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Versículo da semana:

VERSÍCULO DA SEMANA:
"E por que me chamais: Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu vos digo?" (Lucas 6:46)


Frase do momento

Frase do momento:

"Não é minha intenção atacar o denominacionalismo do cristianismo como errôneo. Eu somente quero dizer que para que o corpo de Cristo encontre uma efetiva expressão local, a base de comunhão deve ser verdadeira. E esta base é a relação de vida dos membros com o Seu Senhor e a sua desejosa submissão a Ele como o Cabeça. Tampouco estou pleiteando por aqueles que irão fazer uma seita carnal daquilo que poderia chamar de 'localismo', isto é, a estrita demarcação de igrejas por localidades. Porque tal pode ocorrer facilmente. Se o que estivermos fazendo hoje em vida se tornar amanhã um mero método, tal que seu próprio caráter alguns dos Seus forem excluídos, possa o Senhor ter misericórdia de nós e quebrar tudo!" (A Vida Normal da Igreja Cristã, capítulo 4. Grifo nosso)

1 de ago de 2013

A Igreja, o Corpo de Cristo

A igreja que é o Seu Corpo (Theodore Austin-Sparks)

Quando desejamos ter uma maior revelação deste ‘mistério’, instintivamente retornamos à epístola aos Efésios. Nesta carta observamos primeiro, o fato preliminar de que a igreja é chamada «o corpo de Cristo», é «a igreja que é o seu corpo». Isso distingue, nesta carta, a igreja de outras designações que encontramos em outros lugares, como o templo, a casa de Deus e outras, mas nesta carta é particularmente o corpo de Cristo.
Agora, a palavra que parece predominar nesta carta com respeito a essa designação é a palavra «juntos». É impressionante observar quão frequentemente aparece essa palavra. Aqui nos diz: «sois juntamente», nele. Isso não significa apenas que a nossa reunião foi individualmente com o Senhor Jesus em sua ressurreição, mas também fomos postos corporativamente nele; não só com ele, mas também postos nele corporativamente.

