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Versículo da semana:

VERSÍCULO DA SEMANA:
"E por que me chamais: Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu vos digo?" (Lucas 6:46)


Frase do momento

Frase do momento:

"Não é minha intenção atacar o denominacionalismo do cristianismo como errôneo. Eu somente quero dizer que para que o corpo de Cristo encontre uma efetiva expressão local, a base de comunhão deve ser verdadeira. E esta base é a relação de vida dos membros com o Seu Senhor e a sua desejosa submissão a Ele como o Cabeça. Tampouco estou pleiteando por aqueles que irão fazer uma seita carnal daquilo que poderia chamar de 'localismo', isto é, a estrita demarcação de igrejas por localidades. Porque tal pode ocorrer facilmente. Se o que estivermos fazendo hoje em vida se tornar amanhã um mero método, tal que seu próprio caráter alguns dos Seus forem excluídos, possa o Senhor ter misericórdia de nós e quebrar tudo!" (A Vida Normal da Igreja Cristã, capítulo 4. Grifo nosso)

16 de mai de 2012

ARGUMENTO DOS DEFENSORES DO ARREBATAMENTO DA IGREJA APÓS A GRANDE TRIBULAÇÃO (PÓS TRIBULACIONISTA)

CRACTERÍSTICAS DO
PÓS-TRIBULACIONISMO
1.“Segunda vinda” após “a Grande Tribulação”
2.A Igreja passa pela “a Grande Tribulação”
3.O arrebatamento não é secreto
4.Segunda vinda de Cristo em uma única fase, que inclui arrebatamento (ambos após a Grande Tribulação)
5.Sinais antecedem a Segunda Vinda
6.História: remonta aos tempos da Igreja primitiva



              FORTES ARGUMENTAÇÕES BÍBLICAS

Talvez essa seja a questão central dentro da proposta desta série de postagens. Em que momento dos acontecimentos proféticos se dará o nosso encontro nos ares com o Senhor Jesus, tal qual foi revelado em Mateus 24:30-31 e I Tessalonicenses 4:16-17?

Entendemos, pelas razões que exporemos mais adiante, que o encontro da Igreja glorificada com o Senhor nos ares não pode ser dissociado de Sua gloriosa vinda. Neste capítulo, abordaremos alguns tópicos que nos direcionam a acreditar que o chamado arrebatamento ou encontro dos salvos com Jesus nos ares será um evento que ocorrerá ao mesmo tempo da segunda vinda de Jesus, logo após a grande tribulação. Essa questão assume vital importância, pois observamos que muitos não estão atentando para essa questão. Muitos sequer cogitam a possibilidade de passar por esses momentos de tribulação e provação (I Pedro 1:7).

Da mesma maneira que a Igreja primitiva teve que escolher entre viver de acordo com os
princípios espirituais e morais do império romano e a reclusão das catacumbas, devido à implacável perseguição desencadeada a partir do ano 64 d.C., a Igreja nos últimos tempos se verá diante de igual conjuntura. Aceitar a marca do anticristo ou viver à margem do sistema político, econômico, social e religioso que governará o mundo? Talvez você tenha que responder a essa pergunta num futuro muito próximo...

Não queremos ser conclusivos. Acontecendo o arrebatamento antes, durante ou após a grande tribulação, o vital é que o cristão esteja preparado para esse momento maravilhoso em que aqueles que morreram em Cristo serão ressuscitados e os que estiverem vivos serão transformados recebendo corpos celestiais para, ato contínuo, encontrar-se com Cristo nos ares e reinar com Ele sobre a Terra e toda a criação. O que nos chama a atenção é que, ocorrendo o arrebatamento logo após a grande tribulação, muitos não estejam realmente preparados para enfrentar esses dias difíceis, pois a maioria defende o arrebatamento como um evento pré-tribulacional. Muitos atualmente estão mais preocupados em estar cada vez mais inseridos na sociedade, aproveitando tudo o que ela pode oferecer, do que dedicados ao estudo das profecias escatológicas.

Que tipo de postura essas pessoas terão diante dos últimos acontecimentos? É hora de se preparar, porque não sabemos o dia nem a hora em que Jesus virá (Mateus 24:42). A seguir, abordaremos alguns tópicos que nos mostram claramente que o chamado “rapto” ou encontro dos salvos com Jesus, será um evento que acontecerá ao mesmo tempo da segunda vinda de Jesus em glória, ou seja, logo após a grande tribulação. Ao mesmo tempo, tentaremos explicar porque o sistema pré-tribulacionista além de ser um ensino novo no seio da Igreja, não possui suficiente base bíblica. Neste estudo não estão incluídos todos os pontos referentes à questão abordada. Em todo nosso site você encontrará outros estudos, comentários e reflexões que certamente completarão o que é exposto aqui.

Analisemos alguns textos bíblicos que abordam os temas "arrebatamento" e "segunda vinda".

              LOGO APÓS A GRANDE TRIBULAÇÃO

Na revelação profética proferida por Jesus poucos dias antes de Sua morte, a qual encontra-se registrada nos livros de Mateus, Marcos e Lucas, o Senhor relaciona diretamente o arrebatamento à vinda em glória, deixando claro que acontecerão ao mesmo tempo. Em Mateus 24:29-31, diz textualmente:

"E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu e as potências dos céus serão abaladas. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória. E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus".

Nesse texto, fica claro que a segunda vinda de Jesus acontecerá logo após a grande tribulação (Mateus 24:21), será visível a nível mundial e em glória. É neste momento que os escolhidos serão arrebatados de todas as partes da terra.

As palavras do Mestre são diretas e reveladoras. Lembremos que naquele dia, em razão da pergunta de alguns discípulos, os quais tinham ficado chocados quando o Senhor lhes disse que o Templo de Jerusalém seria destruído, o Mestre se deteve para explicar-lhes de forma pormenorizada os principais eventos proféticos e sinais que antecederiam Sua volta. Não foi, como sustentam alguns, uma revelação exclusiva para os judeus. Jesus estava lidando naquele momento com os discípulos que seriam Suas testemunhas no começo da Igreja e que iriam apascentar essa Igreja.

Pouco antes de subir aos céus, Cristo instrui Seus discípulos, os mesmos que tinham ouvido aquelas importantes revelações proféticas, para que fossem e fizessem discípulos de todas as nações (não apenas judeus), batizando essas pessoas em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, ensinando essas mesmas pessoas a guardarem todas as coisas que Ele lhes tinha mandado (Mateus 28:19-20). Dentre “todas as coisas” que o Senhor lhes tinha revelado estão, obviamente, as revelações feitas no Monte das Oliveira pouco antes de ser crucificado.

Portanto, não há nenhuma base para afirmar que Mateus 24:29-31 se aplique ao povo judeu e não à Igreja. Quem ensina isso está tentando fazer com que a revelação se encaixe dentro de seu sistema escatológico em vez de deixar que sua posição escatológica seja delineada pelo que revela claramente a Palavra de Jesus Cristo. Por outro lado, as intervenções de Paulo a respeito desses temas obedecem fielmente ao que já havia sido ensinado pelo Senhor.  Não existe uma “escatologia de Paulo” dedicada à Igreja e distinta da escatologia ensinada pelo Senhor.

Pelo contrário, Paulo, apóstolo que se destaca por seu sincronismo escatológico com os ensinamentos de Cristo, narra em I Tessalonicenses 4:16-17 um cenário idêntico ao profetizado por Jesus em Mateus 24:29-31, atribuindo esse momento ao arrebatamento da Igreja. Nos parece inapropriado sustentar que ambos os textos se referem a momentos e situações diferentes e que Mateus 24:29-31 não se refere ao arrebatamento da Igreja.          

              ENCONTRO NOS ARES

Na primeira carta aos tessalonicenses, o apóstolo Paulo explica mais uma vez como acontecerão os fatos (I Tessalonicenses 4:13-18). No versículo 16 ele aborda a vinda do Senhor, dando a entender que esta vinda não será oculta para as pessoas em geral e sim visível. A exemplo do que fez Jesus no sermão profético, Paulo relaciona diretamente o arrebatamento a uma manifestação gloriosa do Senhor. Vejamos:

"Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro, depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor".

Fica claro que o apóstolo Paulo está falando sobre a segunda vinda de Jesus em glória, lembrando aquilo que já havia sido revelado pelo Senhor! É muito mais coerente crer assim do que afirmar que Paulo estava se referindo a um evento completamente distinto do que havia sido revelado pelo Mestre. Como já comentamos, são notórias e impressionantes as semelhanças com a narrativa do sermão profético de Jesus: a) presença de anjos e arcanjos, b) o som das trombetas e c) grande alarido, poder e glória.

Sem dúvidas, Paulo tinha conhecimento da narrativa profética de Jesus no Monte das Oliveiras, e traça em I Tessalonicenses 4:13-18 um relato desse mesmo evento. Nos parece temerário sustentar que Paulo estava referindo-se a um momento diferente àquele ensinado por Jesus...

              AO SOM DA ÚLTIMA TROMBETA

Toda vez que Paulo ensina algo novo para os irmãos, algo que não havia sido revelado ainda, ele deixa claro que se trata de um mistério até então encoberto. Em sua primeira carta aos irmãos em Corinto, ele traz uma revelação a respeito da glorificação corpórea que ocorrerá no momento da gloriosa vinda do Senhor sobre os vivos e os mortos que fazem parte da Igreja. Em I Coríntios 15:51-52 está escrito: "Eis aqui vos digo um mistério: Nem todos dormiremos; mas todos seremos transformados. Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados". Note que o apóstolo menciona "ante a última trombeta".

Aqueles que já leram o livro de Apocalipse sabem que a última trombeta ou a sétima de um total de sete, será o sinal que desencadeará uma série de acontecimentos que levarão à derrota final do anticristo e do falso profeta diante da vinda de Jesus em glória (Apocalipse 11:15). Por essa razão, alguns tendem a relacionar a última trombeta descrita por Paulo na carta aos corintios à sétima trombeta do Apocalipse, o que, cronologicamente, está correto, pois a sétima trombeta desencadeará os últimos eventos tribulacionais, porém na prática não se caracteriza literalmente com a "última trombeta" mencionada pelo apóstolo dos gentios, já que o Apocalipse não havia sido sequer escrito quando a carta aos coríntios foi escrita.

Também, não tem sustentação, para encaixar essa última trombeta dentro do sistema pré-tribulacionista, basear-se na passagem de Números 10:1-10, com o propósito de afirmar um último toque de trombetas dentro de uma série específica, pois a afirmação de Paulo é contundente: o arrebatamento será ao soar da última trombeta.

A posição mais correta e equilibrada, ao interpretar o que significa "a última trombeta", está, mais uma vez, no próprio relato de Jesus. Ele determinou em Seu sermão profético que a Sua volta seria visível, gloriosa, acompanhada de anjos e ao som de trombeta (Mateus 24:30-31). Portanto, não há razões para negar que Paulo, novamente, se sujeita ao ensino de Cristo e transmite esse ensino aos irmãos em Corinto. De acordo com Paulo, o mistério, que é a glorificação corpórea dos santos vivos e mortos, se dará ao soar a última trombeta. O mistério revelado a Paulo não é a trombeta, mas a glorificação da Igreja quando soar essa última trombeta. A trombeta profética final e definitiva soará no momento da gloriosa volta do Senhor e isso já havia sido revelado por Ele mesmo (Mateus 24:31). Essa constatação relaciona, mais uma vez, o arrebatamento da Igreja à vinda em glória do Mestre.

              MÁRTIRES NA TRIBULAÇÃO

Em Apocalipse 6:9-11, é narrada uma forte cena. Aparecem irmãos que haviam sido martirizados por causa da Palavra do Senhor e pelo testemunho que haviam dado em sua geração, clamando ao Senhor por justiça e sendo consolados por Ele. Naquele momento é dito a eles que é preciso que esperem ainda "um pouco de tempo" até que se completasse o número de seus conservos e seus irmãos que haveriam de ser mortos, como também eles foram. Esse texto fala claramente de cristãos pertencentes à Igreja primitiva e aos posteriores que foram martirizados por seu testemunho e vida cristã. O martírio, via de regra, está relacionado à oposição oficial e institucional contra o Evangelho.

Durante séculos, muitos morreram por causa da sua fé em Cristo e isso é bíblica e historicamente inquestionável. Porém, de acordo com a Palavra, é necessário que esse número de mártires se complete. Como isso continua acontecendo hoje, ainda que em menor número, esse número só será completado nos últimos dias, em pleno período tribulacional, já que é clara a presença de martirizados durante esse período (Apocalipse 20:4-6).

Durante o período tribulacional haverá a maior de todas as perseguições e tribulações institucionais contra a Igreja do Senhor. O texto de Apocalipse 6:9-11 deixa implícito que a perseguição nos últimos dias será semelhante à enfrentada pela Igreja primitiva: "..Até que também se completasse o número de seus conservos e seus irmãos que haviam de ser mortos como eles foram", ou seja, um grupo de cristãos perseguido por um império político e religioso como aconteceu com os nossos primeiros irmãos.

             A PRIMEIRA RESSURREIÇÃO

 Em Apocalipse 20:4-6 está revelado:

"E vi tronos; e assentaram-se sobre eles, e foi-lhes dado o poder de julgar; e vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus, e pela palavra de Deus, e que não adoraram à besta, nem à sua imagem, e não receberam o sinal em suas testas nem em suas mãos; e viveram, e reinaram com Cristo durante mil anos. Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram. Esta é a primeira ressurreição. Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte, mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele mil anos".

Essa passagem é muito reveladora. Quando a Bíblia fala em primeira ressurreição, exclui automaticamente outra anterior, exceto os fatos específicos e reduzidos acontecidos no decorrer da história como é o caso, por exemplo, da ressurreição de algumas pessoas durante a crucificação de Jesus ou aqueles ocorridos no ministério do profeta Eliseu, as quais diferem da "primeira ressurreição" na questão da glorificação. A glorificação corpórea para a Igreja, como ensina Paulo em I Coríntios 15:50-52, ocorrerá ao som da última trombeta. Nem antes, nem depois.

Se a passagem que citamos inclui na primeira ressurreição aqueles que não adorarão à besta e morrerão por isso, então essa primeira ressurreição, obviamente, não pode acontecer antes da tribulação, pois a manifestação e poderio da besta ocorrerão em plena grande tribulação. Por outro lado, se esta é a primeira ressurreição, fica bastante óbvio que não haverá nenhuma ressurreição em massa anterior a esse momento. Alguns, ao deparar-se com esse claro e objetivo argumento, tentam contra-argumentar sustentado a divisão da primeira ressurreição em etapas. Porém, o texto apocalíptico é taxativo: "Esta é a primeira ressurreição". A ressurreição da Igreja por etapas não é revelada na Palavra. Pelo contrário, o apóstolo Paulo ensina que a ressurreição dos que são de Cristo se dará na volta Dele (I Coríntios 15:23).

Também é interessante observar na passagem de Apocalipse 20:4-6 que, aqueles que participam dessa primeira ressurreição, não serão tocados pela segunda morte. Ou seja, a ausência eterna da comunhão com Deus. Então, de acordo com o sermão profético de Jesus, as revelações de Paulo e os textos do Apocalipse que analisamos, participarão desta primeira ressurreição aqueles que morreram em Cristo (inclusive durante a grande tribulação). Aqueles que ainda estiverem vivos no momento da vinda gloriosa do Senhor serão transformados,como ensina Paulo em I Coríntios 15:50-52..

              APOSTASIA E ANTICRISTO PRIMEIRO

A segunda carta de Paulo aos irmãos em Tessalônica é riquíssima em esclarecimentos proféticos. Em II Tessalonicenses 2:1-3, o apóstolo Paulo divinamente inspirado, volta a relacionar diretamente o arrebatamento à segunda vinda de Cristo em glória. Esse ensinamento do apóstolo foi proferido com o propósito de combater alguns que pregavam, já em meados do século I, a iminência da vinda de Cristo. De acordo com esses falsos mestres, o Senhor voltaria a qualquer momento já naqueles dias. Paulo sabia que tal vinda não poderia ocorrer sem a concretização dos sinais previamente profetizados pelo Mestre. Vejamos:

"Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, e pela nossa reunião com ele, que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto. Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim  sem que antes venha  a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição". 

Neste texto ficam claras duas verdades:

a) Paulo associa nossa reunião com Cristo (arrebatamento) ao momento da vinda de Jesus. Mais uma vez, entendemos que é temerário supor que Paulo estava falando de uma vinda diferente à vinda descrita pelo próprio Jesus no sermão profético.

b) Esses dois eventos relatados na parte anterior (vinda e arrebatamento), não acontecerão antes da apostasia e da manifestação do anticristo, colocando obviamente esses eventos para o final do período tribulacional.   

Um fato interessante nesta passagem, é que Paulo não menciona um arrebatamento pré-tribulacional como um dos precedentes necessários para a vinda do Dia do Senhor. Paulo usa como precedentes para tal vinda a apostasia e a manifestação do homem do pecado. Contudo, o arrebatamento secreto seria o argumento mais forte que Paulo poderia apresentar aos irmãos de Tessalônica para mostrar que a vinda de Jesus ainda não havia ocorrido... A omissão desse argumento vital, nos mostra mais uma vez que Paulo não tinha qualquer ensinamento a respeito de um arrebatamento pré-tribulacional da Igreja.

É notório também que, ao analisar o resto do texto sem preconceitos, chegamos à conclusão de que o que detém a revelação do anticristo não é a Igreja nem mesmo o Espírito Santo, enviado à Igreja, pois a manifestação do filho da perdição se dá cronologicamente antes do encontro entre Jesus e Sua Igreja, ou seja, antes do arrebatamento. Por outro lado, fica implícito que Paulo toma o cuidado de não mencionar "aquilo" e "quem" detém a revelação do anticristo. Se fosse a Igreja ou o Espírito Santo, haveria razões para Paulo ocultar o sujeito por duas vezes, mesmo considerando que os tessalonicenses já tinham ouvido isso diretamente de Paulo?

Alguns têm sugerido que o termo "apostasia" deve ser entendido como uma referência ao próprio arrebatamento ao afirmar que tal termo significa "partida". Então, de acordo com esse entendimento, a Igreja seria retirada da Terra antes da manifestação do anticristo. Oferecemos uma resposta a esse argumento mais adiante, quando abordaremos os principais argumentos pré-tribulacionistas.

Mais uma vez, é necessário notar a sujeição de Paulo aos ensinamentos proferidos por Jesus no sermão profético, registrado em Mateus 24 e também em Marcos e Lucas. Paulo, para mostrar aos irmãos em Tessalônica que a vinda do Senhor não ocorreria a qualquer momento dá dois grandes sinais que antecederão a volta do Senhor e nossa reunião com Ele: a apostasia e a manifestação do anticristo. Tal revelação está em plena sincronia com o que já tinha sido revelado por Cristo no sermão profético. Jesus profetizou como sinais que antecederiam Sua volta o esfriamento do amor por parte de muitos (Mateus 24:12) e a abominação desoladora (Mateus 24:15). São os mesmos sinais apontados por Paulo em II Tessalonicenses 2:1-3, deixando claro mais uma vez que o apóstolo considerava o sermão profético de Jesus a base escatológica que deveria ser seguida por todos os cristãos, sem exceções! 

              ALÍVIO NA TRIBULAÇÃO

Analisemos ainda a passagem de II Tessalonicenses 1:7-8:

"E a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder, como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo"

Devemos observar que o apóstolo Paulo se refere aqui ao dia em que os cristãos seriam finalmente libertos das perseguições e tribulações do mundo. É importante destacar alguns pontos fundamentais nessa passagem:

a) Quem são as pessoas que estão sendo atacadas e atribuladas de acordo com essa passagem? Obviamente, trata-se dos cristãos vivos ao tempo do apóstolo Paulo e que viviam constantemente sob perseguição. Por abrangência, o texto se refere a todos aqueles que pertencem à Igreja e que estiverem vivos no tempo da volta de Cristo,sob intensa perseguição e tribulação.

b) Quando eles terão descanso das tribulações? O apóstolo é claro: "... quando do céu se manifestar o Senhor Jesus...". Uma manifestação, como descreve a passagem, acompanhada de grande majestade e poder. Paulo descreve a volta do Senhor Jesus acompanhado dos anjos do Seu poder, como uma labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e não obedecem as boas novas do Senhor Jesus. Nada disso nos remete a um rapto secreto e sim a um evento visível e glorioso. O versículo 8 não deixa muita margem de dúvida que a passagem está referindo-se a gloriosa volta do Senhor quando associa essa manifestação poderosa à destruição dos inimigos de Deus.

O versículo seguinte (II Tessalonicenses 1:9) esclarece ainda mais a questão ao revelar que os inimigos do evangelho sofrerão, como castigo, a eterna perdição. Ou seja, Paulo não está falando de uma vinda que gerará um período tribulacional, mas de uma vinda que trará juízo definitivo. É obvio, portanto, que Paulo só pode estar se referindo à vinda do Senhor em glória, que se dará exatamente logo após a grande tribulação. O que fica evidente então é que os cristãos terão alivio definitivo de suas tribulações quando Cristo retornar para buscá-los e, ao mesmo tempo, derrotar o anticristo e as suas hostes, instaurando Seu reino de amor e justiça sobre a Terra.

             GALARDÕES APÓS A SÉTIMA TROMBETA

Em Apocalipse 11:17-18, os vinte e quatro anciãos expressam:

"...Graças te damos, Senhor Deus Todo-Poderoso, que és, e que eras, e que hás de vir, que tomaste o teu grande  poder, e reinaste. E iraram-se as nações, e veio a tua ira, e o tempo dos mortos, para que sejam julgados, e o tempo de dares o galardão aos profetas, teus servos, e aos santos, e aos que temem o teu nome, a pequenos e a grandes, e o tempo de destruíres os que destroem a terra".

Observando o contexto onde se dá essa exclamação dos vinte e quatro anciões, vemos que ele ocorre logo após o toque da sétima trombeta, deixando evidente que a entrega de galardões para os santos (recompensa), se dará após o toque da sétima trombeta e não antes. O tempo do recebimento da recompensa por parte dos fiéis de todos os tempos é um evento relacionado neste versículo ao tempo da destruição dos que destroem a terra, relacionando mais uma vez o encontro da Igreja com Cristo como um evento inserido no final da tribulação e imediatamente anterior à derrota do anticristo, quando se concretizará a derrota final daqueles que destroem a Terra, assim como já vimos ao ler II Tessalonicenses 2:7-9.

Em Mateus 16:27, o Senhor já havia revelado que, por ocasião de Sua vinda, na glória de Seu Pai e acompanhado pelos Seus anjos, Ele recompensaria a cada um conforme a suas obras. No versículo seguinte (Mateus 16:28), o Senhor ensina que Ele virá em Seu reino e que isso será visível.

             O MISTÉRIO DE DEUS E A SÉTIMA TROMBETA
          
      
Em Apocalipse 10:7, está escrito que o mistério de Deus se cumprirá "nos dias da voz do sétimo anjo, quando tocar a sua trombeta". Quando, sob o prisma dos últimos acontecimentos, abordamos os conceitos "mistério" e "trombeta", observamos um interessante sincronismo entre esta passagem e a revelação dada a Paulo sobre o mistério que ocorreria ao soar da “última trombeta”. Esse sincronismo entre a revelação dada a Paulo e aquela recebida por João, nos parece muito mais do que uma mera coincidência.

Como já vimos anteriormente, se formos coerentes com a clareza da revelação, a última trombeta será tocada no momento da manifestação visível do Senhor nos céus (Mateus 24:31). Então, quando Paulo fala de "última trombeta", cremos que o apóstolo está citando o que o Senhor já havia ensinado. Porém, considerando que o escritor do Apocalipse não faz nenhuma menção explícita ao encontro da Igreja com o Senhor nos ares, acreditamos que o mistério mencionado em Apocalipse 10:7 esteja relacionado a esse evento maravilhoso, no qual receberemos corpos glorificados.
Isso se encaixa perfeitamente com o mistério mencionado por Paulo em sua primeira carta aos coríntios, situando, em ambos os casos, o arrebatamento na parte final da tribulação, ou seja, ao som da última trombeta ou, como identifica o escritor do Apocalipse, quando o sétimo anjo tocar a sua trombeta, desencadeando os eventos finais do período tribulacional, que desembocarão na vinda de Jesus, quando soará, como já vimos, a última trombeta.

             O ARMAGEDOM E O ARREBATAMENTO

Em Lucas 17:37, após detalhar algumas características do arrebatamento e da Sua vinda em glória, Jesus é inquirido por seus discípulos com uma pergunta que muitos fazem atualmente:

- Onde Senhor? - Essa pergunta foi feita em função de todos os acontecimentos narrados por Cristo a respeito de Sua vinda, inclusive o arrebatamento, explicitando as dúvidas que eles tinham a respeito da localização geográfica e histórica dos eventos profetizados pelo Mestre. Jesus respondeu a Seus discípulos com uma declaração enigmática que está registrada não somente no texto de Lucas 17:37, mas também em Mateus 24:28: "...Onde estiver o corpo, aí se ajuntarão as águias"

Como já mencionamos, nos versículos anteriores, Jesus detalhou a Sua vinda gloriosa e o arrebatamento dos fiéis (Lucas 17:34-36), relacionando mais uma vez os dois eventos em questão. Ao responder com uma declaração enigmática e ao não diferenciar os eventos profetizados por Ele nos versículos anteriores, Jesus outra vez não faz nenhuma distinção temporal entre Sua vinda gloriosa e o arrebatamento da Igreja, nem entre essa vinda e a derrota dos exércitos do anticristo, como ficará demonstrado à continuação. Ainda mais: a pergunta dos discípulos foi feita imediatamente depois de Cristo descrever o arrebatamento (versículos 34 e 36), estando, obviamente, a resposta dessa pergunta atrelada diretamente à localização desse evento dentro do contexto dos últimos acontecimentos.

Se na resposta dada pelo Mestre nós vemos uma realidade que só será concretizada na derrota dos exércitos do anticristo no Armagedom, como abordaremos posteriormente ao comentar Apocalipse 19:17-18, fica estabelecida mais uma vez pelo próprio Cristo uma relação direta e única no tempo entre a Sua vinda gloriosa, o arrebatamento da Igreja e a derrota do anticristo e os seus exércitos no Armagedom, colocando todos esses eventos nos momentos finais da grande tribulação!

