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Versículo da semana:

VERSÍCULO DA SEMANA:
"E por que me chamais: Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu vos digo?" (Lucas 6:46)


Frase do momento

Frase do momento:

"Não é minha intenção atacar o denominacionalismo do cristianismo como errôneo. Eu somente quero dizer que para que o corpo de Cristo encontre uma efetiva expressão local, a base de comunhão deve ser verdadeira. E esta base é a relação de vida dos membros com o Seu Senhor e a sua desejosa submissão a Ele como o Cabeça. Tampouco estou pleiteando por aqueles que irão fazer uma seita carnal daquilo que poderia chamar de 'localismo', isto é, a estrita demarcação de igrejas por localidades. Porque tal pode ocorrer facilmente. Se o que estivermos fazendo hoje em vida se tornar amanhã um mero método, tal que seu próprio caráter alguns dos Seus forem excluídos, possa o Senhor ter misericórdia de nós e quebrar tudo!" (A Vida Normal da Igreja Cristã, capítulo 4. Grifo nosso)

18 de set de 2014

O CAMINHO SIMPLES, PROFUNDO E ABRANGENTE DA SALVAÇÃO QUE DEUS PREPAROU PARA O HOMEM





O Caminho da Salvação —     A Fé Versus a Lei e as Obras

Nos capítulos anteriores deste livro, vimos que tudo o que o homem tem é pecado. Também vimos que é Deus que realiza tudo. Foi Ele que nos amou. Foi Ele que nos concedeu graça. Foi Deus que cumpriu a justiça, que levou o Senhor Jesus a morrer e ressuscitar por nós. Foi ainda Deus que enviou o Espírito Santo para nos convencer, iluminar e dar força para aceitarmos a obra de Deus. Deixe-me fazer-lhe uma pergunta muito comum. Que deve o homem fazer para ser salvo, visto que Deus completou toda a Sua obra? Deus fez toda a Sua parte. Hoje Ele colocou esta obra concluída diante do homem. Qual é, então, a condição para sermos salvos? Deus levou a cabo a obra da redenção. Como pode o homem agora receber a salvação? Como a redenção pode tornar-se salvação? Como pode a propiciação tornar-se substituição? Como pode o dom de Deus para nós, em Seu Filho, ser transmitido a nós no Espírito Santo? Aqui, estamos falando acerca da condição para a salvação. Que devemos fazer, de nossa parte, antes que o que é da parte de Deus seja transmitido a nós?


O Caminho da Salvação — Não é a Confissão ou a Oração

Vimos nos capítulos anteriores que o caminho para uma pessoa ser salva não é por meio do cumprimento da lei, das boas obras ou do arrependimento. Aqui devo esclarecer um ponto: estamos somente discutindo o modo da salvação e não a condição para a salvação. Isso é devido ao fato de que simplesmente não se requer nada do homem para ele ser salvo. Deus preencheu todos os requisitos. A pergunta diante de nós agora é: Qual é o caminho para sermos salvos? Não estamos tratando da questão da condição, pois isso implica que a pessoa tem de labutar por sua salvação.

O CAMINHO DA SALVAÇÃO NÃO É A CONFISSÃO

Agora iremos considerar o quarto “não é”. Agradecemos a Deus porque, nos últimos anos, Ele se moveu em vários lugares e fez com que várias pessoas se conscientizassem do que é o pecado e da necessidade de o Senhor Jesus ser o Salvador delas. Porém, sem entendimento da Bíblia, freqüentemente elas adicionam suas próprias palavras às das Escrituras. Fazendo assim, elas inventam diferentes maneiras para a salvação, tal como o cumprimento da lei, boas obras, arrependimento e assim por
diante. O método popular hoje é a confissão dos pecados. Existem alguns que defendem que salvação é pela confissão, que é necessário ao homem não somente se arrepender, mas confessar seus pecados. Certa vez ouvi uma pessoa, muito usada pelo Senhor, dizer que quando Jesus morreu, Ele pregou na cruz pedaços de papel nos quais nossos pecados foram escritos, e em cada folha foi escrito um dos nossos pecados. Ele disse que quando recebemos o Senhor Jesus como Salvador, temos de confessar nossos pecados diante de Deus ou diante dos homens. Uma vez que a confissão é feita com relação a certo pecado, o registro daquele pecado é removido da cruz. Em cada confissão adicional seria removido outro pedaço de papel. Você seria finalmente salvo quando todos os seus pecados tivessem sido confessados e todas as folhas de papel fossem rasgadas. O que esse homem pregava não era o evangelho de Deus nem o do Novo Testamento; ele introduziu um evangelho humano, o qual afirma que se uma pessoa confessar ao homem e a Deus, seus pecados ainda terão que ser removidos da cruz. Ele falhou totalmente em não perceber o que o Senhor Jesus cumpriu.
Ainda posso lembrar-me do caso de um irmão de Kulim que não tinha estudo e que estava em Xangai há algumas semanas. Ele era eletricista. Era semi-analfabeto até recentemente. Algum tempo atrás podia somente identificar o pronome “Eu” e não “Nós”. Não era capaz de reconhecer a maioria das palavras num versículo bíblico, e precisava pedir ajuda sete ou oito vezes para ler um simples versículo. Certa vez ele me disse: “Fui ouvir um sermão de uma pessoa muito famosa. Esse homem afirmava que devemos confessar nossos pecados em público; assim, cada pecado que confessamos será pregado na cruz. Se não confessarmos nossos pecados abertamente para crucificá-los, não poderemos ser salvos. Ele disse que precisamos crer na palavra da cruz e se não pregarmos nossos pecados na cruz pela confissão, não haverá maneira de sermos salvos, pois isso significaria que não confiamos na cruz. Depois do sermão, o pregador fez perguntas para a audiência para ver se havia algum ponto que não estava claro”.
Sr. Nee”, continuou o irmão, “eu não estudei. Se tivesse de me levantar na reunião para ler um versículo das Escrituras, as pessoas iriam provavelmente corrigir-me sete ou oito vezes. Mas quanto mais eu ouvia o homem falar, mais sentia algo a me incomodar. Senti que o Espírito Santo não me deixaria ir, a menos que eu me levantasse. Mas realmente não sabia o que falar. Finalmente levantei-me. Lá estava o pregador no púlpito e aqui estava eu em pé. Eu perguntei: ‘De acordo com sua pregação somos salvos pela nossa própria cruz ou pela cruz de Cristo?’ e sentei-me. Sr. Nee, pode me dizer se fiz a pergunta certa?”
Eu falei ao irmão que nem um doutor em teologia ou um supervisor paroquial teria tal clareza. Essa é a questão-chave: Somos salvos por nossa própria cruz ou pela cruz de Cristo? É a cruz de Cristo ou a minha própria cruz que me salva? Aquele sermão foi, sem dúvida, a palavra da cruz, mas qual cruz? Quando Paulo disse: “Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado” (1 Co 2:2), ele não fez alusão a Cristo e à cruz, mas a Cristo e a Sua cruz. Caro leitor, não somos salvos por nossas próprias obras, mas pela cruz de Cristo. Todavia o homem equipara confissão de pecados com obras e tenta ser salvo por meio de tal confissão. Essa é a razão pela qual devemos considerar agora o que a Bíblia nos diz sobre confissão. Devemos examinar toda a Bíblia para achar a posição adequada que devemos tomar quanto a esse assunto.

CONFISSÃO NA BÍBLIA

Permitam-me primeiramente dizer algumas palavras a fim de que não pensem que não creio em confissão ou restituição. Os cristãos devem confessar seus pecados e fazer restituição. Admito que essas são verdades na Bíblia e, como tais, devem ser aplicadas. Mas tenho de acrescentar que a Bíblia nunca considera a confissão como um caminho para a salvação. Se pensamos que podemos ser salvos por meio da confissão, então a solução para o problema dos nossos pecados ainda não está clara para nós. Estamos presumindo que há outro método de redenção fora a cruz de Cristo. Podemos até imaginar que podemos lidar com nossos próprios pecados diante de Deus e dos homens sem a cruz de Cristo.

1 JOÃO 1:9

Vejamos um versículo que muitas pessoas gostam de citar, 1 João 1:9, que diz: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”. Há algumas pessoas que, baseadas nesse versículo, afirmam ser a confissão realmente um requisito para a salvação. Porém tenho de chamar a sua atenção para alguns pontos nesse versículo. Primeiro, o que é mencionado aqui, definitivamente não é uma confissão pública. A Primeira Epístola de João, capítulo 1, versículo 9, trata de nossos problemas diante de Deus quando diz: “Se confessarmos os nossos pecados”. Isso é diferente da prática comum de confissão diante dos homens. Em 1 João 1:9 nada é dito sobre confissão pública.
Segundo, o pronome nós nesse versículo não é o mesmo pronome usado nos livros de Romanos e Gálatas. Em 1 João 1:9, esse pronome nada tem a ver com os judeus. A Primeira Epístola de João também é diferente do evangelho de João. O Evangelho de João mostra-nos como um incrédulo pode obter vida, enquanto sua epístola conta-nos como alguém que tem vida demonstra diante do homem que de fato possui essa vida. Seu evangelho revela a maneira de receber vida, enquanto sua epístola revela como alguém que possui tal vida demonstra o que possui. Então, devidamente explicado, o “nós” no versículo 9 de 1 João 1 não se refere aos pecadores, mas aos cristãos. O Evangelho de João descreve como um pecador é justificado por Deus, mas a Primeira Epístola de João mostra como um cristão pode restaurar sua comunhão com Deus. A palavra na epístola não discute como o mundo pode crer em Jesus para obter a vida eterna. Ela indica como podem ser perdoados por Deus os pecados de alguém que tem a vida eterna, e como tal filho de Deus que falhou pode ser purificado de sua injustiça. Portanto, esse versículo faz referência somente aos cristãos, aos que foram salvos e justificados, que possuem a vida eterna.
Lembre-se de que alguém salvo é perdoado pelo fato de confessar seus pecados, ao passo que uma pessoa não-salva é perdoada dos seus pecados pela fé. Pecadores são perdoados por crerem no Senhor e os cristãos são perdoados por confessarem seus pecados diante do Pai. O versículo 9 de 1 João 1 não trata dos pecados de um pecador, mas com os de um cristão; não com os pecados cometidos antes da salvação de uma pessoa, mas com os cometidos depois de a pessoa ter sido salva. Conseqüentemente, esse versículo nada tem a ver com o nosso assunto do momento.
Agora, eu não seria tão rigoroso em dizer que esse versículo pode somente ser aplicado aos cristãos. Pelo contrário, admitiria que alguém pode tomá-lo emprestado das Escrituras e utilizá-lo para fazer com que as pessoas sejam salvas. Recentemente uma irmã contou-me que certa senhora foi salva ao ler a frase:“A semente é a palavra de Deus” (Lc 8:11). Não sei como isso pode ter acontecido. Quando eu preguei o evangelho pela primeira vez, estava convencido de que temos de usar porções esclarecedoras das Escrituras a fim de salvar as pessoas. Porém muitas experiências recentes ensinaram-me, digo isso reverentemente, que muitos são salvos por meio de versículos estranhos. Não se pode imaginar que alguns versículos tão estranhos podem salvar as pessoas. Não estou insistindo que nenhum pecador pode ser salvo por meio de 1 João 1:9. Estou dizendo que quando João foi movido pelo Espírito Santo para escrever sua Epístola, em sua mente esse versículo referia-se aos cristãos e não aos pecadores. Originalmente ele escreveu para os cristãos. Embora alguém possa temporariamente tomar emprestada essa palavra e aplicá-la a um pecador, ele não pode continuar tomando-a emprestada. Estritamente falando, tal versículo refere-se aos cristãos e não implica que alguém tenha de confessar seus pecados publicamente e fazer restituição aos outros para ser perdoado.

