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Versículo da semana:

VERSÍCULO DA SEMANA:
"E por que me chamais: Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu vos digo?" (Lucas 6:46)


Frase do momento

Frase do momento:

"Não é minha intenção atacar o denominacionalismo do cristianismo como errôneo. Eu somente quero dizer que para que o corpo de Cristo encontre uma efetiva expressão local, a base de comunhão deve ser verdadeira. E esta base é a relação de vida dos membros com o Seu Senhor e a sua desejosa submissão a Ele como o Cabeça. Tampouco estou pleiteando por aqueles que irão fazer uma seita carnal daquilo que poderia chamar de 'localismo', isto é, a estrita demarcação de igrejas por localidades. Porque tal pode ocorrer facilmente. Se o que estivermos fazendo hoje em vida se tornar amanhã um mero método, tal que seu próprio caráter alguns dos Seus forem excluídos, possa o Senhor ter misericórdia de nós e quebrar tudo!" (A Vida Normal da Igreja Cristã, capítulo 4. Grifo nosso)

18 de mar de 2011

Deixe Meu Povo Ir (Cap 3)

CAPÍTULO 3                                                                                                                                      UMA VISÃO CELESTIAL (2)



     
         Cada tipo de vida, seja vegetal, seja animal, tem sua forma particular. Quando cresce, ela se molda aos padrões de seus ge­nitores. Torna-se aquela forma reconhecível que mostra de onde veio. Por exemplo, cada variedade de árvore cresce de acordo com a sua forma familiar. Uma bananeira tem sempre a mesma aparência. Uma macieira tem uma forma típica. As pessoas que têm familiaridade com plantas podem dizer, à distância, que árvore é aquela, apenas pela sua forma. A mesma regra é ver­dadeira para com os animais. Um cão sempre aparenta ser um cão, assim como um gato sempre aparenta ser um gato.
Reconhecemos a vida desses animais pela sua forma. Esta forma exterior é resultado da vida que está no interior deles. A vida do gato sempre produz a forma de gato. A vida do cachor­ro sempre cresce em forma de cachorro. Essas formas familiares não são um resultado de auto-esforço da parte dessas criaturas. Também não são produzidas por meio de outros seres adminis­trando ou fiscalizando o desenvolvimento delas. Ao invés disso, é a própria vida presente nelas que produz a forma familiar.
Exatamente do mesmo modo, a Vida de Jesus Cristo, á medi­da que cresce dentro dos crentes, produz a Igreja. Esse é um princípio da maior importância. É a Vida de Deus que produz a forma da Igreja, Sua Noiva! Mais do que isso, é apenas esta Vida (ZOÊ) que produz a Igreja. Se vamos trabalhar junto com Deus na construção da Igreja que Ele deseja, precisamos compreender inteiramente esse fato básico.
Quando desejamos trabalhar junto com Deus e construir Sua morada eterna, precisamos aprender a construir de acordo com o padrão que vimos na montanha. Este padrão é um padrão vivo. A Igreja de Jesus é um ser vivo. Sua Noiva é construída pela Sua Vida. Portanto, é apenas construindo com a Sua Vida e pela Sua Vida que podemos chegar ao resultado que Ele tanto almeja. Até que tenhamos compreendido essa verdade básica e essen­cial, não estamos em condições de construir a casa de Deus!


        O PADRÃO DO NOVO TESTAMENTO
Muitos crentes estão construindo hoje, mas muitos deles não têm um entendimento claro sobre o que estão fazendo. O erro mais comum que cometem é achar que discernem o padrão de construção enquanto lêem o Novo Testamento. Então começam a copiar este padrão. Eles trabalham ativamente para reproduzir a forma que acreditam ter visto.
É comum que alguns líderes ou grupos imaginem ter alcançado o padrão que mais se assemelha ao padrão do livro de Atos ou das Epístolas. Eles acreditam que o seu jeito é o mais bíblico. Talvez estejam implantando um certo tipo de estrutura de autoridade. Talvez selecionem diáconos e pastores de uma maneira especial. Possivelmente estão iniciando certos tipos de encontros, cerimônias ou práticas. Pode ser que estejam insistin­do em um certo esquema de doutrinas, crenças ou até no uso de novas palavras "mais bíblicas".
O problema é que copiar um padrão que alguém pensa ter percebido é um sério engano. É colocar o carro na frente dos bois. Nunca podemos colocar em prática algum padrão, doutri­na ou exercício e produzir algo que agrade a Deus. O padrão que acreditamos ver, nunca, nunca irá produzir a Vida de Cristo. Por outro lado, a Vida de Cristo sempre gera o padrão ou forma apropriada, aquele que Deus deseja.
Esta é verdadeiramente uma questão de vida ou morte. Quando tentamos reproduzir um padrão, invariavelmente o resultado será algo sem vida, algo morto. Nós não temos o poder de gerar Vida. Somente Deus pode fazer isso.
Talvez acreditemos que, se produzirmos algo próximo ao padrão divino, Deus vai descer correndo para abençoá-lo. Possivelmente, pensemos que, se conseguirmos construir algo semelhante ao que vimos na Bíblia, Ele virá morar neste lugar. Talvez achemos que Ele virá e dará Vida à imagem que fizemos. Mas não, isso nunca acontecerá! Nosso Deus nunca dará Vida ao que construímos para Ele, não importa se acreditamos que é algo bíblico.
Por não ter a sua própria vida, a estrutura humana sempre requer o serviço daqueles que têm um relacionamento vivo com Jesus. Porque a forma religiosa não é viva, ela necessita con­stantemente sugar nutrição daqueles que têm intimidade e comunhão com Jesus.
Então, o zelo, o entusiasmo e o amor por Jesus, que os mem­bros dos grupos humanamente controlados têm, tornam-se o suporte para os planos e programas da instituição. Os membros são usados para liderar vários programas (e projetos), acompanhar novos visitantes e assumir muitas outras atividades, que são neces­sárias para manter a máquina em movimento.
Tais organizações necessitam de homens e mulheres que lhes sirvam de alimento, assim como um parasita necessita de um corpo vivo para dele tirar seu sustento. Algumas vezes, quando a organização já usou toda a vida que estava em alguns membros, quando eles já deram tudo o que podiam para ajudar e acabaram sem força e sem ânimo, ela os cospe e procura ou­tros para tomar seus lugares. Esse triste desfecho é o resultado de se estar construindo com materiais terrenos, ao invés de subs­tâncias divinas.