Voltando à declaração enigmática de Jesus em Lucas 17:37 e Mateus 24:28, vemos que os termos fortes utilizados por Cristo (aves de rapina se reunindo sobre o corpo), não parecem de forma alguma estar descrevendo nossa reunião com Ele, apontando para algo aterrador que ocorrerá por ocasião da Sua volta em glória.

Esse fato marcante e forte que ocorrerá na volta gloriosa de Cristo para arrebatar a Igreja, derrotar os exércitos do anticristo e livrar Israel está descrito em Apocalipse 19: 17-18, envolvendo os mesmos elementos citados por Jesus em Lucas 17:37 e Mateus 24:28 (aves de rapina e corpo): “...E vi um anjo que estava no sol, e clamou com grande voz, dizendo a todas as aves que voavam pelo meio do céu: Vinde e ajuntai-vos à ceia do grande Deus, para que comais a carne dos reis, e a carne dos tribunos, e a carne dos fortes, e a carne dos cavalos e dos que sobre eles se assentam; e a carne de todos os homens, livres de servos, pequenos e grandes”.

Esse texto descreve os momentos subseqüentes à volta de Cristo, quando o mesmo derrotará os exércitos do anticristo no Armagedom e revela a sorte que terão os corpos dos exércitos derrotados, levando-nos a uma relação lógica com a declaração enigmática de Jesus em Lucas 17:37 e Mateus 24:28: "...Onde estiver o corpo, aí se ajuntarão as águias...".

Jesus, ao responder à indagação de Seus discípulos a respeito do arrebatamento com uma citação enigmática do que aconteceria por ocasião da derrota assustadora dos exércitos do anticristo no Armagedom, relaciona mais uma vez o arrebatamento dos fiéis à Sua vinda em glória.     
              
O que fica patente em todos esses textos e em muitos outros que analisaremos neste site, é que o arrebatamento da Igreja não deve ser separado da volta de Cristo em glória. A clara constatação bíblica da participação da Igreja no período tribulacional nos chama a uma séria reflexão. Como se dará essa participação? Que atitudes deverão ter os servos do Senhor na terra diante do governo mundial maligno? Essas e outras perguntas serão respondidas na medida do possível no decorrer deste livro e nós esperamos de todo coração que o mesmo gere uma maior conscientização sobre o verdadeiro papel da Igreja nos últimos tempos.         

              O PRÉ-TRIBULACIONISMO

Os primeiros elementos para o surgimento da idéia do arrebatamento anterior à tribulação apareceram no século XIX, dentro do movimento carismático dos irvingistas. Até aquele século ninguém fizera qualquer distinção entre o arrebatamento e o segundo advento de Cristo. O movimento surgido entre os irvingistas, foi posteriormente popularizado pelos irmãos de Plymouth nos Estados Unidos, de onde, rapidamente, se propagou para outras denominações evangélicas, as quais, pelo fato de, em sua maioria, terem iniciado suas atividades de evangelismo internacional e crescimento a partir do século XVIII, absorveram a interpretação pré-tribulacionista, chegando em alguns casos a dogmatizá-la em seus credos.

Para entender porque essas igrejas abraçaram a novidade do pré-tribulacionismo, é necessário saber qual era a mentalidade escatológica daquele tempo.

A maioria dos cristãos no século XVIII era pós-milenista e historicista. Ou seja, eles entendiam que Jesus voltaria depois do Milênio e que os fatos e sinais profetizados no Apocalipse e noutras passagens bíblicas, já tinham se cumprido durante a história. Era comum interpretar os 1260 dias descritos no Apocalipse como 1260 anos, ou os 2300 dias descritos em Daniel como 2300 anos. Então, o pré-tribulacionismo surgiu nessa convergência histórica e baseado nessa mentalidade.
A idéia de iminência (a volta de Jesus ocorreria a qualquer momento, pois todos os sinais já tinham se cumprido durante a história), foi unida à idéia de que os cristãos cheios do Espírito Santo seriam tomados para Deus antes da manifestação do anticristo, concepção divulgada a partir de uma revelação recebida pela jovem Margaret MacDonalds, uma integrante dos irvingistas. Essa revelação foi aceita pelo pastor Edward Irving como uma mensagem divina e, logo após, ele buscou argumentá-la com textos bíblicos no jornal “The Morning Watch”, na edição de junho de 1831. Anos depois, o modelo pré-tribulacionista foi sistematizado por John Darby, unindo os fundamentos surgidos entre os irvingistas com as premissas do dispensacionalismo.

Com o passar dos anos, principalmente depois das duas guerras mundiais, a posição pós-milenista foi perdendo força, diante do inegável fato histórico de que os poderes mundiais caminham para a destruição e não para uma restauração espiritual generalizada anterior à vinda do Senhor. Atualmente, há poucos pós-milenistas, sendo que a maioria dos cristãos é pré-milenista (crê que o Milênio ocorrerá como resultado direto da volta de Jesus e não antes) ou amilenista (não crê que o Milenio é um periodo literal).
Então, vemos que hoje a maior parte dos pré-tribulacionistas é pré-milenista, apesar de muitos não saberem que uma das bases originais do pré-tribulacionismo foi o pós-milenismo. Uma leitura que recomendamos àqueles que quiserem conhecer mais sobre as verdadeiras origens históricas do pré-tribulacionismo está na obra "The Life of Edward Irving", de autoria de Mrs Olifant, publicada por Hurst e Blackett em 1865 na cidade de Londres, Inglaterra.

Sinceramente, cremos que muitos servos do Senhor serão protegidos durante a tribulação final. Não iremos aprofundar-nos aqui sobre a veracidade da revelação recebida pela jovem Margaret. Nós cremos nas manifestações do Espírito Santo. Cremos que o Espírito Santo age com quem Ele quer e da forma que Ele quer. O que não pode haver, em hipótese alguma, é a aceitação de uma revelação que se coloca contra verdades bíblicas.

Tendemos a crer que é bem possível que a revelação recebida por Margaret MacDonalds, caso realmente tenha sido algo oriundo do Espírito Santo, estivesse apontando para uma proteção especial que muitos terão durante o período tribulacional (Apocalipse 3:10). Porém, o que fica claro neste ponto é que a interpretação que foi dada a respeito da revelação pelos líderes dos irvingistas aponta para algo que foge à Verdade das Escrituras e do que havia sido ensinado pelos apóstolos no primeiro século.


Em nosso estudo ESCATOLOGIA PRIMITIVA, explicamos porque os irmãos primitivos eram predominantemente pré-milenistas e futuristas e totalmente pós-tribulacionistas.

Quando estudamos detalhadamente a história da Igreja primitiva, vemos que a mesma não aguardava apenas o arrebatamento e sim o retorno de Cristo para instaurar o seu reino. Nesse contexto, o pré-tribulacionismo é um ensinamento novo no seio da Igreja. É uma novidade diferente do que foi pregado e ensinado pelos apóstolos e crido pelos nossos primeiros irmãos. Por outro lado, uma análise imparcial e sem visões pré-concebidas dos textos bíblicos que tratam dos acontecimentos relacionados à volta do Senhor, não permitem afirmar que o arrebatamento se dará num momento diferente da segunda vinda.

Os defensores do arrebatamento pré-tribulação, argumentam que a segunda vinda de Jesus está dividida em duas etapas:

a) A vinda do Senhor somente para arrebatar a Igreja, de forma oculta ao mundo e anterior à tribulação;

b) O retorno do Senhor em forma visível e em glória após a tribulação.

Sinceramente, acreditamos que tal argumentação é uma distorção da doutrina bíblica. Nenhum texto escatológico permite que se chegue a tal conclusão. Pelo contrário, cremos que a Bíblia apresenta claramente a promessa de duas vindas sem etapas intermediárias. A primeira já cumprida há aproximadamente dois mil anos, e a segunda ainda por se manifestar, como claramente expõe o escritor aos hebreus (Hebreus 9:28). A seguir, analisaremos algumas passagens usadas como fundamento por aqueles que acreditam no arrebatamento como um evento anterior à tribulação que virá sobre a Terra. 

              GUARDADOS OU TIRADOS?  

Em Apocalipse 3:10, na carta dirigida à igreja em Filadélfia está escrito:


"Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra". 

Muitos usam esse versículo para sustentar a tese do arrebatamento anterior à tribulação. Porém, note que o verbo utilizado no texto é guardar e não tirar. Fica subentendido que, aqueles que pertencem à igreja fiel (Filadélfia), serão protegidos pela mão do Senhor, que está no controle de tudo. O verbo guardar aqui está relacionado à idéia de livramento e proteção em meio à tribulação. Não significa que a Igreja se encontrará nos ares com Cristo com o objetivo de ficar fora da tribulação e sim que será "guardada" durante a tribulação.

Nesse contexto, é bom salientar que "Igreja" não significa nenhuma denominação em particular, até porque muitas denominações e concílios entregarão sua soberania ao falso profeta e ao seu sistema ecumênico. A verdadeira Igreja é formada pelos discípulos fiéis ao Senhor, que não se dobrarão diante do sistema e que serão guardados por Ele em meio à aflição. Como afirma o apóstolo Pedro, "...Mediante a fé estais guardados na virtude de Deus para a salvação, já preste a se revelar no último tempo" (I Pedro 1:5).

A frase "eu te guardarei da hora", origina-se de duas palavras gregas: téreo e ek. Téreo tem o significado de "velar", "guardar", "preservar", sendo sua tradução literal algo semelhante a "manter os olhos sobre algo". Já a preposição ek significa basicamente "de". Para que a interpretação pré-tribulacionista tivesse alguma sustentação neste versículo, o escritor do Apocalipse deveria ter usado uma outra preposição grega – apo – que expressa a idéia de separação radical, "para fora de".

Para entender melhor o significado de "tereo" e sua utilização em conjunto (tereo+ek), vejamos o que diz a oração de Jesus em João 17:15: "Não peço que os tires do (ek) mundo, mas que os livres (téreo) do (ek) mal". Ao orar para que os discípulos fossem guardados do mal, Jesus não estava dizendo que Satanás não poderia tentá-los ou que eles seriam transladados para um local onde não pudessem ser tentados. Simplesmente, o Mestre pede para que o Pai guarde os discípulos em segurança e impeça que o inimigo tenha vitória sobre eles. 

               IRA TRIBULACIONAL OU IRA ETERNA?  

Aqui está mais um argumento usado pelo modelo pré-tribulacionista: o arrebatamento como forma de não sofrer a ira de Deus. Em I Tessalonicenses 5:9 diz:

"Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo" (Veja também I Tessalonicenses 1:10)

Quando estudamos o conceito "ira", observamos que a ira de Deus tem se manifestado durante toda a história humana diante do pecado e da desobediência do homem. Obviamente, os salvos e justificados já não estão debaixo dessa ira divina. Portanto, estamos livres da ira de Deus a partir do momento do novo nascimento, o que já aconteceu e continua acontecendo na vida de milhares de pessoas há centenas de anos. Esse livramento acontecerá também com a Igreja no fim dos tempos.
Contudo, tal livramento não significa que há necessidade de retirar do planeta quem não será alcançado pela ira. Não há nenhum precedente histórico nem ensinamento bíblico que aponte para isso. Consequentemente, usar o texto supracitado como sustentáculo da teoria do arrebatamento anterior à tribulação com o objetivo de livrar a Igreja da ira divina, não nos parece o mais apropriado.

É preciso notar na passagem a antítese que Paulo faz entre "ira" e "salvação". Se seguirmos a tortuosa dedução pré-tribulacionista e associarmos o termo "salvação" a uma preservação física dos filhos de Deus, com o objetivo de que não sejam atingidos fisicamente por eventos catastróficos, então deveríamos excluir dessa "salvação" o próprio Paulo, pois o mesmo sofreu catástrofes naturais, torturas físicas e por último a morte física em meio a uma perseguição maligna e a uma tribulação impiedosa!
O dano máximo que um verdadeiro cristão pode chegar a sofrer numa tribulação é a morte física, como aconteceu com o próprio apóstolo Paulo. A salvação independe totalmente dos danos físicos sofridos sob a perseguição de um sistema de governo maligno ou de eventos catastróficos. Por outro lado, sabemos que o Senhor é Poderoso para guardar e preservar fisicamente aqueles que Ele quiser durante tais eventos, assim como Ele é poderoso para ressuscitar e glorificar todos Seus discípulos que morreram e morrerão, sem importar a forma como tenham falecido.

Ao usar a antítese entre salvação e ira, Paulo estava referindo-se à condição espiritual diante de Deus dos seres humanos de acordo com as suas escolhas: salvação eterna ou castigo eterno. Ele estava escrevendo sobre a salvação no sentido mais abrangente da palavra, que é a salvação eterna e sobre a ira de Deus no sentido mais amplo, que é o castigo eterno. Paulo deixa claríssimo esse entedimento ao escrever novamente aos irmãos em Tessalônica. Em sua segunda carta a eles, o apóstolo ensina que o castigo que o Senhor trará sobre os atribuladores é a perdição eterna (II Tessalonicenses 1:9)

Referente à ira vindoura descrita em I Tessalonicenses 1:10, entendemos essa ira como o clímax da ira divina no qual ocorrerá a destruição total dos exércitos do anticristo no Armagedom. Será o momento em que o Senhor Jesus exercerá pessoalmente esse juízo. Vejamos:

"Seguiam-no os exércitos no céu em cavalos brancos, e vestidos de linho fino, branco e puro. Da sua boca saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações; ele as regerá com vara de ferro; e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus Todo-Poderoso"(Apocalipse 19:15).

Nós seremos livres desse desfecho, pois, nos momentos imediatamente anteriores ao evento narrado na passagem acima, ocorrerá a ressurreição dos justos e a transformação dos vivos fiéis, os quais receberão corpos glorificados e se encontrarão com o Senhor nos ares. Todos esses, como vimos anteriormente, serão eventos diretamente ligados à segunda vinda de Jesus em glória para derrotar os exércitos do anticristo, livrar a nação de Israel de uma destruição iminente e instaurar o Milênio. A ira de Deu, enquanto desfecho profético, está intimamente relacionada ao Dia do Senhor, o qual ocorrerá logo após a grande tribulação (veja Apocalipse 6:12-17, Apocalipse 11:15-19)

Para mais informacões sobre o tema acesse o estudo A IRA THUMIS E A IRA ORGE.


               DIA DO SENHOR INESPERADO?  

Em I Tessalonicenses 5:2-3 está escrito:

"Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; pois que, quando disserem: Há paz e segurança! Então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida; e de modo nenhum escaparão".

Esta passagem é utilizada pelos defensores do arrebatamento anterior à tribulação, tomando como base o caráter “inesperado” desse acontecimento mostrado por Paulo nestes versículos, para explicar a existência de um arrebatamento oculto e anterior à tribulação. Porém, temos que observar alguns tópicos importantes para entender melhor que foi escrito pelo apóstolo dos gentios.

a) Alguns podem argumentar que o cenário apresentado por Paulo, de "paz" e "segurança", não condiz com a realidade caótica denominada tribulação, colocando o arrebatamento (Dia do Senhor) como um evento pré-tribulacional. Entretanto, o apóstolo não diz que haverá paz e segurança, e sim “...quando disserem...”. Quando estudamos a figura e atuação do anticristo, descobrimos que ele terá um grande poder de convencimento e manipulação através da fala, e, sem dúvidas, essa promessa de paz e segurança virá dele. Com esse discurso, ele seduzirá a muitos durante a tribulação até o momento final em que reunirá todos os exércitos da Terra contra Israel. Acreditamos que ele usará como argumento para convencer todas as nações a marcharem contra Israel, a paz e a segurança mundial, afirmando que a nação israelense seria o único obstáculo para que isso finalmente acontecesse no mundo.

b) Note que o apóstolo começa a sua narrativa explicando o que acontecerá no DIA DO SENHOR. Quando estudamos mais detalhadamente o que é considerado na Bíblia como "Dia do Senhor", vemos que ele está sempre relacionado com a segunda vinda de Jesus em glória, quando Ele retornará para livrar o seu povo, derrotar os exércitos do anticristo no Armagedom e instaurar o seu reino de justiça. Isso fica claro em passagens como Joel 2: 31-32:

"O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor. E há de ser que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo; porque no monte Sião e em Jerusalém haverá livramento, assim como disse o Senhor, e entre os sobreviventes, aqueles que o Senhor chamar"

Outras passagens que relacionam diretamente o Dia do Senhor à sua vinda em poder e glória como Rei e Juiz, estão em Isaias 13:6, Joel 1:15, II Pedro 3:10, Isaias 13:9, Joel 2:28-32, Zacarias 14:1-2 e Joel 2:1-11. Para uma melhor compreensão do que é o Dia do Senhor, você poderá acessar o nosso artigo O DIA DO SENHOR.

c) A incoerência mais marcante do raciocínio pré-tribulacionista ligado a essa passagem está relacionada à gritante deturpação do sentido que Paulo quer ensinar aos irmãos em Tessalônica. O argumento pré-tribulacionista diz assim: "Ora, se o Dia do Senhor virá como um ladrão na noite, então o rapto só pode ser secreto e antes da tribulação, pois se fosse logo após a grande tribulação todos ficariam sabendo e já não seria inesperado como a chegada de um ladrão na noite...".

O argumento acima é, sob a ótica humana, plausível. Porém, à luz do que é ensinado no próprio contexto por Paulo e no que é revelado no Apocalipse, tal argumento e totalmente antibíblico. Se formos um versículo mais adiante da passagem inicial (I Tessalonicenses 5:2-3), veremos Paulo ensinando que para nós, discípulos do Senhor, o Dia Dele não nos surpreenderá como a chegada de um ladrão à noite, porque já não estamos mais em trevas! Logo, o Dia do Senhor surpreenderá que está em trevas. O Dia do Senhor não surpreenderá a Igreja. O Senhor não virá como um ladrão para a Igreja e sim para aqueles que estiverem em trevas. É isso que Paulo ensina.

Por outro lado, a revelação apocalíptica deixa claro que, mesmo em meio à grande tribulação e até mesmo nos momentos finais dela, os ímpios não atentarão para a proximidade da vinda do Senhor, fazendo com que todo argumento pré-tribulacionista referente à necessidade de que os eventos ocorram antes da tribulação para "surpreender" as pessoas, caia por terra. É só ler Apocalipse 9:20-21 e Apocalipse 16:10-11. Os homens só se lamentarão e chorarão amargamente diante de sua condenação iminente quando virem ocorrer os sinais cósmicos que antecedem a gloriosa vinda de Jesus (Mateus 24:30, Apocalipse 1:7, Apocalipse 6:12-17).

               O TERMO “APOSTASIA” DESCREVE O ARREBATAMENTO?

O termo "apostasia" em II Tessalonicenses 2:3 é interpretado por alguns como "retirada", apontando para uma saída da Igreja antes da manifestação do anticristo.  Porém, nesse contexto temos que destacar alguns pontos que se opõem frontalmente a essa idéia.

Em primeiro lugar destacamos um princípio que é fundamental. A submissão de Paulo aos ensinamentos do Senhor Jesus. O Mestre profetizou que antes de Sua gloriosa volta haveria esfriamento do amor ágape por parte de muitos (Mateus 24:12). Logo depois, Ele revela que haverá a abominação desoladora no lugar santo. Paulo, na passagem aos tessalonicenses, coloca a apostasia e a manifestação do anticristo como sinais que antecedem a vinda do Senhor e o nosso encontro com Ele nos ares, para ensinar que tais sinais deveriam ocorrer antes do regresso do Senhor. Então, não há razões para não crer que Paulo estava citando aos tessalonicenses os mesmo sinais que já haviam sido profetizados pelo Mestre!

Em segundo lugar, devemos considerar a coerência de Paulo no ensino ministrado durante todo o seu ministério. A segunda carta aos tessalonicenses foi uma das primeiras escritas pelo apóstolo. Porém, pouco antes de ser martirizado, ele escreve a Timóteo e ensina que no final dos tempos muitos apostatariam da fé (I Timóteo 4:1), voltando a lembrar o ensino original do Senhor.

Por outro lado, caso Paulo estivesse se referindo ao um rapto secreto ao escrever a palavra "apostasia", por que esse importante ensino não foi levado adiante pelas gerações seguintes? Analisando os textos referentes à Igreja nos primeiros séculos não há qualquer referência a um rapto secreto antes da tribulação ou antes da manifestação do anticristo. Os irmãos dos primeiros séculos não tinham qualquer crença nesse sentido. Eles criam na vinda do Senhor tal qual ela foi descrita em Mateus 24:29-31.

Por último, citamos o contexto. Faz parte de qualquer regra elementar de interpretação das Escrituras a consideração do contexto. Se formos ao começo do texto em questão, veremos que o apóstolo Paulo ensina aos irmãos que estariam atribulados na ocasião da vinda do Senhor, que Ele viria como labareda de fogo e com os anjos do seu poder, para trazer-lhes alívio ou descanso. Ou seja, o contexto apontado por Paulo é o da vinda do Senhor para aliviar a Igreja atribulada e não para evitar que a Igreja ingressasse na tribulação.

              A IGREJA OU O ESPÍRITO SANTO DETÊM A REVELAÇÃO DA BESTA? 

Outro texto bastante usado pelos defensores do arrebatamento pré-tribulacional está escrito em II Tessalonicenses 2:7: 

"Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que agora resiste até que do meio seja tirado" 

Muitos usam esse texto para argumentar que aquilo que detém a manifestação e revelação do anticristo e seu sistema, é a Igreja. Outros sustentam que se trata do próprio Espírito Santo ou até mesmo os dois (Espírito Santo e Igreja). Acontecendo o arrebatamento da Igreja, o Espírito Santo deixaria a Terra à mercê do poder do anticristo para que ele se manifeste plenamente. Vejamos, porém, alguns tópicos:

a) É visível na Bíblia a atuação do Espírito Santo mesmo em plena grande tribulação. Senão, como exerceriam o seu ministério as duas testemunhas descritas em Apocalipse 11:1-14? Elas profetizarão por mil duzentos e sessenta dias e serão mortas pelo anticristo, porém reviverão após três dias e meio de forma sobrenatural. O texto contido em Daniel 7:21, deixa transparecer que muitos santos serão martirizados na mesma ocasião da morte das duas testemunhas. Agora reflita um pouco: Para quem profetizariam essas testemunhas, se não existissem pessoas sedentas de ouvir seu testemunho? Como ouviriam e seriam convencidas se o Espírito Santo, que convence de todo pecado e testifica aos nossos corações, não estivesse agindo na Terra durante o ministério das duas testemunhas? Com que poder elas ressuscitariam, se não fosse o poder divino? É importante saber que, mesmo durante a grande tribulação, DEUS ESTARÁ NO CONTROLE DO UNIVERSO E DA TERRA.

b) A revelação do Apocalipse deixa claro que um número considerável de pessoas não se dobrará diante do anticristo e se negará a receber a marca da besta, guardando sua fé até o fim (Apocalipse 7:9-17). Essas pessoas fazem parte do corpo de Cristo que é a Igreja, a menos que se queira dividir o Corpo em segmentos, o que se opõe a toda revelação bíblica. 

A seguir, abordaremos mais detalhadamente essa passagem escrita por Paulo aos tessalonicenses em sua segunda carta, pois cremos que ela encerra revelações cruciais. Durante séculos a identidade de "quem" e "o quê" detém a revelação do anticristo, tem provocado o surgimento de muitas opiniões, o que é compreensível, pois Paulo não revela sua identidade. Daremos nossa posição a respeito, salientando que é apenas aquilo que entendemos sobre o tema, o qual não comporta posições dogmáticas:

1. Há uma dualidade de referências ao que impede a revelação do anticristo. No versículo 6, é usado o termo "o que o detém". Já no versículo 7 é usado um pronome pessoal: "somente há um que agora resiste até que do meio seja tirado". Isso descartaria apenas um objeto/ação/instituição ou apenas uma pessoa. Conseqüentemente cremos tratar-se de uma pessoa e ao mesmo tempo uma estrutura ligada a essa pessoa.

2. O apóstolo Paulo relaciona a revelação do anticristo ao fato dele assentar-se no Templo de Deus. O apóstolo segue a mesma linha seqüencial usada por Jesus no sermão profético (Mateus 24:13-15). O assentar-se no Templo de Deus está relacionado à abominação da desolação, que ocorrerá num dia e num local específico (não acreditamos que a abominação desoladora possa ser alegorizada, já que a compreensão dos interlocutores de Jesus e de Paulo estava voltada a um evento literal profetizado por Daniel, cronologicamente situado no cenário profético). Portanto, se o encontro de Jesus e da Igreja se dará após a apostasia e a revelação do anticristo (abominação da desolação), logicamente, a Igreja não parece ser o que impede essa revelação (II Tessalonicenses 2:1-3).

3. No cenário apocalíptico, vemos uma Igreja que guarda os mandamentos de Deus e mantém o testemunho de Jesus, e vemos cristãos martirizados pelo governo do anticristo por seu testemunho (Apocalipse 12:17, 6:11, 20:4). Isso mostra a presença do Espírito Santo em meio à Igreja, mesmo após a revelação do anticristo, até porque o Espírito Santo foi enviado para consolar e guiar a Igreja e não para controlar os poderes do mundo. Conseqüentemente isso descartaria uma possível "remoção" do Espírito Santo da Terra para que o anticristo possa se manifestar.

4. Paulo revela que o mistério da iniqüidade já estava atuante no século primeiro (versículo 7). A partir do momento que Paulo fala no presente e projeta o clímax desse mistério no futuro, logicamente "aquilo/quem" impede esse clímax tem estado vivo e atuante nesses últimos 2000 anos, impedindo essa manifestação plena do mal. Isso descartaria a hipótese do Império Romano, que ruiu há muito tempo. Note que Paulo fala de resistência ao mistério em si e não propriamente à revelação do anticristo. Essa revelação será uma conseqüência física de causas espirituais.