A eterna unidade do Corpo
Na ressurreição do Senhor Jesus toda a igreja foi incluída juntamente. E então no mesmo verso, 2:6, fomos «ressuscitados juntamente» com ele. Além disso, no mesmo lugar, diz-se que nós fomos «assentados
juntamente» com ele. Voltando um pouco, em 1:10, fomos «reunidos em um» e então outra vez em 2:21, «coordenados juntos». No verso 22 somos «juntamente edificados». Esta palavra «juntos» nos traz para a visão, de uma maneira muito simples, o fato da natureza corporativa da igreja, o corpo de Cristo.
Desejamos captar a força completa disso tanto quanto for possível, porque esta carta acentua o fato de que a igreja é um Corpo corporativo; não que o será um dia quando o trabalho da graça terminar; nem que esteja meramente na vontade e intenção de Deus; mas que é; isso, apesar do que vemos hoje na terra; apesar do número cada vez maior de divisões e divergências na comunhão do povo de Deus na terra; apesar de tudo isso, a igreja segue sendo ainda um todo corporativo.
É assim, não quanto às pessoas na terra, mas quanto à natureza essencial da igreja, o corpo de Cristo. Nenhuma divergência –que é fortuito nas relações do povo cristão na terra– pode alterar esse fato. As diferenças que existem em relação a diversas mentalidades, opções e preferências, gostos e aversões, aceitações ou rejeições intelectuais –  todas essas diferenças não tocam o supremo fato de que há um âmbito no qual existe uma totalidade, uma unicidade, uma corporatividade que não se vê afetada por coisa alguma do homem em si mesmo, religiosa ou teologicamente.
É obvio, existe um âmbito no qual pode haver uma brecha na comunhão, que entra no reino do espírito e onde se afeta o espírito. Ali podemos definitivamente desferir um golpe no corpo de Cristo, mas este corpo é em última instância um; o qual, é obvio, indica claramente que este é algo mais que uma coisa terrestre e que é um corpo divino, que não pode ser afetado e tocado pela terra.
Nós estamos inclinados a aceitar o que vemos, a ser afetados pelas divisões que estão presentes, e quase nos desesperamos por causa do que vemos. Quanto antes pusermos tudo isso de lado, tanto melhor, e ainda que haja cinqüenta mil facções terrestres do povo cristão, o corpo de Cristo continua sendo um. É um corpo que não pode ser dividido; segue sendo um. Esse é o fato básico ao qual devemos nos voltar, pois é onde começamos.
Esta carta, na qual há a revelação do mistério de Cristo e dos seus membros, a igreja, declara enfaticamente o fato da natureza corporativa do Corpo. Não argumenta sobre isso nem o discute; dá-o por estabelecido. É obvio, há graus de desfrute e de frutificação disso, mas não há graus no próprio fato. O fato permanece sólido e estável. Nosso assunto é entrar no fato de estar assentado e em seu significado; mas o fato de não entrar no significado completo dele não significa que não existe.
O problema é que nós não entramos no que Deus estabeleceu desde o começo; quer dizer, temos que saber o que é que faz o corpo ser um, e esse é o nosso assunto. A unidade existe; a nossa tarefa é captá-la, não fazê-la. Notemos que a carta aos Efésios ainda está vigente, ainda é aplicável, segue sendo verdade hoje. Depois de todos estes séculos, quando vemos as facções e as divisões do povo cristão, a carta de Efésios segue sendo o que foi no princípio, e representa o corpo como um todo sólido, uma unidade corporativa.
É só quando nos elevamos nos lugares celestiais, longe dos terrestres, que começamos a entrar nesse fato e a compreender o que este significa para Deus, para os lugares celestiais, para o inferno, e para este mundo. Portanto, para que entremos no fato com tudo o que implica quanto à vocação e à vida eficaz, temos que valorizar completamente o assunto por causa da nossa posição em Cristo nos lugares celestiais, e ver exatamente onde fomos postos espiritualmente; porque, enquanto não chegarmos a reconhecer isso e entrar em nossa posição divina em Cristo, não poderemos ver, apreciar ou entrar no significado desta realidade divina da igreja, que é o seu Corpo. Não podemos ver a igreja do plano terrestre; só podemos vê-la dos lugares celestiais.
Não desejo passar por isso como simplesmente declarando algo. Desejo que obtenhamos o benefício disso. Você e eu podemos ter um desacordo, mas isso não faz diferença em nossa relação no Senhor Jesus. O fato de que possamos discordar não nos separa como membros do corpo de Cristo. Não, essa é a nossa perda, é a nossa vergonha, é algo incidental em nossa vida cristã, é uma interrupção em alguma parte da graça em nós, mas nos recuperaremos disso se nos rendermos ao mover do Espírito em nós, e nos voltamos para constatar que não temos sido meramente reincorporados em Cristo, em seu Corpo, mas esse fato permanece.
Vocês vêem que o princípio de ação é este: há muita divisão entre os crentes nesta terra, mas não devemos aceitar isso como a última palavra. Não temos que tomar isso como significado de que alguns estão em Cristo e outros estão fora de Cristo, de que nós estamos em Cristo e outros não estão, e de que todo o corpo paralisou e se desintegrou. A única esperança de gozar do fato é que repudiemos o que parece ser outra coisa, e busquemos do alto o que, sendo terreno, provoca estas coisas, e descubramos que estamos nos lugares celestiais, e vivamos em comunhão. Esse é um princípio de ação e deveríamos reconhecer que é o significado do fato. Temos que aceitar o fato, e temos que tentar vencer ou negar as outras coisas que se opõem a esse fato definitivo.