MATEUS 3:5 e 6

Existem ainda outros dois versículos que parecem ser até mais óbvios do que 1 João 1:9; são os versículos 5 e 6 de Mateus 3, que dizem: “Então, saíam a ter com ele Jerusalém, toda a Judéia e toda a circunvizinhança do Jordão; e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados”. Aqui nos é dito que quando as pessoas ouviram o testemunho de João e perceberam sua própria pecaminosidade, foram até João para serem batizadas por ele e confessaram os pecados enquanto eram batizadas. Novamente, alguns pontos devem ser notados nesses versículos. Primeiro, nenhum dos dois versículos indica que as pessoas tomaram a confissão como o caminho da salvação. Elas não tentaram obter salvação pela confissão. É simplesmente dito que elas escutaram a pregação de João sobre arrependimento, foram compelidas pelo Espírito a ser batizadas e a confessar os pecados. Elas estavam, de fato, olhando para o próprio Senhor, que estava para passar pela morte e ressurreição, e em quem esperavam para a salvação. Embora João batizasse, suas mãos estavam, na verdade, conduzindo-as ao Senhor Jesus que estava entre elas. Foi ele que disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (Jo 1:29). O batismo da igreja e o de João Batista referem-se ao Cristo que morreu e ressuscitou. João prontamente admitiu quão pequeno era, declarando: “Convém que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3:30) e que o povo não devia crer nele, mas Naquele que viria. Embora tivesse preparado o caminho, ele não era o caminho; o caminho era Aquele que viria, o qual ele anunciava.
Como, então, as confissões eram feitas? Como João não falou para eles confessarem seus pecados, seus ouvintes devem tê-lo feito por si mesmos. Suponhamos que um de nós, um obreiro, acabou de testemunhar pelo Senhor, e sem nenhum tipo de persuasão, ordenança, exigência ou sugestão, os ouvintes tenham sido profundamente iluminados por Deus na consciência em relação aos seus pecados. Eles são compelidos a levantar para admitir que cometeram certos pecados específicos. Em resposta a isso, eu diria simplesmente “Amém” e “Aleluia”. Louvaria e nunca me oporia a esse tipo de confissão aberta diante dos homens. Se João tivesse dito que um homem não poderia ser salvo ou perdoado a menos que confessasse seus pecados, e se João realmente tivesse encorajado, impelido, ordenado e induzido as pessoas a confessarem seus pecados, então suas ações dificilmente iriam igualar-se ao que está registrado em Mateus 3:6. De acordo com esse versículo, os ouvintes confessaram seus pecados por conta própria, eles não foram encorajados por João.
Não presumam que não creio na confissão de pecados. Temos sempre encorajado irmãos e irmãs a fazerem confissões uns aos outros. Porém recusamo-nos a aceitar a confissão como o meio para a pessoa ser salva. Existe somente um meio de salvação determinado nas Escrituras que é a fé. O “antigo” João Batista nunca induziu ninguém a confessar seus pecados. Nem deveria algum “moderno” João Batista constranger qualquer homem a fazer o mesmo. É claro que, se a pessoa ao conscientizar-se dos seus pecados levantar-se para fazer uma confissão, devemos deixá-la fazer assim.
Você deve ter ouvido sobre o grande reavivamento do País de Gales. Tive oportunidade de estudar, em detalhes, registros sobre aquele reavivamento. Muitos fizeram estudos sobre ele. Esse foi o maior de todos os reavivamentos, e começou entre os anos de 1904 e 1905. Um correspondente de um famoso jornal britânico foi realmente ao País de Gales em 1909, a fim de conduzir uma investigação sobre o evento. O País de Gales não era um lugar pequeno. Os pastores de uma das cidades disseram ao repórter que o número de almas salvas havia diminuído para quase nenhuma nos dois anos anteriores. Quando o correspondente perguntou se o reavivamento estava em declínio, eles responderam: “Sim. Não existe mais niguém aqui querendo ser salvo, porque todos já foram salvos”. Sabendo que o reavivamento começou com Evan Roberts, ele então perguntou sobre seu paradeiro. Eles responderam: “Não temos idéia”. Quando perguntou-lhes sobre a hora das reuniões, responderam “não sabemos”. Do mesmo modo, quando inquiriu-os sobre o local de reuniões, repetiram “não sabemos”. Eles não sabiam onde estava o líder do reavivamento nem a hora e o lugar das reuniões. O repórter, então, perguntou o que ele deveria fazer, ao que responderam: “Nós nos reunimos a qualquer hora, até mesmo à meia-noite ou de manhã cedo. Não sabemos onde Evan Roberts está, mas ele pode aparecer a qualquer hora. Há reuniões de reavivamento em quase todos os lares. Você encontra pessoas orando em vários lares e em horários diferentes durante a noite. Mas é difícil achar Evan Roberts. Ninguém sabe onde ele estará”. O repórter comentou que nunca havia testemunhado um reavivamento como esse em toda a sua vida. Ele estava determinado a achar Evan Roberts. Seus esforços nas semanas seguintes, porém, não produziram resultado algum.
Um dia, quando alguém contou-lhe que Evan Roberts estava em uma pequena capela, ele imediatamente foi ao lugar. Ele comentou que a reunião que presenciou foi a mais caótica. Uma mãe estava amamentando seu bebê; alguns estavam correndo para dentro e fora da reunião como se fossem vendedores de alguma coisa; uma mãe estava consolando uma criança que chorava, enquanto outra, usando uma cadeira como berço, balançava o filho para dormir. O lugar estava uma bagunça. E ainda parecia haver um inexplicável e único elemento no ambiente. “Onde está Evan Roberts?” perguntou o repórter. “O quarto homem da terceira fileira”, alguém respondeu. “A senhorita Penn -Lewis também está aqui. Lá está ela naquela fileira”. Estavam todos em silêncio nos seus assentos. De vez em quando alguém se levantava para pedir um hino ou outro se levantava para ler alguns versículos das Escrituras. Quando uma ou duas horas se passaram sem uma única palavra das pessoas, ninguém pediu licença para sair. Em certos momentos alguns se levantaram para confessar seus pecados sem serem admoestados para fazer assim.
Amigos, tal obra é a obra de Deus. É diferente dos sermões de púlpito onde se contam histórias de pessoas em seu leito de morte com a intenção de convencer o público de que eles têm de confessar os pecados ou não serão salvos totalmente. Não estou proibindo a confissão. Existem momentos em que uma pessoa deve confessar seus pecados. Em certas ocasiões alguém deve até declarar a uma multidão que tipo de pessoa ele foi e como Deus trabalhou nele. Porém, nada disso deve ser o resultado do estímulo do pregador no púlpito. Algumas vezes há mais do que estímulo; é como se alguns estivessem ordenando. O que está em Mateus 3:6 é realmente uma confissão pública, mas é o resultado espontâneo da obra do Espírito Santo e não o resultado de uma ordem de João. Não estou me opondo à confissão aberta; estou meramente opondo-me a esse tipo de confissão obrigatória; e muito menos estou me opondo à obra do Espírito Santo. Gostaria que existisse mais de tal obra! Se uma pessoa é conduzida pelo Espírito a confessar seus pecados, todos temos de dizer: “Ó Deus, agradecemos-Te e louvamos-Te, porque tens trabalhado no nosso meio”. Mas temos de nos opor a qualquer ensinamento que diga que a confissão precisa ser feita de certa maneira e até certo nível antes de certos resultados serem conseguidos. Não podemos trocar confissão por salvação. Não temos de tomar confissão de pecados como nossa maneira de salvação.
Temos de notar que na sentença:“E eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados”, o principal predicado segundo a língua original não é “confessando”, mas “eram por ele batizados”. Então, as pessoas estavam sendo batizadas por João no rio Jordão e enquanto estavam sendo batizadas, também confessavam seus pecados. Podemos dizer que “ele falou, andando”, que significa que alguém estava falando e andando ao mesmo tempo. Enquanto ambos, “falar” e “andar”, são verbos, “falou” é o principal predicado e ”andando” o verbo subordinado. Portanto, alguém falava, mas fazia isso enquanto andava. Do mesmo modo, em Mateus 3 as pessoas foram batizadas no rio Jordão enquanto confessavam, significando que ao serem batizadas elas estavam simultaneamente confessando os pecados. Esse é o sentido original em grego. Então, vemos que não existe um método para a confissão, mas uma ação que ocorreu. Enquanto as pessoas estavam sendo batizadas, estavam admitindo que estavam erradas nisso e naquilo. O quadro aqui é do Espírito Santo trabalhando no meio delas, mais do que uma obra reguladora. Elas estavam sendo batizadas e confessando, como o exemplo de alguém falando e andando ao mesmo tempo. De nenhum modo nesse versículo a confissão é tratada como uma maneira de salvação.

ATOS 19:18 E 19

Existem somente três trechos no Novo Testamento que registram esse assunto de confissão de pecados. Chegamos agora ao terceiro trecho, que é Atos 19:18 e 19, que diz: “Muitos dos que creram vieram confessando e denunciando publicamente as suas próprias obras. Também muitos dos que haviam praticado artes mágicas, reunindo os seus livros, os queimaram diante de todos. Calculados os seus preços, achou-se que montavam a cinqüenta mil denários”. Embora aqui exista somente a palavra “confessando” sem a menção de “pecados” é a eles que se refere. Em 1 João 1:9, diz “confessar nossos pecados”, em Mateus 3:6, diz “confessando os seus pecados” e aqui diz “confessando” e “fazendo conhecidas as suas práticas”. Primeiro, a confissão e a divulgação das suas práticas não foram consideradas como uma maneira de salvação. Segundo, os que confessaram e narraram as práticas não eram pecadores, mas cristãos, pessoas que eram de Cristo. Isso pode ser comparado a alguns irmãos e irmãs levantarem-se nas reuniões para dar um testemunho confessando o que fizeram no passado. Isso pode também ser comparado a alguns que testemunham no seu batismo as coisas que fizeram no passado. Nós também não somos salvos por meio desse tipo de confissão. Alguns creram e tornaram-se do Senhor. Eles agora confessam o seu passado. Admitem que foram malignos. Não têm mais receio de contar aos santos que foram transferidos do barro lamacento para uma rocha sólida. Quando os efésios queimaram os seus livros de magia, eles estavam fazendo uma demonstração pública de que, embora tivessem praticado essas coisas, agora pertenciam ao Senhor. Terceiro, “E muitos dos que creram vieram”. Nem todos vieram. Nem todas as pessoas salvas precisam confessar nas reuniões. Quando isso ocorre é porque o Espírito Santo se move fortemente para impelir as pessoas a se levantarem para expor suas práticas a fim de glorificar a Deus mostrando a extensão da salvação de Deus nelas. Amigo, você pode descobrir por intermédio dessas três porções da Palavra que o caminho da salvação é mediante a fé e não pela confissão pública.
Essas são as três porções do Novo Testamento onde a confissão de pecados é tratada especificamente. Existe outro lugar, em Tiago 5:16, onde confessar os pecados uns aos outros é mencionada. Tiago nos fala que quando um irmão ou irmã está doente, os presbíteros da igreja devem ser chamados para orar sobre a pessoa doente e ungi-la. E se alguns pecados estão envolvidos, deve haver confissão mútua e perdão. Essa é uma questão diferente do assunto deste livro. Vimos todas as passagens no Novo Testamento a respeito da confissão de pecados. Você vê agora qual é a maneira de alguém ser salvo? É mediante a fé e não pela confissão de pecados.

SOBRE A PRÁTICA DA CONFISSÃO

Deixem-me falar um pouco a respeito da prática da confissão de pecados. Todos nós sabemos a quem ofendemos e defraudamos antes de ser salvos. Depois que fomos salvos, sentimos tristeza no coração e desejamos confessar àquelas pessoas. Isso é algo que devemos fazer. Deus ordena, até mesmo nos compele a fazê-lo. Isso é ensinado nas Escrituras. Tendo visto a justiça de Deus e a glória em Sua presença, agora percebemos que é injusto dever algo aos outros. Que faremos, então? Nós nos recusamos a ser pessoas injustas. Até falamos a nós mesmos: “Eu sou salvo. Vou ser um homem justo. Vou lidar totalmente com todas as áreas nas quais fui injusto ou errado com os outros para que então possam perdoar-me”. Bem, não há problema com seus pecados perdoados diante de Deus, mas você tem de confessar aos homens as suas ofensas. Tal confissão e restituição absolutamente não são o caminho para a salvação. Você não precisa fazer confissão e indenização para que seja salvo. Como uma pessoa salva e alguém que é justo, você está meramente pedindo perdão às pessoas que enganou.
O ladrão na cruz deve ter roubado e pecado contra muitos. Porém não teve oportunidade de confessar e restituir a ninguém, porque mal podia mover-se na cruz. Ele não podia devolver nenhum item que roubara dos outros. Porém, sem nenhuma confissão ou restituição, ele ainda pôde ser salvo. O Senhor Jesus disse para ele: “Hoje estarás Comigo no Paraíso” (Lc 23:43). Podemos considerar esse ladrão como a primeira pessoa a ser salva no Novo Testamento. Ele foi o primeiro a ser salvo depois da morte do Senhor. Portanto, o problema não é de confissão. O ladrão na cruz, embora privado da oportunidade de fazer restituições, foi, contudo, salvo. Se ele vivesse, deveria fazer restituições por causa da justiça. A questão da sua salvação foi resolvida na cruz num instante. Confissão é algo que segue a salvação. Ele já foi salvo na cruz; sua salvação não foi absolutamente devida a nenhum tipo de confissão ou restituição. Se ele confessasse seus pecados mais tarde, isso não o teria salvo ainda mais. Aqui é mostrado claramente que a salvação é pela fé, enquanto a confissão é uma expressão espontânea do viver cristão. Já que agora conhecemos nosso Deus justo, desejamos clarificar o problema dos nossos pecados diante do homem. Nossa salvação é totalmente uma questão entre nós e o Senhor Jesus; ela é resolvida somente por meio Dele.
Há três fatos aqui sobre os quais devemos ter clareza. Primeiro, confessar nossos pecados diante de Deus, julgando-nos, arrependendo-nos e conscientizando-nos de que somos pecadores. Tudo isso é feito diante de Deus. Isso nos leva a ter fé e receber o Senhor Jesus como nosso Salvador. Segundo, depois que fomos salvos, tornamo-nos conscientes de nossas ofensas contra outros e desejamos clarificá-las. Desejamos fazer restituições e confessar àqueles que defraudamos, e então poderemos viver uma vida justa na terra. Terceiro, depois que fomos salvos, quando o Espírito Santo trabalha em nós, queremos contar aos outros que tipo de pecadores éramos e quantos pecados cometemos. Podemos fazer isso durante nosso batismo e podemos fazê-lo depois do batismo.
Não sei se isso está claro ou não para você. Nunca valorize demais a confissão de pecados. Temos de colocá-la no lugar estabelecido pela Bíblia. Já que a Bíblia nunca a considera como um caminho para a salvação, também não devemos considerar. Graças a Deus foi o Senhor Jesus que me salvou. Não me salvei . Graças a Deus foi a cruz de Cristo que me salvou. Não sou salvo por minha própria cruz; a cruz de Cristo fez a obra de salvação.