5. Quem resiste precisa ter uma autoridade ou força maior ou pelo menos semelhante à força que está sendo resistida. Afinal de contas, estamos falando de 2000 anos de resistência...

6. O termo grego usado para "resiste", indica um ato contínuo de resistir, um confronto direto ou combate entre duas forças e não a mera "presença" de duas forças antagônicas.

Devido a essas razões e respeitando todas as outras, já que estamos abordando um tema não revelado diretamente na Palavra, cremos que "quem" e "o que" resiste o clímax do mistério da iniqüidade e sua concretização num evento específico, num local específico e num dia específico (abominação da desolação), é o arcanjo Miguel e suas hostes. No livro de Daniel, fica a clara conotação que o arcanjo Miguel, um dos primeiros príncipes, cumpre funções de resistência espiritual. Isso fica exposto em passagens como Daniel 10:12-13, Daniel 10:20-21 e Daniel 12:1. O mesmo arcanjo cumpre missões de combate espiritual, como fica registrado em Apocalipse 12:7, numa passagem notavelmente relacionada ao princípio da grande tribulação.

Baseados nestes princípios e revelações escatológicas, nós acreditamos que o arrebatamento e subseqüente encontro da Igreja com o seu Senhor e Salvador, terá lugar no momento em que no céu aparecer o sinal de Cristo, ou seja, no momento de sua segunda vinda. Essa segunda vinda será um evento único e acontecerá logo após a grande tribulação.

  
VOCÊ ESTÁ PREPARADO PARA ESSA VINDA? 

VOCÊ ESTÁ PREPARADO PARA NÃO SE PROSTRAR DIANTE DA IMAGEM DA BESTA NEM RECEBER SEU NÚMERO, MESMO QUE ISSO TRAGA SEU MARTÍRIO?

  
Não resta muito tempo para pensar nas respostas...

Este estudo foi atualizado em 01/02/11



               Maranata! 

               Jesiel Rodrigues / Johnerikson Santana





Arrebatamento Pós-Tribulacionista: Uma Exegese De 2 Tessalonicenses 2:1-3

Por  Zwinglio Rodrigues

O debate escatológico sobre se o arrebatamento da Igreja se dará antes, no meio ou depois da Grande Tribulação, tem rendido muita reflexão teológica por parte dos exegetas. Muitas linhas têm sido escritas e muitos discursos têm sido propalados, principalmente quando há uma polarização das teorias pré e pós-tribulacionistas.

Os proponentes das três teorias indicam possuir fundamentos escriturísticos para posicionarem-se como posicionam-se. Contudo, parece-me que nessa dialética, o argumento pós-tribulacionista é o que melhor calça-se, escrituristicamente falando. Evidentemente, não buscarei demonstrar isso aqui de maneira exaustiva. Porém, analisando mais detidamente 2 Tessalonicenses 2:1-3, desejo expor um indicativo cristalino da maior consistência que envolve a tese pós-tribulacionista.

Antes de procedermos a exegese do texto, faz-se necessário informar que a segunda epístola paulina endereçada aos crentes de Tessalônica teve como propósito aclarar questões concernentes à segunda vinda de Cristo. Como haviam alguns crentes que estavam distorcendo os ensinos sobre o assunto, transmitidos na primeira epístola, o apóstolo viu-se forçado a ajustar as coisas doutrinando-os pela instrumentalidade de uma nova epístola.

Russel Champlin supõe que alguns dos crentes daquela comunidade poderiam está afirmando que Cristo já teria retornado, ao passo que outros teimavam por enfatizar em demasia a sua iminência. Independente de quais erros escatológicos estivessem em circulação naquela comunidade, o fato é que aqueles crentes estavam sendo perturbados por uma confusão doutrinal que precisava ser corrigida.
No capítulo 2:1-3, Paulo inicia sua ação pedagógica com vistas a deixar claro que Cristo ainda não tinha vindo e que a Sua vinda deveria ser precedida por alguns eventos. Ele diz:
“Irmãos, no que diz respeito a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa reunião com ele, nós vos exortamos…” (v 1).

Nesse verso, encontramos o uso da palavra grega parousia que é traduzida por vinda, chegada. Rienecker e Rogers dizem que ela “era usada como um termo semi-técnico [...] para a aparição de um deus”[1].

Originalmente, parousia era uma palavra de uso secular que fora incorporada pela Igreja para, tecnicamente, indicar, no Novo Testamento, a Segunda Vinda de Cristo.

Indicando como um evento cocomitante à parousia, o teólogo de Tarso faz menção ao arrebatamento da Igreja ao usar a expressão “e à nossa reunião com ele”. No texto grego, encontramos o uso da palavra episunagoge que traduzida significa encontro, reunião, assembléia [2].

Observando o paralelismo de passagens, é possível notarmos que não há, nem por inferência, uma sugestão paulina de diferenciação entre o rapto da Igreja apresentado em 1 Tessalonicenses 4 e a parousia abordada no texto que ora analisamos. Ou seja, a idéia pré-tribulacionista de duas fases da Segunda Vinda de Cristo – a primeira para o arrebatamento e a segunda para o acerto de contas com as nações ímpias – parece não estar presente no pensamento paulino.

Paulo diz mais:
“[...] a que não vos demovais da vossa mente, com facilidade, nem vos perturbeis, que por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como se procedesse de nós, supondo tenha chegado o dia do Senhor” (v 2).
Como já foi dito anteriormente, havia uma celeuma doutrinária no interior da comunidade quanto ao assunto em foco. Objetivando ordenar as coisas, o apóstolo é enfático no redirecionamento da maneira daqueles crentes pensar. Ele diz: “não vos demovais da vossa mente”. A palavra grega usada aqui é saleuo que significa abalar, mover-se para lá e para cá, titubear[3] e, mover, chacoalhar, perturbar[4].

O uso dessa palavra no texto indica-nos o estado presente da comunidade local e não a possibilidade dela vir a ficar assim. As coisas não iam bem ali. O estrago não era definitivo, mas era grande e, assaz ameaçador.

Chamando-os ao equilíbrio mental, com vistas à estabilidade subjetiva e congregacional, Paulo continua pondo a casa em ordem afirmando que dele nada procedera indicando que “tenha chegado o dia do Senhor”. Para alguns, o Senhor já tinha vindo e eles tinham ficado de fora do arrebatamento. A palavra chegado, no grego, é enesthken, o indicativo perfeito de enistemi que traz o sentido de estar presente, ter vindo [5]. Leon L. Morris também diz que “a palavra pode ser traduzida por está agora presente”[6].

Isso é o que se imaginava. Esse era o ambiente local.
No processo de ir sedimentando a paz e a correção doutrinal, o apóstolo fala de dois eventos que necessariamente hão de anteceder a parousia e que, obviamente, na compreensão escatológica dele, ainda não tinham ocorrido. Ele diz:
“Ninguém de nenhum modo vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniqüidade, o filho da perdição” (v 3).

Não há dúvidas que para Paulo, o Segundo Advento de Cristo não se dará sem ser precedido pela apostasia e pela revelação do homem da iniqüidade (o Anticristo). Em Mateus 24:12, 15, encontramos também esse ensino declarado.

A palavra apostasia, segundo Ernest Best, I. Howard Marshall, e A. L. Moore[7] significa, no grego, queda, caída, rebelião, revolta.

A apostasia descrita aqui e em Mateus 24:12 indicada pela expressão “o amor se esfriará de quase todos”, refere-se a um acontecimento do tempo do fim e, portanto, jamais visto (1Tm 4:1-2; 2Tm 3:1-5). Suas características serão a universalidade (dentro e fora da Igreja), a intensificação da iniqüidade e uma profunda e radical malignidade.

Alguns intérpretes pré-tribulacionistas têm sugerido que a palavra apostasia aponta para uma saída da Igreja do mundo via arrebatamento. É evidente que essa compreensão é estranha ao uso comum de tal vocábulo no Novo Testamento.

Posterior à apostasia daqueles dias, há ainda, precedendo o retorno do Messias, um outro evento por acontecer: trata-se da manifestação do Anticristo.

Paulo usa dois hebraísmos para descrever o caráter desse homem: homem da iniqüidade e filho da perdição. A palavra usada no grego para iniqüidade é anomia que “descreve a condição de quem vive de modo contrário à lei”[8]. Já o vocábulo grego usado para perdição é apoleia que indica “aquele que está destinado a ser destruído” [9]. Ele é denominado filho da perdição por causa desse seu destino de ruína, mas, também, não foge a uma boa interpretação, compreendermos, mesmo que secundariamente, que ele levará muitos consigo ao fim que o aguarda. Ambas designações demonstram que o espírito no qual o Anticristo atuará é “segundo a eficácia de satanás” (v 9).

O contexto escatológico no qual o “abominável da desolação” (Mt 24:15) iniciará a implementação do seu reinado terrenal é o da Grande Tribulação (ambos estão entranhavelmente conectados). É nesse período que ele levantará uma perseguição contra os santos (a Igreja) do Senhor jamais experimentada (Ap 7:9, 11:7, 13:7, 10, 14:12, 15:3, 16:6, 17:6, 18:24).

Paulo, nos versículos 6 e 7, fala de um ”restringidor” que impede a revelação do Anticristo. Quem ou o que seria esse restringidor é razão de uma disputa grande entre os intérpretes. Para os teóricos do pré-tribulacionismo, é a presença do Espírito Santo na vida da Igreja que não permite que o homem da iniqüidade se manifeste. Com o arrebatamento da Igreja, o Espírito Santo seria removido e isso daria ao Anticristo, a oportunidade de se mostrar ao mundo e iniciar o seu reinado de ilegalidades. Henry Clarence Thiessen, um pré-tribulacionista, referindo-se a Scofield, Grant, Lincoln, Gray e Ottman[10], diz que estes também “afirmam que o que detém é o Espírito Santo, e que ele será afastado quando Cristo voltar para os Seus.”

Para Russel Shedd porém,
“Não existe apoio no Novo Testamento para esta sugestão. Parece até insustentável à luz duma comparação entre duas afirmações nas Epístolas aos Tessalonicenses. A primeira indica que haverá crentes até a chegada do Senhor na parousia. Paulo inclui a si mesmo entre os salvos que esperam a vinda de Cristo: “nós os vivos, os que ficarmos até a vinda (parousia) do Senhor” (1Ts 4;15), com 2Ts 2:8 que diz que o iníquo “será destruído pela manifestação da sua (Cristo) vinda (parousia)”. Nós, os vivos, (membros da Igreja na terra), ficaremos até o Anticristo ser afastado do poder [...]“[11].

Champlin esboça a seguinte compreensão sobre a possibilidade desse restringidor ser o Espírito Santo:
“Devemos também meditar na possibilidade que ainda que o Espírito Santo seja aludido, poderia ele remover o poder restringidor do Anticristo, sem que isso significasse que ele teria de deixar sozinha a Igreja de Cristo; e esta poderia ser protegida das perseguições até àquele ponto escolhido pela soberana vontade divina”[12].
Diante do raciocínio de Shedd, que descansa em um paralelismo bíblico livre de suspeições interpretativas, fica difícil, senão impossível, sustentar a opinião pré-tribulacionista. No caso de Champlin, mesmo admitindo a possibilidade desse restringidor ser o Espírito Santo, ele não trabalha com o raciocínio pré-tribulacionista que intenta remover a Igreja do tempo da Grande Tribulação.

Um outro problema da maneira da doutrina pré-tribulacionista conceber a parousia de Cristo, é que ela implica na invenção de dois estágios da segunda vinda de Cristo: o primeiro, nos ares, para arrebatar a Igreja e o segundo à terra para trazer juízo. Sobre esse assunto, Berkhof diz:
“Felizmente, alguns premilenistas não concordam com esta doutrina de uma dupla Segunda Vinda de Cristo, e se referem a ela dizendo que é uma novidade sem fundamento”[13].

Seguindo à mesma linha de raciocínio, Grudem diz:
“O Novo Testamento não parece justificar a idéia de duas voltas distintas de Cristo [...] Mais uma vez, tal posição não é ensinada de maneira explícita em nenhuma passagem, sendo uma simples inferência baseada em diferenças entre várias passagens que descrevem a volta de Cristo a partir de perspectivas distintas.”[14]
Bom, voltando à questão do restringidor, o que se pode dizer com segurança é que ele poder ser o Espírito Santo, mas não como “aquele” (v 7 – o gênero é masculino no grego) que sairá da terra com a Igreja em um evento que fraciona a parousia de maneira indevida com implicações antibíblicas.

Concluindo, penso que foi possível deixar claro que o texto de 2 Tessalonicense 2:1-3 nos informa que a nossa reunião com Cristo (arrebatamento) não se dará sem que a apostasia e o surgimento do homem da iniqüidade aconteçam. Também vimos que o período em que o Anticristo será conhecido chama-se de Grande Tribulação. Na junção desses tópicos escatológicos, compreendemos que 2 Tessalonicenses 2:1-3 é uma referência objetiva que favorece a teoria pós-tribulacionista. Optar pelo pré-tribulacionismo, é optar por ser contrário a essa Escritura e as que se seguem: Mt 24:22; Lc 21:36; 1Tm 4:1-3; 2Tm 3:1-5; Ap 7:14. Todavia, penso ser necessário, a despeito do posicionamento defendido aqui, que o debate e os estudos sobre a temática deva continuar.

_____________________
[1] RIENECKER, Fritz, ROGER, Cleon: Chave Lingüística do Novo Testamento Grego. São Paulo: Vida Nova, 1995, p. 442.
[2] idem, p. 450.
[3] CHAMPLIN, Russel Norman. O Novo Testamento Interpretado Versículo Por Versículo. São Paulo: Millenium, vol. 5, 1985 p. 239.
[4] Walter Bauer, W.F. Arndt, Dnker e Zabatiero Gingrich em Rienecker e Rogers, p. 450.
[5] Champlin, p. 240.
[6] em Rienecker e Rogers, p. 450.
[7] idem.
[8] George Milligan, idem.
[9] A. L. Moore e Ernest Best, idem.
[10] THIESSEN, Henry Clarence. Palestras em Teologia Sistemática. São Paulo: Regular, 2000, p. 330.
[11] SHEDD, Russel P. A Escatologia do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1991.
[12] Champlin, p. 246.
[13] BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura Cristã, 2007, p. 642.
[14] GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1999, p. 969



PRÉ-TRIBULACIONISMO

Crítica ao Pré-tribulacionismo
Não desprezeis as profecias.
(1ª Tessalonicenses 5:20)
Este ensaio propõe uma reflexão sobre o Pré-tribulacionismo, considerando apenas alguns de seus pontos doutrinários, e não seu histórico. É importante, contudo, que o leitor informe-se a respeito do surgimento do Pré-tribulacionismo (e, se for o caso, do Dispensacionalismo), levando em conta que esta doutrina é recente; não existiu na Igreja Primitiva, nem originalmente no Protestantismo, a idéia do Pré-tribulacionismo, embora certos cristãos primitivos, sendo os mais famosos Justino e Irineu, cressem numa forma de Pré-milenismo, enquanto o Amilenismopredominava entre os reformadores. É difícil imaginar o pré-tribulacionismo como algo diferente de um fruto da imaginação fértil do ser humano. Também não é o intuito deste ensaio defender esta ou aquela corrente, mas apenas discernir mito e realidade dentro do pré-tribulacionismo, e proponho tal conforme dois pressupostos sine quibus non do pré-tribulacionismo, a saber, a Inerrância das Escrituras Bíblicas e a inexistência de controvérsias escatológicas na era apostólica. Se este dogma não for considerado, todo o pré-tribulacionismo ruiria.
Mas o que vem a ser pré-tribulacionismo? Basicamente, é a corrente de pensamento escatológico que defende que a Segunda Vinda de Jesus Cristo dá-se em duas fases, resumidamente:

O arrebatamento secreto, no qual Jesus Cristo não toca a terra, e, invisível, ressuscita os mortos salvos e arrebata os vivos salvos, conforme é apresentado em 1ª Tessalonicenses 4:13-17, sendo que este arrebatamento pode acontecer a qualquer momento. Após este arrebatamento, segue-se sete anos (baseado na profecia de Daniel 9:24-27, bem como suas semelhanças com o livro do Apocalipse) de tribulação no mundo inteiro (o Reino do Anticristo / da Besta), em que Deus toma a vingança pelos pecados, vingança esta profetizada no Antigo Testamento. Enquanto isto, Jesus estaria com os salvos nos céus, celebrando as Bodas do Cordeiro. Segundo os pré-tribulacionistas, durante este período de sete anos, o Espírito Santo deixaria de habitar a terra, baseado na interpretação particular e dogmática de 2ª Tessalonicenses 2:7, mas, ainda segundo eles, seria possível haver conversões e salvação nesta época.
A vinda visível, ao fim dos sete anos das Bodas e da Tribulação, em que Jesus retorna com os salvos, para destruir os seus inimigos: a besta, o falso profeta e seus exércitos, aprisionar Satanás e implantar o Reino Milenial, no qual Jesus Cristo reinaria por 1000 anos literais com sua Igreja, sobre as nações da terra. Depois Satanás seria solto, para tentar as nações da terra, e então jogado no Lago de Fogo e Enxofre. Depois ocorreria o Juízo Final sobre os mortos que não participaram da primeira ressurreição, e finalmente, a eternidade.
Vale salientar que este interpretação pré-tribulacionista jamais é sistematicamente apresentada na Bíblia. Ela é baseada numa montagem de diversos versículos, que, para os pré-tribulacionistas, é harmônica, mas que não faz nenhum sentido para os que não crêem no pré-tribulacionismo. Analisemos agora, cada ponto isoladamente.
O primeiro ponto a ser considerado é o de que a Segunda Vinda seja dividida em dois períodos: um para os salvos e outro para o mundo. Tal divisão jamais é apresentada na Bíblia. Pelo contrário: Paulo mostra claramente que o arrebatamento da Igreja e a vingança contra o mundo ocorrem no mesmo período. Analise 2ª Tessalonicenses 1:7,8. O próprio Sermão Profético (Mateus 24 e 25; Marcos 13; Lucas 21, mas também 17:20-ss) só fala de um evento da Segunda Vinda, e ocorre após a tribulação, como vemos nitidamente em Mateus 24:29-31.
Eles usam dois argumentos básicos para defender essa idéia. O primeiro argumento é o de que existem, na realidade, dois termos para definir a Segunda Vinda, e que um (hARPAdZO) refere-se à primeira fase (arrebatamento), enquanto o segundo (PAROYSIA), seria a própria vinda visível.
Tal argumento, contudo, não encontra base nas escrituras. O termo PAROYSIA é usado tanto para se referir à vinda visível quanto para o “arrebatamento”: confira 1ª Tessalonicenses 4:15 a 2ª Tessalonicenses 2:8. O texto Nestle-Aland (UTF8) assim lê nestas passagens (grifo do autor):
τουτο γαρ υμιν λεγομεν εν λογω κυριου οτι ημεις οι ζωντες οι περιλειπομενοι εις τηνπαρουσιαν του κυριου ου μη φθασωμεν τους κοιμηθεντας (1ª Tessalonicenses 4:15)
και τοτε αποκαλυφθησεται ο ανομος ον ο κυριος ανελει τω πνευματι του στοματος αυτου και καταργησει τη επιφανεια της παρουσιας αυτου (2ª Tessalonicenses 2:8)
Também o substantivo EPIFANEIA (“manifestação”) é empregado em ambas as situações. Assim diz o Nestle-Aland em 1ª Timóteo 6:14 (grifo do autor):
τηρησαι σε την εντολην ασπιλον ανεπιλημπτον μεχρι της επιφανειας του κυριου ημων ιησου χριστου (1ª Timóteo 6:14)

Tanto nesta passagem quanto em 2ª Tessalonicenses, já mostrada, aparece o mesmo substantivo: EPIFANEIA. Portanto, não há base alguma para um arrebatamento secreto anterior à vinda literal: o o próprio arrebatamento acontece durante a MANIFESTAÇÃO. Éimpensável algo ser, ao mesmo tempo, manifesto e secreto. Pelo contrário, a vinda de Jesus, conforme Atos 1:9-11 e Lucas 21:27,28, é visível. Ambas as passagens se encaixam perfeitamente em Mateus 24:30 e Apocalipse 1:7. A chamada “Grande Tribulação”, conforme mostrado em Mateus 24:15-28, acontece ANTES da vinda, não depois: os próprios cristãos são aconselhados a fugirem da Judéia (Mateus 24:16-18). Retornaremos a este assunto.
O segundo argumento usado por eles é o de que, segundo 1ª Tessalonicenses 1:10; 5:9 (e diversos outros versículos), o arrebatamento só pode acontecer antes da tribulação, porque esta seria a forma de Jesus livrar os crentes da “ira futura”. Porém não é isso que esses versículos dizem! Se a Segunda Vinda dá-se em um só momento, todos nós estaremos protegidos e livres da vingança (conforme 1ª Tessalonicenses 5:2-9; 2ª Tessalonicenses 1:7,8).
É interessante comparar Mateus 24:43; Lucas 12:39; 1ª Tessalonicenses 5:2,4; 2ª Pedro 2:10-12; Apocalipse 3:3; 16:15. Em todas essas passagens a Segunda Vinda de Jesus é comparada ao ladrão da noite, inesperado. Mas como vemos em 2ª Pedro 2:10-12, esta Segunda Vinda destrói (literalmente ou metaforicamente) o mundo, tomando a vingança encontrada em 2ª Tessalonicenses 1:7,8. Já 1ª Tessalonicenses 5:1-4 é continuação de 1ª Tessalonicenses 4:13-18: ao contrário do que os pré-tribulacionistas podem dizer, o Dia do Senhor, anunciado pelos profetas do Antigo Testamento, é claramente o Dia de Jesus Cristo, que, assim com Noé e Ló (Lucas 17:26-30), ao mesmo tempo salva alguns e toma vingança de muitos. Note que tanto em Apocalipse 3:3 quanto em Apocalipse 16:15 é pregada a mesma mensagem, a de que Jesus aindaviria.
Mas um detalhe muito importante: ao contrário do que prega o pré-tribulacionismo, o Dia do Senhor e a Grande Tribulação são duas coisas distintas. Enquanto o Dia do Senhor é sobre todo o mundo (Sofonias 1:18; Apocalipse 6:15-17), causando aniquilação completa (2ª Pedro 3:10-12), ainda que havendo esperança de salvação (Sofonias 2:3), a Grande Tribulaçãoocorre apenas na Judéia: conforme Mateus 24:15-28, já citado, é possível fugir desta tribulação a pé. A tribulação é simplesmente o ataque a Jerusalém realizado no ano 70 da nossa era, que pode ser analisada por meio da obra de Flávio Josefo. A causa queda de Jerusalém foi a rebelião judaica do ano de 66 d.C. Primeiramente Verspasiano, e depois seu filho Tito, atacaram Jerusalém: quem permanescia dentro dos muros da cidade morria de fome, e quem fugia morria à espada (quadro semelhante: Ezequiel 5:12). O morticínio, contudo, aconteceu sobre os judeus. Os cristãos fugiram para Pela. Ou seja, fugiram como Jesus Cristo os avisou para fugirem. Obs: erram aqui os preteristas ao defenderem que a destruição do Templo põe fim ao Judaísmo; na realidade este fim dá-se na morte de Jesus: compare Mt 27:51a; Efésios 2:14-16. Veja também que o Sermão Profético é uma resposta à questão dos discípulos acerca da destruição do Templo (Mateus 24:1-3). Não existe base para crer que o Dia do Senhor e esta tribulação sejam a mesma coisa. O Dia do Senhor é a vingança de Deus sobre a terra; a tribulação é a vingança permissiva de Deus sobre o povo de Israel. Confira Lucas 23:28-30. Confira também que em Isaías 4:11,17 lê-se que no Dia do Senhor só Ele será exaltado; não existe espaço neste 'Dia' para exaltação à Besta através de sua imagem.
Recomendado: Leitura do livro do profeta Sofonias, e os cinco primeiros capítulos de Isaías, que mostram o peso do Dia do Senhor.