A natureza do corpo de Cristo
Agora passemos a considerar a natureza da vida corporativa da igreja. Desejamos observar primeiro um ou dois fatos absolutamente elementares que, no entanto, levam sempre um novo significado a aqueles que estão espiritualmente vivos para o Senhor. A primeira verdade simples é esta: que o termo «o corpo de Cristo» é peculiar ao apóstolo Paulo. Outras designações da igreja se encontram antes dos dias de Paulo e em outras partes das Escrituras fora dos escritos de Paulo, mas o título, «o corpo de Cristo,» «o corpo», «a igreja, que é o seu corpo,» é peculiar a Paulo.
A idéia de igreja não era uma nova idéia em sua totalidade. O povo do Senhor estava familiarizado com esse título. Jesus tinha falado de sua igreja aos apóstolos. Mas quando se fala dessa igreja como o corpo de Cristo, é um novo conceito que traz consigo uma nova apresentação da sua natureza. Fala em forma muito enfática e clara que a igreja, segundo Deus vê, não é apenas uma comunidade nem uma congregação, não é algo denominacional, interdenominacional, ou até adenominacional.
Você pode utilizar o termo «igreja» e ter uma mentalidade a respeito desse termo que conceba a igreja como uma comunidade de pessoas cristãs, uma sociedade cristã, uma companhia de pessoas na terra com um interesse mútuo nas coisas de Cristo. Mas esta designação, «corpo», leva as coisas para um âmbito totalmente diferente. É um corpo. Não um corpo de pessoas, mas aquele que é representado e ilustrado pelo corpo físico de um homem. Não significa que a igreja é o corpo físico de Cristo, não me interpretem mal, mas o corpo físico de um homem é tomado como ilustração do que é a igreja.

Há tal coisa como um «Corpo» local?
Agora, outro fator na verdade do corpo de Cristo é que não há coisa tal como um corpo local. Há igrejas locais, ou assembléias locais, mas não há coisa tal como um corpo local. Isso se torna claro em uma passagem, ao menos quando está traduzido corretamente –1ª Coríntios 12:27– onde a desafortunada tradução de algumas das nossas versões é: «Nós somos o corpo de Cristo». No grego não há o artigo; ali não diz: «Vós sois o corpo de Cristo», mas: «Vós sois corpo de Cristo». Isto dá uma aparência inteiramente distinta à assembléia local. Esta palavra dita a uma companhia local de crentes em Corinto implica muito claramente que a parte é o todo em sua repercussão, que o corpo local é o todo em representação, o corpo inteiro é representado por essa companhia local.
Você não pode cortar muitos membros de uma estrutura física e pô-los em uma esquina e chamar a isso de corpo. Em qualquer lugar que os membros de Cristo estejam, na implicação e na representação, ali está todo o corpo de Cristo, e o pensamento do Senhor é que cada companhia local seja uma representação viva do corpo inteiro, um microcosmos de todo o corpo de Cristo. O que é verdade do corpo inteiro tem que ser verdade ali, porque não há uma companhia isolada, uma assembléia separada; ali está implicitamente o corpo inteiro. Isso envolve –percebendo-se ou não– todos os grandes elementos e fatores do corpo de Cristo.
Isto nos mostra em forma absolutamente clara que nada no pensamento de Deus é departamental, separado ou independente. No pensamento de Deus tudo o que tem que ver com a sua igreja é universal, relacionado e interdependente; a igreja é uma. Significa que vocês estão tão vitalmente relacionados com outros crentes, que vocês são o corpo de Cristo em implicação, em efeito, e em natureza. Isto declara o mais enfaticamente possível que a parte é o todo no pensamento de Deus, e que deve ser considerada como o todo.
Ponhamos desta maneira. Aqui estamos nós, neste lugar, nesta parte desta cidade, uma companhia do povo do Senhor, e vitalmente relacionada a esta companhia aqui está o corpo inteiro de Cristo. Não somos uma companhia separada, uma assembléia independente, estamos em uma união espiritual viva e funcional com qualquer outro membro do corpo de Cristo inteiro neste mundo em qualquer lugar que ele possa estar, seja na França, Suíça, Alemanha, Polônia, América, África, China, a Índia, etc., todos estão aqui na relação do corpo de Cristo, e todos implicados juntos em nossa reunião.
Temos que ver isto logo e mais plenamente, mas uma vez que esse princípio espiritual é apreendido, temos os nossos pés no caminho do nosso ministério universal. Sempre que nos reunimos juntos, mesmo sendo só dois ou três, o corpo inteiro se reúne conosco nos lugares celestiais e é afetado juntos por nossa reunião. É tremendo pensar que dois ou três dos filhos de Deus reunidos em um lugar, qualquer que seja, em contato vivo com a Cabeça, estão afetando e podem afetar a todo o corpo de Cristo; cada membro, mesmo que sejam aos milhares, pode afetar o corpo de Cristo.