O CAMINHO DA SALVAÇÃO NÃO É A ORAÇÃO

Chegamos agora ao quinto "não é". Existem muitas pessoas que irão adicionar outra condição para a salvação. Não é guardar a lei ou o bom comportamento, nem é arrependimento ou confissão. Elas dizem que uma pessoa tem de orar para ser salva. Elas baseiam sua afirmação em Romanos 10:“Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”
(v. 13). Como resultado, alguns acreditam que têm de implorar diante de Deus antes que possam ser salvos. Em várias ocasiões encontrei algumas pessoas que queriam ser salvas. Elas disseram: “Diariamente eu peço ao Senhor para salvar-me e ainda não sei quando fará isso. Tenho orado por três meses sem nenhuma sensação interior. Não sei se Deus achará conveniente salvar-me”. Também encontrei outras que disseram “Estou esperando que o Espírito Santo venha e me leve a ajoelhar-me para pedir a Jesus que me salve. Eu ainda não sou salvo. Devo esperar que o Espírito me inspire a orar antes que possa ser salvo”. Por esta razão, precisamos ver se um homem precisa orar antes que possa ser salvo.
Primeiro, tal pessoa busca ser salva por meio de oração e súplica por ser totalmente ignorante quanto ao amor e à graça de Deus. Ela pensa que Deus odeia o homem e, portanto, tem de orar para Deus mudar de ideia antes que possa salvá-la. Ela se entrega à oração sem saber o quanto tem de orar para que Deus a ouça. Você se lembra como Elias desafiou os profetas de Baal no monte Carmelo? Ele os desafiou a pedir ao seu deus para mandar fogo. Os profetas “clamavam em altas vozes e se retalhavam com facas e com lancetas, segundo o seu costume, até derramarem sangue” (1 Rs 18: 26-29). Eles supunham que Baal iria ouvi-los somente se infligissem mais dores a seu corpo. Hoje há os que também pensam que se trouxerem angústia sobre si mesmos e clamarem suficientemente a Deus, Ele terá compaixão deles. Esse tipo de pessoa nunca viu o evangelho. Porque nunca viram Deus na luz do evangelho, acreditam que sua súplica perante Deus irá voltar Seu coração a eles. Na verdade não há necessidade de Deus voltar Seu coração. Seu coração já está voltado a eles há muito tempo. Nós é que necessitamos uma mudança de coração, porque rejeitamos e opusemo-nos a Ele, e não acreditamos Nele.
Em 2 Coríntios 5:19 diz-se: “A saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo”. Deus não ofendeu o homem; foi o homem que ofendeu a Deus. Nunca houve necessidade de Deus ser reconciliado com o homem. Todos os que desejam entender o evangelho devem saber que Deus é amor e que Ele ama o mundo. Ele não tem problema conosco e nenhum de nós tem de suplicar diante Dele.
Além disso, o homem pensa que tem de orar e suplicar para que seja salvo, simplesmente porque não percebe que o Senhor Jesus veio; Ele morreu e ressuscitou; todos os problemas de pecado estão resolvidos e todos os obstáculos à salvação estão removidos. Não somente o Senhor Jesus veio, mas o Espírito Santo também veio. Ele veio para manifestar no homem o que Deus e o Senhor Jesus realizaram. Muitos pecadores oram pela própria salvação como se estivessem pedindo ao Senhor Jesus para morrer por eles novamente. Eles não percebem que Ele completou a obra de redenção. Como Ele terminou Sua obra, não há razão para suplicar diante Dele. Hoje é o tempo de ações de graça e louvores; não é tempo de fazer súplicas e petições. Suponha que seus pais tenham trazido algo que você pediu. Você pode talvez, com sinceridade, curvar-se para agradecer a eles. Certamente não iria ajoelhar-se e suplicar, dizendo:“Por favor dê-me isto porque eu preciso”. É simplesmente incoerente e sem sentido que continue a suplicar depois que seus pais já deram algo a você. Hoje Deus não está falando sobre a gravidade dos nossos pecados. Se estivesse, então haveria razão para suplicarmos. Ao contrário, Deus está agora dizendo que Ele deu Seu Filho a você gratuitamente. Seria bem estranho se alguém lhe desse algo e você ainda lhe suplicasse em vez de agradecer! Se conhecesse o coração de Deus e se tivesse clareza sobre a obra do Senhor Jesus, nunca tentaria ser salvo pela oração. Não há lugar para a oração nessa questão. É melhor ajoelhar-se para agradecer a Deus.
Certa vez, depois que compartilhei o evangelho com um homem, perguntei se ele cria. Ele disse que sim. Quando eu disse: “Vamos ajoelhar-nos”, ele perguntou se iríamos orar. Disse-lhe que não. Ele perguntou: “Qual o propósito, então?” Respondi: “Simplesmente para informar o Senhor Jesus”. Não há necessidade de pedir ao Senhor Jesus para morrer novamente ou pedir a Deus para amar, ser gracioso ou perdoar-nos. O Senhor já levou nossos pecados na cruz. Agora, nossa única necessidade é notificá-Lo, dizendo: “Eu cri no Filho de Deus e recebi a cruz de Cristo. Ó Deus, eu Te agradeço”. Não é fácil? Sim, receber a salvação é algo fácil. Claro que para Deus não foi fácil completar a salvação; Deus levou quatro mil anos para completá-la. Depois que o homem caiu, Deus levou quatro mil anos para fazer com que o homem percebesse seus pecados. Ele então fez com que Seu Filho nascesse de uma mulher e fosse pendurado na cruz para ser julgado pelo pecado. No final, Ele mandou também o Espírito Santo. Foi somente depois que Deus trabalhou muito e fez bastante esforço que recebemos a salvação de maneira tão fácil. Ele pagou o maior preço para realizar tudo. Agora se você creu e recebeu, tudo o que precisa fazer é dizer: “Obrigado”. Esse é o caminho da salvação. Não há lugar para oração aqui.
Por que então Romanos 10 enfatizou o assunto da oração? Em Romanos 10:5-7 lê-se: “Ora, Moisés escreveu que o homem que praticar a justiça decorrente da lei viverá por ela. Mas a justiça decorrente da fé assim diz: Não perguntes em teu coração: Quem subirá ao céu?, isto é, para trazer do alto a Cristo ou: Quem descerá ao abismo?, isto é, para levantar Cristo dentre os mortos”. Dois tipos de justiça são mencionados aqui. Uma é a justiça decorrente da lei e a outra é a justiça decorrente da fé. A justiça decorrente da lei resulta das obras de uma pessoa diante de Deus, e a justiça decorrente da fé é cumprida em nós pelo nosso crer no Senhor Jesus Cristo. A primeira tem relação conosco e a última tem relação com Cristo.
É absolutamente impossível para um homem obter a justiça decorrente da lei porque ela requer que ele não tenha pecado nos pensamentos, intenções, palavras e comportamento a cada ano, hora, minuto e segundo de sua vida desde a hora em que nasceu. Se ele quebra algum item da lei, ele transgride todos. Para nós, isso é simplesmente uma proposta sem esperança. Desde que não possamos agora ter a justiça decorrente da lei, precisamos ter a justiça decorrente da fé. Essa justiça, como mencionamos, é a justiça pela qual Cristo foi julgado. Desde que Cristo sofreu a punição, temos a justiça mediante a fé. Essa justiça não tem relação conosco. As Escrituras dizem: “Não perguntes em teu coração: Quem subirá ao céu?, isto é, trazer do alto a Cristo; ou: Quem descerá ao abismo?, isto é, para levantar Cristo dentre os mortos”. Não há necessidade de fazermos isso. Não há necessidade de ascender aos céus. Isso significa que não há necessidade de pedir que Cristo venha à terra e morra por nós. Não há também necessidade de descer ao abismo. Isso implica que a ressurreição de Cristo é a base da nossa justificação. Deus já fez com que o Senhor Jesus morresse e ressuscitasse, e Sua ressurreição tornou-se a base de nossa justificação. Tudo o que nos resta fazer é crer.
O versículo 8 diz: “Porém que se diz?” “Se”, aqui, refere-se à palavra de Moisés. Paulo citou Moisés para mostrar que até Moisés pregava a justificação pela fé. Isso é surpreendente, visto que Moisés foi o promotor da lei e das suas exigências. Mas Paulo apresentou Moisés, dizendo que Moisés também falou a respeito da justificação pela fé quando disse: “A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração”. Essa é a palavra da fé que proclamamos. Paulo defendia que as palavras de Moisés referem-se à justificação pela fé. Para entender essa referência, necessitamos voltar para Deuteronômio 29 e 30, no Antigo Testamento. Lá, Moisés passou toda a lei e os mandamentos aos israelitas, falando a eles que se falhassem em obedecer àqueles mandamentos e em guardar a lei, Deus iria puni-los, dispersando-os entre as nações; e se o coração deles se aproximasse de Deus na dispersão, a palavra estaria perto deles, até mesmo na boca e no coração deles. Moisés estava dizendo que o julgamento de Deus estaria presente sempre que o homem quebrasse a lei e a transgredisse. Que o homem deve fazer, então? Ele precisa receber uma justiça separada da lei, a que está na sua boca e no seu coração. Tal graça separada da lei é um presente para nós. Quando Deuteronômio foi citado em Romanos 10, uma palavra de explicação foi adicionada: “A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração” que é, “a palavra da fé que pregamos”. Não há nenhum pensamento de obra aqui. A justiça proveniente da lei foi completamente transgredida. Quando o povo foi disperso entre as nações da terra, como predito em Deuteronômio 30, eles não poderiam mais reivindicar ter realizado obras. A questão de obras havia terminado. A única palavra que eles tinham então era a palavra que estava na boca e no coração deles. Outrora, era uma questão de obras e o resultado foi a dispersão. Agora, não mais há obras. Portanto, é fé.
Paulo continuou a definir o significado de “com a tua boca” e “em teu coração” no versículo 9 dizendo: “Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo”. Caro amigo, onde está sua boca? Cada um de nós leva a boca para onde vai. Ninguém a deixa em casa. Onde está nosso corpo também está nossa boca. No momento em que cremos no Senhor Jesus, espontaneamente O confessamos com nossa boca. As primeiras palavras da boca de Paulo, quando o Senhor confrontou-o na estrada, foram: “Quem és tu, Senhor?” Ele não havia crido no Senhor antes. Mas naquela conjuntura, ele creu. Nossa confissão de Jesus como Senhor é feita muito mais espontaneamente a partir do nosso coração do que diante das pessoas. Surpreende-me pensar que um povo inculto que nunca fora exposto ao evangelho antes, ao ouvir as boas novas, possa dizer, “Ó Senhor”. Isso não pode ser uma obra. Trata-se de uma manifestação espontânea. Crer no coração não é uma questão de obra. Não há necessidade de dar alguns passos ou gastar dinheiro. É necessário dizer “Ó Senhor” exatamente onde se está, e ser salvo. Pode-se dizer isso audível ou inaudivelmente. Contanto que se creia que Deus O trouxe dos céus e O levantou do Hades, tudo irá ocorrer normalmente. Isso provará que se está justificado e salvo. Nossa confissão nunca pode levar o elemento do mérito. Confissão não é um caminho para salvação; é meramente uma expressão da salvação. É algo muito espontâneo. Se dissermos “Senhor” com nossa boca e crermos Nele no nosso coração, seremos salvos. Não há nenhum problema.
O versículo 10 segue e explica o versículo 9. Por que alguém é salvo quando confessa com a boca Jesus como Senhor e crê no coração que Deus O ressuscitou de entre os mortos? “Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação”. Eu sempre ficava perplexo sobre como esse assunto poderia ser colocado no coração das pessoas. Encontrei duas pessoas hoje que consideram esta palavra de salvação muito longe delas. Para elas, essa palavra está mais longe do que as províncias de Yunnam e do Tibet; está mais longe que um país estranho. É simplesmente uma palavra dos céus. Parece que a palavra de salvação está tão longe que a frustra. Contudo, Deus diz que o caminho para a salvação não está no céu nem nas profundezas da terra. Está muito perto, na nossa boca e até no nosso coração. Se tivéssemos subido aos céus ou descido abaixo da terra, quereríamos saber como alguém poderia ser salvo. Hoje, a palavra está na sua boca e no seu coração. Contanto que uma pessoa abra a boca e creia no coração, ela será salva. Deus fez essa salvação tão completamente disponível e conveniente que se uma pessoa crê no coração e confessa com a boca, é salva. Justificação aqui é mais uma questão diante de Deus que diante dos homens. Quando os homens vêem você confessando, eles perceberão que você é salvo. Quando Deus vê você crendo, Ele o justifica. O versículo 11 diz: “Todo aquele que nele crê não será confundido”. Somente a fé é suficiente.
Embora a Palavra de Deus seja abundantemente clara, ainda há os que gostam de argumentar contra ela. Eles insistem em que a confissão é a maneira de alguém ser salvo. Gostaria de perguntar a eles: “Se é assim, que você fará com Romanos 10:8? A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração”? Aqui diz a palavra da fé, não a palavra de confissão. As Escrituras dizem “crer”, elas não dizem “confessar”. O versículo 6 diz: “Mas a justiça decorrente da fé assim diz”. O versículo 6 menciona a justiça decorrente da fé e o versículo 8 a palavra da fé. Há uma confissão no versículo 9 e outra no 10. Ambas são com a boca. Porém, o versículo 11 não diz: “Todo aquele que O confessar não será confundido”. Ao contrário, diz: “Todo aquele que nele crê não será confundido”. Temos de reconhecer a ênfase aqui. Os versículos 6, 8 e 11 mencionam “crer” e os versículos 9 e 10 mencionam “confessar”. O versículo 9, primeiro diz “confessar” e, então, “crer”; enquanto no versículo 10 está primeiro crer e, então, confessar. Nessa passagem “crer” é usado cinco vezes e “confessar” duas. No final, a ordem “confessar” e “crer” é invertida. Tudo isso significa que a salvação deve ser decorrente da fé e não da confissão. Confissão resulta da fé. O que crê no coração, fala espontaneamente com a boca. Uma pessoa diz espontaneamente “papai” quando vê seu pai. Onde há fé, a confissão vem imediatamente a seguir.
O final do versículo 12 mostra-nos que confissão aqui é a confissão de Jesus como Senhor. Essa confissão vem da fé. Como podemos provar isso? Podemos não ver isso do versículo 1 até o 11. Mas o versículo 12 diz: “Pois não há distinção entre judeu e grego, uma vez que o mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam”. O versículo 13 diz: “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”. Invocar o nome do Senhor é equivalente a confessar o Senhor Jesus nos versículos anteriores. Invocar o nome do Senhor é confessar Jesus como Senhor, chamá-Lo de Senhor e dirigir-se a Ele como Senhor. Analisando cuidadosamente o contexto dessa passagem, perceberemos que invocar é simplesmente confessar.
O versículo 14 diz: “Como, porém, invocarão aquele em que não creram?” Essa é uma palavra maravilhosa. Isso mostra que invocar vem de crer. Naturalmente ninguém pode invocar sem crer. Podemos ver que confessar com a boca resulta da fé no coração. Porque um homem crê no coração, ele invoca com a boca. Ele invoca porque crê. Tudo resulta da fé; fé é o caminho da salvação. Embora seja mencionada a confissão com a boca, essa confissão é baseada na fé no coração. Invocar é espontâneo para os que crêem.
Creio que os leitores sejam salvos e que receberam o Senhor Jesus. Posso perguntar como você O recebeu? Nós O recebemos pela fé. Você também orou? A salvação é decorrente da fé. Oração é a expressão dessa fé. Todos no mundo são salvos pela fé. Porém, essa fé é expressa em oração. A fé é interior e oração é exterior. Quando você crê no coração que Jesus é o Salvador, espontaneamente irá orar com a boca que Jesus é o Senhor. Qualquer um que crer no seu coração irá confessar com sua boca. Mas precisamos sempre lembrar que confissão não é o caminho para a salvação. Embora a palavra diga “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”, entretanto, invocar não é a maneira da salvação. A razão é que invocar vem da fé; é uma ação espontânea, algo dito espontaneamente diante de Deus.
Voltemos ao versículo 12: “Pois não há distinção entre judeu e grego, uma vez que o mesmo é o Senhor de todos”. Eu amo a frase “não há distinção”. Romanos 3:22 e 23 diz: “Justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos [e sobre todos] os que crêem; porque não há distinção, pois todos pecaram”. Aqui diz: “Pois não há distinção entre judeu e grego, uma vez que o mesmo é o Senhor de todos”. Cada um tem de invocar o Senhor, confessar com a boca e crer no coração antes de ser salvo.
Que o Senhor seja misericordioso para conosco e nos mostre que o único caminho para a salvação, de acordo com a Bíblia é a fé e nada mais. A salvação não é pela fé mais o cumprimento das leis e boas obras, arrependimento, confissão ou oração. Essa é a verdade bíblica. Temos de nos posicionar sobre a Bíblia. A Bíblia revela-nos claramente que o caminho para a salvação é somente pela fé.