Outro argumento dos pré-tribulacionistas é Daniel 9:24-27. Eles afirmam que as 69 (7+62) primeiras semanas referem-se ao tempo entre a ordem para a reconstrução do templo até a morte de Jesus, sendo cada dia dessas 69 semanas equivalente a um ano, perfazendo 483 anos. Afirmam também que a última semana só se cumpre no fim dos tempos, ou seja, há uma brecha entre a 69ª e a 70ª semanas.
Isto, porém, me parece um absurdo! Daniel 9:24 é clarissímo: são 70 semanas de tempo cronológico, não 69 semanas, centenas de semanas, e, por fim, mais 1 semana. É um prazo de tempo! Não existe nenhum motivo ou prova bíblicos para se afirmar que esta semana seja separada das 69. Também não existe motivo bíblico para que, mesmo sendo uma semana separada das doutras, esta se cumpra se cumpra no nosso futuro. E mesmo que se cumpra no nosso futuro, também não existe motivo bíblico para crer que seja uma referência à tribulação! É preciso fazer três suposições para que essa semana seja empregada como querem os pré-tribulacionistas, além da quarta suposição, a de que o arrebatamento é logo antes dessa semana. Além disso, não existe texto bíblico que afirme que as Bodas do Cordeiro estejam contidas num período de sete anos, mesmo que seja este o tempo da tribulação. Veja que só após a derrota sobre a Babilônia espiritual anuncia-se as Bodas do Cordeiro (Apocalipse 19:1-7), e isto, segundo os pré-tribulacionistas, só ocorreria ao fim da tribulação.
Além disso, afirmar que a maioria dos acontecimentos do livro do Apocalipse dão-se após a o arrebatamento da Igreja faz com que estas informações tenham pouquíssima utilidade. Que importa à Igreja saber de acontecimentos pelos quais ela não passará? Qual o propósito da profecia bíblica, senão edificar, exortar e consolar (1ª Coríntios 14:3), para o que for útil (1ª Coríntios 12:7)?
Que utilidade há em informar a Igreja do primeiro século acerca de eventos que só ocorreriam séculos e milênios depois? É evidente que as informações dos primeiros e dos últimos capítulos são muito úteis,mas boa parte do livro não! A mensagem de Apocalipse 1:3 é de que se deve guardar as palavras da profecia, e que o tempo está próximo (não de nós, mas de João).
Veja que existem outras interpretações, como a de que este período de tempo se cumpriria com Antíoco IV, sendo Onias III o sumo sacerdote de Daniel 9:26, assassinado por seus rivais (ou seja, uma interpretação de 70 semanas de dias literais). Contudo, não é o propósito deste ensaio demonstrar esta interpretação particular.
Erram também os pré-tribulacionistas quando pregam que o Anticristo surgiria durante (e não antes) da tribulação dos sete anos. Biblicamente, o Anticristo surge ANTES da vinda de Jesus (2ª Tessalonicenses 2:1-4), e na época dos apóstolos já o mistério da injustiça operava (2ª Tessalonicenses 2:6-12). Paulo fala claramente como se o anticristo estivesse às portas, e não como uma personagem do futuro. Isto, é claro, se realmente o 'anticristo' . Ver também 1ª João 2:18; 4:3.
SE a Primeira Besta do livro do Apocalipse (caps 13) realmente é o Anticristo, então o anticristo já pode ter vindo. Não é difícil encontrar as semelhanças entre a Primeira Besta eNero Claudius Caesar Augustus Germanicus. Não é segredo que a cidade de Apocalipse 17 seja Roma; na época de João, era a única cidade que poderia satisfazer às condições de Apocalipse 17:18. Assim como Roma está rodeada de sete colinas (Aventino, Caélio, Capitolino, Esquilino, Paladino, Quirinal, Viminal), também a 'Prostituta' de Apocalipse 17:9.
Em Apocalipse 17:9-11 fala-se de sete reis. É fácil identificar estes reis com nomes de blasfêmia (Augusto, ou Divino, atribuido a esses reis, Apocalipse 13:1) com Otávio (1º), Tibério (2º), Calígula (3º), Cláudio (4º), Nero (5º), Vespasiano (6º) e Tito (7º). Veja que Apocalipse 17:10 confirma que o que virá (Tito) durará pouco tempo, e realmente ele reinou por apenas dois anos. Verspasiano seria aquele que está vivo enquanto João recebe a revelação, ou enquanto escreve o livro. A Besta é ao mesmo tempo o 8ª (Domiciano) e é um dos sete (Nero), uma vez que são duas Bestas, uma com o poder da outra (Apocalipse capítulos 13 e 14). Agostinho (Civitate Dei, XX.19.3) testemunha de que havia a crença de que Paulo havia se referido a Nero como “mistério da injustiça” (ou iniquidade). Existe também a especulação de que Nero Ceasar, na pronúncia grega e transliterado para o hebreu, resulta no valor 666. Não é o meu propósito defender esta interpretação preterista. Até mesmo porque em 2ª Tessalonicenses 2:8 é mostrado que na vinda de Jesus, o anticristo (?) é aniquilado. Ele precisa, portanto, estar vivo no futuro. A menos, é claro, que esta seja uma interpretação exclusiva de Paulo. Ainda assim seria possível interpretar a Besta e o Anticristo como pessoas diferentes.
Um outro problema do pré-tribulacionismo é a ressurreição. Ensina-se que Jesus Cristo, durante o arrebatamento, ressuscita os mortos que nele creram. Segundo a teologia paulina, o arrebatamento e a ressurreição dão-se em um único momento (1ª Tessalonicenses 4:13-17). Mas conforme nós vemos em Apocalipse 20:4-6, a ressurreição dos justos dá-se após a suposta 'grande tribulação'. Se estes são os justos que ficaram para trás e foram mortos na tribulação, então onde o Apocalipse mostra ressurreição anterior, se o próprio Paulo fala de apenas uma transformação, dos vivos e dos mortos (1ª Coríntios 15:51,52; cf. Filipenses 3:20,21; 1ª Tessalonicenses 4:13-17)?
AUTOR: Gyordano Montenegro Brasilino, cristão.
FONTE: http://cristianismopuro.blogspot.com.br/2008/04/texto-ureo-no-desprezeis-as-profecias.html
"...E proferirá palavras contra o Altíssimo, e destruirá os santos do Altíssimo, e cuidará em mudar os tempos e a lei; e eles serão entregues na sua mão, por um tempo, e tempos, e a metade de um tempo. Mas o juízo será estabelecido, e eles tirarão o seu domínio, para o destruir e para o desfazer até ao fim. E o reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será um reino eterno, e todos os domínios o servirão, e lhe obedecerão" (Daniel 7:25-27)
"Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo" (Tito 2:13).


1.“Segunda vinda” antes da “grande tribulação”
2.A Igreja não passa pela “grande tribulação”
3.Arrebatamento é secreto
4.Segunda vinda de Cristo em duas fases: 1) Arrebatamento (antes da Gde. Trib.) 2) Vinda Manifesta a todos (após)
5.Vinda iminente, nenhum sinal necessariamente antecede a Segunda Vinda.
6.História: origem recente, meados do século XIX, com Darby (dispensacionalismo)


MESO (ou MID)-TRIBULACIONISMO
1.“Segunda vinda” no meio da “grande tribulação”
2.A Igreja passa pela “a grande tribulação” - mas é removida antes do derramamento da ira de Deus
3.Arrebatamento é secreto
4.Segunda vinda de Cristo em duas fases: 1) arrebatamento (no meio da Gde. Trib. Ap 11.15-18) 2) Vinda Manifesta (após)
5.Sinais antecedem à Segunda Vinda
6.História: o mais recente de todos (início do século XX)


CONSIDERAÇÕES CONTRÁRIAS AO PRÉ E MESO ARREBATAMENTO DA IGREJA

Os pré-tribulacionistas afirmam que Deus não permitirá que a Igreja sofra no período da Grande Tribulação. Mas, na Bíblia, não existe nenhum versículo que ensine que a Igreja não passará pela Grande Tribulação, nada existe também sobre uma Segunda Vinda de Cristo em duas fases ou etapas, separadas por sete anos de Grande Tribulação, e também não há nada sobre um arrebatamento “secreto”, pois não há nada de secreto e silencioso nos relatos que descrevem o arrebatamento da Igreja (1 Ts 4.16-17; Mt 24.31). Outra incongruência deste ponto de vista se pode ver na idéia de um arrebatamento para tirar a Igreja e o Espírito Santo da Terra antes da manifestação do anticristo. Se este fosse o caso, o anticristo seria anti o quê? Isto de remover a Igreja e o Espírito Santo e aí sim termos a conversão de Israel num período curto de 7 anos, é uma ofensa ao ministério da Igreja e do Espírito Santo. Um reducionismo da Missão da Igreja e do Espírito injustificável que promove escapismo e alienação, além de ferir o bom senso. Agora, vamos nos concentrar aqui mais em demonstrar que a Bíblia ensina claramente que a Igreja passará pela Grande Tribulação.
Jesus deixou claro que o primeiro requerimento para se ser cristão é “tomar a cruz” (Mc 8.34). Jesus disse também que “não é o servo maior do que seu senhor. Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros” (Jo 15.20, cf 13.16, Jo 16.33), devendo o discípulo sempre ter a consciência de que, seguir o Servo Sofredor, que na cruz morreu, é se identificar com ele em todos os sentidos, não somente na glória da sua ressurreição, mas também na dor de seu sofrimento na cruz. E Paulo deixa bem claro que o cristão possui uma sina de sofrimento quando diz: “Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo, e não somente de crerdes nEle” (Fl. 1.29) Paulo exortava os cristãos a permanecerem firmes na fé “mostrando que, através de muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus” (At 14.22). São numerosos os textos que falam a respeito do sofrimento da Igreja e do cristão.i
A Igreja em todos os tempos sofreu perseguições fortíssimas. Como é que os cristãos primitivos poderiam entender que Deus não permitiria que a Igreja passasse pela Grande Tribulação sendo eles próprios vítimas de toda sorte de crueldades e sofrimentos, quando cristãos eram mortos por amor a Cristo aos milhares? Os primeiros séculos da era cristã são conhecidos como a Era dos Mártires. O Apóstolo Paulo não nos dá esperança de escape ao sofrimento, pelo contrário, ele diz aos cristãos de Roma: “Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores por meio daquele que nos amou.” (Rm 8.35-37). Paulo ainda diz: “Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2 Tm 2.12). O livro de Apocalipse tem como propósito confortar e animar cristãos que estão em grande tribulação (Ap 1.9; 2.3,9,10,13; 6.9s; 7.9-17; 11.1-10; 12.11, 17; 13.7,8; 14.1-5,13).
O apóstolo Paulo ensina que a Segunda Vinda de Cristo e a nossa reunião com ele, reunião esta que se dá através do arrebatamento, conforme 1 Tessalonicense 4.16,17,ii “não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniqüidade, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus, ou objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus.” (2 Ts 2.3b,4). Os próprios dispensacionalistas concordam que o Anticristo se revela dando início ao período da Grande Tribulação. Portanto, o apóstolo nos garante que a Segunda Vinda de Cristo e a nossa reunião com ele (o arrebatamento) só se dará após a revelação do “homem da iniqüidade”. O contexto é claro: os cristãos tessalonicenses estavam sendo perturbados por aqueles que ensinavam que Cristo poderia vir a qualquer instante e que até já havia se dado a vinda de Cristo (2 Ts 2.2). Sabemos que o que os tessalonicenses esperavam era a Segunda Vinda de Cristo que desencadearia o arrebatamento da Igreja (2Ts 1.10). Em outras palavras, aqueles cristãos tinham a expectativa do arrebatamento conforme foram instruídos pelo apóstolo (1 Ts 4.13-18). Paulo, então, procura acalmá-los dizendo que são falsos os ensinos que dizem que o arrebatamento chegou (v.2), pois isto não acontecerá sem que primeiro ocorram a apostasia e a revelação do iníquo, o que é o mesmo que dizer que o arrebatamento da Igreja não se dará antes do período da Grande Tribulação. Ao contrário, Paulo lembra que a Segunda Vinda de Cristo e a nossa reunião com ele (v.1) se dará posteriormente a manifestação do Anticristo: “então de fato será revelado o iníquo, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca, e o destruirá, pela manifestação de sua vinda” (v.8). Paulo não nos informa o que ou quem é que está detendo a manifestação do iníquo (v.6,7) mas, certamente, como vimos não se trata do arrebatamento da Igreja, pois Paulo deixa claro que o arrebatamento só se dará após a revelação do Anticristo.iii
O ensinamento de Paulo se encaixa perfeitamente com o ensino de Cristo, que afirmou: “Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento e os poderes dos céus serão abalados. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu com poder e muita glória. E ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus” (Mt 24.29-31). Cristo ensina claramente que sua Segunda Vinda, o que inclui a nossa conseqüente reunião com ele, só se dará “logo em seguida à tribulação daqueles dias”. O ensino de Jesus e de Paulo era pós-tribulacionista. Os tessalonicenses não poderiam estar esperando um arrebatamento para os livrar da Grande Tribulação, pois eles estavam instruídos a respeito de que o desígnio de Deus para os cristãos é de tribulação: “a fim de que ninguém se inquiete com estas tribulações. Porque vós mesmos sabeis que estamos designados para isto” (1 Ts 3.3, ver também v.7; 2 Ts 1.4-7); como ensinou Jesus: “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim... Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: Não é o servo maior do que seu senhor. Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros... Tudo isto, porém, vos farão por causa do meu nome, porquanto não conhecem aquele que me enviou... Tenho-vos dito estas coisas para que não vos escandalizeis. Eles vos expulsarão das sinagogas; mas vem a hora em que todo o que vos matar julgará com isso tributar culto a Deus... Esta coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo passais por aflições; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. (Jo 15.18, 20, 21; 16.1,2,33).
Ainda sobre 2 Tessalonicenses 2, recomendo a leitura dos seguintes textos para se compreender melhor o significado que o Novo Testamento dá à expressão “dia do Senhor” (v.2): 1 Co 1.8; 5.5; 2 Co 1.14; 1 Ts 5.2; Fl. 1.10; 2.16; 2 Pe 3.10, 12; Ap 16.14 e Lc 17.24. Qualquer tentativa de distinguir entre o Dia do Senhor e o Dia de Cristo e encontrá-los em dois diferentes programas escatológicos, um para Israel e outro para a Igreja está fadada ao fracasso, pois, para os cristãos do Novo Testamento, Jesus é o Senhor! (Fl. 2.11; Rm 10.9). Ladd diz que a vinda de Cristo, para reunir seu povo, tanto os vivos como os mortos, para si (1 Ts 4.13-17), é chamada de o Dia do Senhor (1 Ts 5.2), como o é sua vinda para julgar os infiéis (2 Ts 2.2).iv
Contra a posição pré-tribulacionista temos ainda que nenhum texto tem sido encontrado em apoio a esse ponto de vista, nem nos escritos dos primeiros séculos, nem em escritos posteriores, até 1830, com Darby. Entretanto, inúmeros textos antigos atestam que o ensino cristão primitivo era de que a Igreja iria passar pela Grande Tribulação. George E. Ladd concluiu seus estudos sobre o período patrístico afirmando: “Cada pai da Igreja que trata do assunto prevê que a Igreja sofrerá às mãos do Anticristo”. v
O próprio Walvoord, um dos maiores expoentes do dispensacionalismo, chega a admitir que “pré-tribulacionismo”, i.é., uma vinda de Cristo antes da grande tribulação da Igreja, não é explicitamente ensinada na Escritura.vi Ladd comenta dizendo que o fato é que a esperança da Igreja não é um evento secreto, não visto pelo Mundo. A esperança cristã é o aparecimento visível da glória de Deus, no retorno de Cristo (Tt 2.13), a revelação ao mundo de Jesus como Senhor, quando ele vier com os anjos do seu poder (2 Ts 1.7).
Um texto usado pelos pré-tribulacionistas em defesa de que a Igreja não passará pela grande tribulação é o deApocalipse 3.10: “Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei (tereo) da (ek) hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra.” Erickson faz uma excelente exegese do texto dizendo que o sentido primário da preposição ek, “sair de dentro”, refuta a interpretação pré-tribulacionista do versículo. Para a Igreja emergir de dentro da hora do teste, deve ter estado presente durante aquele teste. O mesmo se dá em Apocalipse 7.14, onde os mártires saem “fora da (ek) grande tribulação”. A pergunta importante é por que João não empregou apo em Apocalipse 3.10, que pelo menos permitiria uma interpretação pré-tribulacionista. “Outra questão importante em Apocalipse 3.10”, conforme ressalta Erickson, “é o significado do verbo tereo. Quando está em vista uma situação de perigo, tereo significa ‘guardar’. O perigo está implícito na idéia de guardar. Sendo assim, se a Igreja está no céu nesta ocasião, conforme o ensino pré-tribulacionista, então, qual poderia ser o perigo que necessita a mão protetora de Deus sobre ela? Em João 17.15, tereo também ocorre juntamente com a preposição ek: ‘Não peço que os tires (airo) do (ek) mundo; e, sim, que os guardes (tereo) do (ek) mal’”.vii Portanto, em João 17.15, as palavras de Jesus nos ensinam que podemos ser guardados do mal sem necessariamente sermos tirados do mundo. O povo hebreu foi guardado das pragas que caíram sobre o Egito, mesmo estando dentro do Egito. Eles não precisaram ser arrebatados para serem guardados das pragas. É preciso também que se faça distinção entre “ira de Deus” e “perseguição do Anticristo”. Concordamos que a Bíblia ensina que seremos protegidos da ira de Deus (1 Ts 1.9-10; 5.9; Rm 5.9), mas, como já vimos, não é necessário ser arrebatado para ser guardado do mal.
Portanto, não existe nenhuma base bíblica para ensinar que a Igreja não passará pela Grande Tribulação. Mas, ao contrário, como vimos, existem dezenas de textos que ensinam que a Igreja passará pela Grande Tribulação. Todos os registros históricos até o advento do dispensacionalismo (1830) revelam um ponto de vista pós-tribulacionista e não existe sequer um único texto neste longo período de quase dois mil anos de história da Igreja que registre a idéia pré-tribulacionista de um arrebatamento secreto para livrar a Igreja da Grande Tribulação.
Sendo assim, concluímos que a Igreja não só passará pela Grande Tribulação como já passou e, em muitos lugares e sentidos, tem passado por ela. E, baseados em Ap 20, podemos também concluir que haverá uma feroz investida satânica contra os discípulos de Cristo no final dos tempos, o que concorda também com o texto de Ap 12:12, que diz “ai da terra e do mar, pois o diabo desceu até vós, cheio de grande cólera, sabendo que pouco tempo lhe resta”.
i Exemplo de textos que falam do sofrimento cristão: Ap 1.9; 2.3,9,10,13; 6.9s; 7.9-17; 12.11,17; 13.7,8; 14.1-5,13; 16.15; 22.14; 2 Tm 1.8,12; 2.3,12; 3.12; Mt 5.11,12; 10.16,22,24,25,28-33,38-39; 22.2-6; Ef 3.13; 6.12; Fp 1.21,28,29; 3.10; 2 Ts 1.4,5; 1 Pe 1.6,7; 3.14,17;4.1,12-19; Jo 15.18-20; 16.33; At 14.22; Rm 8.17s; 12.12,15; 2 Tm 2.12; 3.12; Rm 5.3; Hb 11; 12.2-3; Sl 34.19; Tg 1.2-4,12; 5.7-11 1 Ts. 1.6; 3.4; 2 Co 1.3-10; 2.4; 4.7,8,11,17; 5.4; 7.4; 8.2; 11.23-27)
ii Comparar com 2 Ts 2.1.
iii Sobre esta questão, recomendo a leitura do livro “Teologia do Novo Testamento”, Ladd, JUERP, 1993, pp. 516-518.
iv Ladd, George, “A teologia do Novo Testamento”, JUERP, 1993, p. 513).

v Ladd, The Blessed Hope, p. 31 Apud Erickson, Millard. Um Estudo do Milênio São Paulo: Vida Nova. 1991, p.122.
vi (J. Walvoord, The Rapture Question (1957) ,p. 148, Apud Ladd, George “Teologia do Novo Testamento. JUERP, 1993, p. 514.
vii Erickson, J. Millard - Opções Contemporâneas Na Escatologia - Ed. Vida Nova - 1a ed. SP, 1982, p. 126.

AUTOR: José Ildo Swartele de Mello






QUESTÕES IMPORTANTES
Neste novo tópico "QUESTIONAMENTOS", buscamos responder de forma específica a esses argumentos e outros que vão surgindo, provenientes das mais variadas correntes de interpretação. Consequentemente, este tópico será constantemente atualizado, com novas questões. A maioria desses questionamentos são oriundos de textos na internet, porém também incluiremos argumentos encontrados em livros, pregações, e-mails recebidos e conversas. Se você, caro leitor, tiver ou conhecer algum questionamento, dúvida ou contra-argumentação e assim o desejar, pode enviar-nos para o e-mail boletimomega@gmail.com que nos responderemos aqui neste espaço. Se você encontrar alguma incorreção naquilo que expomos, fique à vontade também para entrar em contato conosco.

Gostaríamos de não identificar-nos como "pós-tribulacionistas". Apenas esperamos a volta de Cristo da mesma forma que nossos irmãos primitivos a esperavam. No entanto, devido às mais variadas correntes interpretativas surgidas nos últimos séculos, somos forçados a utilizar esse termo para expressar que cremos no arrebatamento como um evento que ocorrerá durante a gloriosa volta do Senhor Jesus, logo após a grande tribulação. Mais uma vez, alertamos que nosso propósito aqui não é fazer uma competição para ver quem está com a razão. Nosso intuito é fazer com que cada leitor estude, reflita e chegue ao pleno conhecimento da Verdade. Só o Espírito Santo pode conduzir-nos a toda Verdade, a Verdade que vai além do convencimento intelectual e penetra a alma e o espírito. Aqui você encontrará um farto material, o qual será constantemente atualizado. Os questionamentos estarão na cor azul e nossas respostas na cor preta:

Os pós-tribulacionistas afirmam que o pré-tribulacionismo é uma doutrina nova e que não há o registro desse ensino anterior ao século XVIII. Porém, no texto de Efraim, o sírio, datado do século IV, há um claro ensino pré-tribulacionista.

Com relação à questão levantada, o escrito atribuído a Efraim, o sírio, o qual teria conotações pré-tribulacionistas, convém destacar os seguintes pontos:

1. A data atribuída a esse escrito é o século IV, ou seja, posterior a vários escritos primitivos, como o Didaquê, Justino, Irineu, etc, que apontam para a crença no arrebatamento no momento da gloriosa vinda do Senhor e não antes. Então, levando em consideração a possibilidade de que o texto esteja se referindo a isso, o que é altamente improvável, como veremos a seguir, mesmo assim seria uma informação posterior à totalidade dos escritos anteriores.

2. O próprio escritor norte-americano Tim la Haye, um dos principais divulgadores do texto Efraim, reconhece que esse sermão pode ser de autoria de "um certo Pseudo-Efraim" que teria escrito "talvez entre os anos 565 e 627", segundo ele próprio escreveu, contrariando outros, que apontam para o século IV [LaHaye e Jenkins, Are We Living in the End Times?, p. 114]. Ou seja, não há certezas de quem escreveu o texto citado nem quando ele foi escrito...Sem importar quem de fato o escreveu e quando, podemos dizer com certeza absoluta que nenhuma tradição ou ensinamento de arrebatamento pré-tribulacionista se originou nele ou se desenvolveu a partir dele.

Ainda mais importante, como sabem os historiadores e os teólogos sérios, uma simples pesquisa nos escritos de Efraim, revela que ele era pós-tribulacionista, e não pré-tribulacionista. Não somente isto, mas o próprio sermão apresentado pelos dispensacionalistas como "evidência" de suas ideias, utiliza claramente a tradição do arrebatamento pós-tribulacionista do verdadeiro Efraim.

Então, mesmo aceitando a difícil ideia de que o texto tenha sido escrito no século IV e que realmente tenha sido escrito por Efraim, é impossível que ele estivesse falando de um arrebatamento secreto antes da tribulação, pois nesse mesmo sermão, o autor enfatiza que os cristãos deverão passar pela grande tribulação. De fato, o sermão menciona a necessidade de uma regeneração antes da tribulação, e não de um arrebatamento antes dela.

Na Bíblia está revelado em Mateus 24:44 que "À hora em que não cuidais, o Filho do homem virá". Então, Jesus virá numa hora em que nós não estaremos esperando. Seremos surpreendidos com a sua vinda. Isso é confirmado em Marcos 13:36: "Para que, vindo ele inesperadamente, não vos ache dormindo". Com base nisto, o arrebatamento deve ocorrer num momento diferente da volta gloriosa, pois esta última será precedida por sinais e não será inesperada ou surpreendente.

O argumento pré-tribulacionista acima afirma que Jesus virá numa hora em que nós não estaremos esperando e que seremos surpreendidos pela Sua vinda. Paulo escreve que a volta do Senhor deve ser nossa bem-aventurada esperança e que devemos aguardá-la (Tito 2:13). Paulo afirma que a vinda de Cristo não nos surpreenderá (I Tessalonicenses 5:4). É notório que há um choque entre este raciocínio pré-tribulacionista e o que Paulo ensina.

Então, essa simples constatação já mostra que a interpretação que o modelo pré-tribulacionista dá a essas passagens não condiz com o restante das Escrituras. A revelação deve ser entendida como um todo. A Palavra não se contradiz. Vamos tentar abordar a passagem em questão (Mateus 24:44)

1. Em Mateus 24:44, Jesus não está ensinando que virá numa hora que não estaremos esperando ou que Sua vinda nos pegará de surpresa... Ele está dizendo que Sua volta ocorrerá independente de nossas estimativas, cálculos ou projeções. Sua vinda ocorrerá numa hora em que não pensamos, que não cogitamos, que não depende de nossas projeções, mas dos sinais que ocorrerão. Por isso é necessário que estejamos vigilantes. Estar vigilante, não é viver num temor constante de ser surpreendido por um rapto secreto e ser "deixado para trás", mas estar vigilante aos sinais profetizados por Ele mesmo para mostrar-nos como ocorrerão as coisas!

É importante notar que quem será surpreendido diante da vinda do Senhor será aquele que não está vigilante (atento aos sinais e acontecimentos). É isso que a Bíblia revela e isso se opõe frontalmente ao argumento pré-tribulacionista que estamos respondendo. Se uma pessoa estiver vigilante, em santificação e atenta aos sinais, não será surpreendida, pois estará esperando a vinda de Cristo tal qual Ele profetizou (Mateus 24:30-31). É só ler o contexto da passagem em questão... É uma pena que se use versículos soltos e se omita o contexto:

"...Mas se aquele mau servo disser no seu coração: O meu senhor tarde virá; E começar a espancar os seus conservos, e a comer e a beber com os ébrios, virá o senhor daquele servo num dia em que o não espera, e à hora em que ele não sabe..." (Mateus 24:48-50)

Na explicação dada pelo Senhor acima, que faz parte do contexto de Mateus 24:44, quem começar a viver de uma forma displicente, sem santificação e desatento aos sinais, será surpreendido pela vinda do Senhor, posto que não estará esperando essa vinda...

Agora vejamos o que Paulo ensina a respeito dos servos fiéis (Igreja):

"Mas, irmãos, acerca dos tempos e das estações, não necessitais de que se vos escreva; Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite... Mas vós, irmãos, já não estais em trevas, para que aquele dia vos surpreenda como um ladrão; Porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas. Não durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos, e sejamos sóbrios" (I Tessalonicenses 5:1-6)

Então, fica claríssimo que a vinda do Senhor será como um ladrão (inesperada e surpreendente) para quem não estiver vigiando, para quem estiver em trevas... Para quem estiver vigiando, ela não será como um ladrão! Outros textos mostram isso também (Apocalipse 3:3, Lucas 21:34 e a própria passagem citada no argumento pré: Marcos 13:36). Não há nenhuma revelação bíblica que aponte para a chegada de Cristo de forma inesperada e surpreendente para quem estiver vigiando, em santidade e comunhão com Deus. Logo, a interpretação pré-tribulacionista de Mateus 24:44 deve ser revista, pois está ensinando o contrário do que o contexto da passagem ensina e o contrário do que Paulo ensina aos tessalonicenses.

