus planos, poderemos satisfazê-Lo.


          O SUCESSO NÃO É O PADRÃO
Em nosso empenho para sermos agradáveis a Deus, uma coisa precisa ficar muito clara: a medida de julgamento para nossas obras não é o sucesso. Deixe-me repetir isso. Ou que con­firma ou não a satisfação de Deus com o que estamos fazendo não é se muitas pessoas estão comparecendo aos nossos encon­tros. Não é o quão popular nós e nossa mensagem nos tornamos. Não é o fato de muitos na comunidade cristã estarem aplaudin­do e admirando nosso trabalho. Não é porque nosso trabalho está crescendo e se espalhando de tal maneira que a nação inteira, ou mesmo o mundo todo, está ouvindo falar de nós. Honestamente, até mesmo um vírus pode se espalhar rapida­mente e se tornar mundialmente famoso.
Hoje em dia, parece haver um critério que as pessoas admi­ram. Quando outras pessoas olham para nosso trabalho, nor­malmente estão tentando ver uma coisa. Eles querem ver se somos bem sucedidos ou não. O padrão do mundo é este, nor­malmente: "Há um sucesso visível? A obra está se expandindo? Há alguma evidência concreta de êxito?" Se houver, nossa obra é admirada e aprovada. Se não houver, então o que estamos fazendo é negligenciado ou mesmo desprezado. Este é o padrão do mundo.
Mas o padrão de Deus é completamente diferente. Seu padrão é a obediência. Sua aprovação ocorre se estamos trabalhando de acordo com os Seus planos ou não. O que fazemos em obediência a Ele pode parecer um sucesso aos olhos humanos, entretanto, também é possível que não pareça. Os caminhos de Deus freqüentemente são misteriosos. Ele não usa os meios e os métodos do mundo. Sua sabedoria é algo que o mundo e as pes­soas que vivem nele não conseguem compreender (1 Co 1:18-25). Muitas vezes Suas obras são ocultas, pequenas e inespe­radas. Entretanto, com o passar do tempo, elas produzem os resultados mais excelentes.
Para esclarecer um pouco este ponto, vamos dar uma olha­da em alguns dos homens de Deus que foram poderosamente usados por Ele, mas ainda assim foram desprezados e rejeitados. Eles eram bem sucedidos aos olhos de Deus, mas desconsidera­dos pelo mundo, e alguns, até mesmo pelas comunidades reli­giosas de seus dias.
Noé era obediente, mas certamente não era popular. Eu imagino que a maioria das pessoas o considerava louco. Lá esta­va ele construindo um imenso barco em terra seca, sem nenhum modo de conseguir levá-lo à água. Não há dúvida de que ele era motivo do riso da vizinhança. Mas ele foi obediente a Deus.
Jeremias foi um profeta ungido e usado por Deus. Dois livros inteiros do Velho Testamento são suas obras e profecias. Cada simples palavra era inspirada e ungida pelo Deus do Universo. Cada profecia que ele falou estava correta e veio (ou ainda virá) se cumprir.
Entretanto, ele não tinha grupos de seguidores. Quase ninguém prestou alguma atenção a ele e nem obedeceu às suas palavras. A nação para a qual ele profetizava nunca se arrepen­deu e eventualmente teve que ser julgada por Deus. Seu "mi­nistério" foi um desastre, do ponto de vista humano. Muitos outros profetas também se encaixam nessa categoria.
Embora possamos imaginar uma situação diferente, Paulo, o apóstolo, também parecia um fracasso no final de seu mini­stério. Ele foi preso, de maneira que "a esfera de seu ministério" encolheu: de um obreiro viajante pelo mundo a alguém que tinha contacto apenas com umas poucas pessoas que o visi­tavam na prisão. Então, todas as igrejas da Ásia, muitas das quais ele havia fundado, o rejeitaram e se desviaram (2 Tm 1:15). Ele aproveitou para escrever e enviar umas poucas cartas da prisão, mas isto certamente não tomava todo o seu tempo. Entretanto, quem poderia ter imaginado o fruto que esse perío­do de sua vida iria produzir?