Capítulo Treze

O Caminho da Salvação — Fé Versus Amar a Deus ou Ser Batizado

Nos capítulos anteriores deste livro, vimos a necessidade de salvação por parte do homem e a preparação dessa salvação por Deus. Vimos os problemas que Deus encontrou quando preparou essa salvação para nós e como Ele resolveu completamente todos os problemas do pecado. Vimos também a maneira de receber a salvação. Visto que os homens entenderam a Bíblia de modo incorreto, eles apresentaram muitas condições para a salvação. Alguns querem ter um tipo de condição enquanto outros querem ter outro tipo. Vimos que o homem não é salvo pela lei nem pelas obras. Ele não é salvo por arrependimento, oração ou confissão. O homem não é salvo por coisa alguma que ele tenha em si mesmo. Além dessas maneiras humanas, há ainda dois erros muito comuns na igreja. O primeiro é o conceito de que para ser salvo, o homem tem de amar a Deus. Se um homem não amar a Deus, ele não será salvo.

AMAR A DEUS NÃO É O CAMINHO DA SALVAÇÃO

Admito que 1 Coríntios 16 diz-nos que o homem deve amar a Deus. Se não ama a Deus, ele é amaldiçoado. Isso é um fato. Mas a Bíblia nos mostra claramente que o homem é salvo pela fé e não pelo amor. Alguns pensam que há evidências na Bíblia que provam que o homem é salvo por amar a Deus, e sem amar a Deus o homem não pode ser salvo. Há alguns pecadores que, quando o evangelho da salvação pela fé lhes é pregado, dizem que não podem ser salvos porque não amam a Deus completamente. Eles pensam que se realmente amarem a Deus e forem levados a Ele, Ele os salvará. Para eles, o homem é salvo por amar a Deus. Eles não percebem que o homem é salvo não por amar a Deus, mas porque Deus o ama. Foi Deus quem amou o mundo e deu Seu Filho unigênito, para que todo o que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3:16). Do lado de Deus, é amor. Do nosso lado, é fé. A reação do homem não necessita ser igual à de Deus. Ele não tem de amar a Deus como Deus o ama. Não é dito que o homem precise amar tanto a Deus a ponto de dar seu filho a Deus para que Deus confie nele, dando a ele a vida eterna, não o deixando perecer. Não encontramos isso no Evangelho de João. Agradecemos a Deus porque foi Deus quem amou o mundo de tal maneira que deu Seu Filho unigênito. A Bíblia não nos diz que amamos a Deus primeiro, mas que Deus nos amou primeiro. A base da salvação não é que nós amamos a Deus, e, sim, que Deus nos ama. Se basearmos a nossa salvação em nosso amor a Deus e em nosso sacrifício por Ele, imediatamente veremos que a salvação que teríamos não seria segura. Nosso coração é como a areia do mar que vem e vai com a maré. Graças ao Senhor. Não é uma questão de nosso amor por Deus, mas do amor de Deus por nós.