O Corpo, complemento de Cristo
Agora, além disso, a igreja como corpo é o complemento e a plenitude de Cristo, associado a ele como Cabeça sobre todas as coisas; complemento, conclusão e plenitude de Cristo. Estamos em Efésios, vocês sabem, e aqui a igreja, o corpo é «a plenitude daquele que tudo enche em todos», a igreja é considerada como a plenitude dele. Associada com ele como Cabeça sobre todas as coisas. Para ilustrá-lo: mesmo quando não tinha sido revelada, quando era ainda um mistério através dos séculos e das gerações, a verdade do corpo em princípio está contida na Palavra desde o início.
Nunca havia sido revelada ou mencionada especificamente, mas está ali. As verdades são eternas, e desde o começo temos um princípio do corpo representado e ilustrado no caso de Adão e Eva. A mulher foi tirada do homem e depois foi trazida ao homem para completá-lo, e isso é a igreja, isso é o corpo de Cristo; tirado de Cristo e depois trazido a Cristo para completá-lo. Sua conclusão, seu complemento a sua plenitude associado com ele como Cabeça. «Pois o marido é a cabeça da mulher, assim como Cristo é a cabeça da igreja», associada com ele como Cabeça sobre todas as coisas. Tomaremos de novo isso agora para a sua aplicação prática.
Observemos mais, porque a palavra do Senhor dada revela a igreja como completa na mente de Deus em qualquer época. Isto nunca muda com os tempos na palavra de Deus, quer dizer, passado, presente e futuro. Está sempre completo no presente, na mente de Deus. O Senhor nunca fala da igreja como aquela que um dia será completa; o Senhor nunca fala de uma culminação da igreja em um tempo futuro. Há frases tais como estas: «o corpo inteiro», que é uma declaração agora, como se nos dias de Paulo, quando ele escreveu essa frase, o corpo estava completo; ele está falando AGORA sobre o corpo inteiro. «Todo o corpo, bem ajustado», falando em seus próprios dias.
Você tem que decidir se só os santos nos dias de Paulo compunham o corpo de Cristo, ou desprezar isso e admitir os crentes depois dos dias de Paulo, você tem que ir para esta conclusão que no pensamento de Deus, conforme expressado pelo Espírito Santo nestas palavras, o corpo está completo em qualquer tempo. Isso nos leva de novo à palavra de Efésios, a «antes dos tempos eternos» quando Deus completou o corpo em sua própria mente, «aos que de antemão conheceu, os predestinou». Ali na eternidade passada, a coisa era completa, e esse completo na mente de Deus existe em qualquer tempo e em todo o tempo.
Então, notaremos que o corpo é para a visualização de Cristo. Assim como um homem se manifesta a si mesmo através do seu corpo, da mesma forma Cristo se expressa através do seu corpo, e a suprema e toda inclusiva função do Corpo é para a visualização de Cristo.