2. O grande problema é que, desde o século XIX, muitos separam no tempo o arrebatamento da vinda gloriosa... Essa separação de 7 anos ou 3 anos e meio jamais foi ensinada pelos apóstolos nem pelos irmãos primitivos... Uma leitura do contexto da passagem de Mateus 24:44 feita sem preconceitos, descobrirá que Jesus está referindo-se a Sua gloriosa vinda, logo após a grande tribulação... É a única vinda revelada por Ele... Não está falando ali de um rapto secreto e iminente... Isso não está revelado. Basta ler o contexto, a partir do versículo 29 e refletir sobre o que aqueles que estavam ouvindo Jesus estavam entendendo, de acordo com a linha narrativa Dele. Essa simples constatação já seria suficiente para mostrar que Mateus 24:44 não se refere a um rapto secreto 7 anos antes da vinda do Senhor.

3. O chamado para a vigilância com relação à vinda do Senhor como um ladrão se mantém até o fim, no momento em que os exércitos são chamados para reunirem-se no Armagedom (Apocalipse 16:15). Para a grande maioria da população, a gloriosa vinda do Senhor será como a chegada de um ladrão (inesperada e surpreendente). Isso é mostrado em Mateus 24:30 e Apocalipse 6:12-17. No entanto, como nos ensina Paulo, para os que estão na luz, não. Estes não serão surpreendidos pela vinda do Senhor, pois estarão atentos aos sinais e esperando ardentemente o Seu Senhor (I Tessalonicenses 5:4).

Por incrível que pareça e por mais difícil que seja acreditar, a gloriosa vinda do Senhor Jesus, logo após a grande tribulação e após o cumprimento de TODOS os sinais, vai surpreender a maioria da população mundial! Isso parece loucura e algo ilógico, mas é o que está revelado. Jesus mostra isso em Mateus 24:30. As nações vão se lamentar. Haverá horror das pessoas diante da chegada do Dia do Senhor (Apocalipse 6:12-17). As mesmas pessoas que, durante a tribulação, vão blasfemar de Deus e dar ouvidos à besta (Apocalipse 13:4, Apocalipse 9:20-21, Apocalipse 16:9), vão perceber sua ruína e se lamentarão diante da gloriosa e majestosa vinda do Senhor. Para esses, sim, a vinda será como um ladrão...

A Palavra do Senhor não se contradiz. O profeta Isaías, contrapõe a altivez, idolatria generalizada e arrogância do período tribulacional com a transformação que ocorrerá no Dia do Senhor (o dia da gloriosa vinda logo após a grande tribulação):

"...E a arrogância do homem será humilhada, e a sua altivez se abaterá, e só o SENHOR será exaltado naquele dia. E todos os ídolos desaparecerão totalmente" (Isaías 2:17-18).

Isaías não está falando da grande tribulação, mas do Dia do Senhor. É só ler o contexto de Isaías 2. Só o Senhor será adorado neste glorioso dia e todos os ídolos desaparecerão. Algo totalmente diferente da grande tribulação, onde a adoração maligna e a idolatria alcançarão seu clímax na besta e na sua imagem... Diante da gloriosa vinda do Senhor, a maioria dos homens, que terão adorado a besta e dado crédito a suas mentiras, mostrando altivez e presunção diante das verdades divinas, será surpreendida quando ocorrer a gloriosa manifestação de Cristo. Para estes, a vinda do Senhor será inesperada e surpreendente, como a chegada de um ladrão!

O sistema pré-tribulacionista criou um rapto secreto e uma primeira fase da vinda do Senhor para encaixar esse caráter de "surpresa" e de um ato "inesperado", porém essa criação é humana. A Palavra revela o contrário. A Igreja não será surpreendida. Os ímpios sim serão surpreendidos diante da gloriosa vinda do Senhor, logo depois da grande tribulação, ao perceberem o gigantesco engano que cometeram ao adorar a besta e receber o seu sinal. É a essa vinda que o Mestre se refere em Mateus 24:44. Quem não estiver alicerçado na Palavra e atento aos sinais, dando ouvidos a doutrinas discordantes com a revelação bíblica, corre o risco de ser enganado também...

Em muitas igrejas, há décadas, irmãos têm sido usados em profecia a respeito do arrebatamento, alertando a Igreja a uma preparação face a esse encontro com o Senhor, instando os irmãos a andarem em santidade diante da chegada iminente do arrebatamento. Nessas revelações, nada é mostrado a respeito de uma preparação específica para um período de grande tribulação, como ocorreu, por exemplo, com a revelação de Ágabo a respeito da fome em Jerusalém. Isso mostra que o arrebatamento ocorrerá antes da tribulação, pois o Senhor não deixaria Sua Igreja à mercê desse período de trevas sem avisá-la antes.

O argumento acima nos foi apresentado por um irmão em Cristo, ao ser confrontado com ele numa comunidade na qual participa. O argumento em questão se baseia em profecias e revelações que, ao serem recebidas, indicam um chamado para a santificação diante da chegada do arrebatamento e não falam de nenhuma tribulação antecedendo esse encontro maravilhoso entre Cristo e Sua Igreja. Logo, deduz o raciocínio, o arrebatamento ocorrerá antes da tribulação. Vamos tentar responder:

1] Nossa premissa principal é que toda profecia e/ou revelação deve estar sujeita à Palavra revelada e deve ser compreendida à luz dessa Palavra. Nas Escrituras, o chamado para vigiar está relacionado à vinda do Senhor. A única vinda revelada na Palavra. O último chamado para a vigilância se dá pouco antes dessa vinda gloriosa, nos momentos próximos ao Armagedom:

"E da boca do dragão, e da boca da besta, e da boca do falso profeta vi sair três espíritos imundos, semelhantes a rãs. Porque são espíritos de demônios, que fazem prodígios; os quais vão ao encontro dos reis da terra e de todo o mundo, para os congregar para a batalha, naquele grande dia do Deus Todo Poderoso. Eis que venho como ladrão. Bem-aventurado aquele que vigia, e guarda as suas roupas, para que não ande nu, e não se vejam as suas vergonhas. E os congregaram no lugar que em hebreu se chama Armagedom" (Apocalipse 16:13-16)

É interessante notar que, se alguma revelação ou profecia recebida numa igreja colocasse, por exemplo, o arrebatamento da Igreja entre o primeiro e o segundo selo do Apocalipse ou até mesmo antes da abertura dos selos, seria alardeada como uma grande verdade, uma prova final de que o modelo pré-tribulacionista está certo... A depender do "profeta", sairia em jornais, TV, rádio e internet... No entanto, diante da clara revelação bíblica acima, inserindo o chamado à vigilância entre a saída do convite da besta para a reunião dos exércitos no Armagedom e a reunião em si, é vista como uma "interpolação simbólica" ou uma "figura de linguagem" pelo modelo pré-tribulacionista....

Nada na Palavra existe por acaso. Se o chamado para a vigilância e para a santidade está inserido nos momentos finais da grande tribulação, então as revelações e profecias pessoais recebidas em igrejas a respeito da santidade face a nosso encontro com o Senhor devem ser entendidas e interpretadas sob esse prisma maior da Palavra!

2] Estar vigilante diante da chegada do arrebatamento, vivendo santificação contínua, em nada nega que antes desse evento passemos por uma aflição máxima. Pelo contrário! Qual é o significado de vigiar? Não é permanecer atento aos sinais, com uma visão apurada, diante de um perigo ou ameaça iminente? Não é manter nossas lâmpadas acesas diante de uma escuridão sem precedentes? Não é manter nossas vestes limpas diante do clímax da apostasia? Não é ficar alicerçado na Palavra diante do maior de todos os enganos que já houve? Não é permanecer acordado (vigília) em meio à noite?

O chamado para vigiar faz muito mais sentido no contexto apontado acima, do que entender que vigiar é viver em contínua apreensão diante da possibilidade do Senhor chegar como um ladrão e a pessoa ser deixada para trás...

3] A promessa de Deus para a Igreja não é preservá-la fisicamente durante a tribulação. Isso não está revelado. Pelo contrário. Tanto o Senhor Jesus quanto os apóstolos são claros ao mostrar que tortura, perseguição, aflições, suplício e morte fazem parte da vida da Igreja. A relativa paz e liberdade que vivemos no ocidente nas últimas décadas não deve ser tomada com uma regra. É uma exceção diante do que é revelado como realidade da Igreja neste mundo de trevas.

No Novo Testamento, vemos um ensino contínuo sobre a honra de sofrer e morrer por causa do testemunho de Cristo e do Evangelho. Morrer com alegria e esperança. Por que tanto receio enquanto a isso? Nossa esperança não é preservar o corpo físico nem evitar que ele sofra qualquer dano. Nossa esperança é eterna. Logo, seria descabido esperar que houvesse uma profecia ou revelação que se opusesse a esse princípio claramente revelado na Palavra!

4] Deus protegerá durante a grande tribulação quem Ele desejar proteger. Ele preservará fisicamente quem Ele quiser preservar. Isso está revelado (Apocalipse 3:10). Somente quem for protegido pelo Senhor chegará vivo ao momento de Sua gloriosa vinda.

Nenhuma medida humana fará possível essa proteção e preservação. Ela será sobrenatural. É Deus quem guardará, não nós. Logo, é incongruente usar o argumento da inexistência de avisos divinos, na forma de profecias e revelações nas igrejas, dizendo "faça isso" ou "faça aquilo", posto que, quem fará é Ele. Não se trata de um evento específico num local específico, como o ocorrido nos dias de Ágabo, onde instruções foram dadas face a fome que se aproximava. Se trata do governo da besta segunda toda a eficácia de satanás, junto com um período de profundos e desastrosos desequilíbrios naturais.

É uma insensatez pensar que, através de nossos próprios meios, como armazenagem de alimentos, abrigos, ou seja lá o que for, vamos sobreviver à tribulação. Não! Ter essas estruturas agora é apenas colocar em prática a inteligência que o Senhor nos dá face aos acontecimentos que já estão ocorrendo. Para isso, não precisa de revelação, pois os próprios fatos já estão nos alertando (que o digam os habitantes do Sudeste Asiático, Atlanta, Japão, Haiti, Chile, Austrália, Petrópolis, etc, etc). É uma questão de escolha pessoal. Não é uma regra. Cada qual terá que conviver com as consequências de seus próprios atos.

Reflita conosco. Se, diante do aumento da incidência de raios UVA OU UVB, devido às desordens atmosféricas e a instabilidade solar (parte do gemido da natureza), é altamente recomendável usar protetor solar para evitar um câncer de pele, ou se qualquer um de nós compraria um arsenal de velas se o governo divulgasse amanhã que grandes descargas magnéticas do sol colocarão todo o sistema elétrico mundial em xeque, porque não seria recomendável ter um pequeno estoque de itens indispensáveis, diante dos momentos difíceis que se aproximam e dos quais já podemos experimentar o começo?

Assim como não podemos esperar uma revelação no meio da Igreja para que os irmãos usem protetor solar, pois trata-se de uma questão de inteligência e bom senso, não devemos usar como argumento a inexistência de profecias que instem a uma preparação para enfrentar a grande tribulação através de meios humanos, pois apenas quem estiver sobrenaturalmente protegido por Deus, será preservado até o fim.

5] Ao mesmo tempo, sabemos que profecias e revelações trazem à tona coisas ocultas. Ninguém pode levantar-se numa reunião entre irmãos e dizer: "Irmãos, tenho uma profecia: Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida...". Isso já está revelado! Pode ser ensinado, lembrado, vivido, aprendido, mas não revelado. O mesmo se aplica à preservação de parte da Igreja durante a tribulação. Já está revelado. Logo, não há necessidade de uma revelação dizendo isso de forma geral, a não ser que Deus tenha ordens e instruções específicas dentro dessa preservação.

6] Ao mesmo tempo em que se recebem profecias e revelações a repeito da santificação face nosso encontro nos ares com o Senhor, o que, como falamos, não nega que esse encontro se dará após o período de grande aflição para a Igreja, há sim várias revelações, recebidas por irmãos de todo o mundo, que indicam uma grande aflição, perseguição, tortura e morte para membros da Igreja. Há profecias e revelações que apontam para a presença dos santos durante a tribulação. Cremos que a mesma importância que se dá a uns, deve ser dada a outros, passando todos pelo crivo da Palavra e provando os espíritos. Não podemos fazer acepção de pessoas.

O grande problema é que a pessoa tende a desconsiderar as revelações que não fazem parte do esquema que lhe foi ensinado... Tenho sido testemunha de vários sonhos e revelações recebidas por irmãos, os quais indicam que enfrentaremos um período de intensa e brutal oposição. Irmãos de bom testemunho e vida com Deus. São esses irmãos menos santos que os que profetizam santidade face nosso encontro com Cristo? Não! Pelo contrário, cremos que um grupo complementa o outro... É óbvio que, em meio à profusão de "revelações" e "profecias", há um grande número de manifestações que não passam de pura sugestão psicológica. E mais, arriscamos dizer que apenas uma minoria dessas manifestações vêm genuinamente do Espírito Santo.

No entanto, dizemos, sem medo de errar, diante da profusão de filmes, livros, megaproduções e incessantes ensinos promovidos nas grandes denominações, muitas delas ensinando seus membros a estarem cada vez mais inseridos na sociedade e a não pensarem que a mesma sociedade poderá persegui-los no futuro, que há mais chance de alguém ser influenciado psicologicamente, por exemplo, por um filme "Deixados para Trás" ou pela pregação de renomados preletores, do que ser sugestionada por um material pós-tribulacionista, materiais estes que, via de regra, estão muito longe da grande "mídia gospel". 
O arrebatamento é uma coisa, a vinda do Senhor é outra. Não podem ser confundidos.

Esta é mais uma faceta do argumento central pré-tribulacionista ou midi-tribulacionista que tenta afastar no tempo o arrebatamento da Igreja da vinda de Cristo. É óbvio que "arrebatamento" e "vinda" são conceitos diferentes. Mas a pergunta é: Estão eles separados por 7 anos apenas por serem conceitos diferentes? Para responder a essa pergunta não são necessárias muitas palavras. Vamos à Palavra de Deus:

“Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos que dormem. Porque assim como a morte veio por um homem, tambéma ressurreição dos mortos veio por um homem. Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo. Mas cada um por sua ordem: Cristo as primícias, depois os que são de Cristona sua vinda (I Coríntios 15:20-23)
Paulo ensina que nossa glorificação corpórea, ou seja, a ressurreição dos mortos em Cristo e a transformação dos que estiverem vivos, ocorrerá na vinda de Cristo Jesus (parousia). Então, fica claro que a glorificação da Igreja, que até mesmo o pré-tribulacionismo afirma que ocorrerá no momento do arrebatamento, ocorrerá na vinda do Senhor, deixando claro que são eventos intimamente relacionados entre si.

Nesse ponto, alguns sustentam que Paulo não está falando da vinda do Senhor (!), mas apenas da "primeira fase" dessa vinda... Se o Senhor permitir, responderemos a esse argumento nos próximos dias. Tanto a glorificação quanto o arrebatamento estão inseridos num evento maior, que é avinda gloriosa do Senhor, a qual provocará uma série de consequências, como as já mencionadas. O próprio Senhor atrela o momento de Sua majestosa vinda ao momento do ajuntamento nos céus dos escolhidos.

"Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória. E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus" (Mateus 24:30-31)

Então, não há nenhuma base escriturística para separar no tempo a vinda de Cristo do arrebatamento. O arrebatamento faz parte da vinda. A única vinda mencionada por Paulo e a única vinda ensinada por Jesus.

O Dia do Senhor será um período de destruição (Amós 5:18-20). Logo, não deveríamos esperar o Dia do Senhor. Isso prova que o arrebatamento ocorrerá num momento diferente do Dia do Senhor.
Como já abordamos em nosso site, o modelo pré-tribulacionista afirma que o "Dia do Senhor" não é um dia, mas um período. Para o modelo pré, o Dia do Senhor não é o dia de Sua gloriosa vinda, mas é o período tribulacional de 7 anos. Um estudo mais atencioso e desprovido de preconceitos aprendidos, mostrará que Dia do Senhor e tribulação não podem ser confundidos. Existem muitos argumentos que poderíamos citar aqui. No entanto, vamos destacar apenas este: O profeta Isaías nos mostra que só o Senhor será exaltado no Dia do Senhor e que toda altivez e orgulhos dos homens maus será abatida (Isaías 2:11-12)

Perguntamos: isso tem alguma coisa a ver com o período tribulacional, onde a altivez e orgulho humanos alcançarão seu clímax e onde o anticristo será adorado como um deus? É óbvio que não! Então, o ensinamento de que o Dia do Senhor é a tribulação não encontra base bíblica. Pelo contrário, se opõe frontalmente ao que está revelado. A menos, é claro, que o modelo pré-tribulacionista afirme que há vários Dias do Senhor, assim como criou duas últimas trombetas, duas etapas da vinda ou duas primeiras ressurreições...

Em nosso estudo O DIA DO SENHOR detalhamos mais sobre o assunto.

O argumento que estamos respondendo se baseia em Amós 5:18-20. Realmente, o profeta Amós nos mostra as consequências drásticas que o Dia do Senhor trará sobre os ímpios. No entanto, a Palavra deve ser compreendida como um todo. Não é correto nem honesto usar apenas um texto e esquecer propositalmente outros textos que nos dão mais detalhes sobre o mesmo dia. Por exemplo, Isaías 30:27-29 nos revela claramente a dupla consequência que o Dia do Senhor trará: castigo para os ímpios e cântico de alegria de coração para os justificados:

"Eis que o nome do SENHOR vem de longe, ardendo a sua ira, sendo pesada a sua carga; os seus lábios estão cheios de indignação, e a sua língua é como um fogo consumidor. E a sua respiração como o ribeiro transbordante, que chega até ao pescoço, para peneirar as nações com peneira de destruição, e um freio de fazer errar nas queixadas dos povos. Um cântico haverá entre vós, como na noite em que se celebra uma festa santa; e alegria de coração, como a daquele que vai com flauta, para entrar no monte do SENHOR, à Rocha de Israel" (Isaías 30:27-29)

Vejamos também essa dupla consequência nos ensinamentos de Paulo, com descanso da tribulação para os santos e castigo de eterna perdição para os ímpios:

"E a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder, como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo; Os quais, por castigo, padecerão eterna perdição, ante a face do Senhor e a glória do seu poder, quando vier para ser glorificado nos seus santos, e para se fazer admirável naquele dia em todos os que creem.." (II Tessalonicenses 1:7-10)

O Dia do Senhor não é um período de 7 anos, mas é o glorioso e exclusivo dia em que o nosso Senhor se manifestará majestosamente nos céus, arrebatando Sua Igreja e exercendo juízo contra os ímpios. Para finalizar, a expectativa de Paulo em relação a ele e aos irmãos no Dia do Senhor Jesus:

"Como também já em parte reconhecestes em nós, que somos a vossa glória, como também vós sereis a nossa no dia do Senhor Jesus" (II Coríntios 1:14)

Por que haveria simulacros de arrebatamento operados pelas forças do mal se o arrebatamento pré-tribulacional não existe? Não seria algo incongruente? O mais coerente é pensar que o inimigo possa usar o pretexto de uma abdução em massa para explicar o rapto secreto que ocorrerá antes da tribulação

Esse raciocínio tem sido constantemente utilizado nos últimos tempos por muitos irmãos que aderem ao pré-tribulacionismo. Parece que, na falta de sentenças e revelações claras na Palavra, usar argumentos como este torna-se necessário...

Nas entrelinhas do raciocínio que estamos abordando, fica a ideia central de que os fenômenos ufológicos, entre eles as "abduções" que alguns têm relatado, seriam uma paulatina operação maligna para, no momento em que ocorrer o rapto secreto ensinado pelo modelo pré-tribulacionista, o anticristo possa "explicar" esse rapto como sendo uma abdução em massa. Vamos, então, mostrar o que pensamos sobre esse argumento pré-tribulacionista.

1] O raciocínio citado coloca as estranhas aparições e fenômenos que têm ocorrido nos céus, os quais já estão profetizados (Lucas 21:11), como se fosse uma prova cabal de que ocorrerá um arrebatamento pré-tribulacional, iminente e secreto... Afirmar isso é, no mínimo, forçar a barra. O cenário que Paulo nos ensina a respeito de nosso encontro com Cristo nos ares não deixa margem para nenhuma “explicação” que o anticristo possa dar, posto que será uma manifestação gloriosa, visível, com todos os anjos, tremenda, irrefutável e que trará juízo aos ímpios:

"E a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando se manifestar (manifestar=mostrar, exibir, revelar, trazer à luz) o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder (compare todos os textos que mostram a vinda do Senhor acompanhada com Seus anjos e todos esses textos referem-se à gloriosa vinda logo após a grande tribulação)como labareda de fogo (algo nada secreto ou escondido...)tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo (não será apenas o arrebatamento, mas a execução plena da justiça divina)Os quais, por castigo, padecerão eterna perdição, ante a face do Senhor e a glória do seu poder (os ímpios não experimentarão a tribulação nem a ira tribulacional diante dessa vinda que Paulo insta os irmãos a esperar como "descanso das tribulações", mas aeterna perdição), quando vier para ser glorificado nos seus santos, e para se fazer admirável naquele dia em todos os que crêem..." (II Tessalonicenses 2:7-10, comentários nossos em preto)

Perguntamos: Que tipo de argumento teria o anticristo diante dessa manifestação gloriosa, todo-poderosa e definitiva do Senhor? O que aqueles que defendem o argumento "rapto-abdução" precisam explicar e mostrar nas Escrituras é onde está revelado que o nosso encontro com o Senhor nos ares (arrebatamento) está inserido dentro de uma manifestação secreta e imperceptível... Enquanto o pré-tribulacionismo não explicar isso, mostrando onde está essa revelação no contexto das Escrituras, então todo tipo de comparação entre rapto e abdução perde sentido e não passa de um raciocínio humano.

2] A Palavra mostra que haverá sim um gigantesco engano, cujo clímax será a operação do erro. Nós cremos sim que toda essa questão envolvendo ovnis está diretamente relacionada ao engano satânico e das hostes do mal que habitam as regiões celestes. No entanto, esse engano satânico não será para "explicar" o hipotético sumiço de milhões de pessoas, mas para levar a cabo o que já está revelado com respeito à manifestação do anticristo:

"A esse (anticristo) cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira; para que sejam julgados todos os que não creram a verdade, antes tiveram prazer na iniqüidade" (II Tessalonicenses 2:9-11, comentários nossos em preto).

Então, a Palavra mostra algo muito mais profundo, dentro do contexto do grande engano que se aproxima, do que o fato de dar ao mundo uma "explicação". O engano será realizado para levar as pessoas a adorar um falso deus e sua imagem, adotando também o seu sinal (II Tessalonicenses 2:4). Veja qual será o contexto desse grande engano que ocorrerá no final dos tempos e analise se será uma "explicação" para o hipotético sumiço de pessoas ou se será algo muito mais profundo:

"E vi subir da terra outra besta, e tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro; e falava como o dragão. E exerce todo o poder da primeira besta na sua presença, e faz que a terra e os que nela habitam adorem a primeira besta, cuja chaga mortal fora curada. E faz grandes sinais, de maneira que até fogo faz descer do céu à terra, à vista dos homens. E engana os que habitam na terra com sinais que lhe foi permitido que fizesse em presença da besta, dizendo aos que habitam na terra que fizessem uma imagem à besta que recebera a ferida da espada e vivia. E foi-lhe concedido que desse espírito à imagem da besta, para que também a imagem da besta falasse, e fizesse que fossem mortos todos os que não adorassem a imagem da besta. E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas, para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome. Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento, calcule o número da besta; porque é o número de um homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e seis" (Apocalipse 13:11-18).

3] Cremos que muitos irmãos, pertencentes à Igreja, serão sobrenaturalmente protegidos pelo próprio Deus em meio e durante a tribulação (Apocalipse 3:10). Muitos irmãos poderão "sumir" do convívio social e serem preservados através da proteção sobrenatural do Senhor. Porém, a promessa que temos de um encontro nos ares com Jesus, está inserida em Sua gloriosa volta, logo após a grande tribulação (Mateus 24:29-31) e nossa glorificação ocorrerá quando soar a última trombeta (I Coríntios 15:51-52).

O arrebatamento tem como finalidade livrar-nos da ira vindoura (I Tessalonicenses 1:10)

Esse argumento está baseado na passagem a seguir: "E esperar dos céus a seu Filho, a quem ressuscitou dentre os mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura" (I Tessalonicenses 1:10)

Então, o propósito do arrebatamento é o de livrar a Igreja dessa ira que virá, diz o raciocínio em questão. Cremos que a Palavra de Deus deve ser entendida como um todo e que, diante de sentenças e afirmações claras, as deduções devem ser deixadas de lado, assim como os ensinamentos baseados num único versículo. No mesmo livro, um pouco mais adiante, Paulo mostra que tipo de livramento é este:

"Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nóspara que,quer vigiemosquer durmamosvivamos juntamente com ele" (I Tessalonicenses 5:9-10)

Fica claro que o livramento da ira de Deus está firmado na salvação em Cristo Jesus e não no arrebatamento. O que nos livra da ira do Senhor não é o arrebatamento, mas o sangue vertido pelo Cordeiro na cruz, o qual nos garante a salvação, quer estejamos vivos ou morramos. O que nos faz isentos dessa ira é o sacrifício redentor de Cristo, pois se não fosse assim, ainda estaríamos sob a ira de Deus!

O apóstolo Paulo não está referindo-se a um processo tribulacional quando fala em "ira", até porque os irmãos em Tessalônica estavam em pleno processo tribulacional! (I Tessalonicenses 1:6-7). É uma questão de salvação espiritual, não de preservação física, como insinua o argumento que estamos respondendo. Um argumento que beira a heresia, ao menosprezar o fator que realmente nos livra da ira (salvação através do sacrifício de Cristo) e apegar-se a um livramento físico que nem mesmo o autor da epístola aos tessalonicenses teve... Paulo não faz uma antítese entre TRIBULAÇÃO X ARREBATAMENTO, mas entre IRA X SALVAÇÃO!