A HISTÓRIA DO BOM SAMARITANO

Embora João 3 e outros lugares possam dizer o que dissemos, alguns podem perguntar: “E Lucas 10?” Vamos agora ler o que diz Lucas 10. Lucas 10:25 começa: “E eis que certo doutor da lei se levantou”. Esse homem tinha uma profissão errada. “Certo doutor da lei se levantou e O pôs à prova”. Seu motivo estava errado. Sua intenção não era correta. “Dizendo: Mestre”. Ele tinha um entendimento errado. Sua compreensão a respeito do Senhor estava errada. Ele não sabia quem o Senhor era. “Que farei para herdar a vida eterna?” Sua pergunta estava errada. Eis aqui um homem que estava errado em sua profissão, errado em seu motivo, errado em sua intenção, errado em seu conhecimento do Senhor, e errado na pergunta que fez.
Ele perguntou: “Que farei para herdar a vida eterna?” Que disse Jesus? “Disse-lhe Jesus: Que está escrito na lei?” Você é um intérprete da lei. Você deveria ter conhecimento do que a lei diz. “Como lês?” Alguma coisa deve estar escrita na lei. Mas o homem pode estar errado ao interpretá-la. O Senhor está fazendo uma pergunta dupla . Que está escrito na lei, e que você compreendeu dela? Algumas vezes, a lei é escrita de uma maneira, mas o homem a interpreta de outra. “Ele respondeu”. Ele respondeu que isso é o que a lei diz e é assim que ele a interpreta. “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de toda a tua força e de toda a tua mente; e ao teu próximo como a ti mesmo”. Esse intérprete estava muito familiarizado com a lei. Ele sabia que o resumo da lei é amar a Deus de todo nosso coração, de toda nossa alma, de toda nossa força e de todo nosso entendimento, e amar ao próximo como a nós mesmos. Ele pôde resumir toda a lei nessa frase. Ele era um homem inteligente. Provavelmente todo aquele que vem pôr à prova é inteligente. Somente os inteligentes procuram pôr à prova. Que é pôr outros à prova? Os que querem ser ensinados fazem perguntas, e os que vêm pôr à prova também fazem perguntas. Os que querem aprender fazem perguntas porque não entendem. Os que querem pôr à prova fazem perguntas porque entendem. Alguns perguntam porque não entendem; eles vêm humildemente para ser ensinados. Alguns perguntam porque entendem; querem mostrar a você o quanto entendem. Essa é a razão de pôr à prova. Esse homem veio ao Senhor perguntando como ele poderia ser salvo. Ele disse que queria a vida eterna e a vida de Deus. Então, ele deveria fazer o quê? O Senhor disse: “Que está escrito na lei? Como lês?” O homem repetiu de cor. Ele sabia disso há muito tempo. É preciso amar a Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de toda a sua força e de todo o seu entendimento e é preciso amar o próximo como a si mesmo. Ele sabia tudo isso. Eis por que ele repetiu essas palavras de maneira tão correta. Quando respondeu dessa maneira, o Senhor lhe disse para fazê-lo, e, então, ele teria condições de herdar a vida eterna.
Aqui está um problema. O que quer que o Senhor Jesus quisesse dizer quando falou ao intérprete, e quaisquer que fossem as circunstâncias, todos os que não estão familiarizados com a verdade e com o significado da palavra de Deus diriam: “Não está claro o bastante que para ter vida eterna um homem deve amar a Deus e amar seu próximo? Se um homem não ama a Deus e ao próximo, não é verdade que ele não poderá ter a vida eterna?” Apesar de o Evangelho de João mencionar oitenta e seis vezes que a vida eterna é obtida mediante a fé, alguns podem dizer que o Evangelho de Lucas diz ao menos uma vez que a vida eterna é obtida mediante o amor a Deus. Se um homem não amar a Deus ou a seu próximo, ele não tem possibilidade de ser salvo.
Se for assim, gostaria de perguntar se algum de nós já amou a Deus dessa forma, isto é, com todo o coração, com toda a alma, com toda a força e com todo o entendimento. Não, ninguém amou assim. Não há uma só pessoa que ame a Deus com todo o coração, toda a alma, toda a força e todo o entendimento. Ninguém pode dizer que ama seu próximo como a si mesmo. Não há tal pessoa. Uma vez que não existe tal pessoa, ninguém ganharia a vida eterna. Precisamos compreender por que o Senhor Jesus disse que devemos amar a Deus com todo o nosso coração, toda a nossa alma, toda a nossa força e todo o nosso entendimento. Agradecemos ao Senhor porque a Bíblia é, sem dúvida, a revelação de Deus. Não há absolutamente erro algum nela. Eis a razão por que eu amo ler a Bíblia. Se essa passagem que começa em Lucas 10:25 terminasse no versículo 28, as verdades da Bíblia se contradiriam. Se fosse esse o caso, o homem teria de amar a Deus de todo o coração, toda a alma, toda a força e todo o entendimento. Nenhum desses quatro “todo” poderia ser esquecido. Mas se esse fosse o caso, ninguém jamais poderia ser salvo. Graças ao Senhor que após o versículo 28, há muito mais versículos. Vamos continuar a lê-los.
Ainda bem que esse homem era muito importuno. Ele, porém, queria justificar-se. Ele fez essa pergunta por nenhuma outra razão senão justificar-se. “[Ele] perguntou a Jesus: quem é meu próximo?” O Senhor disse que ele tinha de amar ao Senhor seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de toda a sua força e de todo o seu entendimento e amar a seu próximo como a si mesmo. Seria grcosseiro para ele perguntar quem seu Deus era. Poderia ele, um intérprete da lei, não saber quem nosso Deus é? Seria também difícil para ele perguntar quem ele próprio era, pois de todos os homens na terra somente os filósofos não sabem quem eles mesmos são. Sem nada mais para perguntar, ele perguntou quem era seu próximo. “Agora você está dizendo que eu tenho de amar meu próximo como a mim mesmo. Mas quem é meu próximo?” Do versículo 30 em diante, o Senhor lhe disse quem era seu próximo. Ele começou a contar-lhe uma história.
Esta história é uma das mais comuns e familiares na igreja. Seria bom que a lêssemos juntos:
Jesus prosseguindo, disse: Certo homem descia de Jerusalém para Jericó, caiu em mãos de salteadores, os quais, depois de o terem despojado e espancado, retiraram-se, deixando-o semimorto.
Casualmente, descia um sacerdote por aquele mesmo caminho; e, vendo-o, passou de largo.
Semelhantemente, também um levita chegando àquele lugar e vendo-o, passou de largo.
Mas certo samaritano, que ia de viagem, chegou perto dele e, vendo-o, moveu-se de compaixão.
E, chegando-se, atou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho; e, colocando-o sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e cuidou dele.
No dia seguinte tirou dois denários e os entregou ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele; e o que quer que gastares a mais, eu to restituirei quando voltar.
Qual desses três te parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?”.
Estamos muito familiarizados com essa história. Vamos gastar algum tempo considerando-a. Esse homem ia do lugar de paz para o lugar de maldição. Jerusalém significa paz e Jericó significa maldição. Ele não ia de Jericó a Jerusalém, uma viagem ascendente. Era de Jerusalém a Jericó, uma viagem descendente. Ele ia de um lugar de paz para um lugar de maldição. Esse homem estava na condição descendente. Ele encontrou salteadores no caminho. Não era um salteador, mas uma quadrilha de salteadores, que lhe roubaram tudo o que tinha, despiram-no de suas vestes e o deixaram nu. Eles o agrediram até que ficasse semimorto; ele estava a ponto de perder a própria vida. A Bíblia nos mostra que as vestes de um homem são seus atos e o ser de um homem é sua vida. Aqui os atos brilhantes são roubados e levados embora. A vida que permanece somente tem um corpo que está vivo; o espírito está morto. Esse é um homem semimorto. Todos os leitores da Bíblia sabem que essa é a descrição da nossa pessoa. Desde o tempo em que o homem foi tentado pela serpente no jardim do Éden e desde que começou a pecar, ele nunca experimentou paz na jornada de sua vida. O homem é continuamente tentado por Satanás. O resultado é que todos os seus atos exteriores são levados embora. Até seu espírito está mortificado. Ele está vivo quanto ao corpo, mas morto quanto ao espírito. O homem nada pode fazer quanto a sua condição. Ele pode apenas esperar que os outros venham e o salvem.
Um sacerdote vinha por ali. Ao ver esse homem, ele passou de largo. Um levita também vinha. Após ver o homem, ele também passou de largo. Os sacerdotes e os levitas são os dois principais grupos de pessoas no Antigo Testamento. No Antigo Testamento toda a lei está nas mãos dos sacerdotes e dos levitas. Se você tirar os sacerdotes e os levitas, não haverá mais lei. Para um pecador semimorto, alguém subjugado por Satanás, à espera de ir para a destruição e não tendo virtudes exteriores, nada havia a fazer senão esperar pela morte. Que os sacerdotes lhe diriam ? Os sacerdotes lhe diriam: “Ame o Senhor seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de toda a sua força e de todo o seu entendimento e você se levantará e andará”. O levita também viria e dir-lhe-ia: “Está certo. Mas você também deve amar ao seu próximo como a si mesmo”. Essas são as mensagens deles. Eis o que um sacerdote e um levita diriam a um homem à beira da morte. “É verdade que você está semimorto e que suas vestes brilhantes foram roubadas. Mas se fizer o bem poderá ser salvo”. Esse é o significado de amar a Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de toda a sua força e de todo o seu entendimento. Isso é o que significa amar a Deus. Se você vir alguém que não tenha sido agredido, este alguém ainda pode ter o coração, a alma, a força e o entendimento para fazer algo. Ainda será possível para ele amar a Deus de todo o coração, de toda a alma, de toda a força e de todo o entendimento. Seria possível dizer-lhe isso se ele ainda estivesse em Jerusalém. Mas o problema hoje é que ele já não mais está em Jerusalém. Ele está em viagem e está morrendo. Esses mandamentos não podem ajudá-lo. Além disso, por favor, lembre-se de que hoje não é uma questão de dar nosso “todo”, mas de receber alguma ajuda. Eis aqui um homem que está doente e moribundo. Ele está vivendo em pecado. Ele não pode fazer coisa alguma quanto a sua própria condição. Se você disser a tal pecador para amar a Deus de todo o coração, alma, força e entendimento, ele lhe dirá que nunca amou a Deus em sua vida. Se você disser que ele tem de amar a seu próximo, ele lhe dirá que tem roubado os outros por toda a vida. Que você deveria dizer a um homem que está a um passo da eternidade? Nessa situação, os sacerdotes e os levitas não são de nenhuma ajuda. Eles apenas podem passar de largo. Quando eles vêem esse tipo de homem, eles não podem ajudá-lo.
A palavra sobre amar a Deus de todo o coração, alma, força e entendimento e amar o próximo como a nós mesmos não é para nos ajudar a herdar a vida eterna. É apenas para mostrar-nos que tipo de pessoa somos. Se você nunca tiver ouvido uma palavra sobre amar a Deus, não saberá quão importante é amar a Deus. Se nunca tiver ouvido coisa alguma sobre amar seu próximo, você não saberá como é importante amar o próximo. Uma vez que tenha ouvido a palavra sobre amar seu próximo, você perceberá que nunca amou seu próximo. Realmente, as palavras na lei tais como amar a Deus, amar ao próximo, não cobiçar nem matar, existem apenas para expor nossa pecaminosidade. Elas nos mostram nossa condição. O propósito da lei, como Tiago disse, é simplesmente servir como espelho. Ela mostra quem você é. Você não sabe qual é a aparência do seu rosto. Mas se você olhar num espelho, verá o que você é. Antes você não sabia que não amava a Deus. Agora você sabe. Não somente não há o amor de todo o coração, toda a alma, toda a força e todo o entendimento, como também não há qualquer amor para com Deus. Não somente não há amor a Deus, não há nem mesmo amor pelo próximo. Os salteadores já roubaram você. Ainda assim você não sabe o que aconteceu. Agora, com a lei, você sabe. Você foi agredido pelos salteadores, deixado semimorto e despojado de suas vestes nem sabia disso. Agora você sabe. Que, então, fizeram os sacerdotes e os levitas? Eles vieram dizer a você: “Meu amigo, você sabe que foi agredido pelos salteadores? Sabe que suas vestes foram levadas? Sabe que você está semimorto?”
Pouco depois chegou outra pessoa. Essa pessoa era o bom samaritano. “Certo samaritano, que ia de viagem, chegou perto”. Diferentemente dos outros dois, este estava em seu caminho. O sacerdote descia por acaso. O levita também descia por acaso. Mas o samaritano estava em seu caminho. Ele veio com o propósito de salvá-lo. “E, vendo-o, moveu-se de compaixão”. Ele teve amor e compaixão. Além disso tinha consigo óleo e vinho. Assim, ele pôde cuidar dos ferimentos do que fora agredido pelos salteadores. Quem é esse samaritano? João 4:9 nos diz que os judeus não se davam com os samaritanos. Todos os mencionados nessa história eram judeus. O que foi assaltado pelos salteadores era judeu. O sacerdote era judeu. O levita era judeu. Que representam os judeus? E que representam os samaritanos? Os judeus representam a nós seres humanos. E o samaritano? Os samaritanos nada têm a ver com os judeus. Eles não se misturam com os judeus. Eles estão separados dos judeus e acima deles. Sabemos que esse samaritano é o Senhor Jesus. Um dia, quando o Senhor Jesus estava na terra, um grupo de judeus criticou-O e O injuriou com duas afirmações muito fortes, dizendo que Ele era samaritano e que tinha demônio (Jo 8:48). Por favor, observe que na resposta de Jesus Ele disse que não tinha demônio. Os judeus disseram que Ele era samaritano e tinha demônio. O Senhor negou que tivesse demônio, mas não negou que fosse samaritano. Assim, o samaritano aqui se refere ao Senhor Jesus. João nos mostra que em tal tipologia Ele é um samaritano.
Esse samaritano veio propositadamente a este homem semimorto. Quando viu o homem, foi movido de compaixão e o salvou com duas coisas. Uma foi vinho, e a outra, óleo. Ele derramou óleo e vinho, aplicou-os sobre as feridas e curou-as. Temos de ver que isso é após o Gólgota e após o Pentecoste. Não é em Belém. Se fosse em Belém, teria sido o vinho sobre o óleo. Mas desde Jerusalém e desde a casa de Cornélio, é o óleo sobre o vinho. O vinho representa a obra do Gólgota. O óleo representa a obra no dia da ressurreição e no dia de Pentecoste. O vinho é simbolizado pelo cálice na mesa do Senhor. Quando você fica doente, o que os irmãos responsáveis levam até sua casa é o óleo. O que está representado ali é o que é tratado aqui. Em outras palavras, o vinho é a obra de ressurreição, e o óleo é a obra de comunhão. O vinho simboliza o sangue do Senhor ao redimir-nos, e o óleo simboliza o Espírito Santo aplicando a obra do Senhor a nós. Isso é significativo. Se fosse derramado somente o óleo , sem o vinho, não haveria base para nossa salvação. Se não houvesse óleo, a salvação não teria qualquer efeito. Sem a cruz, seria injusto Deus perdoar nossos pecados. Significaria que Ele estava tratando com nossos pecados de maneira relaxada. Significaria que Ele estava mascarando nossos pecados. Mas sem o óleo, embora Deus pudesse ter cumprido a redenção em Seu Filho e resolvido o problema do nosso pecado, essa obra não poderia ser aplicada a nós; ainda estaríamos feridos.
Aqui vemos que há óleo e há vinho. Além do mais, o óleo é mencionado primeiro. É o Espírito Santo que tem aplicado a obra do Senhor sobre nós. Esse é o processo da salvação. É o óleo que é mesclado ao vinho. O Espírito Santo nada faz senão trazer até nós a obra do Senhor. Quão maravilhoso isso é! Muitas de nossas irmãs são enfermeiras. Também temos dois irmãos aqui que são médicos. Vocês sabem que a função do vinho é totalmente negativa? Ele é usado como desinfetante. Isso significa que a redenção do Senhor é para com os pecados imundos e passados. O óleo está ali para ajudar o vinho. Aqui, por um lado, há o remover do que estava no primeiro Adão. Por outro lado, há a nova vida proveniente do Espírito Santo. Somente por meio disso pode o homem moribundo ser curado. Mais tarde falarei mais sobre essa questão, se tiver oportunidade.
Depois que o bom samaritano curou as feridas do homem agredido pelos salteadores, que aconteceu em seguida? Ele o colocou sobre a sua própria montaria. A montaria denota viagem. Com uma montaria você pode viajar sem dispender muito esforço. Quando há uma montaria, não tenho de viajar por meu próprio esforço; o meu animal me carregará. Onde ia o meu animal? Ele ia para a estalagem. Essa estalagem é a casa de Deus. Quando esse homem é levado até Deus, Deus cuida dele.
Qual é o significado de dois denários? Todos os metais na Bíblia têm seu significado. Ouro, na Bíblia, significa a natureza, vida, glória e justiça de Deus. Bronze, na Bíblia, significa julgamento de Deus. Todas as passagens, na Bíblia, que exigem julgamento têm bronze. O altar era de bronze, a bacia era de bronze e a serpente erguida no deserto era de bronze. Os pés do Senhor eram como bronze reluzente; eles são para esmagar. Na Bíblia, ferro significa autoridade política. Mas prata em toda a Bíblia significa redenção. Todas as vezes que a redenção é mencionada, a prata está presente. No Antigo Testamento o dinheiro pago pela redenção foi prata. Os dois denários aqui significam o preço da redenção. Os dois denários foram entregues ao hospedeiro. Essa é nossa salvação. Por causa disso, Deus aceitou todos os que confiam Nele. Espiritualmente falando, a hospedaria significa a casa celestial de Deus. Fisicamente falando, ela significa a igreja. “O que quer que gastares a mais, eu to restituirei quando voltar”. Após sermos salvos, estamos na igreja esperando pela volta do Senhor. Esses pontos não são meu assunto principal, mas eu os menciono de passagem.
O intérprete perguntou ao Senhor: “Quem é meu próximo?” Depois que o Senhor contou-lhe essa história, Ele dirigiu-se ao intérprete da lei com uma pergunta: “Qual desses três te parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?” Se ouvir cuidadosamente esta palavra, você perceberá que o Senhor estava dizendo ao intérprete que ele era aquele que caiu nas mãos dos salteadores.
Muitos hoje aplicam essa passagem incorretamente. Eles pensam que o Senhor Jesus quer que amemos nosso próximo como a nós mesmos. Nas escolas bíblicas, na escola dominical e nos cultos de domingo, todos dizem às pessoas que elas têm de ser um bom samaritano. Você tem de amar o próximo, mostrar misericórdia para com ele e ajudá-lo. Para eles, quem é o próximo? É aquele que foi agredido pelos salteadores. E quem somos nós? Somos o bom samaritano. Mas isso é exatamente o oposto do que o Senhor Jesus estava dizendo. O que o Senhor queria dizer era que nós somos os que foram agredidos pelos salteadores. Quem, então, é nosso próximo? Nosso próximo é o bom samaritano. Pensamos que somos o bom samaritano. Nós podemos mover-nos. Podemos andar. Quando vemos os subjugados pelo pecado, somos capazes de ajudá-los. Mas o Senhor Jesus disse que não somos o bom samaritano. Antes, precisamos do bom samaritano. Somos o homem ferido pelos salteadores na viagem. Somos os que estão à beira da morte. Não temos quaisquer boas obras. Quem é nosso próximo? Ele é o bom samaritano. Que é amar ao nosso próximo como a nós mesmos? Não é dito que devemos amar os outros como a nós mesmos. Significa que devemos amar o Salvador como a nós mesmos. Não significa que devemos primeiro amar os outros antes que possamos herdar a vida eterna. Antes, significa que se amarmos o Salvador, o Samaritano, certamente teremos vida eterna.
O problema hoje é que o homem continuamente pensa em obras. Quando lê Lucas 10, ele diz a si próprio: “Alguém está ferido. Alguém está morrendo. Se eu cuidar dele e amá-lo, serei um bom samaritano e terei vida eterna”. Pensamos que quando ajudamos os outros, herdaremos a vida eterna. Mas o Senhor Jesus disse que se você permitir que alguém ajude você, você terá vida eterna. Ninguém entre nós está qualificado a ser o bom samaritano. Graças ao Senhor, não temos de ser o bom samaritano. Já temos um bom samaritano. Este samaritano, que outrora nada tinha a ver conosco, agora veio. Ele morreu e resolveu o problema dos pecados. Agora ressuscitou e nos deu redenção. Ele está nos ajudando e nos introduzindo no céu, para que Deus possa nos aceitar e cuidar de nós.
Finalmente, temos o versículo 37: “Ele respondeu: O que usou de misericórdia para com ele”. Nesse momento, o intérprete respondeu corretamente. Ele respondeu que era o que usou de misericórdia para com ele. O que usa de misericórdia para comigo é meu próximo. Meu próximo é o samaritano que parou para derramar sobre meus ferimentos o óleo e o vinho, que me colocou sobre a montaria e me levou à hospedaria. Meu amigo, a questão toda não é ser o próximo de alguém. Antes, é aquele que usou de misericórdia para com você, tornar-se seu próximo.
O Senhor Jesus disse: “Vai, e faze tu de igual modo”. Essa palavra confunde muitas pessoas. Elas pensam que o Senhor estava nos dizendo para ajudar os outros. Mas o que esta palavra significa é que seu próximo é o bom samaritano. Portanto, você deve aceitá-Lo como seu Salvador. Uma vez que o seu próximo é o bom samaritano, você deve ser o que foi agredido pelos salteadores. Isso nos mostra que enquanto estávamos prostrados ali, Ele veio e nos salvou. Nunca diga que podemos fazer algo por nós mesmos. Nunca diga que temos o caminho. Ele está nos mostrando que devemos deixá-Lo fazer. Temos de deixá-Lo derramar óleo e vinho em nossas feridas. Temos de deixá-Lo curar nossos ferimentos. Temos de deixá-Lo colocar-nos sobre a montaria e levar-nos até a hospedaria. Temos de deixá-Lo fazer a obra de cuidar de nós. Temos de ser como aquele ferido. Não devemos ser como o samaritano. A maior falha humana é pensar que o homem deve fazer algo. O homem sempre quer ser seu próprio salvador. Ele sempre quer salvar os outros. Mas Deus não nos mandou ser o salvador. Deus diz que somos os que devem ser salvos.
Assim, a palavra do Senhor respondeu totalmente à pergunta do intérprete. Isso não significa que não se deve amar a Deus com todo o coração, toda a alma, toda a força e todo o entendimento. A questão é se é capaz ou não de fazer isso. Não, nós não podemos fazê-lo. Temos uma vida ferida. Realmente, nossa condição verdadeira é que estamos mortos. Nosso corpo está vivo, mas nosso espírito está morto. Precisamos da salvação. Não podemos ajudar a Deus. Nem podemos ajudar ao homem. Se pensamos que podemos fazer algo, não experimentaremos o perdão dos pecados. A obra da cruz e a obra do Espírito Santo não virão sobre nós.
Por isso, lembrem que Lucas 10:25-37 nunca nos diz que o homem é salvo por amar a Deus. Pelo contrário, é-nos dito que o samaritano compadeceu-se primeiro, antes que nós pudéssemos amar. É Ele quem ama primeiro, e então nós podemos amar. Antes que Ele nos ame, não podemos amar. É verdade que se algum homem não ama ao Senhor, ele é amaldiçoado. Podemos dizer isso. Em Lucas 7, o Senhor Jesus disse a Simão que a quem muito se perdoa, muito ama e a quem se perdoa pouco, pouco ama. O amor segue o perdão. Não é uma questão de que aquele que ama muito recebe muito perdão e aquele que ama pouco, recebe pouco. O quanto uma pessoa é perdoada, é o quanto ela ama. Um cristão ama ao Senhor porque Ele o salvou. Se você não consegue nem mesmo amar o Samaritano, então não sei o que dizer de você. Não há tal pessoa na terra. Não há uma pessoa na terra que não ame ao Senhor; todos devem amá-Lo ao menos um pouquinho. O Senhor disse que aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama. Não diz que não há amor. Todos O amam em maior ou menor extensão. Contudo, a condição da salvação não é nosso amor. Se fui salvo porque amo ao Senhor, então qualquer pessoa pode ver que isso não é confiável. Dentro de dois ou três dias posso mudar muitas vezes. Sou alguém que foi agredido por salteadores. Eu estou prostrado ali. Nada posso fazer. Estou em fase terminal. Não amo ao Senhor de todo o meu coração e não amo ao meu próximo. Mas agora permito a Ele que me salve. Depois que me salvou, eu posso amá-Lo. Nós O amamos porque Ele nos amou primeiro. É o amor de Deus em nós que produz o nosso amor por Ele. É totalmente impossível que nós por nós mesmos produzamos amor por Deus.