Jesus, o Filho primogênito de Deus, também foi desprezado e rejeitado pela maioria (Is 53:3). Embora gozasse alguns perí­odos de popularidade, Ele sabia que os homens freqüentemente estavam se congregando com Ele por razões erradas. Quando Ele lhes falava algo mais duro, que exigia um compromisso maior da parte deles, muitos se viravam e O deixavam. No final de Seu ministério terreno, Jesus estava sozinho. No auge de Seu trabalho sobrenatural, todos os Seus seguidores O aban­donaram.
Muito embora hoje se veja a obra de Jesus como um sucesso, já que o Cristianismo se espalhou por todo o globo, se olhásse­mos para as coisas como se estivéssemos lá naquele tempo, Sua obra provavelmente iria parecer falha ou até mesmo um desas­tre. Ele, o líder, foi morto, e todos os Seus seguidores foram dis­persos. O sucesso aparente não é - e nunca poderá ser - a medida de nosso trabalho para Deus.


NOSSAS OBRAS SERÃO JULGADAS
Quando Jesus voltar, o que nós fizemos em Seu nome será julgado. De novo, em 1 Corintos 3:13, lemos que nossas obras serão testadas pelo fogo sobrenatural. Se nossas obras foram feitas com materiais combustíveis, isto é, algo humano, natural e terreno, elas serão queimadas. Se nossas obras foram feitas com materiais celestiais, elas sobreviverão ao teste.
Deus nos assegura aqui que, mesmo que as obras de alguns sejam destruídas, eles próprios serão salvos (vs.15). Entretanto, é mostrado que haverá um severo julgamento para aqueles que construíram erradamente. Não apenas suas obras se perderão junto com as recompensas por tais obras, mas também haverá um tipo de julgamento para eles próprios.
Talvez isso se refira ao julgamento expresso no alerta de 1 Corintos 3:17, onde lemos: "Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá..." O contexto deste versículo é muito importante. O assunto aqui é a construção do Templo de Deus. Neste trabalho de construção, somos ensinados que se "destru­irmos" o Templo de Deus, sofreremos severo julgamento. De acordo com R. N. Champlin, Ph D, em seu comentário sobre o Novo Testamento, esta palavra "destruir" também pode ser traduzida por "arruinar", "corromper," "fazer desviar" e/ou "estragar", em sentido moral ou físico (volume 4, p. 51).
A palavra traduzida como "destruir" (vs. 17), referindo-se ao que Deus fará à pessoa ofensora, é exatamente a mesma palavra grega traduzida por "destruir" na primeira parte do versículo. Assim, vemos que Deus irá punir aqueles que poluem Sua morada eterna, de acordo com o que ele ou ela fez. As obras destruidoras que alguém pratica se tornarão o seu próprio julga­mento.
O que então significa "destruir" ou "estragar" a casa de Deus? Significa que, usando materiais incorretos, podemos poluir ou danificar o verdadeiro lugar de residência de Deus - o Seu Templo. É inteiramente possível para nós, trabalhando sem revelação sobrenatural, construir coisas dentro do Templo de Deus, que o vão poluindo, danificando e estragando. Além disso, se fizermos tais coisas, sofreremos severas conseqüências quando Jesus vier para nos julgar pelas nossas obras.
Queridos irmãos e irmãs, esse versículo deveria ser muito sério para nós. Não estamos tratando aqui com algum tipo de construção temporária. Estamos construindo a morada eterna do Deus Todo Poderoso. Portanto, devemos ser muito cuida­dosos com o que fazemos. Se nós, por meio de nossa ignorância e motivos carnais, destruímos a casa de Deus, seremos destruidos da mesma maneira quando Ele vier.


             ALGUNS EXEMPLOS DO VELHO TESTAMENTO
No Velho Testamento, vemos alguns exemplos desse tipo de poluição. No livro de Levítico, capítulo 10, versículo 1, lemos a história de dois sacerdotes: Nadabe e Abiú, que eram filhos de Arão. Eles pareciam gostar de suas obrigações religiosas e se tornaram orgulhosos de suas posições entre as pessoas. Então, pensaram que podiam melhorar ou aumentar um pouco os desígnios de Deus.