Se fôssemos seguir o raciocínio que essa salvação apontada por Paulo tem como objetivo evitar que soframos o dano da morte física, através de torturas, perseguições, desastres naturais, então devemos afirmar também que homens que viverem sob intensa tribulação, como Pedro, Tiago, Estevão, João Huss e tantos outros, queimados vivos, apedrejados, crucificados e submetidos às formas mais cruéis de morte por parte de governos e autoridades comprometidas com o mal, estão "fora" desse livramento físico...

A ira de Deus, no contexto abordado por Paulo, é um processo que começa com a manifestação gloriosa do Senhor nos céus, como Rei e Juiz, a derrota dos exércitos do anticristo e o juízo que se segue, o qual será aplicado por Ele (Mateus 25:31-46). Vejamos as passagens que apontam para essa ira vindoura e percebamos que ela só começará a ser concretizada logo após a grande tribulação, contrapondo-se ao ensino pré-tribulacionista de que a ira é a tribulação em si:

1] A ira do Cordeiro e o grande dia dessa ira ocorrerá logo após os sinais que antecedem o Dia do Senhor, quando o sol e a lua escurecerem e os poderes cósmicos forem abalados, ao abrir-se o sexto selo:

"E diziam aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós, e escondei-nos do rosto daquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro; Porque é vindo o grande dia da sua ira; e quem poderá subsistir?" (Apocalipse 6:16-17 – Compare com Mateus 24:29-31 e Joel 2:31 – Leia todo o contexto de Apocalipse 6:12-17)

2] O anúncio da ira do Senhor se dá na sétima trombeta, junto com o anúncio do tempo do julgamento dos mortos e o galardão para os santos:

"E o sétimo anjo tocou a sua trombeta, e houve no céu grandes vozes, que diziam: Os reinos do mundo vieram a ser de nosso SENHOR e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre. E os vinte e quatro anciãos, que estão assentados em seus tronos diante de Deus, prostraram-se sobre seus rostos e adoraram a Deus, dizendo: Graças te damos, Senhor Deus Todo-Poderoso, que és, e que eras, e que hás de vir, que tomaste o teu grande poder, e reinaste. E iraram-se as nações, e veio a tua ira, e o tempo dos mortos, para que sejam julgados, e o tempo de dares o galardão aos profetas, teus servos, e aos santos, e aos que temem o teu nome, a pequenos e a grandes, e o tempo de destruíres os que destroem a terra. E abriu-se no céu o templo de Deus, e a arca da sua aliança foi vista no seu templo; e houve relâmpagos, e vozes, e trovões, e terremotos e grande saraiva" (Apocalipse 11:15-19)

3] O próprio Senhor exercerá pessoalmente essa ira quando voltar em glória, logo após a grande tribulação. Enquanto as passagens acima anunciam a vinda dessa ira, a passagem a seguir mostra a chegada dela:
"E seguiam-no os exércitos no céu em cavalos brancos, e vestidos de linho fino, branco e puro. E da sua boca saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações; e ele as regerá com vara de ferro; e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso"(Apocalipse 19:15)
Por último, resta dizer que o propósito do arrebatamento não é livra-nos da ira do Senhor, pois pelo sangue Dele já estamos livres dessa ira! É isso que Paulo ensina em I Tessalonicenses 5:9-10. O arrebatamento será o encontro maravilhoso nos ares entre o Noivo (Jesus Cristo) e Sua Noiva (Igreja).



Se o arrebatamento for depois da grande tribulação, quer dizer que Jesus não virá como um ladrão? Como ficam as passagens que mostram que Ele chegará como um ladrão de noite?
Este argumento tem sido respondido e explicado em nosso site muitas vezes. No entanto, achamos conveniente destacar ele neste tópico. Sem dúvidas, a Palavra mostra que o Senhor Jesus Cristo virá "como ladrão". O Mestre revelou isso e esse ensinamento foi lembrado por Paulo, Pedro e no Apocalipse (Mateus 24:43, I Tessalonicenses 5:2, I Tessalonicenses 5.4-II Pedro 3.10, Apocalipse 16.15).

Cremos as Escrituras devem ser entendidas como um conjunto harmonioso. Logo, deve haver um ensinamento harmonioso sobre a vinda "como ladrão". Na Palavra não há confusão. Pedimos a nossos irmãos pré-tribulacionistas que, por um momento, deixem de lado o raciocínio que lhes foi ensinado por algum filme, livro, tradição ou conversa, e reflitam conosco à luz da Palavra. Vejamos, então, para quem a vinda do Senhor será "como ladrão", chegando de forma inesperada e trazendo grande apreensão e temor:

"Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te. E, se não vigiares, virei sobre ti como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei" (Apocalipse 3:3)

No texto acima, o Senhor revela que, para quem não vigiar, a vinda Dele será “como um ladrão”. Então, entendemos que, para quem estiver vigiando, em comunhão com Cristo, Sua vinda não será “como um ladrão”.

"Mas vós, irmãos, já não estais em trevas, para que aquele dia vos surpreenda como um ladrão" (I Tessalonicenses 4:5)

No texto acima, Paulo ensina aos irmãos em Tessalônica (Igreja) que eles já não estavam em trevas. Para eles, iluminados pela Palavra, a vinda não seria "como ladrão". Logo, a vinda será "como ladrão" para quem está em trevas...

Então, se algum cristão está esperando a vinda do Senhor "como ladrão", queremos dizer que, à luz da própria Palavra, está esperando a vinda de forma errônea, pois, para quem está na Luz de Cristo, sendo iluminado pela Sua Palavra, que nos revela todos os sinais e nos insta a permanecer em constante vigilância e oração, a vinda do Senhor não será “como ladrão”. É isso que Paulo ensina e é isso que o próprio Senhor revela a João na ilha de Patmos.

Por incrível que possa parecer ao intelecto humano, a vinda gloriosa do Senhor Jesus, logo após a grande tribulação, pegará a maioria da população mundial de surpresa... Para estes, a vinda do Senhor será "como ladrão". É isso que a Palavra nos descreve: se, durante a grande tribulação, a maioria escolherá dar ouvidos à besta e suas palavras e promessas enganosas, enaltecendo-se e blasfemando de Deus, mesmo em meio a sinais claríssimos da proximidade do fim e à pregação das duas testemunhas (Apocalipse 9:20-21, Apocalipse 13: 4 e 8, Apocalipse 16:9), quando aparecer o sinal de Cristo no céu, logo após a grande tribulação, os homens se lamentarão diante da chegada do Dia do Senhor (Mateus 24:30, Apocalipse 6:12-17). Para estes, a manifestação do Senhor será como a chegada de um ladrão!

A Igreja não deve esperar a vinda do Senhor "como ladrão", mas como Noivo e Senhor. Então, o arrebatamento da Igreja, logo após a grande tribulação, não se contrapõe ao fato da vinda gloriosa do Senhor ser como a chegada de um ladrão para a maioria da humanidade.

O arrebatamento será como um relâmpago que sai do oriente e se mostra até o ocidente (Mateus 24:27). Logo após um relâmpago vem o estrondo (trovão). Logo, o estrondo, que simboliza a tribulação, ocorrerá após o arrebatamento.

Neste mesmo tópico já respondemos a um argumento pré-tribulacionista, o qual sustenta que o arrebatamento secreto não pode ser a vinda "como um relâmpago", pois a vinda como um relâmpago não combina com o fato da vinda ser "como ladrão". Logo, diz o argumento que já respondemos aqui, se trata de duas vindas diferentes...

Agora, nos deparamos com um argumento pré-tribulacionista que é totalmente contrário ao apontado acima, mostrando-nos quão confuso é esse modelo e as incongruências que sustenta. Neste caso, o argumento se baseia na seguinte lógica: se depois de um relâmpago vem o trovão, logo, o arrebatamento secreto será como relâmpago e o trovão é a própria tribulação. Então, deduz o argumento, o arrebatamento se dará antes da tribulação, assim como o relâmpago se dá antes do trovão...

1] Em primeiro lugar, convém ressaltar que o Senhor Jesus não disse que Sua vinda seria um relâmpago, mas sim "como um relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente" (Mateus 24:27). Logo, atrelar todos os fenômenos naturais que ocorrem em função de um relâmpago à vinda do Senhor não nos parece o mais criterioso. Se fôssemos considerar que essa sequência de relâmpago-trovão devesse ser aplicada, respectivamente, ao arrebatamento e à tribulação, então deveríamos afirmar que o arrebatamento seria apenas visível (relâmpago) e a tribulação apenas audível (trovão), o que não encontra sustentação na Palavra, já que haverá "alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus"durante o que os próprios pré-tribulacionistas denominam de rapto secreto (I Tessalonicenses 4:16-17) e quase todos os eventos tribulacionais serão bem visíveis...

2] Se formos ao contexto da passagem, o Senhor havia terminado de falar sobre falsos sinais e aparições que haveria durante a tribulação (veja Mateus 24:21-26). Apenas essa constatação seria suficiente para desacreditar o questionamento que estamos abordando. Ora, o Senhor Jesus estava exortando os discípulos a distinguirem entre os falsos sinais e aparições que ocorreriam durante a grande tribulação e o Seu próprio sinal. Estava distinguindo entre os simulacros da iniquidade da operação do erro e Sua vinda. É nesse contexto que Ele revela que Sua vinda se dará como um relâmpago de grande magnitude. O Senhor está revelando a respeito do sinal de Sua gloriosa vinda. Um sinal semelhante a um relâmpago. Então, a vinda "como um relâmpago" ocorrerá após tais simulacros de engano!

3] O fato do Senhor Jesus determinar essa diferença entre o Seu próprio sinal e os outros sinais de engano, nos mostra que trata-se de um sinal visível e identificável por quem estiver na Terra naquele momento. Algo nada "secreto". Muito pelo contrário! O âmago da comparação feita por Jesus entre Sua vinda e um relâmpago que vai do oriente até o ocidente é precisamente a visibilidade e não a invisibilidade, como sustenta o questionamento que estamos abordando... Diante desse sinal visível e esplendoroso, a Igreja se alegrará e os ímpios se lamentarão. Esse sinal se dará logo após a grande tribulação (Mateus 24:21-31)

Na sétima trombeta haverá o derramamento das sete taças e todos blasfemarão contra Deus e sofrerão castigos terríveis por não terem acreditado no Senhor. A Igreja não poderá estar na Terra nesse período. O arrebatamento ocorrerá após a sexta trombeta e antes de iniciar o derramamento das taças.

Este argumento situa o arrebatamento após a sexta trombeta e ao soar da sétima trombeta do Apocalipse. Este é um argumento midi-tribulacionista, entendendo como "midi" a crença no arrebatamento em meio à tribulação. De certa forma, nós cremos que o arrebatamento ocorrerá na sétima trombeta, posto que a sétima trombeta abrange os eventos finais, até mesmo a própria vinda do Senhor:

"...Nos dias da voz do sétimo anjo, quando tocar a sua trombeta, se cumprirá o segredo de Deus, como anunciou aos profetas, seus servos"(Apocalipse 10:7)

No entanto, cremos que a Palavra nos oferece informações mais precisas para que saibamos em que momento profético ocorrerá o encontro da Igreja com o Seu Senhor nos ares. Toda revelação está sujeita ao Senhor Jesus. Ele revelou que, em Sua gloriosa volta, quando o Seu sinal aparecesse nos céus, Ele mesmo enviaria Seus anjos com rijo toque de trombeta e esses mesmos anjos ajuntariam Seus escolhidos de uma à outra extremidade dos céus (Mateus 24:30-31).

Já o apóstolo Paulo revela-nos que a nossa glorificação corpórea (ressurreição dos mortos e transformação dos vivos) ocorrerá num abrir e fechar de olhos ao soar da última trombeta (I Coríntios 15:51-52). Ora, quando Paulo citou a "última trombeta" não estava referindo-se à sétima trombeta do Apocalipse, até porque as cartas apocalípticas só foram escritas décadas depois (!)... Paulo estava lembrando as Palavras do Mestre ditas no Monte das Oliveiras. Então, se, de forma geral, todos os acontecimentos finais ligados à volta do Senhor ocorrerão a partir do toque da sétima trombeta, a revelação bíblica nos oferece, ao mesmo tempo, informações para que situemos com mais precisão quando ocorrerá o arrebatamento: a partir do momento que aparecer nos céus o sinal de Jesus e os homens ímpios começarem a lamentar-se e a esconder-se diante de Sua iminente destruição (compare Mateus 24:29-31 com Apocalipse 6:12-17).

Esse cenário de desespero total descrito em Mateus 24:29-31 e Apocalipse 6:12-17 não combina com o derramar das taças da ira de Deus, contidas na sétima trombeta. Vemos que, durante o derramar dessas taças, os homens continuarão com uma atitude prepotente, blasfemando de Deus e marchando rumo ao Armagedom contra Jerusalém. Apesar de crermos que as taças começarão a ser derramadas já na parte final da grande tribulação, nos últimos dias ou horas dela, contudo, se formos coerentes com a revelação total das profecias, esse derramamento das taças ocorrerá antes da manifestação gloriosa do sinal do Senhor nos céus escuros. Se o Senhor revela que o ajuntamento dos escolhidos se dará a partir desse glorioso e visível sinal, então o arrebatamento ocorrerá após o derramar das taças. Aqui vale a pena considerar alguns detalhes:

1] A maior parte das taças cairá sobre o círculo mais próximo à besta, seu trono e sobre aqueles que têm o seu sinal e que a adoram. Serão pragas específicas sobre pessoas específicas (Apocalipse 16:1-14)

2] A quarta taça mostra um abrasamento com grandes calores sobre os homens. Já o Senhor Jesus revela que logo após a grande tribulação o sol e a lua não darão a sua luz e o Seu sinal apareceria nos céus... Logo, cremos que esses dois eventos ocorrerão em momentos diferentes, apesar de muito próximos. O primeiro (abrasamento com grandes calores) nos últimos dias dos 42 meses de grande tribulação e o segundo (escurecimento do sol e da lua) ocorrerá, como mostra o Senhor, logo após essa grande tribulação (Mateus 24:29).

3] Cremos que nada na Palavra está escrito por um acaso. O Senhor é Poderoso para, ao longo das eras, preservar a Sua Palavra e impedir que sejamos confundidos... Logo após o derramar da sexta taça, a penúltima delas, há uma mensagem para a Igreja: "Eis que venho como ladrão. Bem aventurado aquele que vigia, e guarda as suas roupas, para que não ande nu, e não se vejam as suas vergonhas" (Apocalipse 16:15).

Entendemos que não é coincidência esta mensagem estar no local onde se encontra, depois do derramar da sexta taça. Reconhecemos que, somente quem for protegido pelo Senhor, poderá chegar vivo a esse ponto da revelação. Muitos irmãos nossos morrerão nesse tempo e eles são chamados de "bem-aventurados" (Apocalipse 14:13). Contudo, algo é certo: o Senhor chama à vigilância em função de Sua volta "como ladrão" e esse chamado está entre a sexta e a última taça. Agora vejamos o que acontece quando a sétima e última taça é derramada:

"E o sétimo anjo derramou a sua taça no ar, e saiu grande voz do templo do céu, do trono, dizendo: Está feito. E houve vozes, e trovões, e relâmpagos, e um grande terremoto, como nunca tinha havido desde que há homens sobre a terra; tal foi este tão grande terremoto. E a grande cidade fendeu-se em três partes, e as cidades das nações caíram; e da grande Babilônia se lembrou Deus, para lhe dar o cálice do vinho da indignação da sua ira. E toda a ilha fugiu; e os montes não se acharam. E sobre os homens caiu do céu uma grande saraiva, pedras do peso de um talento; e os homens blasfemaram de Deus por causa da praga da saraiva; porque a sua praga era mui grande" (Apocalipse 16:17-21)

Quando comparamos esta última taça com as passagens de Apocalipse 6:12-17 e Mateus 24:29-31, vemos que a sétima taça marca o começo do Dia do Senhor. Pedimos que você, caro leitor (a) não deixe de fazer essa comparação!

A partir deste momento, os homens começarão a ficar desesperados. A prepotência que os tinha feito levantar seus rostos contra Deus e marchar contra Jerusalém com milhões de soldados, será substituída por desespero e tremor. Os poderes cósmicos começarão a entrar em colapso. A partir desse momento, sol e lua escurecerão e o sinal do Senhor aparecerá. O engano da besta ficará patente, mas já não haverá mais volta para quem tiver recebido seu sinal e adorado sua imagem. As pessoas saberão disso, pois as duas testemunhas e muitos outros haviam alertado... Então, ocorrerá o ajuntamento dos escolhidos nos ares para encontrar-se com o Senhor. Não antes! (Mateus 24:29-31). Não podemos esquecer as Palavras de Jesus: "Igualmente, quando virdes todas estas coisas, sabei que ele está próximo, às portas" (Mateus 24:33).

Então, apesar de não estar de todo incorreto, cremos que afirmar que o arrebatamento se dará na sétima trombeta, como afirmam alguns, principalmente midi-tribulacionistas, não condiz com as especificações que a própria Palavra revela de nosso encontro com o Rei nos ares. Nós veremos, se estivermos vivos, todos os sinais que antecedem a gloriosa volta do Senhor, inclusive as taças e os sinais cósmicos que anunciam o Dia do Senhor. Só então, nosso encontro com Ele nos ares estará "próximo, às portas". Afirmar que o arrebatamento se dará ao soar de sétima trombeta pode gerar a confusão de fazer crer que nosso encontro com o Senhor se dará antes do que está realmente revelado... Seria mais coerente, cremos, afirmar que o nosso encontro nos ares com o Senhor se dará apenas a partir do momento em que o Seu sinal aparecer nos céus, logo após a grande tribulação. O último grande sinal será o sinal do próprio Cristo e nós o veremos (Mateus 24:30-31).

Em Apocalipse 13:7 está escrito: “E foi-lhe permitido fazer guerra aos santos, e vencê-los; e deu-se-lhe poder sobre toda a tribo, e língua, e nação”. Então, não há possibilidade do arrebatamento ser pós-tribulacional, já que a Palavra revela que haverá cristãos vivos no momento do arrebatamento. Se a besta matará a todos, como haveria vivos para serem arrebatados?

Esse raciocínio parte da premissa que Apocalipse 13:7 descreve o aniquilamento total dos santos. Logo, se esses santos são a Igreja, todos os cristãos seriam mortos e não haveria vivos no momento do arrebatamento, caso ele seja pós-tribulacional. Consequentemnte, concluem os que usam esse argumento, o arrebatamento tem que ser pré-tribulacional e esses "santos" não são a Igreja. Realmente, nos chama a atenção as verdadeiras "manobras" que o modelo pré-tribulacionista tem que fazer para afirmar suas crenças. Fica a impressão que, na falta de textos claros e objetivos, o pré-tribulacionismo tenha que recorrer sempre a esses raciocínios tortuosos.

Dizemos que é um raciocínio tortuoso pelas seguintes razões:

1] O texto de Apocalipse 13:7 não diz que a totalidade dos cristãos será aniquilada. Diz que os santos sofrerão guerra parte da besta e serão vencidos. Ora, se são santos, serão vencidos fisicamente e não espiritualmente, pois continuam sendo santos... O texto claramente se refere à enorme perseguição e morte em massa que o anticristo exercerá sobre a Igreja. Concordamos que grande parte da Igreja será martirizada durante a tribulação.

Da mesma forma que vários imperadores romanos, sob a permissão de Deus, tiveram o poder de matar milhões de irmãos nossos, de formas verdadeiramente cruéis, o anticristo também. Da mesma forma que aquelas mortes cooperaram para o bem do propósito de Deus e para o bem dos próprios mártires, a morte dos santos cooperará. Isso fica claríssimo quando os mártires que estão sob o trono são instados a esperarem mais um pouco de tempo até que se complete o número de mártires que morrerão da mesma forma que eles morreram no passado... (Apocalipse 6:911). Morrer em virtude da fé em Cristo e do Evangelho deve ser uma honra para todo cristão. Pena que muitos não pensem assim e fujam dessa possibilidade como gato foge da água... (veja Apocalipse 20:4)

2] Com relação aos sobreviventes, a pergunta que fica aos nossos irmãos pré-tribulacionistas é a seguinte: Não seria Deus suficientemente soberano e poderoso para reservar para si um grupo de sobreviventes durante a grande tribulação? Nós cremos que sim. E mais: temos a revelação de que isso ocorrerá. Deus protegerá em meio à tribulação que virá aqueles que Ele quiser proteger, de acordo com os Seus propósitos. Assim como, durante as perseguições dos primeiros séculos, o Senhor protegeu de forma sobrenatural a muitos servos Seus, assim será também no fim. Isso fica claramente revelado em Apocalipse 3:10 e Mateus 24:22, entre outras passagens. Se haverá sobreviventes até mesmo dentre as nações que subirem contra Jerusalém no Armagedom (Zacarias 14:16), mesmo em meio aos horrores tribulacionais, por que não haveria sobreviventes cristãos? Onde está escrito que TODOS os cristãos serão martirizados ou morrerão durante a grande tribulação?

3] Por último, resta expressar nossa estranheza, mais uma vez, diante das incongruências pré-tribulacionistas. Ora, se o modelo pré-tribulacionista afirma que os "santos" de Apocalipse 13:7 são os "deixados para trás", ou seja, pessoas que não estavam firmes no Senhor no momento do rapto secreto, como é que se tornarão santos em 2 ou 3 anos sem o agir do Espírito Santo e sem a comunhão da Igreja? Se esses "santos" forem os judeus, como afirma outra parcela dos pré-tribulacionistas, sendo eles totalmente exterminados, como é que haverá judeus sobreviventes que presenciarão a volta de Cristo e chorarão amargamente em arrependimento? (Zacarias 12:10) Afinal, a quem os anjos prometem que veriam a volta de Cristo da mesma forma que Ele tinha subido às nuvens? Aos "ex-desviados-deixados-para–trás"? À nação judia? Ou aos discípulos que pertenciam à única e gloriosa Igreja do Senhor? (Atos 1:9-11)
O texto de Apocalipse 13:7 é uma confirmação do que já havia sido revelado a Daniel:


ica claro que os mesmos "santos" de Apocalipse 13:7, são os "santos" de Daniel 7:25-27. A quem será dado o reino, e o domínio, e a majestade dos reinos? Nós cremos que será dado "ao povo dos santos", ou seja, à Igreja que reúne em Seu corpo os santos do Altíssimo de todos os tempos. Não cremos que será dado a "ex-desviados-deixados-para-trás"...

Nossa bem-aventurada esperança é uma coisa. O aparecimento da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo é outra. A passagem de Tito 2:13 estabelece essa distinção. O primeiro conceito se refere ao arrebatamento secreto e o segundo conceito se refere à vinda gloriosa.

Neste ponto, o argumento pré e midi se baseia na conjunção "e". O texto em questão é este:


Logo, Paulo, ao escrever a Tito estaria mencionando dois eventos diferentes: a bem-aventurada esperança, a qual significaria, por dedução, o rapto secreto, e o aparecimento da glória do Senhor, que seria a Sua volta gloriosa. No entanto, a palavra grega kai, que é a conjunção "e" que une os dois conceitos já mencionados acima, pode significar um "e" excludente, mas, por outro lado, pode significar "também". Por exemplo, quando a Bíblia menciona "céu e terra", o "e"é excludente. Está referindo-se a dois conceitos distintos e opostos. No entanto, quando a Palavra fala, por exemplo, de "Deus e Pai", está mencionando dois conceitos relacionados entre si, os quais devem ser entendidos como um conjunto: "Deus que também é Pai".

Um outro ponto importante no texto grego é ver que, quando há um enunciado como este, unindo dois conceitos através da conjunção "e", devemos atentar para o uso de artigo definido. Se o artigo definido estiver antes dos dois enunciados, então indica que são ideias diferentes entre si e mutuamente excludentes. Porém, se estiver apenas antes de um deles, indicará que se trata de dois conceitos relacionados entre si. Vejamos o texto original no grego (textus receptus):

"prosdechomai (aguardando) tên (a) makarían (bem-aventurada) elpída (esperança) kai (e) epifáneian (manifestação) tês (da) dõkses (glória)"

Fica patente que, embora a maioria das traduções em português traga artigo definido antes de "aparecimento da glória...", no original grego não aparece este artigo definido. Apenas há artigo definido antes de "bem-aventurada esperança". Então, a mais correta tradução dessa primeira parte do versículo seria: "Aguardando a bem-aventurada esperança e aparecimento da glória...". Aliás, o mesmo princípio se aplica à última parte do versículo, para revelar-nos, mais uma vez, a deidade de Jesus Cristo. Apenas há artigo definido antes de "grande Deus" e não há artigo definido antes de "nosso Salvador Jesus Cristo". Logo, o restante do enunciado se refere ao mesmo conceito, mostrando-nos a deidade do Filho:

"tu (do) megálu (grande) theú (Deus) kai (e) sotéros (salvador) hemôn (nosso) Khristú (Cristo) Iesú (Jesus)"
Nesse caso, a tradução é a mesma que temos em nossa versão Almeida: "...Do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo". Então, não há base gramatical para separar os dois conceitos, como se fossem coisas diferentes entre si. O próprio contexto das revelações escatológicas nos indica que a bem-aventurada esperança do cristão é a gloriosa volta do Senhor.

Se em Mateus 24:42-44 está dito que o Senhor virá como ladrão, então não pode estar referindo-se à vinda como um relâmpago de Mateus 24:27 ou Lucas 17:24...

Em primeiro lugar, é interessante notar a incoerência que existe mesmo dentro do modelo pré-tribulacionsita, pois, enquanto alguns afirmam que a vinda como um relâmpago é a vinda visível e gloriosa, outros, como veremos mais adiante, afirmam que se trata do rapto secreto... 
Quando o Mestre diz que virá como um ladrão está referindo-se à única vinda descrita por Ele na mesma ocasião: "O Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória" (Mateus 24:30). Afirmar que Jesus estava referindo-se a outra vinda é afirmar o que não está revelado e, além disso, criar uma enorme confusão na mente das pessoas.