A SALVAÇÃO NÃO É PELO BATISMO

Agora temos de considerar outra questão. Algumas pessoas dizem que um homem não pode ser salvo sem ser batizado. Talvez alguns dentre nós não diríamos isso. Mas alguns que foram afetados pelo veneno da tradição do catolicismo romano podem estar cheios desse pensamento. Recentemente, alguns cooperadores e eu encontramos uns missionários ocidentais em Cantão. Todos eles davam muita atenção a essa questão do batismo. Há um determinado missionário em Hong Kong que é muito incisivo sobre essa questão. Eles certamente têm sua base nas Escrituras, que é Marcos 16:16: “Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado”. Alguns podem argumentar que isso significa que se um homem creu e não foi batizado, ele ainda não está salvo, porque esse versículo claramente diz que aquele que crer e for batizado será salvo.
Aqui gostaria de fazer uma pergunta. Que significa a salvação nessa passagem? É dito: “Quem crer e for batizado será salvo”. Mas a seguir é dito: “Quem, porém não crer, será condenado”. Nesse trecho, vemos que a salvação não deve referir-se meramente à libertação da condenação. Devemos ser cuidadosos nesse ponto. O Senhor diz que quem crer e for batizado será salvo. A frase correspondente deveria ser que aquele que não crer não será salvo. Mas é muito estranho que diz que quem não crer será condenado. Então a salvação na primeira citação não deve referir-se a não ser condenado na segunda citação. Temos de ver que não somente a salvação aqui se refere à salvação do homem diante de Deus, mas ela também se refere à salvação do homem diante dos homens. Diante de Deus, é uma questão de condenação ou não condenação. Diante dos homens, é uma questão de ser salvo ou não ser salvo. Diante de Deus, todo o que crê no Senhor Jesus não é condenado. Aquele que não crê, já está condenado. Essa é a palavra de João 3:18. Mas não se pode dizer que quem crer e é batizado não será condenado. Podemos dizer que quem crer e for batizado será salvo, mas não que aquele que crer e for batizado não será condenado. Isso é porque a condenação tem a ver com Deus. A salvação aqui nada tem a ver com Deus. A salvação tem a ver com o homem. Eis por que surge a questão do batismo. Ser condenado ou não é uma questão diante de Deus. Essa é a razão por que há somente a diferença entre crer e não crer. Ser salvo ou não, não é diante de Deus; é algo para o homem ver. Eis por que há a diferença entre batismo e não-batismo. Quando lemos a Bíblia, temos de tomar cuidado com essas diferenças. Tomaremos João 3 novamente como exemplo: O Senhor Jesus disse no versículo 5: “Se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus”. Assim, nos versículos 6 e 8, quando se menciona essa questão novamente, menciona-se apenas ser nascido do Espírito, sem mencionar ser nascido da água. A razão disso é que há dois lados para o reino de Deus. Um lado é espiritual e o outro lado é terreno. Espiritualmente falando, se um homem não nascer de novo, ele não pode entrar no reino de Deus. Isso é um fato. Mas há ainda o lado humano. Do lado humano, não existe apenas a necessidade de nascer do Espírito, mas há a necessidade de nascer da água também. A que o Espírito se assemelha? É-nos dito que o vento sopra onde quer. Podemos também dizer que o Espírito sopra onde quer. Na língua original, vento e Espírito são a mesma palavra. Ambos são pneuma. O Espírito sopra onde quer. Ninguém sabe de onde Ele vem nem para onde Ele vai. O homem não pode controlar o vento no céu. Quando ele vem, simplesmente vem. Quando ele vai, simplesmente vai. Muitas vezes nós só ouvimos o som do vento e sabemos que ele está aqui ou que já se foi. Não podemos controlar o vento no céu, mas podemos controlar a água no solo. Não tenho controle sobre o vento soprando em meu rosto. Mas posso determinar se quero entrar ou não na água. O vento sopra onde quer, mas a água vai para onde eu quero. Não posso ordenar ao Espírito nos céus que me introduza no reino. Mas posso dirigir-me para a água. Posso ter uma parte no reino de Deus na terra. Quando fui batizado, ninguém mais podia dizer que eu não pertencia ao Senhor. Eis por que o Senhor disse em Marcos 16 que quem crer e for batizado será salvo.
Qual é a diferença entre ser batizado e não entrar em condenação? Por favor, lembre-se de que a condenação é algo estritamente diante de Deus, mas a salvação é relativa; ela é algo diante de Deus e algo diante do homem também. Se estou condenado ou não é uma questão diante de Deus. Mas o fato de eu ser salvo ou não tem a ver com Deus e tem também a ver com o homem. A salvação é em relação a Deus e ao homem; a condenação é estritamente em relação a Deus. Uma vez que o homem creia, ele não será condenado diante de Deus. Aquele que não crê já está condenado. Os que estão em Cristo não serão condenados. Mas os que não crêem já estão condenados. Essa é a questão diante de Deus todo o tempo. Mas graças ao Senhor, a salvação é para com Deus e para com o homem também. Por um lado, temos de crer, a fim de que possamos ser salvos diante de Deus. Por outro lado, temos de ser batizados, para que possamos ser salvos diante do homem.
Se houver um homem hoje que continue a ser cristão secretamente, nós o reconheceríamos como cristão? Ele creu e não mais está condenado diante de Deus. Mas ninguém pode dizer que ele está salvo diante do homem. Diante de Deus, fomos libertados da condenação. Mas diante do homem temos de estar salvos. Se há uma pessoa que genuinamente creu na obra da cruz do Senhor, todavia nunca confessou com a boca nem mesmo foi batizada, os outros não saberão se ela é salva. Portanto, para ser salvo diante de Deus e sair da condenação diante de Deus há apenas uma condição, que é crer. Mas para ser salvo diante do homem há uma outra condição, que é ser batizado. Não estou dizendo aqui que o batismo não é necessário. Nós definitivamente precisamos ser batizados. O batismo tem a ver com nossa salvação. Mas essa salvação não é o que algumas pessoas pensam. Não é absolutamente uma questão de não estar sob condenação. Não diz que se não formos batizados seremos condenados. Antes, é dito que se você não crer será condenado. Diante de Deus não existe a questão do batismo; existe apenas a questão da fé. Uma vez que há fé, tudo está resolvido. O batismo não é para Deus. O batismo é para o homem. É um testemunho entre os homens, testificando da posição que alguém toma. Você é uma pessoa em Adão? ou é uma pessoa em Cristo? Esse fato é testificado pelo batismo.
Graças a Deus que o ladrão junto à cruz do Senhor foi para o paraíso. Naquela hora Pedro ainda não estava lá. Tampouco João ou Paulo. Logo após o Senhor ir ao paraíso, o ladrão O seguiu. Mas ele não foi batizado. Diante de Deus, todo aquele que invocar Seu nome, será salvo. Por que uma pessoa invoca Seu nome? Porque ela creu. Mas alguns na terra dirão que se tal pessoa é salva ou não é outra questão. Nos próximos capítulos desse livro, eu farei uma clara distinção para vocês. Parece que na Bíblia, justificação, perdão e sair de condenação são todos diante de Deus. Mas salvação é diante de Deus e diante do homem também. Se não estiver esclarecido sobre essas coisas, você criará muitos problemas. Na Bíblia, muitas passagens se referem ao que acontece diante do homem. Muitas outras passagens se referem ao que acontece diante de Deus. Se confundirmos as duas, cairemos em erro.
Eu disse que o batismo se refere ao homem sair de Adão e entrar em Cristo. De um lado está Adão. Do outro está Cristo. Temos de sair de Adão e entrar em Cristo. Como saímos? Éramos uma parte de Adão. Como podemos agora sair de Adão e entrar em Cristo? Deixem-me primeiro fazer uma pergunta: Como nós entramos em Adão? Se eu perguntar como podemos sair de Adão, alguns dirão que não sabem. Por isso pergunto como nós entramos em Adão. O caminho pelo qual entramos será o caminho para sairmos. Como nós entramos em Adão? O Senhor Jesus disse em João 3:6 que aquele que é nascido da carne é carne. Como me tornei uma parte de Adão? Eu nasci nele. Agora que você sabe como entrou, saberá como pode sair. Se você entrou pelo nascimento, você tem de sair pela morte. Isso é evidente. Mas como morremos? Deus nos crucificou quando o Senhor Jesus foi crucificado na cruz. Portanto, em Cristo nós morremos para Adão. Como, então, entramos em Cristo? O Senhor continua dizendo que aquele que é nascido do Espírito é espírito. Eu entro em Cristo também pelo nascimento. Pedro disse que fomos regenerados mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos (1 Pe 1:3). Então, foi Sua ressurreição que nos regenerou. Aqui vemos duas coisas: pela morte do Senhor, fomos libertados da família de Adão. Mediante a ressurreição, entramos em Cristo. Pela morte, fomos libertados do primeiro Adão. Mediante a ressurreição, fomos introduzidos no segundo homem. Tudo isso foi cumprido pelo Senhor Jesus. Ele morreu na cruz. Como resultado, também morremos. Ele ressuscitou. Como resultado, fomos introduzidos na nova criação.
A morte aqui é espiritual e a ressurreição também é espiritual. Mas nosso batismo é físico. Que é, então, o batismo? O batismo é nosso agir exterior. Por meio dos Seus servos, Seus apóstolos, o Senhor Jesus nos falou sobre Sua obra: Quando Ele morreu na cruz, também fomos incluídos em Sua morte. Que deveríamos fazer após ter ouvido isso? Falando de acordo com a história, isso aconteceu há dois mil anos. Já fomos crucificados há dois mil anos na cruz do Senhor Jesus. Sua palavra agora é pregada a nós. Ela nos diz que morremos. Que, então, devemos fazer agora? Certa vez fiz essa pergunta a uma mulher numa pequena vila. Ela respondeu: “Se o Senhor Jesus crucificou-me, então preciso comprar um caixão”. Está totalmente correto! O Senhor Jesus crucificou-me. Por que eu não compraria um caixão? Uma vez que Ele me crucificou devo apressar-me para ser enterrado. O batismo é a minha solicitação para ser sepultado na água porque já fui crucificado pelo Senhor. O batismo é uma resposta à crucificação que Deus realizou em nós. Deus pregou-lhe o evangelho e lhe disse que você está morto. Sua resposta é que, já que você foi crucificado, você encontrará alguém para sepultá-lo. Portanto, o batismo significa que já estamos mortos em Adão, e que outros estão me sepultando. Agora estamos na base de ressurreição. Portanto, a morte é a nossa saída de Adão, e a ressurreição é a nossa entrada em Cristo. O batismo é o nosso sepultamento. A morte é a terminação de Adão e a ressurreição é o novo começo em Cristo. O batismo é a ponte entre esses dois lados. É pelo batismo que passamos da morte para a ressurreição.
Meu amigo, o Senhor Jesus já realizou tudo. Nenhuma condição é exigida para que sejamos salvos. Tudo o que temos de fazer é simplesmente crer. Crer é receber. Preciso apenas receber porque o Senhor já fez tudo. Já não tenho de fazer mais nada. O batismo é por meio da fé. É uma ação exterior. Deixe-me perguntar-lhe: Se não há um enredo, como podemos representar? Primeiramente temos um enredo e, então, uma peça ou temos a peça primeiro e depois o enredo? Todas as peças de teatro existem porque já havia um enredo. É por já existir o fato espiritual diante de Deus que podemos exteriorizá-lo por meio do batismo.
Que o Senhor seja benévolo para conosco e nos mostre que nada pode tornar-se a condição para a salvação. O batismo não tem absolutamente nada a ver com nossa salvação ou condenação diante de Deus. Saímos da condenação diante de Deus por meio da fé. Nossa ação no batismo é somente para nossa salvação diante dos homens. Que o Senhor seja benigno para conosco e nos dê clareza a respeito da nossa salvação!