             ENTÃO, COMO VAMOS CONSTRUIR?
Podemos trabalhar com Jesus na construção de Sua Igreja, ministrando Sua Vida uns aos outros. Ele declarou que Ele é "a Vida" (Jo 11:25). Portanto, quando O compartilhamos com os outros, estamos construindo a Igreja. Conforme O seguimos, Ele nos guiará a usar de maneira certa os dons e os ministérios que nos deu para edificar a outros. Por meio de nosso relacionamen­to íntimo com Ele, iremos receber uma revelação viva, cheia de sabedoria e de direção. Após isso, podemos compartilhar o que recebemos. Essa Vida produzirá, então, a forma que Ele desejar.
Os crentes que estão em relacionamento íntimo com Jesus a cada dia estão cheios de Sua Vida. Estes indivíduos estão cons­tantemente fazendo algo, pois o seu Senhor os está dirigindo dia a dia. Eles estão visitando os doentes. Estão compartilhando o Evangelho. Estão procurando solucionar as necessidades dos outros e pedindo a Deus maneiras para conseguir fazer isso. Estão cuidando dos pobres. Estão orando uns pelos outros e constantemente procurando um meio de ministrar Cristo uns aos outros.
Tais cristãos estão sempre juntos, porque o Espírito de Deus os está incitando a procurar a companhia e a amizade dos ou­tros. Estão se encontrando, orando juntos e louvando juntos. Estão sendo edificados e mantidos unidos pelo Espírito Santo. Não há necessidade aqui de controle humano. Não há homem algum ou grupo algum que esteja planejando ou organizando isso. A direção é sobrenatural. A Vida de Cristo irá produzir todos os atributos da Igreja que vimos no Novo Testamento.
Todos os elementos da Igreja devem ser um produto da Vida sobrenatural de Cristo: quando nos encontramos; onde nos encontramos; como os encontros são conduzidos; o uso dos dons; a função dos vários ministérios; nosso relacionamento com os outros membros do corpo; quando atuamos juntos; quando vamos orar; como, quando e onde iremos evangelizar; o exercício de qualquer tipo de liderança; etc. Cada aspecto singu­lar da Igreja deve ser um produto da Vida Divina. Cada atitude, movimento ou atividade do corpo deve ser um resultado da Vida e da direção do Cabeça da Igreja. Enquanto isso não acon­tecer, haverá apenas uma forma religiosa e morta.
Jesus ressuscitou da morte. Ele está vivo hoje e é capaz de nos liderar. Porque Ele vive e Se move por meio dos diferentes membros de Seu corpo, a forma de Sua Igreja começa a se ma­nifestar. Quando ministramos Jesus Cristo uns aos outros, a morada de Deus está sendo construída. Quando o Espírito de Deus flui dentro de nós e através de nós, esta edificação sobre­natural aparece. É a Vida de Deus que habita em nós e que é ministrada aos outros por meio de nós. É o próprio Senhor Jesus vivendo e Se movendo por meio de Seu povo para preparar a Sua Noiva. Esse é o modo, na verdade o único modo, pelo qual a Igreja pode ser edificada.
Queridos irmãos e irmãs, precisamos edificar com Vida. Não devemos tentar arrumar a Igreja do jeito que julgamos ser corre­to. Não precisamos planejar, controlar ou organizar as pessoas para conseguir a forma que achamos ideal para a Igreja.
Não há absolutamente nenhuma necessidade de homens e mulheres tentarem manipular a outros para conseguir uma aparência bíblica. Não somos chamados a usar métodos humanos para atingir metas sobrenaturais. O segredo de cons­truir a Igreja viva é ministrar Jesus aos outros. Sua Vida sempre irá produzir a Noiva pela qual Ele tem ansiado.
Deus não depende de nossas habilidades organizacionais para reunir um grupo de pessoas e mantê-las unidas. Ele não espera ansiosamente que usemos nossos dons para impressio­nar um número adequado de indivíduos, a fim de podermos constituir uma "igreja". Não é necessário moldarmos os outros a algo que julgamos ser o desejo de Deus. Nosso Deus não mora e nem irá morar nesses templos construídos por mãos humanas. Ele está procurando por uma casa viva. Esta casa é resultado de Sua Vida crescendo dentro de homens e mulheres.
Sabemos pelas Escrituras que Jesus está procurando por uma Noiva. Vamos tomar como ilustração o exemplo de um homem. Normalmente, o homem está muito interessado na beleza e na forma de sua futura esposa. Essas coisas são impor­tantes para ele. Ele pode, então, sair e comprar um manequim? Esse objeto pode ser excepcionalmente atraente e bem feito, mas irá satisfazê-lo? Claro que não! Este homem está procurando por alguém vivo, cheio de vida, que possa responder a ele de muitas maneiras diferentes.
Da mesma forma, Jesus nunca iria desejar entrar em uma união matrimonial com uma forma vazia. Ele está procurando por alguém que esteja vivo, cheio de Sua própria Vida. Conseqüentemente, nunca deveríamos fazer da forma a nossa meta, mas sim permitir que a Sua Vida crie Sua Noiva da maneira que Ele a deseja.