Ao mesmo tempo, a Sua vinda será como ladrão para quem não estiver vigiando. Isso é retratado no exemplo do pai de família e é corroborado por Paulo em I Tessalonicenses 4:5. Para quem estiver vigiando, em comunhão com Cristo, a vinda Dele não será como um ladrão. Logo, não podemos atrelar o fato da vinda ser como ladrão ao argumento pré-tribulacionista de apresentar a vinda do Senhor como um evento invisível e irreconhecível para o mundo. O âmago da questão apresentada pelo Senhor e ensinada por Paulo é a vigilância, não a notoriedade ou invisibilidade do evento em si.

O Senhor Jesus descreve que, da mesma forma que o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será a Sua vinda (Mateus 24:27, Lucas 24:24). Fica claríssimo que se trata de um evento amplamente visível. O Senhor Jesus utilizou, talvez, o maior exemplo de visibilidade e notoriedade que a natureza nos brinda: o relâmpago! A aparição desse gigantesco sinal nos céus, também explicado em Mateus 24:30, traduz os momentos iniciais da gloriosa vinda do Senhor, quando Ele reunirá a Igreja nos ares e pisará, ato contínuo, sobre o Monte das Oliveiras. Será uma vinda visível e audível. Não há nenhum texto bíblico ou ensinamento dos apóstolos que indiquem uma vinda oculta.

Para quem não estiver vigiando, essa manifestação será como a chegada de um ladrão, pois a maioria escolherá dar ouvidos à besta durante a grande tribulação, mesmo em meio a sinais claríssimos da proximidade da gloriosa vinda do Rei (I Tessalonicenses 4:5, Mateus 24:30, Apocalipse 6:12-17, Apocalipse 9:20-21, Apocalipse 16:9). Então, ao ver esse inquestionável sinal da vinda, como um esplendoroso relâmpago em meio a grandes comoções cósmicas, a maior parte da humanidade se lamentará (Veja Mateus 24:30). Para essas pessoas, a vinda do Senhor será como a chegada de um ladrão na noite.

No arrebatamento Jesus virá como noivo para as bodas (Mateus 25:1-6) e na volta gloriosa virá como Rei para julgar as nações (Mateus 25:31-34)

Cremos que comete-se um grande erro ao pensar que Jesus Cristo age como um ator. Um ator cumpre um determinado papel de cada vez. Jesus Cristo não é um ator, mas uma pessoa. Uma pessoa divina. Se um juiz humano pode, em tese, no mesmo dia, encontrar-se com sua noiva e julgar uma causa importante, porque Ele, o Rei dos reis, teria tais limitações? Ele é Amigo e é Juiz. Ele é Pastor e é Sacerdote. Ele é Deus e é Homem. Ele é Noivo e é Rei... Porque seria necessário colocar um lapso de 7 anos ou 3 anos e meio para que Ele seja plenamente Noivo e Rei ao mesmo tempo? Está Ele limitado?

A sequência apresentada na Palavra mostra o sinal Dele aparecendo nos céus, os homens se lamentando, os escolhidos sendo reunidos nos ares, Jesus pousando Seus pés no Monte das Oliveiras, o tribunal do Senhor sendo instaurado para julgar antes do Milênio e Sua Noiva sendo convidada a entrar no Reino... Essa sequência mostra claramente que o Senhor é Noivo e é Rei e pode sê-lo ao mesmo tempo! Em nosso estudo BODAS DO CORDEIRO detalhamos minuciosamente porque cremos que as bodas ocorrerão logo após a volta triunfal do Senhor Jesus, imediatamente depois da grande tribulação.

No arrebatamento, o Senhor Jesus virá para a Igreja (João 14:3). Já no Dia do Senhor, Ele virá com a Igreja (Colossenses 3:4)

Este argumento é parecido ao que comentamos acima. O raciocínio gira em torno da seguinte ideia: se o Senhor Jesus prometeu que viria para os Seus e existem textos que mostram o Senhor descendo com os Seus, então deve haver uma grande diferença de tempo entre um evento e outro.

Algo que nos chama bastante a atenção é que as Palavras do Senhor ditas em João 14:3 foram proferidas, em primeiro lugar, para os Seus apóstolos, que eram judeus. Logo, seguindo o próprio raciocínio dispensacionalista e pré-tribulacionista, se as palavras são dirigidas a judeus, deve referir-se à volta gloriosa... Ou seja, usando os próprios argumentos dispensacionalistas, vemos o quão frágil é esse modelo. Um modelo que usa a todo momento dois pesos e duas medidas.

Não há nenhuma razão para crer que o Senhor Jesus estava mencionando em João 14:3 uma vinda diferente à que Ele mesmo ensinara horas antes, de forma pormenorizada e recheada de detalhes, aos mesmos discípulos no Monte das Oliveiras... Uma vinda diferente à que foi ensinada à Igreja pelos apóstolos e anciões dos primeiros séculos... Por outro lado, o texto de Colossenses 3:4, usado como base para contrapor-se a João 14:3, mostra o contrário a uma vinda oculta e silenciosa. Mostra a manifestação gloriosa do Senhor. O termo grego usado para "manifestar" éphaneroo, que significa literalmente "fazer visível" ou "aparecer". Mais uma vez, a Palavra aponta para uma vinda visível e gloriosa! Veja o texto:

"Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar [se fizer visível], então também vós vos manifestareis com ele em glória"

Agora veja o mesmo Paulo, quem escreveu aos colossenses, descrevendo o mesmo evento aos irmãos de Tessalônica. Veja o contexto:

"Paulo, e Silvano, e Timóteo, à igreja dos tessalonicenses, em Deus nosso Pai, e no Senhor Jesus Cristo: Graça e paz a vós da parte de Deus nosso Pai, e da do Senhor Jesus Cristo. Sempre devemos, irmãos, dar graças a Deus por vós, como é justo, porque a vossa fé cresce muitíssimo e o amor de cada um de vós aumenta de uns para com os outros, de maneira que nós mesmos nos gloriamos de vós nas igrejas de Deus por causa da vossa paciência e fé, e em todas as vossas perseguições e aflições que suportais; Prova clara do justo juízo de Deus, para que sejais havidos por dignos do reino de Deus, pelo qual também padeceis; Se de fato é justo diante de Deus que dê em paga tribulação aos que vos atribulam, e a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder, como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus CristoOs quais, por castigo, padecerão eterna perdição, ante a face do Senhor e a glória do seu poder, quando vier para ser glorificado nos seus santos, e para se fazer admirável naquele dia em todos os que creem" (II Tessalonicenses 1:1-10).

Paulo ensina que o Senhor se manifestará trazendo alívio a nossa tribulação, numa aparição gloriosa, acompanhada dos anjos do Seu poder e como labareda de fogo, trazendo o castigo de eterna perdição aos que não creem (veja Mateus 25:31-46). É nesse momento que Ele virá para ser glorificado nos seus santos e para ser admirado por eles. Perguntamos: isso tem alguma coisa a ver com um rapto secreto 7 anos ou 3 anos e meio antes da gloriosa vinda ou tem a ver com a própria vinda do Senhor, logo após agrande tribulação (Mateus 24:29-31)?

Então, entendemos que, quando o Senhor se manifestar visivelmente nos céus, nós seremos ajuntados para manifestar-nos juntamente com Ele e descer à Terra, onde Ele exercerá juízo. João 14:3 e Colossenses 3:4 narram características e detalhes do mesmo evento. O Senhor nos atrairá a Si nos ares e, ato contínuo, descerá para exercer juízo e reinar sobre as nações. Nós, estaremos para sempre com Ele.

No arrebatamento, Cristo virá nos ares (I Tessalonicenses 4:17). No Dia do Senhor, Ele pisará no Monte das Oliveiras (Zacarias 14:4)

Mais um argumento pré-tribulacionista ou midi-tribulacionista que já foi, de certa forma, respondido acima. Por que complicar o que não é complicado? Ora, para que o Senhor ponha Seus pés no Monte das Oliveiras é necessário que antes Ele apareça nos céus! Até mesmo uma criança que não tenha sido condicionada pelo modelo dispensacionalista tradicional, saberia responder com a pureza, objetividade e sinceridade que só elas têm...

Na volta gloriosa de Cristo ocorrerá o inverso ao que os discípulos viram quando Ele ascendeu aos céus. Naquele dia, o Senhor os reuniu no Monte das Oliveiras e subiu às nuvens, sendo visto por todos os que ali estavam. No dia de Sua volta, Ele aparecerá nas nuvens, chamará para Si os Seus e descerá ao mesmo Monte das Oliveiras. Não é à toa que os discípulos receberam a promessa de que, da mesma forma que eles tinham visto o Senhor subir aos céus, eles veriam o Senhor vir até eles (Atos 1:10). Em um momento, Ele estava conversando com os discípulos no Monte. Poucos instantes depois, Ele estava sendo recebido nas nuvens... Da mesma forma que o Senhor não demorou 7 anos ou 3 anos e meio para subir do Monte das Oliveiras e chegar aos céus, não demorará esse período sustentando pelos modelos pré e midi tribulacionistas, respectivamente, para vir nos ares e pousar Seus pés no Monte das Oliveiras.
 Em Cristo,

APROFUNDANDO AINDA MAIS:

ARREBATAMENTO PRE-TRIBULACIONISTA: UMA PERIGOSA HERESIA (Artigo elaborado por judeus messiânicos)


Por Dr. James S. Trimm

Traduzido e Adaptado por Sha’ ul Bentsion



1 - INTRODUÇÃO

A doutrina do arrebatamento pré-tribulacionista é uma doutrina cristã tardia. Esta doutrina cristã só teve início no século dezenove. Este artigo provará que a doutrina do arrebatamento prétribulacionista é:



1 – Uma invenção moderna do Cristianismo que NÃO TEM NENHUMA raiz judaica de qualquer tipo

2 – Uma doutrina que vai totalmente contra as Escrituras

3 – Uma doutrina de “ paz e segurança” que pode futuramente vir a destruir a fé de muitos



2 - Glossário dos Termos deste Artigo

Antes de começarmos, vamos definir alguns termos básicos que usaremos:


ARREBATAMENTO – Este termo se tornou bastante polêmico. No ocultismo, este termo foi usado durante muitos séculos para se referir a levitação. Na Bíblia, a origem do termo está em 1 Tess. 4:17 ondelemos a palavra “ arrebatados” .



NATZAL – Palavra no hebraico que significa “ livramento” . Esta palavra tem sido usada nos meios messiânicos numa tentativa de convencê-los sobre a teoria do arrebatamento pré-tribulacionista



KH’ TAF – Palavra aramaica para “ arrebatados” no texto aramaico de 1 Tess. 4:17

PÓS-TRIBULACIONISMO – É a visão de que o KH’ TAF (arrebatamento) é simplesmente parte da segunda vinda do Messias e portanto ocorrerá no fim da tribulação, isto é, no início do Reino do Milênio.



PRÉ-TRIBULACIONISMO – É a visão de que o arrebatamento seria um evento separado da

segunda vinda do Messias e que ocorreria sete anos antes, imediatamente antes da tribulação



MID-TRIBULACIONISMO – É a visão de que o arrebatamento é um evento separado da segunda vinda do Messias e que ocorreria 3 anos e meio antes, no meio da tribulação, durante o tempo do “ sacrilégio terrível” (a revelação do Anti-Messias)



ARREBATAMENTO-PREMATURO – É qualquer visão de que o arrebatamento e a segunda vinda

do Messias são eventos separados e que o arrebatamento precederá por um período de tempo a segunda vinda do Messias.



ARREBATAMENTO PARCIAL – É a visão de que apenas uma parte do Corpo do Messias será

arrebatada.



PASHAT – O sentido simples, literal de um texto segundo a Midrash Judaica 



3 - ONDE ESTÁ O PASHAT?

Um dos maiores problemas com a doutrina cristã do arrebatamento pré-tribulacionista é que já de cara fere a Midrash. Segundo a Midrash, que é o sistema mais antigo de interpretação das Escrituras, um texto nunca perde o seu Pashat. Contudo, esta doutrina em particular não tem base de Pashat. Apesar dos prétribulacionistas

frequentemente alegarem que as suas crenças são baseadas numa leitura simples e literal das Escrituras, o fato é que uma leitura literal das Escrituras é incapaz de produzir uma crença no arrebatamentopré-tribulacionista.



3.1 – SEM BASE BíBLICA

Até mesmo Hal Lindsey, o mais famoso defensor do pré-tribulacionismo, admite que a sua crença não se baseia no sentido simples e literal das Escrituras. Lindsey admite que ele não consegue “ mostrar nenhum versículo que diga claramente que o arrebatamento ocorrerá antes… da tribulação.” (O Arrebatamento por Hal Lindsey pág. 32). Ao invés disto, Lindsey alega que “ o pré-tribulacionismo é amplamente baseado em argumentos de inferência e silêncio.” (ibid p. 31)

Se o pré-tribulacionismo não vem de um entendimento do Pashat das Escrituras, devemos então nos perguntar de onde ele se originou, e porque tanta gente acredita nisto.



4 - O DISPENSASIONALISMO: UMA HERESIA GERA OUTRA

Durante as décadas de 1820 e 1830, um teólogo cristão chamado John Darby (fundador da Irmandade de Plymoth) desenvolveu uma nova teologia sistemática chamada Dispensasionalismo. Esta doutrina desde então tornou-se muito popular no Cristianismo. É fato incontestável que o Dispensasionalismo não existiu até o século dezenove. Não tem nenhuma raíz judaica e nem existia no Cristianismo até o século em questão


5 - A ORIGEM DE UMA GRANDE MENTIRA

Como a maioria dos teólogos do século 19, John Darby era anti-nomiano, isto é, acreditava que Lei de Moshe (Moisés) tinha desaparecido na cruz. Darby se sentia incomodado com os sérios problemas trazidos por esta doutrina. Darby percebeu que durante os sete anos da última semana profética de Daniel, os sacrifícios

estariam sendo feitos no Templo. Como a Lei de Moshe (Moisés) estava CLARAMENTE sendo cumprida durante os sete anos da tribulação, Darby concluiu que a Lei voltaria a ter validade no início da tribulação. Esta linha de raciocínio fez Darby segregar as histórias bíblicas e proféticas em períodos compartimentadas. Darby

teorizou que a “ idade da Lei” tinha acabado na cruz e que a “ idade da graça” ou “ idade da igreja” tinha começado na cruz. Então com a tribulação, a “ idade da Lei” volta e a “ idade da graça” termina. Isto criou um problema grande para a teoria de Darby. Como poderia a “ idade da Lei” retornar se a igreja ainda estaria na terra? Darby achava que na “ idade da Lei” o Eterno lidava com Israel e na tribulação o Eterno voltaria a lidarcom Israel. Então o que aconteceria com a igreja? Certamente que a igreja não sairia da “ idade da graça” pravoltar pra Lei de Moshe (Moisés). Como consequência desta linha de raciocíonio absurda, Darby adotou a idéia de um arrebatamento pré-tribulacionista que havia se tornado tão popular entre os Irvingitas. Esta idéia dizia que a Igreja sairia da terra no início da tribulação, deixando Israel pra trás para sofrer na tribulação durante o período da “ volta da Lei” . Darby agora tinha um outro problema: se a igreja fosse arrebatada deixando Israel pra trás, o que dizer dos judeus crentes? Eles seria arrebatados juntamente com a Igreja ou ficariam para trás com Israel? Darby inventou outra solução completamente louca: a dicotomia Igreja/Israel.



Esta teoria ensinava que um judeu que se tornava crente no Messias passava a fazer parte da Igreja e não era mais parte de Israel. Como resultado disto, ninguém poderia ser parte tanto da Igreja quanto de Israel. Segundo esta teoria, judeus crentes deixariam de ser judeus e se tornariam parte da Igreja de Elohim, que ele ensinava conter pessoas que não eram nem judeus nem gentios.



Portanto, as três mentiras que se tornaram pilares do Dispensasionalismo são:

1 – A Lei não seria para hoje

2 – O arrebatamento pré-tribulacionista
3 – A dicotomia Igreja/Israel



Obviamente, os messiânicos não podem aceitar nem a número 1 nem a número 3. A número 2 só seria necessária por causa de uma crença na número 1. A número 2 não funciona sem a número 3, que foi criada para resolver os problemas da número 2. Como resultado, o Judaísmo Messiânico é incompatível com o Dispensasionalismo. Dois de seus três pilares fundamentais não são compatíveis com a teologia bíblica original, adotada pelo movimento messiânico. Além disto, o único pilar remanescente não se sustenta sozinho.Quando examinada à luz da Bíblia, toda a estrutura do Dispensasionalismo é destruída. É uma doutrina do século 19 que foi inventada por alguns líderes cristãos e não tem NENHUMA raiz na fé do primeiro século.



6 - QUANTAS VINDAS DO MESSIAS?

O Tanach (Primeiro Testamento) aponta claramente para duas vindas do Messias: uma como servo eoutra como rei. Contudo, fica evidente que os acreditam no arrebatamento-prematuro vão contra as Escrituras por crerem em três vindas do Messias. Uma vez que o retorno do Messias tem sido entendido por séculos como

sendo a “ Segunda Vinda do Messias” , os que crêem no arrebatamento-prematuro devem mudar a expressão acima para “ Terceira Vinda do Messias” ou insistir, como a maioria faz, de que o arrebatamento-prematuro não é de fato uma vinda do Messias. Se a teoria do arrebatamento-prematuro fosse verdadeira, então as Escrituras deveriam ensinar sobre um “ aparecimento” pré-tribulacionista do Messias que não é uma “ vinda do Messias” propriamente dita, seguida de uma “ vinda do Messias” após a tribulação. E mais: as Escrituras não poderiam identificar o KH’ TAF (arrebatamento) como se referindo à “ vinda” do S-nhor nas Escrituras. Não

deveríamos também esperar que a vinda pós-tribulacionista do Messias fosse chamada de “ aparecimento” .



Agora vamos examinar estas mentiras à luz das Escrituras:



“ Conjuro-te diante de Elohim e do Mashiach Yeshua, que há de julgar os vivos e os mortos, pela sua vinda e pelo seu reino;” (2 Tim. 4:1)

Aqui vemos claramente que no final da tribulação e no início do Reino teremos a vinda do Messias.

“ assim também o Mashiach, oferecendo-se uma só vez para levar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação.” (Yehudim / Hebreus 9:28)
Aqui o texto fala claramente da vinda pós-tribulacionista do Messias. Se o arrebatamento-prematuroestivesse correto, este texto deveria dizer “ aparecerá uma terceira vez” .



“ Portanto, irmãos, sede pacientes até a vinda de ADONAI.” (Ya’ akov / Tiago 5:7a)

Este texto nos instrui claramente que a nossa esperança deve ser na vinda do S-nhor, e não em um “aparecimento do S-nhor” .

“ Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que já dormem. Porque o Senhor mesmo descerá do céu com grande brado, à voz do arcanjo, ao som do shofar de Elohim, e os que morreram no Mashiach ressuscitarão primeiro.
Depois nós, os que ficarmos vivos seremos arrebatados juntamente com eles, nas nuvens, ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor.” (1 Tess. 4:15-17)



Esta é a passagem que fala do arrebatamento. Mas esta passagem também se refere à “ vinda do Snhor”e não de um aparecimento.

Vemos portanto que a teoria do arrebatamento-prematuro que crê em “ três vindas” ou em “ duas vindas e um aparecimento” do Messias é completamente contrária às Escrituras, que falam apenas de duas vindas do Messias.





7 - O LADRÃO DA NOITE

Um dos chavões dos pré-tribulacionistas é a expressão “ ladrão da noite” . Os pré-tribulacionistas usam este termo para descrever o arrebatamento-prematuro como um “ arrebatamento secreto” no qual a Igreja é removida da terra secretamente. Isto contudo é tirar a expressão completamente de seu contexto e usá-la erradamente. A parábola do “ ladrão da noite” é uma das diversas parábolas contadas por Yeshua (vide Mt.24:42-51) e é mencionada em três outros lugares: 1 Tess. 5:2-10, 2 Kefah (Pedro) 3:10, Ap. 3:3 e 16:15). Uma análise verídica desta expressão tal qual é usada nas Escrituras revela justamente o extremo oposto: um arrebatamento pós-tribulacionista. Primeiramente vamos analisar a parábola em si. Eis o texto de Mt. 24:42:


“ Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor; sabei, porém, isto: se o dono da casa soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa. Por isso ficai também vós apercebidos; porque numa hora em que não penseis, virá o Filho do homem.”

Existe um grande número de elementos importantes nesta parábola. Primeiramente devemos perceber que o “ ladrão” nesta parábola refere-se ao Messias. Contudo, o ladrão nesta parábola não está “ roubando a igreja do mundo” (isto seria absurdo), mas sim o termo ladrão é usado para identificar que o Messias virá num momento inesperado. Em segundo lugar, percebemos claramente que a Igreja não estava esperando que Ele viesse naquele momento. E finalmente é extremamente significativo que o ladrão vem num momento posterior, no qual a Igreja é esperada e é encontrada dormindo (vide Matitiyahu / Mateus 25).



7.1 - O SONO DA APOSTASIA DA IGREJA

Ao longo das Escrituras, vemos que “ dormir” é um eufemismo para apostasia (vide Yeshayahu /Isaías 29:10 e Romanos 11:8 )

A parábola do ladrão da noite é parte de uma seção das Escrituras que começa em Mt. 24:42 e termina em Mt. 25:13, onde Yeshua ilustra o fato de que o Messias virá mais tarde do que o esperado e pegará a Igreja dormindo pois esperava que ele viesse antes. Este tema é primeiramente apresentado por Yeshua no versículo

42. Depois em Mt. 24:43 Yeshua dá a parábola do ladrão da noite. Então no versículo 44 Yeshua reforça o tema. Em Mt. 24:45-51 Yeshua dá a parábola do “ servo fiel e prudente” . Nesta parábola o Messias também vem depois do esperado pelo servo (versículos 48 & 50) para encontrar um servo apóstata (versículos 48-49).

Finalmente, Yeshua dá a ilustração das “ dez virgens” (Mt. 25:1-12) na qual o noivo vem depois do que as virgens esperavam. As virgens (pelo menos algumas delas) são nitidamente crentes pois cinco delas têm óleo na lâmpada. O noivo vem e encontra as virgens dormindo. Apesar de muitas delas ainda terem óleo nas lâmpadas, elas pensaram que o Messias viria antes e cairam no sono da apostasia.



7.2 – O GRAVÍSSIMO PERIGO DA HERESIA PRÉ-TRIBULACIONISTA

Ao contrário de ensinar um arrebatamento pré-tribulacionista, esta seção das Escrituras nos avisa que muitos da igreja esperarão pelo Messias antes dEle vir (pré-tribulacionismo) e que quando o Messias na realidade vem após a tribulação, isto é, depois do esperado, eles caem em apostasia. Os pré-tribulacionistas têm

sido enganados por alguns mestres dentro do Cristianismo (não são todos) de que a Bíblia ensina que o Messias os resgatará da tribulação antes da mesma acontecer. Quando a tribulação chegar e eles perceberem que isto não ocorreu, muitos perderão a fé e acharão que o Eterno desistiu deles, e por isto não foram arrebatados. Ou ainda pior: que as Escrituras mentiram. Ou seja, a decepção deles os fará se desviarem: cairãono sono da apostasia.



Em Apocalipse 3:3 lemos:

“ Lembra-te, portanto, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te. Pois se não vigiares, virei como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei.”

Esta passagem claramente se refere ao texto de Mt. 24:42-44. Aqui o Messias está se referindo à Igreja de Sardis (ou seja, crentes genuínos) e indica que Ele virá em um momento em que a Igreja não espera.
A implicação da expressão “ se não vigiares… ” é a de que o Messias virá após a tribulação, ou seja, depois do esperado e encontrará crentes dormindo/apóstata.



7.3 – O MILÊNIO E A VINDA DO LADRÂO DA NOITE

Em 2 Kefah (Pedro) 3:10 lemos: “ Virá, pois, como ladrão o dia de ADONAI, no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se dissolverão, e a terra, e as obras que nela há, serão descobertas.”

Aqui, o “ dia” em questão refere-se ao dia de 1,000 anos do Reino do Milênio (vide 2 Pe. 3:8; Sl.90:4; Ap. 20:2,7). Este “ dia de 1,000 anos” começa com a segunda vinda do Messias (Ap. 19:11 – 20:2) e termina com a destruição da terra por fogo (Ap. 20:7-21:1). Aqui a expressão “ o dia do S-nhor virá como um ladrão” (2 Pe. 3:10) definitivamente se refere à segunda vinda do Messias e ao final da tribulação e ao início dos 1,000 anos. Este não é um “ ladrão” que virá sorrateiramente e em silêncio. É um “ ladrão” que fará os céus se passarem com um “ rugido” .

Em Ap. 16:15 lemos: “ Eis que venho como ladrão. Bendito aquele que vigia, e guarda as suas vestes, para que não ande nu, e não se veja a sua nudez.”

Esta passagem ocorre no contexto dos eventos do dia de 1,000 anos mencionado acima. Além disto, esta passagem também reflete um ladrão que chega depois do esperado e encontra uma igreja apóstata.



7.4 -O ALERTA DE PAULO: A PROFECIA SOBRE A HERESIAPRÉ-TRIBULACIONISTA

Finalmente em 1 Tess. 5:2-10 lemos:

“ porque vós mesmos sabeis perfeitamente que o dia do Senhor virá como vem o ladrão de noite; pois quando estiverem dizendo: Paz e segurança! então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto

àquela que está grávida; e de modo nenhum escaparão. Mas vós, irmãos, não estais em trevas, para que aquele dia, como ladrão, vos surpreenda; porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas; não durmamos, pois, como os demais, antes vigiemos e sejamos sóbrios. Porque os que dormem, dormem de noite, e os que se embriagam, embriagam-se de noite; mas nós, porque somos do dia, sejamos sóbrios, vestindo-nos da couraça da fé e do amor, e tendo por capacete a esperança da salvação;porque Elohim não nos destinou para a ira, mas para alcançarmos a salvação por nosso Senhor Yeshua HaMashiach, que morreu por nós, para que, quer vigiemos, quer durmamos, vivamos juntamente com ele.”