O Espírito Santo, fator de unificação no Corpo
Quanto ao grande fator da unificação no corpo de Cristo, este não é a aceitação mútua de certas verdades apresentadas. Isso não se constitui o corpo de Cristo. Não é porque todos nós concordamos em crer certas doutrinas. O fator de unificação do corpo de Cristo é o Espírito Santo. «Porque por um só Espírito fomos todos batizados em um corpo» (1ª Cor. 12:13). «Um corpo, e um Espírito» (Ef. 4:4). Cada um de nós tem individualmente um espírito, um espírito separado. O corpo de Cristo tem só um Espírito e esse é o fator que faz o corpo um.
Agora, você pode ver clara e imediatamente como procedem, a partir disso, muitos assuntos práticos. A necessidade, por exemplo, de receber o Espírito Santo. Isso é muito elementar, eu sei, mas é um fato fundamental. Nosso «talento como homens de igreja» se prova nessa verdade. Recebemos o Espírito Santo? Então o fato não é suficiente, a função é necessária; e para que o corpo funcione, é necessário não só que os membros recebam o Espírito Santo, mas também o Espírito Santo deve ter seu lugar pleno em cada membro. O seu lugar completo!
Agora, a ordem das coisas, não cronologica, mas espiritual, é muito clara na ordem do Novo Testamento. Romanos precede a Coríntios, e Coríntios precede a Efésios, e assim necessariamente. Romanos traz a cruz especificamente para pôr de lado o homem natural. Coríntios tem como seu objetivo, sua ênfase, sua nota, o lugar de Cristo no senhorio absoluto. Todo o problema em Corinto era porque o Senhor Jesus não estava em seu lugar como Cabeça soberana, como Senhor; e a palavra do apóstolo é: «Nós proclamamos a Cristo Jesus como Senhor». Eles faziam dos homens senhores – Paulo, Apólo, Pedro; punham homens no lugar do Senhor Jesus.
Eles punham coisas no lugar do Senhor Jesus, inclusive naquilo que era espiritual, não lhe davam seu devido lugar como cabeça soberana absoluta, e a carta foi dada para esse propósito. Romanos, para pôr de lado o homem natural, e Coríntios, para trazer para Cristo o seu lugar como Senhor; então pode vir Efésios e você tem, conforme o que foi construído sobre esses dois princípios –o homem natural posto de lado, e o Senhor Jesus estabelecido como Senhor – o corpo apresentado e funcionando sobre essa base dupla.
Não se pode ter uma expressão do corpo de Cristo até que se ponha de lado o homem natural. A elevação do homem natural em qualquer maneira ou medida viola o corpo inteiro de Cristo, e é um forte antagonismo à soberania do Espírito Santo. A carne não pode ter lugar no corpo de Cristo se o corpo de Cristo tem que ser aquilo que o Senhor concebe que deva ser. Para que funcione, o Senhor Jesus deve ser absolutamente Senhor no caso de cada crente.
De modo que essa é a ordem, e então, o método do Espírito é revelado outra vez em sua sabedoria seguindo por Colossenses. A epístola aos Colossenses vem cronologicamente antes, mas espiritualmente depois de Efésios. Colossenses é a herança completa em Cristo, a plenitude de Deus concedida em Cristo, é a soma total de toda a plenitude divina. Colossenses é o complemento do Novo Testamento do livro de Josué. Cristo é a herança. Ele é a terra da promessa que flui leite e mel, a terra de riquezas e abundância. Ele é tudo isso, e você entra na plenitude de Cristo como o corpo no terreno do reconhecimento do Seu senhorio, onde a carne, o homem natural, é posta de lado.
Isso é o corpo de Cristo em sua natureza. Aplique essas leis hoje e você conseguirá uma expressão viva daquilo que está em Efésios. A razão pela qual carecemos ou temos muito pouco da expressão do que há em Efésios hoje – o corpo que funciona poderosamente nos lugares celestiais –, é porque o homem natural não foi eliminado, porque Cristo não está em seu lugar como Senhor absoluto.
Portanto, o que é básico em primeiro lugar para a igreja, o corpo de Cristo, e para a revelação do corpo de Cristo, é a operação prática da cruz. Nunca poderemos ser guiados pelo Senhor para ver o corpo de Cristo até que sejamos levados a ver Romanos, especialmente Romanos 6, até que haja uma revelação da cruz para nós. Não falo de uma apresentação do princípio da cruz, mas sim de uma revelação da cruz.