Capítulo Catorze

O Caminho da Salvação — Fé

A Salvação de Deus é Para Todos Mediante a Fé

Nos últimos cinco capítulos deste livro, vimos as coisas que o homem considera como o caminho da salvação. Se não distorcermos a palavra de Deus, mas nela confiarmos, veremos que nada dessas coisas é condição para a salvação. Como já mencionamos, de acordo com a Bíblia, há somente uma condição para a salvação: fé. Ao todo, as palavras fé e crer ocorrem na Bíblia cerca de quinhentas vezes. Entre esses muitos versículos, mais de cem deles nos dizem que a salvação é pelo crer, que justificação é pelo crer e que receber vida é pelo crer. Em mais de trinta passagens, é-nos dito que pela fé recebemos de Deus isto ou aquilo. Essas passagens nos mostram que o homem é agraciado por Deus por meio da fé e nada mais.
Por que a Bíblia enfatiza sobremaneira a fé? Consideraremos agora por que a fé tem de ser o caminho para a salvação, mas devemos primeiro fazer uma pergunta: A salvação é obra de Deus ou do homem? Ela é plano do homem ou plano de Deus? Origina-se no homem ou em Deus? Os que não conhecem a Deus não conhecem a salvação. Somente os que conhecem a Deus conhecem a salvação de Deus. Os que conhecem a Deus devem admitir que foi Deus que iniciou a salvação. Foi Deus que a planejou e cumpriu esse plano. Como mencionamos antes, todas as coisas são feitas por Deus. Do nosso lado, nada temos a fazer, exceto crer.
Por que temos de crer? Porque a redenção foi cumprida por Cristo. Deus torna o método da salvação tão simples para que todos possam obtê-la. Eis por que Ele exige somente fé. Se a salvação vem de Deus, é necessário que seja universal. Se a salvação de Deus fosse apenas para determinado grupo de pessoas, Deus seria parcial. Se o caminho da salvação de Deus exigisse algo de nós, "esse algo" se tornaria um obstáculo para a nossa salvação. Se houvesse a simples exigência de que o homem teria de esperar cinco minutos antes de ser salvo, até isso diminuiria grandemente o número de salvos no mundo. Muitas pessoas não têm nem mesmo cinco minutos para esperar. Deus não poderia exigir sequer justiça perfeita. Se Ele exigisse justiça em apenas uma coisa talvez você pudesse cumprir essa justiça, mas centenas de milhares de pessoas na terra poderiam não ser capazes de fazê-lo. Se esse fosse o caso, a salvação não seria tão simples.
Nos Estados Unidos, houve um famoso pregador chamado Dr. Jowett. Ele tinha um cooperador chamado Sr. Barry. O Sr. Barry era pastor numa igreja, mas ele mesmo ainda não tinha sido salvo. Uma noite, alguém tocou a campainha de sua igreja. Após tocar por longo tempo, o Sr. Barry, relutantemente, colocou seu roupão e foi ver quem era. À porta estava uma jovem, inadequadamente vestida. Quando ele perguntou bruscamente o que queria, ela respondeu: “O senhor é o pastor?” Ao admitir que era, a jovem disse: “Preciso de ajuda para que minha mãe entre”. Ele pensou que uma menina vestida daquele modo deveria ter um lar terrível. Pensou ele: " Talvez a mãe esteja bêbada e ela precisa ajudá-la a voltar para casa". Ele disse à menina para chamar a polícia, mas ela insistiu que ele fosse. Tentou de tudo para demovê-la da idéia e disse-lhe para ir até o pastor da igreja mais próxima. Mas a menina disse: “Sua igreja é a igreja mais próxima”. Então ele falou: “É muito tarde agora. Volte pela manhã”. Ela insistiu mais uma vez. O Sr. Barry pensou um instante. Ele era pastor de uma igreja com mais de mil e duzentos membros. Que pensaria um deles se o visse caminhando com uma menina vestida daquela maneira no meio da noite? Mas a jovem insistiu e disse que se ele não fosse, ela não iria embora. Finalmente, ele cedeu e foi trocar-se. O Sr. Barry disse mais tarde ao Dr. Jowett que enquanto caminhava para a casa da jovem, ele cobriu seu rosto com o chapéu e levantou a gola do sobretudo para que os outros não pudessem vê-lo. O lugar para onde eles foram não era muito bom. Ao parar diante da casa, ele viu que não era um lugar decente. Então perguntou à menina: “Por que você quer que eu entre neste lugar?” Ela respondeu: “Minha mãe está muito doente. Ela está em grande perigo. Ela disse que quer entrar no reino de Deus. Por favor, faça-a entrar”. O Sr. Barry não pôde fazer coisa alguma senão entrar na casa. A menina e sua mãe moravam num quarto muito pequeno e sujo. O lar era muito pobre. Quando a mulher doente o viu entrando, gritou: “Por favor, ajude-me a entrar. Não consigo entrar”. Ele pensou um instante e quis saber o que deveria fazer. Ele era pastor e pregador, e eis uma mulher que estava morrendo. Ela queria entrar no reino de Deus; queria aprender como fazê-lo. Que poderia ele fazer? Ele não sabia o que fazer. Então falou a ela do mesmo modo como falava à sua congregação. Começou a dizer-lhe que Jesus foi um homem perfeito, que Ele foi nosso modelo, que Ele se sacrificou, que Ele manifestou tal benevolência e que Jesus estava em toda parte para ajudar as pessoas. Se os homens seguirem Seus passos para se sacrificar, amar e ajudar os outros, e servir a sociedade, eles elevarão sua humanidade e a humanidade dos outros. O Sr. Barry estava falando com ela de olhos fechados. Quando terminou, ela ficou furiosa. Ela gritou: “Não, não! Não é isso o que eu quero que você fale”. Suas lágrimas começaram a cair. Ela disse: “Esta é minha última noite na terra. Agora é a hora de eu resolver a questão sobre a perdição eterna ou a entrada no reino de Deus. Esta é minha última oportunidade. Não tente distrair-me ou brincar comigo. Pequei a minha vida toda. E não apenas pequei como também ensinei minha filha a pecar. Agora estou morrendo. Que posso fazer? Não brinque comigo. Em toda minha vida, nada fiz além de pecar. Tudo o que fiz foi sujo. Eu nunca soube o significado de ser moral; nunca soube o que é ser limpa. Nunca soube o que é ter uma consciência. Agora você está falando a uma pecadora tal como eu, no estado em que me encontro esta noite, para tomar Jesus como meu modelo! Quanta coisa eu teria de fazer antes de poder tomar Jesus como meu modelo! Você me disse para seguir os passos de Jesus. Mas quanto eu teria de fazer antes de seguir Seus passos! Não brinque comigo nesta hora tão crucial para minha eternidade. Apenas me diga como posso entrar no reino de Deus. O que falou não funciona para mim. Eu não posso fazer nada disso”. O Sr. Barry foi pego de surpresa. Ele pensou: “Estas são as coisas que aprendi no seminário. Eu as estudei para o meu doutorado em teologia. Tenho pregado sobre elas nos últimos dezessete ou dezoito anos. E estas são as coisas que li da Bíblia. Mas há uma mulher nesta noite que quer entrar e não consigo ajudá-la”. Então ele falou: “Para dizer-lhe a verdade, não sei como entrar. Apenas sei que Jesus foi um bom homem, que devemos imitá-Lo, que Ele foi benevolente, e que se sacrificou para ajudar outros. Tudo o que sei é que se um homem tomar Jesus como seu exemplo e andar como Ele andou, ele será um cristão”. Em lágrimas, a mulher disse: “Você não pode fazer nada por uma mulher que pecou por toda a vida para ajudá-la a entrar no reino de Deus na última hora? Isso é tudo o que pode fazer para ajudar uma mulher que está morrendo a entrar no reino de Deus e que não terá amanhã e que não terá uma segunda oportunidade?” O Sr. Barry ficou chocado. Ele nada mais tinha a dizer. Ele pensou: “Sou um servo de Cristo. Sou doutor em teologia. Sou pastor de uma igreja com mil e duzentos membros. Mas aqui está uma mulher em seu leito de morte e não posso ajudá-la em nada. Ela até pensa que estou brincando com ela”. Então o Sr. Barry lembrou-se de algo que tinha ouvido de sua mãe, quando ele tinha sete anos e estava sentado em seu colo. Ela lhe disse que Jesus de Nazaré é o Filho de Deus, que foi crucificado, e que Ele derramou Seu sangue para nos limpar dos nossos pecados. Jesus de Nazaré morreu por nossos pecados na cruz e se tornou o sacrifício propiciatório. Ele lembrou-se dessas palavras. Ele tinha negligenciado tais palavras por toda a sua vida, mas nesse dia elas voltaram para ele. Assim, ele se levantou e disse: “Sim, tenho algo para você. Você não tem de fazer coisa alguma, pois Deus já fez tudo em Seu Filho. Ele lidou com os nossos pecados em Seu Filho. O Filho de Deus levou todos os nossos pecados. O que cobra o pagamento tornou-se O que paga. O que foi ofendido tornou-se O que sofreu pela ofensa. O Juiz tornou-se o réu”. Com essas palavras, o rosto da mulher mostrou sinais de alegria. Ele continuou a dizer-lhe tudo o que sua mãe lhe havia dito. Então, repentinamente, a face da mulher mudou da alegria para as lágrimas e ela gritou: “Por que você não me disse isso mais cedo? Que devo eu fazer agora?” Então ele disse que ela precisava apenas crer e receber. Com isso, a mulher morreu. Mais tarde, o Sr. Barry disse ao Dr. Jowett que naquela noite a mulher entrou, e ele também entrou.
Fui tocado muitas vezes em meu coração por essa história. Se há salvação, ela deve estar disponível a qualquer pessoa. Se você disser que deve ser batizado antes de ser salvo, então o ladrão na cruz não foi salvo, porque ele não foi batizado. Se você disser que alguém não pode ser salvo sem fazer restituição, então o ladrão na cruz não pôde ser salvo, porque suas mãos e pés estavam pregados na cruz. Não estou dizendo que não devemos ser batizados ou fazer restituição. Mas a condição para ser salvo não é restituição, batismo, confissão ou arrependimento. Arrepender-se nada mais é que uma mudança de visão sobre algo do passado. Se fosse uma questão de lei ou de obra, quem poderia cumpri-las? Essa mulher é o melhor exemplo da salvação de Deus extensiva a todos.