FALSOS APÓSTOLOS
Há hoje, na comunidade cristã, muitas pessoas que se auto-intitulam "apóstolos". Pode ser que alguns deles tenham real­mente este ministério. O esperado é que muitas dessas pessoas tenham recebido uma visão e estejam construindo de acordo com ela.
Entretanto, existem, infelizmente, os "falsos apóstolos" (2 Co 11:13). Há aqueles que pretendem ter sido enviados por Deus, mas na verdade não têm a preparação e a visão necessárias para  realizar este ministério. Possivelmente, eles mesmos se auto-enviaram ou foram enviados por outros homens para tentar fazer a obra de Deus. Muito embora eles possam ser bem suce­didos ao estabelecer vários grupos debaixo de sua liderança e controle, pode ser que o que estejam fazendo não resista ao teste do dia do Julgamento.
Há alguns desses homens, aparentes apóstolos, que poderi­am ser chamados "apóstolos cortadores de biscoitos". Um corta­dor de biscoitos é uma forma de metal ou plástico que emprega o mesmo padrão de corte repetidamente, em uma peça suave e moldável de massa. Esses apóstolos são aqueles que imaginam ter discernido o padrão encontrado no Novo Testamento. Eles supõem ter compreendido a "forma" da Igreja.
Então eles vão, de grupo em grupo, aos que dão abertura para eles, e ali "colocam as coisas em ordem". Isso significa que eles arrumam a liderança e as atividades do grupo, subjugando-os às suas idéias. Quando os membros do grupo são jovens, inexperientes ou suficientemente maleáveis para se submeter ao seu controle, então eles estabelecem o seu padrão naquele lugar. Assim, eles acreditam estar "plantando uma outra igreja neotestamentária".
Mas há um pequeno problema. Essa fórmula não pode e nunca irá atrair ou produzir a Vida de Deus. Tudo o que pode ser adquirido com esses esforços é chegar a algo parecido com uma Igreja, mas sem Vida. Pode ser que tais esforços produzam algo que aparente ser muito bíblico. É provável que esses cons­trutores tenham muitos versículos para dar sustentação ao que estão fazendo. Mas, conforme estivemos vendo, ser bíblico não é suficiente. Ser meramente bíblico não produz a Vida de que necessitamos.
Por exemplo, os fariseus dos dias de Jesus eram muito fami­liarizados com a Palavra de Deus, embora falhassem em ver Deus nela. Eram muito bíblicos, mas O perderam. Precisamos estar construindo com a Vida Daquele que foi revelado na Bíblia. Simplesmente imitar o que achamos que os primeiros crentes fizeram irá produzir algo morto. Uma forma morta, superficial, não é um lugar onde Deus Se interesse em morar.
O padrão do Novo Testamento, que precisamos ver e com o qual necessitamos construir, é uma Pessoa Viva. Deixe-me repe­tir isto. O padrão do Novo Testamento é uma Pessoa! Não é um sistema, uma estrutura de autoridade ou algum tipo de "ordem" bíblica a qual devemos aderir. Quando construímos com Jesus, a casa de Deus é edificada. Quando plantamos a semente viva, a Igreja viva cresce a partir dela.