Agora na leitura desta passagem devemos relembrar a passagem do ladrão da noite, à qual esta passagem claramente faz alusão. Vemos aqui uma profecia sobre o surgimento da heresia do prétribulacionismo!



Aqui aprendemos que os que apostatarem da fé ficarão entorpecidos pela doutrina da “ paz e segurança” e vão cair em apostasia quando o Messias não chegar tão breve quanto o esperado mas ao invés disto vier sobre eles a “ repentina destruição” – algo que eles aparentemente acreditavam que iriam “ escapar” . Neste ponto eles parecem ter caído no sono da apostasia. Muitos deixarão a

fé quando os pré-tribulacionistas ficarem desapontados ao perceberem que entraram a tribulação ao invés de escapar dela em um “ arrebatamento pré-tribulacionista.” Mas espere! Veja 1 Tess. 5:1! Esta seção inteira das Escrituras se refere ao momento em que acontecerá o arrebatamento de 1 Tes. 4:16-18. Na realidade, este capítulo muda de 1Tess.4:18 para 5:1 no meio de um parágrafo!



7.5 - O LADRÃO DA NOITE E OS DIAS DE NOACH(NOÉ)

A referência à parábola do ladrão da noite em 1 Tess. 4:16-5:10 também é muito importante por outro motivo. Esta referência nos dá um certo contexto para o acontecimento do “ arrebatamento” de 1 Tess. 4:16-17. A parábola do ladrão da noite em Mt. 24:43 acontece num grande segmento de Matitiyahu / Mateus (Mt.24:29-25:46) o qual claramente discute a vinda do Messias após a tribulação (Mt. 24:29). O ladrão da noite de Mt. 24:42-44 vem num momento que é como “ os dias de Noach (Noé)… antes do dilúvio” (Mt. 24:37-41 com Mt 24:42-51). Lucas também discute este tempo como os dias de Noach / Noé (Mt. 24:37-41 = Lc. 17:26-36).

Lucas continua dizendo que aqueles que são “ levados” em Mt. 24:37-41 = Lc.17:26-36 serão consumidos por aves de rapina (vide Lc. 17:37 = Mt. 24:28 ). Estes homens consumidos por aves de rapina serão aqueles que se levantarão contra Israel e serão destruídos na segunda vinda (vide Ap. 19:11-21, especialmente 19:17,18 e 21).

O momento da vinda do “ ladrão” é portanto a segunda vinda do Messias descrita em Ap. 19:11-21. Uma vez que o momento do evento do “ ladrão” em 1 Tess. 5:2-10 é parte do evento de 1 Tess. 4:16-18 (1 Tess 5:1 claramente diz que 1 Tess. 5:2-10 se refere ao momento de 1 Tess. 4:16-18 ), então o “ arrebatamento” de 1 Tess. 4:16-18 é simplesmente parte da vinda do Messias, e após a tribulação, e não antes dela.





8 – IMEDIATAMENTE APÓS O ARREBATAMENTO

Para termos uma boa idéia do que é o KH’ TAF (arrebatamento) descrito em 1 Tess. 4:16-17 devemos deixar as Escrituras interpretarem as próprias Escrituras. Este é um conceito na hermenêutica judaica chamado G’ ZARAH SHEVAH (equivalência de expressões). Esta é a segunda das leis de Hillel. A primeira passagem que devemos

comparar é 1 Tess. 4:16-17 com 1 Cor. 15:52.

Agora, 1 Tess. 4:13-17 diz:



“ Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais como os outros que não têm esperança. Porque, se cremos que Yeshua morreu e ressurgiu, assim também aos que dormem, Elohim, mediante Yeshua, os tornará a trazer juntamente com ele. Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, de modo algum

precederemos os que já dormem. Porque o Senhor mesmo descerá do céu com grande brado, à voz do arcanjo, ao som do shofar de Elohim, e os que morreram no Mashiach ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos seremos arrebatados juntamente com eles, nas nuvens, ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor.”



Agora comparemos esta passagem com 1 Cor. 15:50-55:

“ Mas digo isto, irmãos, que carne e sangue não podem herdar o reino de Elohim; nem a corrupção herda a incorrupção. Eis aqui vos digo um mistério: Nem todos dormiremos mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som do último shofar; porque o shofar soará, e os mortos serão ressuscitados incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da imortalidade. Mas, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então se

cumprirá a palavra que está escrito: Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, o teu ferrão? Onde está, ó She'ol, a tua vitória?”
Certamente estas duas passagens obviamente falam do mesmo evento. A questão é que tipo de contexto 1 Cor. 15:50-55 dá ao arrebatamento de 1 Tess. 4:13-17?
1 – O evento de 1 Cor. 15:50-55 facilita a herança do Reino
2 – 1 Cor. 15:54b cita Yeshayahu (Isaías) 25:8
3 – 1 Cor. 15:55 cita Hoshea (Oséias) 13:14
Yeshayahu (Isaías) 25:8 e Hoshea (Oséias) 13:14 falam claramente do início do Reino. Lidos em conjunto, 1 Cor. 15:50-55 coloca o arrebatamento de 1 Tess. 4:13-17 no contexto do início do Reino do Milênio.



9 – COMPARANDO O ARREBATAMENTO COM A SEGUNDA VINDA

Agora, 1 Tess. 4:13-18 e 1 Cor. 15:50-55 normalmente são vistos como as passagens do “arrebatamento” . Agora vamos comparar estes com tais versículos com os que são comumente aceitos comoversículos da “ segunda vinda” .


9.1 – VERSÍCULOS QUE FALAM DA SEGUNDA VINDA

Alguns dos versículos normalmente aceitos como sendo passagens que se referem à segunda vinda são: Daniel 7:13-14; Mt. 24:29-31; Mc. 13:24-27; Ap. 11:15 e 20:4-6. Nestas passagens é possível imediatamente identificar quatro elementos:

1 – O Messias aparecerá no céu de forma sobrenatural(Dan. 7:13-14; Mt. 24:30; Mc. 13:26)

2 – Haverá uma reunião sobrenatural com Ele nos céus(Mt. 24:29-31; Mc. 13:24-27)

3 – A última (a sétima de sete) trombeta é tocada por um dos sete anjos que estão perante YHWH.(Ap. 8:2 e 11:15; Mt. 24:31; Is. 27:13)
4 – A (primeira) ressurreição dos justos(Ap. 20:4-6)



9.2 – VERSÍCULOS QUE FALAM DO ARREBATAMENTO

Agora vamos comparar estes quatro elementos com as passagens sobre o arrebatamento em 1 Tess.4:13-18 e1 Cor. 15:50-55:

1 -O Messias aparecerá no céu de forma sobrenatural(1 Tess. 4:16-17)

2 – Haverá uma reunião sobrenatural com Ele nos céus(1 Tess. 4:17)

3 – A última (a sétima de sete) trombeta é tocada por um dos arcanjos(1 Tess. 4:16; 1 Cor. 15:52)
4 – A (primeira) ressurreição dos justos(1 Tess. 4:16; 1 Cor. 15:52)
Ao comparar estes quatro elementos fica bem evidente que o “ arrebatamento” de 1 Tess. 4:13-18 e 1Cor.15:50-55 é idêntico à segunda vinda do Messias em: Dan. 7:13-14; Mt. 24:29-31; Mc. 13:24-27; Ap.11:15 e 20:4-6. Esta conclusão também é compartilhada por muitos comentaristas. Por exemplo, o guia da Bíblia de Halley diz o seguinte a respeito de 1 Tess. 4:13-18:
“ [O evento de 1 Tess. 4-17] é mencionado e referido em diversos momentos em quase todos os livros do Novo Testamento. Os capítulos nos quais é explicado de forma mais plena são Mateus 24, 25; Lucas 31; 1 Tessalonissences 4, 5; 2 Pedro 3” . (o Guia da Bíblia de Halley pág. 626 sobre 1 Tess. 4:13-18 ) (vide
também os comentários de Halley sobre Mt. 24:31 na pág. 447)
E também no seu livro MESSIAS: Um Ponto de Vista Rabínico e Escriturístico, o autor judeu messiânico Burt Yellin escreve a respeito de 1 Tess. 4:16:
‘ Em 1 Tessalonissences 4:16, Paulo nos fala a respeito do retorno do Messias: “ Porque o Senhor mesmo descerá do céu com grande brado, à voz do arcanjo, ao som do shofar de Elohim, e os que morreram no Mashiach ressuscitarão primeiro.” Quando lemos isto juntamente com Apocalipse 11:15-17 vemos queesta ressurreição ocorrerá no tocar da sétima trombeta.’ (pág. 99)



10 – PROBLEMAS CRONOLÓGICOS DO PRÉ-TRIBULACIONISMO

Se considerássemos as passagens do arrebatamento de 1 Tess. 4:13-17 e 2 Cor. 15:50-55 como sendo um evento separado das passagens da “ segunda vinda” de Dan. 7:13-14; Mt. 24:29-31; Mc. 13:24-27; Ap.11:15 e 20:4-6, como o fazem os pré-tribulacionistas, teríamos grandes problemas cronológicos.

1 -Tal cronologia teria a primeira trombeta de Ap. 11:15 e Mt. 24:31 sendo tocada depois da “ última trombeta” de 1 Tess. 4:16 e 1 Cor. 15:52.

2 -Tal cronologia também significaria que a ressurreição geral dos justos em 1 Tess. 4:16 e 1 Cor. 15:52 aconteceria antes da “ primeira ressurreição” de Ap. 20:4-6).

3 - O evento do KH’ TAF (arrebatamento) é claramente algo que Mt. 24:29 diz ocorrer “ imediatamente após a tribulação daqueles dias… ”



11 -O PASHAT E O ERRO DE LINDSEY

Hal Lindsey, um dos maiores apologistas do arrebatamento pré-tribulacionista alega:

A verdade é que nem um pós, mid, ou pré-tribulacionista pode indicar um versículo isolado que claramente diz que o arrebatamento ocorrerá antes, no meio da, ou depois da tribulação. (O Arrebatamentopor Hal Lindsey p.32)

Concordamos com Lindsey que nenhum versículo sequer indica que o arrebatamento ocorreria antesda Tribulação. Contudo, Lindsey está claramente enganado quando diz que nenhuma visão pode apresentar um versículo sequer. Este artigo já demonstrou claramente que as Escrituras ensinam um KH’ TAF(arrebatamento) pós-tribulacionista.



Os seguintes versículos isolados indicam CLARAMENTE que o Arrebatamento ocorrerá após a tribulação:

“ Porque David não subiu aos céus, mas ele próprio declara: Disse ADONAI ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés.” (Atos 2:34-35 –citando Sl. 110:1) (veja também Heb. 1:13; Mt. 22:44; Mc. 12:36)

Esta passagem indica claramente que o Messias permanecerá à direita do Pai até que os seus inimigos sejam feitos seu escabelo no Reino do Milênio. Esta passagem claramente ensina que o arrebatamento não ocorrerá até após a tribulação, no início do Reino do Milênio.
“ e envie Ele o Mashiach, que já dantes vos foi indicado, Yeshua, ao qual convém que o céu receba até os tempos da restauração de todas as coisas, das quais Elohim falou pela boca dos seus santos profetas, desde o princípio.” (Atos 3:20-21 -veja também Ap. 10:7 e 11:15)
Esta passagem também ensina que o Messias ficará no céu até a vinda do Reino.
“ Ora, quanto à vinda de nosso Senhor Yeshua HaMashiach e à nossa reunião com ele, rogamo-vos,irmãos, que não vos movais facilmente do vosso modo de pensar, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola como enviada de nós, como se o dia do Senhor estivesse já perto. Ninguém de modo algum vos engane; porque isto não sucederá sem que venha primeiro a apostasia e seja revelado o
homem do pecado, o filho da perdição, o Adversário que é exaltado sobre tudo e se chama de deus e é objeto de adoração, de sorte que se assenta no santuário de Elohim, apresentando-se como Elohim.” (2 Tess. 2:1-4)
Esta passagem claramente ensina que o arrebatamento NÃO PODE OCORRER ANTES da
revelação do anti-messias, o que só ocorrerá no meio do período da tribulação de sete anos (vide Mt. 24:15;Mc. 13:14 e Dan. 9:27)



12 -PASSAGENS NORMALMENTE MAL-COMPREENDIDAS

Sem poder encontrar suporte para a sua teoria de um arrebatamento pré-tribulacionista no Pashat(sentido simples/literal) de qualquer passagem das Escrituras, os pré-tribulacionistas tentam usar interpretações Remez (sentido implícito) e Drash (sentido alegórico). Tal como Lindsey admite em seu livro

O ARREBATAMENTO, ao dizer: “ o pré-tribulacionismo é amplamente baseado em argumentos de inferência e silêncio.” (p. 31)



12.1 -O ARGUMENTO DA IRA VINDOURA

Os pré-tribulacionistas tentam argumentar que a igreja não passará pela tribulação, o que eles dizem dar indícios de um arrebatamento pré-tribulacionista. Os pré-tribulacionistas argumentam que a tribulação é a “ ira de YHWH” e que a igreja não sofrerá a “ ira de YHWH” (Rom. 5:9; 1 Tess. 1:10 e 5:9-10; Jo 5:24). Ao usar este argumento, os pré-tribulacionistas ignoral o fato de que o anti-messias, uma das maiores figuras da tribulação, é a ira do demônio (Ap. 12:12; 13:2). Eles também ignoram o fato de que o Messias nos salvará desta ira ao destruir o anti-messias em sua segunda vinda. Além disto, ignoram ainda o fato de que pelo contexto, a ira da qual o Messias nos salva é através da justificação em seu sangue para que possamos ser salvos (Rom. 5:9). Aqui, claramente a ira é o Lago de Fogo, e não a tribulação. (Jo. 5:24 usa a palavra “condenação” mas o mesmo argumento também se aplica.)



12.2 -O ARGUMENTO DE LUCAS 21:36

Este argumento foi usado primeiramente da inventora do arrebatamento-prematuro, uma menina de 15 anos, que distorceu este versículo em sua discussão com Darby. O versículo diz “ … em todo o tempo,orando, para que possais escapar de todas estas coisas que hão de acontecer, e estar em pé na presença do Filho do homem.”

Mesmo que partíssemos do pressuposto de que “ todas estas coisas” se referisse à tribulação, ainda assim teríamos erros. Primeiramente, se o pré-tribulacionismo fosse correto, não seria necessário orarmos para escaparmos destas coisas. Em segundo lugar, a passagem simplesmente diz “ escapar” e não “ ser tirado da terra” , e muito provavelmente refere-se à sobrevivência.

Porém, na realidade, “ escapar de todas estas coisas” é simplesmente escapar dos pecados que poderiam fazer alguém estar em apostasia na ocasião da segunda vinda (vide como Lucas 21:34-36 fala claramente disto) e não da tribulação.



12.3 -O ARGUMENTO DE APOCALIPSE 3:10

Pré-tribulacionistas apontam para Ap. 3:10:

“ Porquanto guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para pôr à prova os que habitam sobre a terra.”

Contudo, a palavra “ guardar” não significa “ remover da terra” . Muito pelo contrário, a própria escolha desta palavra indica uma sobrevivência auxiliada/facilitada/garantida pelo Eterno.



12.4 -A RUACH HAKODESH REMOVIDA DO CAMINHO?

Este argumento também foi usado pela menina de 15 anos que inventou o arrebatamento-prematuro. Este argumento insere idéias no texto, ao invés de extraí-las do texto. Neste caso, os pré-tribulacionistas supõe que o “ um” em 2 Tess. 2:7 é a Ruach HaKodesh (Espírito Santo). Ora, isto é uma pura suposição em todos os aspectos! Por esta leitura maluca, o anti-messias seria revelado (2 Tess. 2:8 ) e a tribulação começaria após a igreja (com a Ruach HaKodesh dentro dela) ser removida em um arrebatamento pré-tribulacionista. A inventora do arrebatamento-prévio propôs esta idéia após ter uma esquisita “ visão” na qual ela recebeu uma “revelação”, de que “ e então será revelado esse iníquo” vem imediatamente após “ estarão dois numa cama; um será tomado, e o outro será deixado… ” (Lc.17:34; Mt. 24:40-41). A inventora do arrebatamento-prévio ensinava que um arrebatamento-parcial ocorreria com quem estivesse “ cheio do Espírito Santo” . Ela falsamente identificou o “ tomado” de Lc. 17:34-35 e Mt.24:40-41 com o “ tomado” de 2 Tess. 2:7.

O grande absurdo disto está no fato de que aqueles que são “ tomados” em Lc. 17:34-35 e Mt. 24:40-41 não tem nada de “ cheios do Espírito Santo” como alega a falsa profetisa, muito pelo contrário! São comparados aos que foram “ tomados” pelo dilúvio nos dias de Noach / Noé (Mt. 24:39). O problema é que as pessoas não continuam a ler o texto de Mt. 24, caso contrário veriam que esta passagem indica que os que serão “ tomados” , o serão pela ira, como foi no dilúvio. Ou seja, são os iníquos que serão “ tomados” e não a igreja. Seus corpos alimentarão as aves de rapina (Lc. 17:37) na segunda vinda do Messias (Ap. 19:17-18,21).

Apesar do impedimento ser de alguma forma removido em 2 Tess. 2:7, não há absolutamente NADA que aponte para a remoção da Ruach HaKodesh (Espírito Santo).



12.5 -O ARGUMENTO DE APOCALIPSE 4:1

Ao não conseguirem provar seus argumentos com uma leitura literal das Escrituras, os prétribulacionistas tentam basear seus argumentos puramente em alegorias. Neste argumento, os prétribulacionistas dizem que Yochanan (João) representa a igreja e que ele está sendo “ arrebatado” antes da descrição da tribulação. Além de completamente absurda, esta alegoria não tem a menor base textual.


12.6 -O ARGUMENTO DE CHENOCH

Este argumento também é pura alegoria. É um argumento que diz que Chenoch (Enoque) foi transladado antes do dilúvio. Os pré-tribulacionistas dizem que Chenoch (Enoque) = a igreja e o dilúvio = a tribulação. Porém tanto a Bíblia quanto o próprio livro de Chenoch (Enoque) identificam que o dilúvio representa o Dia do Julgamento e os dias que antecedem ao dilúvio (os chamados dias de Noach / Noé)

representam a tribulação. Além disto, este argumento tem outro problema: Eliyahu (Elias) também foi transladado, só que DEPOIS de sobreviver um período de tribulação (2 Re. 2:9-11) dos quais 3 anos e meio são muitas vezes usados em analogia ao segundo período da tribulação de 7 anos.



12.7 -COSTUMES JUDAICOS

Alguns acadêmicos messiânicos têm lutado para tentar encontrar evidências de um arrebatamento pré-tribulacionista alegorica e supostamente presente em costumes judaicos. Um deles envolve Rosh HaShannah e o Yom Kippur, outro ainda o casamento judaico. Estas são fracas tentativas de encontrar uma alegoria para algo que não tem NENHUM suporte no Pashat (sentido literal) da interpretação de qualquer

passagem, o que não pode acontecer segundo o próprio Judaísmo. É bem claro que este conceito não é um conceito que tem raízes judaicas, tendo sido inventado no Cristianismo do século 19.





13 - ARREBATAMENTO DA IGREJA OU REAJUNTAMENTO DE ISRAEL?

Para entender a verdade sobre o KH’ TAF (arrebatamento) é importante entender exatamente que evento é esse. O Cristianismo geralmente ensina que o Arrebatamento é da Igreja, mas a verdade é que o KH’TAF (arrebatamento) é o reajuntamento sobrenatural de Israel na volta do Messias. Um exame sério das Escrituras deixa isso bem claro.

O Tanach prevê um tempo em que HaShem reajuntará Israel “ dos quatro cantos da terra”(Yeshayahu / Isaías 11:12) e “ das partes mais longínquas debaixo dos céus” (Devarim / Deuteronômio 30:4).

A Torah diz que o Messias os “ tirará” das outras nações (Devarim / Deuteronômio 30:4). A palavra “ trazer”aqui no hebraico significa uma ação de força.



13.1 – PROMESSA A ISRAEL: REAJUNTAMENTO PELA MÃO DO MESSIAS

O Targum Yerushalayim (tradução comentada da Torah para o aramaico) interpreta esta passagem como Adonai “ vos ajuntará pela mão de Eliayahu (Elias)… e então Ele vos trará pela mão do Rei Messias.”

De acordo com os comentários do Rashi, isto significa que eles serão arrastados através do ar pela mão do Messias para a terra. Será este evento o KH’ TAF (arrebatamento)?



14 – EVIDÊNCIAS DE QUE O ARREBATAMENTO SE REFERE A ISRAEL

A primeira evidência de que o “ trazer” em Devarim (Deuteronômio) 30:4 é justamente o KH’ TAF(arrebatamento) é encontrada nas palavras de Matitiyahu (Mateus) 24:31:

“ E ele enviará os seus anjos com grande clangor do shofar, os quais lhe ajuntarão os escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus.”

Este versículo também se assemelha a Mc. 13:27, e identifica aqueles que são “ ajuntados” como sendo “ os Eleitos” . O termo “ Os Eleitos” nas Escrituras é um eufemismo, uma referência a Israel.

Encontramos o termo “ Os Eleitos” se referindo à Israel nos seguintes versículos:
1 - Dt. 7:6, 10:15 e 14:2;
2 - Is. 41:8-9, 42:1, 43:2f, 45:4 e 65:9-22;
3 – Sl. 135:4;
4 – 1 Pe. 2:9 = Is. 43:20f e Dt. 10:15;
Fica bem claro pelas 10 passagens acima que “ Os Eleitos” refere-se a Israel. Em 1 Tess. 4:17, Paulo usa o termo “ nós” , termo o qual ele costuma usar para se referir a ele e aos seus compatriotas judeus (vide Atos 17:1-4)



14.1 – ISRAEL E A TROMBETA FINAL

Mais uma evidência de que o KH’ TAF (arrebatamento) se refere ao reajuntamento de Israel é a da trombeta.

Uma trombeta é soada no KH’ TAF (arrebatamento) em 1 Tess. 4:16-17 e 1 Cor. 15:50-55, tal como em Mt 24:31 e Ap. 11:15. De acordo com o Tanach uma trombeta é também tocada no reajuntamento de Israel:

“ Naquele dia ADONAI debulhará as suas espigas desde as margens do Eufrates até o ribeiro do Egito, e vocês, israelitas, serão ajuntados um a um. E naquele dia soará uma grande trombeta. Os que estavam perecendo na Assíria e os que estavam exilados virão e adorarão a ADONAI no monte santo, em Yerushalayim.” (Yeshayahu / Isaías 27:12-13)



14.2 – A RESSURREIÇÃO DOS MORTOS

Outra evidência que identifica o KH’ TAF (arrebatamento) como sendo na realidade o reajuntamento de Israel é o da ressurreição dos mortos. O KH’ TAF é acompanhado pela ressurreição (vide 1 Tess. 4:16-17 e 1 Cor 15:50-55). O reajuntamento de Israel também inclui a ressurreição dos mortos, conforme visto nas passagens abaixo:

1 – Yechezkel (Ezequiel) 37:1-14;

2 – Yeshayahu (Isaías) 25:1-12;

3 – Hoshea (Oséias) 13:9-14:9);



Na realidade, 1 Cor. 15:54-55 cita Yeshayahu (Isaías) 25:8 e Hoshea (Oséias) 13:14. O uso destesversículos em 1 Cor. 15:54-55 é também importante por causa de sua finalidade. Como podem os prétribulacionistas crerem que a morte chega ao fim antes do início da Tribulação?



14.3 – MORTAIS E IMORTAIS

Existe ainda, como evidência de que o KH’ TAF (arrebatamento) é o reajuntamento de Israel: aqueles que são “ arrebatados” em 1 Cor. 15:53 tornam-se imortais, mas no reinado do Milênio também haverá mortais (Yeshayahu / Isaías 65:20). Se a igreja é arrebatada em 1 Cor. 15:53 e torna-se imortal, então quem são os mortais de Yeshayahu (Isaías) 65:20?


14.4 – A B’ RIT CHADASHAH(NT) E O REAJUNTAMENTO DE ISRAEL

A prova final de que o KH’ TAF (arrebatamento) é na realidade o reajuntamento de Israel no retorno do Messias e é encontrado no texto de Matitiyahu (Mateus) 24:31 e em Mc. 13:27, o texto cita as expressões “ dos quatro cantos da terra” (Yeshayahu / Isaías 11:12) e “ das partes mais longínquas debaixo dos céus”(Devarim / Deuteronômio 30:4) exatamente das passagens do Tanach que descrevem o reajuntamento de Israel.


15 - O QUE REALMENTE VAI ACONTECER

Aqui está um resumo cronológico dos eventos descritos neste artigo:

1 – Imediatamente após a tribulação (Mt. 24:29; Mc. 13:24), o Messias aparecerá no céu (Dan. 7:13-14; Mt.24:29-31; Mc. 13:24-27; 1Tess. 4:16-17)

2 – Haverá o toque da trombeta final (Ap. 8:2; Ap. 11:15; Mt. 24:31; Is. 27:13; 1Tess. 4:16-17; 1 Cor. 15:52)

3 – Haverá a ressurreição (1Cor. 15:50-55; 1Tess. 4:16; Ap. 20:4-6; Is. 25:8; Os. 13:14; Ez. 37:1-14)
4 – Haverá o reajuntamento ao Messias no céu (Mt. 24:29-31; Mc. 13:24-27; 2 Tess. 2:1; 1 Tess. 4:17)
5 – Logo após isto o Messias irá em direção à Terra Prometida com muitos dos seus santos (Jd. 1:14-15; 1Tess. 3:13; Ap. 19:11-16; Zc. 14:4-5)
6 – Depois disto, é estabelecido o Reino do Milênio (Ap. 20:1-3,7)



16 – CONCLUSÃO

Fica BEM CLARO pelas Escrituras que o evento KH’ TAF, conhecido como arrebatamento, nada mais é do que o reajuntamento de Israel na Terra Prometida, na ocasião do retorno do Messias, e não um arrebatamento pré-tribulacionista da Igreja.


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