Um dia, em vez de seguir os mandamentos de Deus, eles pegaram seus incensários, puseram um pouco de incenso neles e marcharam para o tabernáculo para fazer o seu próprio tipo de oferenda. Eles vieram com um novo e moderno jeito de adorar. Do ponto de vista de Deus, isso era "fogo profano" (Lv 10:1). A invenção deles lhes custou suas vidas. Profanaram a casa de Deus e então veio o fogo da presença de Deus e os consumiu.
Em 2 Reis, capítulo 16, temos a história de Acaz, que foi um dos reis de Judá. Infelizmente, esse homem não temia a Deus e nem compreendia os Seus caminhos. Um dia, ele viajou para Damasco para encontrar o rei da Assíria, a quem acabara de pagar tributos com o ouro e a prata que havia roubado do Templo.
Então, naquela cidade, ele viu um altar pagão. Era bastante comovente. Era grande, muito enfeitado e espetacularmente bonito. Parecia muito melhor aos seus olhos do que o razoavel­mente mais simples e bem menor altar de bronze que Salomão havia feito.
Assim, ele mandou ao sacerdote Urias algumas medidas e a planta do altar que viu. Antes mesmo de Acaz voltar para casa, Urias edificou uma réplica do altar pagão. Em seguida Acaz e Urias arrastaram o altar de bronze do Senhor e colocaram no Templo o novo e impressionante altar. Então, Acaz instruiu os sacerdotes a usar o extravagante altar para todos os sacrifícios e ofertas. O velho altar de bronze seria usado apenas para Acaz "buscar orientação", o que significa "procurar a direção de Deus". Imagino que o altar de bronze foi pouco usado por ele.
O novo altar era grande e impressionante, mas não foi plane­jado por Deus. Era uma grande obra humana. Era atraente, do ponto de vista terreno e carnal. Mas era uma poluição para a habitação simbólica de Deus, o Templo.
Há muitas coisas que os homens apreciam com os seus sen­tidos naturais. Ambientes bonitos, mensagens eloqüentes, músi­ca agitada e muitas outras coisas nos são agradáveis. Portanto, há uma grande tentação de instituir tais coisas em nosso traba­lho para o Senhor.
Enquanto estamos construindo Sua morada, é tentador adi­cionar um pouco de nossas idéias ou decorações. É muito difícil não incorporar algo de nossos próprios desígnios e direções. Mas vamos nos lembrar sempre: "...pois aquilo que é elevado entre os homens é abominação diante de Deus" (Lc 16:15).


           MUITOS TIPOS DE TRABALHADORES
Há muitos tipos de obreiros hoje no projeto de construção de Deus. Assim como o projeto de uma construção terrena requer diferentes tipos de trabalhadores, incluindo eletricistas, enca­nadores, carpinteiros, pedreiros etc., assim também a construção de Deus requer pessoas para desempenhar diferentes funções.
Lemos no Novo Testamento sobre apóstolos, profetas, evan­gelistas, pastores e mestres. Além disso, aprendemos sobre diversos tipos de dons e ministérios. Este livro não tem o objeti­vo de delinear e discutir cada uma dessas diferentes funções, mas apenas dizer que elas são muitas e variadas.
Um importante ministério que tem uma relação direta com nossa atual investigação é o trabalho de um apóstolo. Deus é o Arquiteto de Sua construção. Ele mesmo desenhou a planta. Mas também há aqueles que são chamados "sábios constru­tores" (1 Co 3:10-NVI). São um tipo de supervisores ou mestres de construção. São indivíduos que passaram um tempo na montanha de Deus, olharam profundamente dentro do Seu coração, viram o Seu plano e entenderam como construir aquilo que viram. Este é o trabalho de um apóstolo. Portanto, um apóstolo é alguém que tem uma visão ampla dos desejos de Deus e uma clara compreensão espiritual de como construir aquilo que Deus revelou a ele.
Os apóstolos são aqueles a quem Deus revelou "Seus mis­térios". Paulo escreve: "...pois, segundo uma revelação, me foi dado conhecer o mistério..." (Ef 3:3). Tendo recebido revelações, então eles se tornam "despenseiros dos mistérios de Deus" (1 Co 4:1). Eles obtiveram algo de supremo valor e são responsáveis perante Deus por sua administração. Isto significa que os após­tolos devem ser humildes servos, compartilhando fielmente com o resto do corpo de Cristo as coisas preciosas que Deus lhes revelou. Eles precisam trabalhar para que os outros membros sejam guiados pela mesma revelação celestial.