O EXEMPLO DA FLOR
Vamos tomar agora o exemplo da flor. Suponha que dese­jamos ter um tipo de planta com flores - talvez uma margarida. Temos duas escolhas. Para atingir o nosso objetivo, podemos ir a uma loja que venda determinados objetos e comprar alguns itens: material de seda colorida, arame verde, um pouco de cola, tinta e tudo o que precisamos para produzir uma planta e suas flores. Podemos então trabalhar com este material. Podemos cortar, colar e pintar. Podemos fazer folhas, hastes, botões e flo­res. Logo teremos algo que se pareça com a flor que desejamos.
Hoje, há pessoas que são peritas nesse tipo de coisa. Tenho visto flores de seda que nem se distinguem das flores reais. São tão reais e bem feitas que aparentam ser flores genuínas. Você pode até mesmo comprar um perfume e colocar nelas para que cheirem como uma flor real. Mas há um pequeno problema. Elas estão mortas. São artificiais. Elas se parecem com algo real, mas são falsas. São uma simples imitação.
Quantas obras para Deus se encaixam nesta categoria! Elas têm a aparência ou a estrutura das Escrituras, mas falta-lhes abundância de Vida. Elas parecem adequadas e possuem carac­terísticas que estão de acordo com o Novo Testamento. Elas têm flores, com hastes e pétalas, mas não são vivas. Talvez elas te­nham anciãos, diáconos, cultos etc., mas não têm a Vida de Deus que está enchendo e animando cada parte de sua estrutura. A forma não é resultado da Vida e, portanto, nunca poderá satis­fazer o Senhor.
Se quisermos ter uma flor, há uma outra maneira de con­segui-la. Entretanto, é um modo muito mais vagaroso e é um processo que pode parecer tolo. Entretanto, é o caminho da vida. Primeiro você pega um pequeno grão - a semente - e a enterra no solo. Após isso, você espera alguns dias. Com carinho e o tempo apropriados, a vida que está contida nesta semente irá florescer. O poder da vida que está nesta pequena e insignifi­cante semente irá produzir as lindas flores que você deseja.
Do mesmo modo, quando desejamos edificar a Igreja, pre­cisamos compreender esse princípio da Vida. Temos que ter paciência. Algumas vezes podemos parecer tolos aos olhos dos outros. Nosso trabalho é simplesmente ministrar Jesus Cristo aos outros, quando e como o Espírito Santo escolher. Não pre­cisamos saber muito. Não precisamos de educação religiosa for­mal. Não precisamos fazer nada com nossa própria força ou inteligência. Apenas precisamos pacientemente servir aos outros com alimento eterno, a Vida de Jesus Cristo. Podemos fazer isto confiando completamente que esta Vida produzirá o padrão do Novo Testamento. A ministração do Espírito Santo resultará sempre em Igreja. Nunca crescerá algo diferente.
Conforme uma planta cresce, no começo, ela não se parece em nada com a foto que você vê no pacote de sementes. Prova­velmente é como um pequeno broto verde, muito frágil e que poderia ser confundido com muitas outras plantas ou mesmo com erva daninha. Mas, com tempo e nutrição, todas as feições da flor começam a aparecer. Começamos a ver as folhas, as hastes e os botões. Finalmente, a flor completa está em vigor.
Quando simplesmente ministramos Jesus, no princípio as coisas podem parecer pequenas e insignificantes. Contudo, somos advertidos a não desprezar "o dia das pequenas coisas" (Zc 4:10). Pode ser que nem todas as "características" da Igreja estejam em evidência. Talvez, todos os dons e ministérios não estejam ainda em plena floração. Pode ser que algumas partes estejam faltando. Mas Deus nos fala sobre isso em Sua Palavra. Em Marcos 4:28, lemos "...primeiro a erva e então a espiga de milho". O pequeno broto verde (a erva) surge primeiro e, então, depois de algum tempo e de nutrição, nós vemos o fruto (a espi­ga do milho).
Precisamos confiar na semente. A Vida de Cristo irá pro­duzir sempre e somente a verdadeira Igreja viva. Não temos a necessidade de sair correndo e começar a fabricar algo por nós mesmos, nem para Deus. Vamos esperar pacientemente. Vamos continuar semeando e regando, sabendo que, em Seu tempo, o desejo divino virá à tona.
Sabemos, por exemplo, que na Igreja vemos certos dons e ministérios. Lemos no Novo Testamento sobre evangelistas, pas­tores, mestres, apóstolos e profetas (Ef 4:11). Lemos sobre dons de cura, milagres, sabedoria, conhecimento, profecia e muitas outras coisas. Compreendemos que a igreja primitiva se reunia diariamente, de casa em casa (At 2:46). Os apóstolos estavam ensinando no Templo (At 5:42). Pouco depois, alguns foram enviados para ensinar e pregar. Diáconos foram escolhidos (At 6:5). Anciãos foram reconhecidos (At 14:23). Igrejas foram plan­tadas. Podemos identificar muitas partes diferentes desta plan­ta. Mas como tudo isto aconteceu? Foi resultado de esforço humano ou do fluir da Vida Divina?


O QUE JESUS ESQUECEU
Não sei como aconteceu, mas parece que Jesus Se esqueceu de ensinar aos discípulos como estabelecer uma igreja. Ele pas­sou um bom tempo com eles, cerca de três anos e meio. Estavam juntos todo o tempo, comendo, viajando, ministrando e dormin­do. Entretanto, Ele parece ter Se esquecido de ensiná-los como organizar uma igreja. Nos quatro evangelhos não encontramos registro de tal instrução.
Jesus não explicou como realizar os cultos. Não mencionou como selecionar diáconos ou anciãos. Ele parece ter negligenciado o ensino de como organizar coisas, como fazer alguns encontros, como realizar reuniões de oração, grandes cele­brações ou pequenos grupos. Talvez não tenha passado pela Sua mente deixar instruções sobre como levantar ofertas, pagar os pastores e outras despesas. Ele não deu sugestões de como criar novos grupos para as crianças e atividades para os adolescentes, ou promover retiros e convenções. Ele passou tanto tempo com eles e não lhes ensinou coisa alguma sobre essas coisas e outras tantas que parecem tão importantes.
Mas, de fato, encontramos dois versículos nos quais Jesus nos ensina sobre a Igreja. Um deles é quando Ele especifica­mente diz: "Eu edificarei a minha Igreja" (Mt 16:18). Isto deveria falar profundamente conosco. Ele nunca disse: "Por favor, vão e construam a minha Igreja de acordo com as seguintes instru­ções." Ele insistiu em dizer que Ele iria fazer o trabalho. Ele iria fazer a construção.
Nossa função seria partir e pregar ao mundo sobre Ele. Nós devemos anunciar ao mundo as Boas Novas sobre a Sua Pessoa e sobre a Sua obra. Enquanto nós O ministramos aos outros, Ele vai construindo a Sua casa. Sim, somos Seus colaboradores. Nós temos uma parte para executar. Entretanto, não é construir algo para Ele, mas deixar que Ele trabalhe por meio de nós.
Um segundo versículo no qual Jesus nos fala sobre a cons­trução de Sua Igreja é João 16:13. Ali nós lemos que Jesus iria nos enviar o Espírito Santo e que, quando Ele viesse, nos guiaria à toda verdade. Em vez de ensinar aos discípulos uma lista de instruções e de passos a serem tomados, Ele disse que lhes enviaria o Espírito Santo. Seguindo o Espírito Santo, todos as necessidades de seus corações seriam supridas. A ordem destas coisas é muito importante. Primeiro, Deus derramou do Seu Santo Espírito. Depois, temos o registro de tudo o que Deus fez em Seu povo e por meio de Seu povo.
Todas as características, os dons, as reuniões e os ministérios da Igreja, sobre a qual lemos na Bíblia, eram resultado dos homens e mulheres seguindo o Espírito Santo. Aquelas pessoas não tinham o Novo Testamento. Elas também não possuíam instruções detalhadas de Jesus. Então, eram forçadas a confiar no Espírito Santo dia a dia. Simplesmente tinham de segui-Lo em fé e confiança. Elas eram guiadas por Sua Vida, e a Sua Vida produziu as igrejas que vemos na Palavra de Deus.
Então, se queremos ver essas mesmas coisas acontecendo em nosso tempo e lugar, o que devemos fazer? Precisamos fazer as coisas do mesmo modo que os crentes do Novo Testamento. Primeiro, precisamos ser cheios do Espírito Santo. Depois, pre­cisamos segui-Lo em tudo o que Ele nos levar a fazer. Quando fizermos isso, poderemos ter completa certeza de que a Sua li­derança irá produzir as coisas que vemos no livro de Atos e nas Epístolas. A Vida de Deus somente irá produzir a Igreja.
Por outro lado, se simplesmente tentarmos repetir o padrão que acreditamos ver no Novo Testamento, iremos nos desviar do objetivo. Iremos produzir uma forma vazia, sem o conteúdo essencial. A substância da Igreja no Novo Testamento era a Vida de Cristo, ministrada pelo Espírito Santo. Todas as característi­cas que vemos eram o resultado direto desta Vida. Se nós tam­bém quisermos ver a casa de Deus sendo edificada, precisamos construir do mesmo modo.
Verdadeiramente, Jesus não Se esqueceu de nada. Ele ensi­nou aos Seus discípulos tudo o que era necessário para viver e ser dirigido pelo Espírito Santo. Ele lhes ensinou a humildade; a serem submissos a Ele; a se amarem uns aos outros. Todos os ingredientes cruciais para construir a Igreja eram evidentes em Seus ensinamentos. O que Ele fez foi preparar Seus seguidores para receber e caminhar com o Espírito Santo que lhes seria enviado.