Falando a título pessoal, uma pessoa pregou Romanos 6 por anos, pregou a mensagem da cruz por anos, como verdade escriturística, e você poderia não achar nenhum defeito em tal doutrina. Mas a aplicação prática dela ainda não tinha encontrado lugar, e veio o tempo quando o Senhor o confrontou com as implicações de Romanos 6, e foi como se não soubesse nada de Romanos 6, porque a coisa foi tão drástica que o abalou profundamente. Há uma grande diferença entre a doutrina da cruz e a sua aplicação.
Quando isso operou em nós, vimos que o Senhor nos tinha incluído na morte de Cristo, não só como pecadores, mas como homens com cada partícula de nosso equipamento natural, nossa habilidade natural, inclusive para pregar o evangelho (uma facilidade natural para pregar), e todas aquelas coisas que foram empregadas no serviço cristão como nossos recursos, o intelectual e qualquer outra área.
O Senhor nos leva a ver que tudo foi incluído na morte de Cristo e que todas as coisas têm que sair dele mesmo na nova criação (que é a lei do servo do Senhor, como o Senhor Jesus mesmo disse: «Eu não faço nada por mim mesmo», João 5:19, tudo agora vem de Deus, de uma vida de total dependência dele em tudo). Quando isso foi aplicado de uma maneira prática, significou uma enorme comoção e por um tempo foi a morte para tudo, foi o final.
Por anos, havíamos pregado sobre a igreja que é o seu corpo, tínhamos estado em um espírito e uma estrutura interdenominacional na mente, havíamos olhado para todos os crentes como membros da única igreja, a única grande comunidade espiritual, tínhamos estudado Efésios o mais a fundo possível. Mas quando a coisa começou a irromper como uma revelação do céu foi como se não soubéssemos nada sobre isso em absoluto, e a operação prática foi tremenda, causando outra revolução, porque o ensino que nunca antes expôs questões práticas em certos âmbitos, agora começou a se apresentar.
Por exemplo, com o ensino sem revelação, a questão denominacional nunca foi exposta em sua totalidade; mas quando veio a revelação, achou-se impossível ser um denominacionalista. Não que houvesse uma mera atitude mental, mas tínhamos entrado em uma posição espiritual onde uma pessoa estava fora da coisa inteira e era uma contradição entrar nessa coisa quando alguém estava fora dela. Eu estou ilustrando, não estou aplicando isto a vocês como ensinamento e dizendo que o ensino do corpo de Cristo exige que vocês deixem uma denominação.
A revelação pode lhes pôr em outra posição, mas não os move pela mera doutrina, ou por causa daquilo que digo. Permaneçam onde estão até que tenham uma revelação que lhes faça impossível permanecer. A revelação expõe situações práticas, enquanto que a doutrina não pode fazê-lo da mesma forma. Necessitamos mais que a apreensão da verdade bíblica com nossas mentes naturais, porque muitas mentes têm diversas apreensões.
Dizíamos que é fundamental ao corpo de Cristo uma revelação e uma aplicação da cruz, porque quando o homem natural da carne é posto de lado, açoitado violentamente, então vemos que a via está desobstruída para a apreensão espiritual verdadeira do corpo de Cristo, porque o corpo de Cristo não pode existir e funcionar com nenhum homem natural. Essa é a natureza do corpo de Cristo. O homem natural é posto fora no conjunto. Permitam-me outra vez insistir em que a revelação do corpo se apóia em uma revelação e uma aplicação da cruz. Então o corpo se converte na esfera da atividade do Espírito Santo. A pequena frase de 1ª Coríntios 12, «como ele quis», significa que ele designa, ele dá os dons, ele equipa, como ele quer, implicando a liberdade completa, a liberdade sem restrição do Espírito Santo.
Se o Espírito Santo é restringido, nessa medida o corpo está limitado em sua realização da divina chamada e o cumprimento do propósito divino de sua existência. Só a liberdade sem restrição do Espírito Santo pode produzir uma representação reta e um reto funcionamento e atividade do corpo porque o corpo é a esfera da atividade do Espírito Santo.
Vimos que Cristo é a cabeça do corpo, e que o Espírito Santo tem sua esfera de atividade no corpo. Agora tomando a ilustração familiar do corpo físico, sabemos que cada membro e cada faculdade deste corpo físico estão relacionados vitalmente com a cabeça, e funciona em relação com a cabeça, se o corpo, é obvio, está em correta ordem. Através do conjunto deste complexo sistema físico, há uma rede de nervos; um sistema enormemente complexo, ligando com a cabeça cada ponto de nossa estrutura física às extremidades mais longínquas, de modo que você registra até a dor de um dedo do seu pé em sua cabeça.