É claro que cada tipo de ministério necessita de alguma re­velação divina para operar. Cada membro do corpo deve seguir a liderança sobrenatural para ser efetivo. Entretanto, é aqui que encontramos um problema comum na Igreja hoje.
Para explicar melhor, vamos falar sobre o encanador. Vamos admitir que ele saiba lidar com os canos. Ele é bom naquilo que faz e sabe que seu trabalho é uma parte essencial do projeto. Mas, se ele começar a pensar que o que vê e sabe é a totalidade do projeto, então começam a surgir problemas.
Talvez pudéssemos pensar em nosso "encanador" como um evangelista. Ele é bom naquilo que faz. Ele sabe que a sua parte é importante. Em tudo que lê na Bíblia, ele vê evangelismo. Já que esse é o seu dom e a sua função, isto é o que Deus revela a ele pela Sua Palavra. Mas também é muito possível e até mesmo comum para este evangelista começar a imaginar que viu o plano completo de Deus. Ele começa a pensar que a sua parte é a mais importante, que o seu trabalho é o trabalho que Deus quer que seja feito. Já que é isto que vê quando olha a Palavra de Deus, ele supõe que isto é tudo o que está ali para ser visto.
Entretanto, já que este(a) irmão(ã) não é um apóstolo, sua visão é limitada, porque Deus não revela a ele(a) o Seu plano mais completo. A menos que tenha a humildade de considerar isto e compreender que necessita do resto do corpo, ele indu­bitavelmente irá encontrar dificuldades e também causar muitos problemas na Igreja por meio do seu trabalho. Em vez de traba­lhar em harmonia com as outras partes, ele ou ela podem se tornar independentes e até mesmo lutar contra o que os outros estão fazendo, já que as ações destes são diferentes daquilo que ele(a) entende.
A propósito, não queremos perseguir os evangelistas. Esse mesmo problema também é evidente em outros membros do corpo de Cristo, ainda que cheios de dons.
Hoje, na Igreja de Cristo, vemos muitos irmãos e irmãs cons­truindo dessa maneira imprevidente. Pensando que o seu mini­stério é o mais importante ou mesmo o único caminho, eles começam a "construir uma igreja" em torno do seu ministério. Em vez de simplesmente fazer a parte deles na construção do corpo, eles se retiram para um canto e congregam com outros que concordam com eles, ou a quem eles convencem da importância de seu ministério.
O resultado é que vemos grupos tentando construir a casa de Deus exclusivamente com canos e encaixes (que exemplifi­cariam o evangelismo). Outros estão construindo somente com fios, tomadas e pontos de luz (que corresponderiam à profecia ou ensino). Cada um enfatiza a sua compreensão e o seu dom, sem a humildade de ver que a parte deles é apenas uma parte do plano.
Assim, compreendemos parte da importância do ministério apostólico. Parte dessa função é servir às várias partes do corpo, ajudando-as a compreender o plano mais amplo de Deus e lhes mostrando como podem executar a sua parte em harmonia com o resto. Já que viram mais da construção completa, eles podem ser úteis aos outros, ajudando-os a utilizar seus dons e mi­nistérios para construir a eterna morada de Deus. A visão apostólica é um elemento necessário à construção da casa de Deus. Então, é importante para todos os trabalhadores da construção que eles ouçam e compreendam a visão celestial daqueles que genuinamente a receberam.
A revelação divina é absolutamente essencial quando esta­mos construindo a Igreja de Deus. Não podemos nem mesmo começar sem ela. Assim como um construtor de um grande edifício ou até mesmo de uma casa bem menor, não pensaria em começar a construção sem uma planta, assim também nós pre­cisamos receber a revelação de Deus. Precisamos ver o que está em Seu coração. Então, precisamos ser cuidadosos para constru­ir exatamente de acordo com a visão que temos recebido, en­quanto estamos com Ele na montanha.

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