A NECESSIDADE DA BÍBLIA
Quero afirmar aqui, enfática e claramente, que não sou con­tra a Bíblia. Nem estou afirmando que é desnecessário sermos bíblicos em nossa caminhada e em nosso trabalho para o Senhor. De fato, estou ensinando exatamente o contrário. A única questão é COMO usar esse livro.
A Bíblia é absolutamente necessária para a nossa vida e ca­minhada cristã. Ela tem importantes funções para cada crente. Em primeiro lugar, e o principal, ela nos revela a pessoa de Jesus Cristo. Em vez de uma série de regras ou instruções, o principal objetivo da Bíblia é nos revelar Deus. Ele pode ser visto em cada página. Se falharmos em penetrar por trás das palavras e letras, se apenas virmos a forma, mas não compreendermos a Vida da Pessoa que produziu esta forma, perderemos completamente a mensagem.
Essa Pessoa que é revelada na Palavra de Deus é nosso ali­mento. Ela é nossa nutrição espiritual. Precisamos aprender a comer e a beber Dela a cada dia. Como isto é feito? Quando abri­mos a Bíblia, precisamos ao mesmo tempo abrir o nosso espírito para Jesus. Em vez de tentar acumular informações sobre Deus em Sua Palavra, precisamos aprender a realmente ter comunhão com Deus em Sua Palavra. Precisamos encontrar ali uma Pessoa viva e ter um relacionamento íntimo com Ela, à medida que vamos lendo. Esta é a realidade espiritual da comunhão. Comer e beber Cristo em Sua presença, por meio da Sua Palavra.
Eu recomendo que cada cristão passe muito tempo meditan­do na Palavra de Deus a cada dia. Conforme nos enchemos com a Sua Palavra, nosso homem espiritual vai crescendo (1 Pe 2:2). Recebemos nutrição espiritual. Ficamos cheios da Vida Divina. Assim nós temos algo vivo e real para ministrar às pessoas ao nosso redor. Ao invés de lhes contar sobre algo que aprendemos mentalmente, podemos compartilhar com elas Alguém que co­nhecemos intimamente. É assim que podemos trabalhar junto com Deus para construir Sua santa habitação.
Quando oramos, podemos orar no Espírito. Quando louva­mos, nosso louvor pode ser do tipo aceitável, "em espírito e em verdade" (Jo 4:23). Quando ministramos, compartilhamos a substância espiritual que nos tem alimentado. Tudo isso é resul­tado de aprendermos como nos alimentar da Palavra de Deus.
Se você não conhece esse segredo, se não está encontrando Sua doce presença quando abre o Seu livro, então você precisa de algumas mudanças reais em sua vida.
Qualquer coisa que esteja inibindo seu relacionamento espi­ritual com Jesus necessita de tratamento. Qualquer coisa em sua vida que não agrade a Ele necessita de arrependimento. Se você não se sente confortável, em completa transparência e intimi­dade com o seu Salvador, você deve procurá-Lo para compreen­der o que está impedindo esse relacionamento. Então você pre­cisa fazer os ajustes necessários, de maneira que, quando você estiver meditando em Sua Palavra, você também possa estar usufruindo do Seu falar e da Sua presença.
A Bíblia é absolutamente essencial para uma caminhada cristã saudável. Através dela, Deus nos revela a Si mesmo e Sua vontade. Nela, Ele mostra a Sua direção e podemos compreen­der Seus planos e propósitos. A Palavra de Deus nos convence do pecado. Ela nos mostra quando estamos carentes da glória de Deus e longe de Sua vontade. Ela nos desafia, mostrando-nos onde estamos falhando em manifestar a natureza divina. Ela nos revela como Deus tem conduzido e usado outros irmãos, abrindo novas perspectivas para nossa vida espiritual e para a nossa obra.
Referente à Igreja, a Bíblia nos mostra qual é o produto final, de modo que possamos procurar Jesus, em busca de vivenciar a mesma coisa em nosso meio. Se percebermos que certas carac­terísticas estão faltando, precisamos orar para que Ele nos leve a adquiri-las. Em vez de tentar corrigir qualquer falha por nós mesmos, precisamos nos voltar para Deus.
Nenhum plano ou procedimento humano é necessário. Precisamos deixá-Lo nos convencer das atitudes ou ações que estão inibindo o fluir de Sua Vida. Precisamos abrir nossos corações e nossos espíritos para Ele fazer qualquer obra que seja necessária. Quando vemos instruções na Bíblia que estão faltan­do na parte do corpo de Cristo a que estamos ligados, somente Ele poderá produzi-las em nosso meio.
Vamos supor, por exemplo, que alguns estão sentindo falta de algo entre os jovens. Talvez eles não estejam sendo adequada­mente tocados pelos ministérios que existem. Então, o que faze­mos? Devemos instituir algum tipo de programa ou de ativi­dade ou encontrar alguém que irá suportar nos ombros o peso de supervisionar esse grupo? É esse o modo de Deus trabalhar? Há uma grande chance de que isso produza meramente uma outra forma vazia.
Mas há uma outra opção. Aqueles que vêem a falta de algo devem começar a orar. Podem começar a interceder a Deus para que Ele venha suprir essa necessidade. No tempo certo, Ele irá levantar alguém com unção para ministrar nesta área. Ele encontrará alguém que Ele já preparou para tratar dessa neces­sidade. Então, em vez de mais um programa de igreja, teremos um ministério ungido, que Deus irá usar para edificar a Igreja.
Além disso, quando vemos acontecendo ações entre nós que não se fundamentam na Palavra de Deus, precisamos ser cor­rigidos pela Palavra. Por exemplo: quando alguém está exer­cendo sobre outros um tipo de autoridade que não está nas Escrituras, sabemos que isto não vem de Deus. Quando existe pecado; quando existe uma ênfase equivocada na "liberdade"; quando alguma doutrina ou prática estranha é notória; então a Bíblia é essencial para nos convencer. Este livro santo é de algu­ma forma semelhante à foto da planta que desejamos ver. Todas as práticas e hábitos entre nós que não estão em conformidade com o quadro bíblico devem ser descartados.
De maneira alguma estou negando a necessidade da Bíblia. Só estou dizendo que este livro pode ser usado de dois modos. Pode ser usado como fonte de Vida ou pode ser usado como uma ferramenta legalista para ministrar morte aos outros. Paulo diz que ele e seus colaboradores eram "...ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito". E amplia esta idéia expli­cando que "a letra [das Escrituras] mata" (2 Co 3:6).
Tudo isso foi escrito para dizer que podemos usar mal a Bíblia. Podemos usá-la para ensinar um padrão. Podemos insistir na aparência superficial daquilo que acreditamos ver e perder a substância dela. Podemos realmente trazer dano espiritual aos outros e até mesmo a morte espiritual através de tal ministério. Ou podemos usá-la como fonte de Vida. Por meio de nosso relacionamento íntimo com Jesus em Sua Palavra, nós podemos compartilhar esta Vida com outros para edificá-los. A conclusão de Paulo então se torna a nossa experiência: "Mas o Espírito [das Escrituras] dá vida [ZOÊ]" (2 Co 3:6).