Corte a sua cabeça e você pode ferir os dedos do seu pé como quiser e não sentirá nada! Tudo tem a sua localização na cabeça, todas as sensibilidades dos membros estão registradas nela. É possível tomar uma agulha e, caso conheça o sistema do cérebro, espetar em qualquer parte do cérebro e pôr em ação qualquer membro do corpo e deixar os outros insensíveis. Compreendendo esse sistema, uma agulha pode ser aplicada a um ponto no cérebro e pôr a mão ou o pé fora de operação e deixar os outros membros funcionando, esta totalidade está reunida maravilhosamente acima na cabeça.
Cristo é a cabeça do corpo, todos os membros se associam a ela, todos eles estão conscientemente registrados na cabeça, tem o seu sentido por causa da sua relação com a cabeça, a sua consciência espiritual, o que significa quando Paulo diz: «Nós temos a mente de Cristo» (1ª Cor. 2:16 b).
Mas qual é esse sistema nervoso? É o Espírito Santo. Ele é o sistema nervoso espiritual do corpo inteiro, ligando todos à cabeça, ele é a consciência do corpo, ele é quem traz da cabeça essas reações dos juízos e das decisões da cabeça. Ele é quem leva para a cabeça tudo o que se refere a cada membro, e faz do corpo e cabeça um todo completo. O Espírito Santo é esse sistema nervoso através do corpo inteiro. Agora, se o Espírito Santo é detido, restringido, prejudicado em qualquer dos membros, o funcionamento do corpo é de uma vez impedido, obstaculizado.
Por isso disse no princípio que qualquer companhia local é o conjunto, que no nosso caso aqui, por exemplo, se restringirmos o Espírito Santo, ou o detivermos, ou se aqui este membro é ferido no que se refere ao Espírito Santo, o corpo inteiro é afetado por isso. Se o Espírito Santo é freado aqui, por exemplo, no caso da oração, todo o corpo sofre por isso; não só a companhia local, mas o corpo inteiro. Se o Espírito Santo, por outro lado, tiver um caminho livre aqui, o corpo inteiro será favorecido.
Este Corpo é algo universal e sua universalidade se centra em qualquer companhia local; o todo está ali. Como em nossos próprios corpos, quando estão em ordem apropriada, um membro afeta o restante! Se tiver uma dor de dente, em pouco tempo o abcesso  no dente irá te complicar por inteiro, e cada parte do seu corpo sofrerá com isso!
Quão verdadeira é esta apresentação do corpo na palavra de Deus. «Se um membro padece, todos os membros padecem com ele» (1ª Cor. 12:26). Mas isso não é na terra. Quanto à vida natural, eu posso passar por uma experiência dolorosa muito grande sem que você saiba coisa alguma sobre isso, nem seja afetado por isso, mas há um âmbito no qual se um membro espiritual sofre o corpo inteiro está comprometido nesse sofrimento, o qual demonstra que este Corpo é um ente divino e suas relações não são naturais, mas espirituais, e que o fator de unificação do Espírito Santo opera além da consciência natural.
Você pode ver? Se descuidarmos da nossa oração privada, o Senhor está perdendo algo em seu corpo longínquo  –o nosso comportamento afeta a seus filhos no outro lado do mundo. Para o sentido natural não é assim, mas o Espírito Santo sabe.
Mas, por que sempre é tomado o lado negativo? Por que não o positivo, que a manutenção de uma vida verdadeira do Espírito Santo é sempre, sejamos ou não conscientes disso, para o bem da totalidade do corpo de Cristo? Nós não vivemos para nós mesmos, nem morremos para nós mesmos (Rom. 14:7), mas ele sustentar um testemunho verdadeiro até onde outros crentes não sabem nada do conflito, no lar ou no lugar de trabalho, onde estamos fisicamente fora de contato com o resto dos crentes, contudo, o sustentar o testemunho ali em fidelidade é nesse âmbito um serviço para o Corpo inteiro.
Por isso, o inimigo gostaria, se ele pudesse, destruir aquele testemunho, porque, por causa da universalidade, ele pode atacar à própria Cabeça, e nós devemos ver nisso que o testemunho não é algo que somente se dá nas reuniões públicas, ele está incluido em nossa vida doméstica e em nossa vida de trabalho.