A FORMA ESTÁ NA VIDA
Uma conclusão a que podemos chegar, pela nossa discussão anterior, é que, quando estamos trabalhando junto com Deus para construir Sua morada eterna, não precisamos nos preocu­par muito com a forma que ela vai tomar. Não precisamos gas­tar tempo e energia organizando, planejando e manipulando a estrutura. Não temos necessidade de tentar controlar nada nem ninguém. Se Deus não está no controle, nossos esforços são vãos. "Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam" (Sl 127:1). Nossa principal necessidade é aprender como ministrar Jesus Cristo uns aos outros e ao mundo que perece.
Conforme já mencionamos, podemos ter inteira confiança na semente da Vida. A forma da Igreja está na semente de Vida que estamos semeando. Por exemplo, se plantamos uma semente de milho, crescerá trigo dessa semente? É claro que não. Se plantar­mos uma semente de feijão, brotará dessa semente um pé de tomate? Nunca! Portanto, quando estivermos ministrando Jesus Cristo, Sua semente irá produzir a Igreja e nada mais.
Podemos confiar completamente nesse fato. Nossa fé precisa repousar na habilidade de Jesus Cristo para fazer o que Ele disse que faria - edificar a Sua Igreja. À medida que nós simplesmente fazemos a nossa parte, em obediência ao Seu Espírito, Sua casa será edificada. Podemos descansar, crendo que Ele é capaz de fazer tudo que vai satisfazer Seus desejos.
A vida cristã deveria ser de grande simplicidade. Precisamos nos tornar como criancinhas. Nossa meta não deve ser nos tor­nar grandes e termos uma organização enorme debaixo de nossa autoridade. Não temos necessidade de tentar controlar o modo como as coisas estão indo. Não há necessidade de organizar gru­pos ou igrejas. O simples objeto de nosso trabalho é ajudar os outros a se transformarem à imagem de Jesus Cristo. Deste modo, e somente deste modo, a casa de Deus é construída.
Esse tipo de ministério envolve uma grande fé em Jesus Cristo. Significa que precisamos seguir nosso Líder invisível a cada dia. Precisamos confiar que Ele sabe o que está fazendo e irá nos conduzir. Precisamos aprender a depender completa­mente de nossa comunhão espiritual com o nosso Salvador ressurreto.
Aqui não há necessidade de forma ou fórmulas. Não pre­cisamos de algum tipo de doutrina especial que nos garanta que faremos a coisa certa. Sabemos que O estamos agradando, porque estamos caminhando com Ele em um relacionamento de fé.
Por outro lado, o ser humano natural gosta de um tipo de segurança terrena. Ele aprecia algo planejado anteriormente. Quer saber o que irá acontecer amanhã. Coloca grande confi­ança nas coisas que são visíveis e tangíveis. Portanto, ele anseia por algo organizado, bem planejado e "seguro". Ele quer um tipo de estrutura terrena da qual ele possa depender.
Se vamos construir a morada eterna de Deus, precisamos construí-la com Vida. À medida que esta Vida cresce dentro de cada um, a forma da Noiva irá aparecer. Como Deus Se agradará dessa visão! Como o coração do Noivo está esperando por uma Noiva viva que seja semelhante a Ele!
Quando ela estiver cheia de Sua Vida e natureza, quando estiver se movendo pelo Seu Espírito e respondendo a cada desejo Dele, Ele vai adorar a presença dela! Esse é o tipo de experiência da Igreja que atrai a presença do Senhor. Esse é o tipo de casa onde Ele Se agrada em morar.
DEVEMOS FAZER NADA?
Estamos enfatizando aqui o perigo de se construir uma estrutura meramente religiosa. Vimos como apenas a Vida de Deus pode produzir a forma que Ele deseja. Mas isto significa que nós não devemos fazer nada? Por medo de fazer a coisa errada, devemos simplesmente nos sentar e observar? Certa­mente que não! Os resultados dessa revelação deveriam ser que muitos outros irmãos e irmãs se sentissem livres para seguir o Espírito Santo e fazer o que Ele os está levando a fazer.
Uma vez que nós tenhamos adquirido um temor de constru­ir com materiais errados, uma vez que já tenhamos visto o peri­go do esforço humano, deveríamos estar muito mais equipados para fazer o que Jesus nos está direcionando a fazer.
Não precisamos mais esperar que nossos "líderes" nos digam o que vai acontecer ou esperar uma orientação. Não pre­cisamos mais da aprovação de uma instituição para fazer o que Deus quer que façamos. Cada membro do corpo é livre para seguir o Espírito Santo. Cada um pode construir de acordo com a Sua liderança.
Todas as pessoas têm algo para fazer. Qualquer um pode evangelizar. Talvez algum irmão ou irmã possa abrir as portas de sua casa para um estudo bíblico, uma reunião de oração ou para aconselhamento. Aqueles que têm dons devem visitar os outros, ministrando a eles a sua porção. Curas e profecias, lou­vor e oração não se limitam a uma construção religiosa. Há coisas que ainda podemos experimentar "de casa em casa" (At 2:46). Nenhum membro do corpo deveria estar inativo. Cada um tem algo para executar. Com o "auxílio de toda junta" (Ef 4:16), cada membro da Igreja de Cristo é importante para a edificação do todo.
Complacência não é recomendada aqui. Seremos respon­sáveis perante o Senhor se não fizermos nada com todas as coisas maravilhosas que Ele nos tem dado. Então, ocupe-se!Movendo-se em temor a Deus, obedeça-O naquilo que Ele está dirigindo você a fazer. Muitas pessoas estão dependendo de sua porção de Cristo para alcançar crescimento e bem-estar.