A liberdade do Espírito
Deve haver liberdade do Espírito em nós para compreender o Corpo e o seu ministério. Quero descer às questões práticas. Deve haver absoluta liberdade de uma organização humana, do governo eclesiástico, do controle do homem, para que haja uma função completa do Espírito Santo. Entrar em um sistema religioso com grandes limitações, um controle eclesiástico, uma organização humana da igreja aonde você tem que pregar freqüentemente, mesmo tendo algo a dizer ou não, mas sendo obrigado porque lhe pagam para fazê-lo, está absolutamente contra o Espírito Santo. Esse não é o princípio do Espírito Santo, e devemos ser absolutamente livres de todas estas coisas se quisermos que o Espírito funcione livremente e termos uma ministração no Espírito.
Esse é o princípio do Espírito. Por isso os judeus, os dirigentes judeus, eram contra no caso do apóstolo Paulo. Ele disse: «…entravam para espiar a nossa liberdade» (Gál. 2:4). O que era isso? Que ele havia se livrado do jugo da lei e do sistema judeu e agora ele estava se exercitando no âmbito universal do corpo de Cristo, gentios e judeus, na liberdade em Cristo.
Ele estava livre de todos os jugos da tradição, do sistema e da organização religiosa sobre a terra, para cumprir o seu ministério de revelação, pois o Espírito Santo é que o conduzia. Isso é essencial para o corpo de Cristo. Por isso quero dizer que tentar organizar o corpo de Cristo, a igreja, e tratar de fixar um programa para ele e dá-lo ao Espírito Santo, dizendo: «Você tomará o seu lugar e cumprirá o nosso programa» (isso pode parecer irreverente, eu sei, mas não significa que seja assim) é absolutamente contrário ao princípio aqui revelado.
O Corpo de Cristo é uma coisa emancipada dos sistemas terrenos; deve ser funcional. Não se trata de abandonar o sistema terrenal porque nos agarramos a certas verdades, mas porque fomos emancipados. Há um lugar adequado para o governo e a sujeição espiritual na igreja, e o princípio da «liberalidade» é tão mau quanto o oficialismo.
Mas devo terminar. Vamos concluir neste ponto. Nós não podemos pegar os membros da igreja, e não podemos tomar a obra da igreja no corpo de Cristo. Ouvimos pessoas que dizem que eles vão assumir o trabalho da igreja. Essas idéias são completamente estranhas à verdade do corpo de Cristo. Nós não podemos nos unir ao corpo de Cristo. Tome a ilustração física outra vez, e veja quão absurdo é para uma mão ou braço dizer que está vindo para unir-se ao meu corpo! É um absurdo. Esta é uma igreja na qual não podemos entrar horizontalmente, nós temos que entrar a partir do céu, e temos que ingressar por nascimento, não por aderirmos ou adicionarmo-nos.
Essa é a lei do crescimento do Corpo. É por nascimento, dos lugares celestiais, e aquilo que é verdade a respeito dos membros do corpo de Cristo, é verdade quanto ao ministério, à obra. Nós não podemos tomar o trabalho ou o ministério no corpo de Cristo. Temos que entrar na revelação que estamos ali pelo Espírito Santo e entrar nisso sobre uma base experimental. Você não pode convidar pregadores que venham e preguem. O companheirismo nesse ministério é o companheirismo da revelação: que você tem entrado sobre o mesmo terreno, pela mesma via, você nasceu de cima, a única base do ministério do Corpo.
A igreja organizada pode fazer qualquer coisa que lhe parecer bem, mas no corpo de Cristo, não! Em seu ministério a coisa vem essencialmente de cima e não está estruturada em nada que seja externo. Não podemos ajustar a igreja no sentido do Novo Testamento, não podemos tomar o trabalho da igreja no sentido do Novo Testamento, temos que ser uma parte orgânica dela, e a revelação da verdade do corpo não encontra nenhum lugar para esse sistema que designa a oficiais e a obreiros em um tipo de fórmula mecânica, oficial. Você não pode agarrar um irmão e fazê-lo um funcionário no corpo de Cristo; pode fazê-lo em um sistema terreno, mas não aqui. Estes devem crescer através de um processo espiritual, e o ministério é expressão da vida interior; não é oficial, é orgânico.
Isso abre todo um mundo de verdade que seria proveitoso, mas nos deteremos por aqui, e pedimos ao Senhor que nos dê revelação, se não a tivermos, porque por muito que possamos dizer a respeito, tudo isso se converterá para nós apenas em ensino, verdade, doutrina, a menos que o Senhor a torne vida, nos dê revelação. Mas, olha, há uma grande diferença entre o que é chamado aqui de Igreja, o seu sistema, seus métodos, suas relações, e esta verdade de que o Corpo de Cristo é uma coisa espiritual; é uma grande diferença! Esta coisa divina é universal em sua categoria e em seu ministério mesmo que possa estar representada apenas por um punhado de pessoas em uma localidade; é um ministério universal, algo que não pertence ao tempo ou ao espaço; é essencialmente espiritual e é divino, ilimitado.
Se o Senhor nos permitir, vamos meditar sobre o corpo de Cristo.

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