O PROBLEMA DA MISTURA
Temos falado sobre a experiência de Igreja que é nascida, conduzida e cheia do Espírito Santo. Isso é o ideal. Mas, quando olhamos ao nosso redor, vemos muitas construções que não são feitas com substâncias divinas. Muitos grupos manifestam uma mistura do humano e do divino. As obras dos homens e a obra de Deus parecem estar ocorrendo no mesmo contexto.
Muitas situações não são extremas, isto é, não são uma coisa ou outra. Em muitos grupos, embora pareça claro que as mãos dos homens estejam trabalhando, algumas vezes vemos evidên­cia do Espírito Santo também. Por exemplo, em algumas organi­zações religiosas humanas, podemos ver homens e mulheres nascendo de novo. Alguns estão crescendo na fé. Outros estão sendo libertos de diversos problemas. O que podemos pensar disso?
Deus é muito simples. Ele não insiste em que devemos estar completamente certos sobre tudo antes que Ele comece a traba­lhar conosco. Se Ele insistisse em que estivéssemos completa­mente certos, Ele nunca poderia trabalhar com ninguém. Então nosso Senhor Se humilha e tenta Se adaptar às nossas obras, quando Ele acha um espaço ou uma oportunidade. Ele encontra meios de trabalhar ao nosso redor e apesar de nossas cons­truções humanas. Por ver fome espiritual entre o Seu Povo, Ele descobre um modo de ministrar às suas necessidades.
Por exemplo: Ele pode dar a um pastor uma mensagem ungida; pode inspirar um irmão ou uma irmã para orar pela cura de uma outra pessoa, pela libertação de alguém ou por qualquer outra necessidade; pode levantar alguns para interce­der pelo grupo e pela liderança; e sem dúvida, Ele irá usar os diferentes membros para espalhar o Evangelho aos ímpios.Essas e muitas outras coisas Deus fará entre nós, apesar de qual­quer estrutura religiosa humana que tenhamos.
Talvez muitos fiquem confusos, interpretando mal o fato de Deus agir entre eles, entendendo que têm Sua bênção sobre tudo o que estão construindo. Já que eles vêem que Deus os está usan­do em algumas coisas, então supõem que Ele está aprovando tudo o que eles fazem. Eles se enganam, achando que os frutos que vêem são o resultado das ações deles.
A verdade é que Deus responde a corações abertos. Quando vê anseios espirituais entre o Seu povo, Ele faz tudo o que pode para suprir suas necessidades. Ele encontrará maneiras de tra­balhar ao lado das construções humanas para cumprir os Seus propósitos. Portanto, alguém pode perguntar: Então, por que a estrutura é tão importante? Que diferença faz o modo como construímos? Por que esse autor se preocupa tanto em constru­ir somente com materiais divinos e da maneira desejada por Deus se os resultados são os mesmos?
O problema com a construção inadequada é que ela atrapa­lha a obra de Deus. Ela fica no Seu caminho. Embora Ele possa encontrar maneiras de trabalhar ao redor dela e ao lado dela, ela é uma espécie de obstáculo para aquilo que Ele verdadeira­mente quer fazer no Seu corpo e com o Seu corpo. O nosso Senhor deseja fazer muitas coisas e o fará, se dermos abertura para isso.
Se a nossa construção não for simplesmente um impedimen­to, Jesus pode trabalhar por meio de nós muito mais eficiente­mente. Se aprendermos a trabalhar lado a lado com Deus, usan­do os Seus materiais, nosso trabalho para Ele será muito mais efetivo. Se o que nós fazemos da maneira errada, usando mate­riais errados, pode ser um pouco usado por Ele, imaginem o que Ele fará se nós realmente trabalharmos de acordo com o Seu plano.
O poder de Deus e as Suas bênçãos serão muito mais abun­dantes, se fizermos as coisas do jeito Dele. Muitos ímpios se con­verterão. Muito mais vidas serão verdadeiramente transformadas. Muito mais casamentos serão restaurados. Mais curas acontecerão. Mais discípulos verdadeiros serão feitos por Ele. Esses e muitos outros benefícios ocorrerão quando aprendermos a trabalhar junto com Ele, usando os Seus materiais. Quando aprendermos a permanecer Nele, iremos produzir muito mais frutos e estes frutos serão do tipo que dura para sempre, passan­do pelo teste do dia do Julgamento (Jo 15:5).
Então devemos tolerar a mistura? Certamente que não! Se nós expurgarmos o "velho fermento", seremos santos para o Senhor (1 Co 5:7). Se trabalharmos junto com Ele para limpar o Seu Templo, Sua presença será manifesta entre nós muito mais poderosamente! À medida que começamos a construir junto com Ele, usando os Seus materiais, Ele realmente vai começar a viver permanentemente entre nós.
Esta experiência de ter Deus morando e Se movendo no meio de Seu corpo, é um tipo de experiência que poucos têm conhecido de maneira poderosa. Entretanto, esta é a Sua von­tade. Quando nós correspondemos aos Seus critérios e construí­mos algo que seja verdadeiramente a Sua casa, Ele virá e fará morada entre nós. Isso resultará em um tipo potente de cristandade, com a qual muitos nem sequer sonharam. Então, não vamos nos satisfazer com uma construção onde Deus nos visite apenas de vez em quando, mas, sim, com uma onde Ele Se agrade em morar.


PURIFICANDO O TEMPLO
O Novo Testamento relata que Jesus fez um tipo de chicote e purificou o Templo, mas uma leitura cuidadosa das Escrituras mostra um fato ainda mais interessante. Parece que Ele purifi­cou o Templo duas vezes, uma no começo de Seu ministério e, de novo, no final. No Evangelho de João, esse episódio é re­gistrado imediatamente depois do primeiro milagre de Jesus. Durante a Páscoa, Ele fez um chicote de cordas e lançou fora os cambistas e os animais. Isso foi no início de Seu ministério (Jo 2:13-16). Mas também no Evangelho de Lucas, depois da "entra­da triunfal" de Jesus em Jerusalém, montado em um jumento, lemos: "Então Ele entrou no Templo e começou a expulsar os que estavam vendendo" (Lc 19:45- NVI). Parece claro que acon­teceu uma segunda purificação - algo que Ele fez no final de Seu ministério.
É possível considerarmos esses eventos como proféticos, pois, quando o Espírito Santo foi derramado no dia de Pentecostes, Deus fez uma "limpeza" em Seu Templo. Ele arran­cou o Seu Povo da velha forma religiosa do Judaísmo e começou uma construção nova e limpa. Entretanto, durante anos, entre aquela época e hoje, o homem tem feito muitas coisas para nova­mente poluir e degradar o que Deus considera santo.
Vamos pensar nisto por um momento. Será possível que nestes últimos dias, no final da "Era da Igreja", Ele queira purificar outra vez o Seu Templo? É possível que nesta "última hora" Jesus outra vez deseje levantar Seu povo e fazer uma obra purificadora?
A minha crença é que será assim. Meu contato com homens e mulheres em toda parte do mundo me leva a acreditar que esse é o Seu plano. Essa revelação do Seu Templo não é isolada ou única. É uma visão que Deus tem dado a muitos no meio de Seu povo, em muitas partes do mundo nestes últimos dias.
Com isto em mente, a questão agora é esta: Você deseja tra­balhar junto com Deus nesse projeto? Você está pronto a desistir de toda forma religiosa vazia e se mover com o Espírito Santo na obra que Ele está fazendo hoje? O seu coração pode responder ao chamado de Deus para purificar Seu Templo e construir Sua verdadeira casa?
Se pode, esta é a hora. Hoje é o dia para rejeitar todos os esforços humanos e métodos terrenos. Agora é a hora do arrependimento de tudo o que temos feito, usando apenas madeira, feno e palha. É agora, no final desta era, que pre­cisamos atender ao Seu chamado e ajudar a preparar Sua Noiva para a Sua volta.





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