Crer na Morte e na Ressurreição do Senhor

A única condição para a salvação de Deus é a fé. Fé é dizer que você deseja e anela a salvação de Deus. Que é a fé sobre a qual a Bíblia fala? Primeiro, Deus cumpriu a redenção por meio da morte de Seu Filho Jesus Cristo na cruz. Sua obra na cruz foi completa. Por que foi completa? Eu não sei por quê. Nem você sabe. Somente Deus sabe. Como pode o sangue do Senhor Jesus redimir-nos de nossos pecados? Por que a redenção do Senhor Jesus é eficaz? Não precisamos fazer essas perguntas. Essas questões são para Deus. A obra do Senhor na cruz foi cumprida e o coração de Deus está satisfeito.
A cruz do Senhor Jesus não é para satisfazer nosso coração. Ela é para satisfazer o coração de Deus. A quitação do débito satisfaz o coração do credor ou do devedor? Se Deus sente que algo é suficiente para Ele, nós também devemos sentir que é suficiente. Deus é justo. Se Ele diz que a obra do Senhor é capaz de redimir-nos do pecado, ela certamente é capaz de redimir-nos. É irrelevante você pensar que tal obra é suficiente ou não. O que importa é que Deus acha que tal obra é suficiente. A questão não é apenas se o valor foi pago ou não. O que importa é se o credor considera o valor pago ou não. Se o valor pago satisfizer o coração dele, você não terá problemas. Gostaria de poder repetir isso uma centena de vezes. A obra do Senhor Jesus não é para satisfazer nosso coração. A obra do Senhor é primeiramente para satisfazer o coração de Deus. É Deus que ordena o julgamento dos pecados. É Deus que exige que os pecados sejam tratados. Foi Deus que disse que sem sangue não há remissão de pecados. Se Deus fosse indiferente, o sangue seria desnecessário. O sangue está ali porque Deus se preocupa com isso. Se Deus fosse indiferente, a cruz seria desnecessária. Existe a necessidade da cruz porque Deus é justo.
O Senhor cumpriu toda a obra na cruz. Então, Deus O ressuscitou dentre os mortos. A ressurreição do Senhor Jesus é a prova de que Deus ficou satisfeito com a obra do Senhor na cruz. Embora não entendamos como a cruz satisfez o coração de Deus, sabemos que Jesus de Nazaré foi ressuscitado da sepultura. Foi a morte de Jesus de Nazaré que os apóstolos pregaram por todo o mundo? Você ouviu tal evangelho? Nunca ouvi tal evangelho. Eu os vejo indo a todo o mundo para dizer aos outros que Jesus de Nazaré ressuscitou. Se ler o livro de Atos, você verá que os apóstolos não pregaram a morte de Jesus pelos nossos pecados. O que eles contavam às pessoas em todos os lugares é que este Homem ressuscitou. Eles pregaram isso porque o fato de o Senhor ter ressuscitado prova que Sua morte glorificou a Deus. O Senhor Jesus foi ressuscitado porque a Sua obra fora aceita diante de Deus. Sua redenção é completa e nós agora podemos ser salvos. Se a obra do Senhor não tivesse sido completada, Ele teria sido deixado na sepultura. Assim, a ressurreição nada mais é que o Senhor Jesus satisfazendo o coração de Deus. O Senhor Jesus ressuscitou dentre os mortos. Os apóstolos pregam isso a nós como prova de nossa fé, conclamando-nos a crer no Senhor Jesus. Por um lado, a salvação tem a ver com a morte do Senhor. Por outro, ela tem a ver com a ressurreição do Senhor. Sua morte é para quitar nosso débito e perdoar nossos pecados. Por meio desta morte, o problema de nossos pecados foi resolvido. Sua ressurreição é a prova de que Sua morte satisfez o coração de Deus. Deus considera Sua obra justa e adequada.
Usei uma ilustração anteriormente e usarei novamente por causa das muitas pessoas que estão conosco. Se eu pecasse, deveria ir para a cadeia. Mas suponham que um amigo meu se ofereça para ir em meu lugar. Pelo fato de ele ir para a cadeia, eu estou livre. Mas enquanto ele não estiver em liberdade não saberei se meu caso está resolvido. Somente depois, meu coração estará livre. Meu corpo está livre porque o dele está aprisionado. Mas meu coração só estará livre depois que meu amigo for solto. Até o caso terminar, meu coração ainda estará aprisionado. Se meu amigo ainda está na cadeia, eu não sei se estou livre de minha punição ou se ainda serei procurado. Quando ele sair da prisão, saberei que o caso está resolvido. Da mesma forma, assim que o Senhor Jesus morreu, o problema do meu pecado foi resolvido. Mas o Senhor Jesus tinha de ressuscitar antes que eu pudesse saber que o problema do pecado foi resolvido. Ele foi entregue por nossas transgressões e ressuscitou para nossa justificação. Ele ressuscitou para que o problema da nossa justificação fosse resolvido. Podemos ir a todo o mundo e dizer a todas as pessoas que a obra de Deus foi cumprida por meio da morte de Seu Filho Jesus Cristo. Ao mesmo tempo, podemos dizer aos outros que por meio da ressurreição do Senhor, Deus nos deu um recibo e uma prova. Isso nos declara que a tarefa foi cumprida. Hoje nós não cremos somente na cruz; cremos também na ressurreição.
Você pode achar um versículo na Bíblia que diga ao homem para crer na cruz? É muito curioso que sempre nos seja dito para crer na ressurreição. Se encontrar um cristão nominal hoje que tenha sido membro de uma igreja por dez, vinte ou trinta anos e conversar um pouco com ele, você perceberá que há grande diferença entre crer na cruz e crer na ressurreição. Encontrei um membro de uma denominação que tinha sido presbítero por trinta e oito anos, e “cristão” por cinqüenta ou sessenta anos. Quando lhe perguntei se cria no Senhor Jesus, ele disse-me que sim. Mas quando lhe perguntei se ele sabia se seus pecados haviam sido perdoados, ele não ousou dizer que sim. Então lhe perguntei se Jesus era seu Salvador e ele disse que sim. Mas ao perguntar-lhe se era salvo, ele disse que não sabia. Quando eu lhe perguntei se acreditava que o Senhor Jesus tinha sido julgado na cruz pelos nossos pecados, ele prontamente disse sim. Não somente a Bíblia diz isso, até nosso hinário o diz. Diz que milhares de touros e bodes no altar judeu não nos perdoarão de nossos pecados, mas o sacrifício único do Senhor nos limpa de todos os nossos pecados. Quando perguntei a esse homem se ele estava limpo de seus pecados, ele disse-me que a crucificação do Senhor foi por seus pecados, mas não ousava dizer que seus pecados tinham sido purificados. Não posso culpá-lo por não ter clareza quanto a isso. É verdade que o Senhor Jesus morreu na cruz. Mas como alguém pode saber que essa cruz tem valor? Ele crê na cruz, mas como ele sabe que a cruz resolveu todos os seus problemas e encerrou o caso? Embora a solução do pecado tenha acontecido na cruz, o que nos esclarece acerca disso é a ressurreição. Se você pagar um valor a alguém, como sabe que a quantia paga é suficiente e que as cédulas são genuínas? E se as notas forem falsas? Somente uma coisa lhe assegurará que o valor foi inteiramente pago: um recibo de seu credor dizendo que o valor foi pago integralmente. Quando você paga, o credor salda sua dívida, e você sabe que a questão está resolvida. Do mesmo modo, a morte do Senhor Jesus fala sobre o que Ele fez para Deus, enquanto Sua ressurreição fala sobre o que Deus fez por nós. A morte é a solução entre Ele e Deus, mas a ressurreição é o aviso a nós sobre a solução entre Deus e Seu Filho. Deus disse que o débito foi quitado. Se você crer que a morte do Senhor é para os seus pecados, a ressurreição do Senhor então deixará claro que o registro do pecado foi apagado. Muitos dizem que temos de resolver nossa conta de pecado, e que se isso não for solucionado, não podemos ser salvos. Graças ao Senhor que minha dívida de pecado foi solucionada antes de eu ter nascido. Até o recibo foi assinado. A morte do Senhor Jesus foi a quitação do débito, e a ressurreição do Senhor Jesus foi a prova desta quitação. A ressurreição é a prova da justificação. Fomos justificados porque Deus foi benévolo para conosco e redimiu-nos do pecado. A morte do Senhor Jesus foi a solução para o pecado. A ressurreição do Senhor Jesus foi a prova da justificação. Assim, nossa fé se baseia na ressurreição do Senhor Jesus.
Isso não foi tudo o que a ressurreição cumpriu. Se pensamos que foi, estamos errados. Esse é apenas o aspecto objetivo da ressurreição. Há ainda o aspecto subjetivo. Falando objetivamente, a ressurreição do Senhor tornou-se a prova de nossa salvação. Se alguém me perguntasse como sei que fui salvo, eu lhe diria que tenho a prova. Essa prova garante que estou salvo. Você pode dizer que foi salvo numa certa data em um determinado ano, porque foi quando recebeu o Senhor. Então lhe perguntaria como você sabe que isso é suficiente. Pode dizer que confessou seus pecados naquele dia, mas como sabe que a confissão foi suficiente? Você pode dizer que chorou por seus pecados naquele dia, mas como sabe que suas lágrimas o limparam de seus pecados? Pode dizer que se arrependeu, confessou seus pecados e aceitou o Senhor Jesus, mas como sabe que esse arrependimento, confissão e receber o Senhor foram suficientes? Se me perguntasse, eu lhe responderia que realmente fui salvo por causa da morte do Senhor, mas sei que fui salvo por causa da ressurreição do Senhor. Meu amigo, você deve diferenciar uma coisa da outra. Fui salvo por causa da morte do Senhor, mas tenho a segurança e o pleno conhecimento de que fui salvo por causa da ressurreição do Senhor. Quando entrego o dinheiro, quito meu débito. Sei que quitei o débito porque tenho um recibo. Graças a Deus pois Ele nos deu uma prova e um recibo. Seu Filho pagou o débito por todos os nossos pecados na cruz, e por meio da Sua ressurreição, Ele nos avisou que a questão foi totalmente resolvida. Assim, toda a obra do Senhor foi cumprida.
Se houver alguém que ainda duvida de sua salvação, eu preciso perguntar-lhe apenas em que ele crê e o que recebeu. Não é suficiente uma pessoa somente crer na cruz e receber a redenção do Senhor na cruz. Ela também deve crer em Sua ressurreição. A ressurreição do Senhor Jesus é a mensagem de Deus a nós. Ela mostra-nos que Deus aceitou a obra do Senhor. Graças a Deus que a cruz satisfez Seu coração. Eis por que há a ressurreição. Assim, o fundamento da nossa fé é a morte de Cristo, mas nossa fé também está baseada na prova da ressurreição. A morte é Sua obra de redenção por nós. A ressurreição é a prova de Ele nos ter redimido. Notem que aqui eu disse “ter redimido”. A morte é Sua obra de redenção por nós, e a ressurreição é a prova de Ele nos ter redimido.

Receber a Obra do Senhor Mediante a Fé na Palavra de Deus

A obra do Senhor agora está completa. Sua morte aconteceu e Sua ressurreição também aconteceu. Que ocorre em seguida? A Bíblia mostra claramente que Deus pôs toda a obra de Seu Filho em Sua palavra. Que é a Bíblia e que é a Palavra de Deus? Muitas vezes gosto de pensar na Palavra de Deus como o recurso de Deus para Sua obra. Deus põe toda Sua obra em Sua Palavra. Se Deus estivesse entre nós hoje e quisesse mostrar a obra de Seu Filho e a prova dessa obra, como Ele o faria? Ele pôs a obra da cruz de Seu Filho em Sua Palavra. Ele também pôs a obra da ressurreição de Seu Filho em Sua Palavra. Hoje Deus nos transmite todas essas coisas por meio de Sua Palavra. Quando recebemos Sua Palavra, recebemos a prova de Sua obra. Por trás da Palavra estão os fatos. Se não houvesse fato atrás das palavras, as palavras seriam vazias. Por trás das palavras certamente estão os fatos.
No inverno, todos, tanto homens como mulheres, usam luvas. A Palavra de Deus é a luva de Deus. Todas as Suas obras estão contidas nela. Um dia, encontrei uma missionária ocidental que não sabia o que era crer na Palavra de Deus. Ela pensava que tudo o que precisava fazer era crer em Deus, em Seu Filho Jesus Cristo e na obra de Deus. Disse-lhe que sem a Palavra de Deus, não há como crer em Deus, em Seu Filho Jesus Cristo e na obra de Deus. Uma vez que creiamos na Palavra de Deus, todos esses itens se tornam eficazes para nós. Após duas horas de conversa, eu ainda não havia conseguido convencê-la. Mais tarde, quando estava para sair, ela vestiu um par de luvas de couro de veado. Estava pronta para tirar as luvas e se despedir de mim. Eu disse: “Você não tem de tirá-las. Posso apertar sua mão com as luvas”. Para ela, isso era muito descortês. Talvez considerasse que eu era chinês e que não conhecia as boas maneiras. Quando lhe apertei a mão, perguntei: “Que estou segurando agora, a mão ou a luva?” Imediatamente, ela entendeu o que eu queria dizer. Disse-lhe que a mão estava na luva. Quando eu apertava a luva, estava apertando a mão. Apertei a luva porque ela estava na mão. Isso é como a Palavra de Deus. Deus colocou a Si mesmo e toda a obra da cruz de Seu Filho em Sua Palavra. Quando você transmite a Palavra de Deus, está transmitindo Deus em Sua Palavra, mais toda a obra de Seu Filho. Quando partiu, disse-me que todas as outras coisas que havia ouvido eram inúteis. Essa única palavra deu-lhe clareza.
Hoje pregamos aos outros a obra do Filho de Deus e o testemunho de Sua ressurreição. Contudo, é por meio de Sua Palavra que pregamos essas coisas. Se um homem recebe a Palavra de Deus, ele recebe a obra de Deus e a graça de Deus. A Palavra de Deus é preciosa porque nela há a substância. De que valem as luvas se estiverem vazias? Mesmo se você apertá-las todos os dias, é inútil. Elas somente são úteis quando as mãos estão dentro dela. Sem o Senhor Jesus, a Palavra de Deus é letra morta. Sem o Senhor Jesus, eu, com certeza, queimaria este livro.
Então, que é fé? Não é nada além do que receber o testemunho de Deus acerca da obra de Seu Filho. Deus colocou a obra de Seu Filho na Palavra e comunicou essa Palavra a nós. Quando cremos em Sua Palavra, estamos crendo Nele. A Primeira Epístola de João 5:9 diz: “Se admitimos o testemunho dos homens, o testemunho de Deus é maior”. Qual é a característica do testemunho de Deus? “Este é o testemunho de Deus, que ele dá acerca do Seu Filho”. A Palavra de Deus é com respeito ao Seu Filho. Vamos ler o versículo 10: “Aquele que crê no Filho de Deus tem, em si, o testemunho. Aquele que não dá crédito a Deus o faz mentiroso”. Percebamos a frase seguinte: “Porque não crê no testemunho que Deus dá acerca do seu Filho”. Que é não crer em Deus? É não crer no testemunho que Deus dá acerca do Seu Filho. Que é crer em Deus? É crer nas palavras que Deus falou, no testemunho que Ele deu a respeito de Seu Filho. Portanto, crer em Deus nada é senão crer no testemunho de Deus. Vimos o que Deus fez por nós, que problemas Ele resolveu por meio de Seu Filho e que prova Ele nos deu. Deus nos falou Sua Palavra. Que devemos fazer agora? Devemos crer Nele, isto é, devemos receber o testemunho que Ele tem a respeito de Seu Filho. Se você ainda não foi salvo, alguém já deve ter-lhe dito que você deve crer. Mas em que deve crer? Você não deve crer em um Cristo que está assentado no céu. Isso é muito longe. Tudo o que tem de fazer é crer nesse livro. Isso é bastante próximo. A mão de Deus já está na luva. A luva é a Palavra de Deus. Quando você crê na Palavra de Deus, está crendo no Filho de Deus. Quando crê nas palavras da Bíblia, você está recebendo todas as coisas na Palavra. George Müller pode ser considerado um dos homens de maior fé nos últimos cento e oitenta anos. Quando os outros lhe perguntavam o que era fé, ele respondia que fé é quando Deus diz algo e eu digo o mesmo. Fé é crer na Palavra de Deus. É crer em Deus por meio de Sua Palavra.

O Espírito Santo Comunica a Obra de Deus a Nós

Há outra questão relacionada com a fé na Palavra de Deus. Como pode a obra de Deus tornar-se nossa? A chave para isso é o Espírito Santo. O Espírito Santo veio. O Espírito Santo é o guardião da Palavra de Deus. A Palavra de Deus é viva porque o Espírito Santo é o guardião dela. Deus colocou todas as Suas obras em Sua Palavra. O Espírito Santo está guardando-a vigilantemente. Sempre que um homem recebe a Palavra de Deus pela fé, o Espírito Santo vem e aplica todos os feitos de Deus nele. Aqui vemos como é completa a obra do Deus Triúno. Foi Deus que nos amou e propôs a obra da redenção. Foi o Filho que cumpriu a obra da redenção. Foi Deus que colocou a obra do Filho na Palavra, e é Deus que nos comunica por intermédio do Espírito Santo todas as obras do Filho contidas na Palavra. O maior problema do homem e também sua maior tolice é confundir-se sobre a condição para o agir do Espírito Santo. O homem pensa que se ele se arrepender, Deus operará, ou se ele for batizado, Deus operará, ou se ele confessar seus pecados ou fizer boas obras, Deus operará. Mas não existe tal coisa. A Bíblia nos diz claramente que apenas o Espírito Santo pode transmitir a obra do Senhor a nós. A característica do agir do Espírito Santo é comunhão. Após o Senhor Jesus cumprir toda a Sua obra, o Espírito Santo veio e transmitiu essa obra a nós. Se houvesse apenas a obra consumada do Senhor Jesus sem a obra de comunhão do Espírito Santo, ela nos seria inútil. Sem o Espírito Santo, o homem não pode ser salvo. Sem o Pai, o homem não pode ser salvo. Sem o Filho, o homem não pode ser salvo. Da mesma forma, sem o Espírito Santo, o homem não pode ser salvo. Embora haja a obra do Pai e do Filho, ainda há a necessidade de o Espírito Santo transmitir esses feitos a nós e levar as questões objetivas a se tornarem subjetivas.
A questão agora é o que devemos fazer a fim de que o Espírito Santo opere em nós. A Bíblia mostra-nos claramente que há apenas uma condição para o Espírito Santo operar — fé. Recebemos o Espírito Santo pelas obras da lei ou por fé? É por fé. Isso é o que Paulo nos disse no livro de Gálatas. Quando cremos na Palavra de Deus, o Espírito Santo aplica essa palavra a nós. Eis por que eu disse que o Espírito Santo é o guardião da Palavra de Deus.
Se algum leitor deste livro ainda não foi salvo, espero que abra o coração para receber o testemunho de Deus. Você não tem de se preocupar sobre o que o Senhor Jesus é. Não tem de se preocupar sobre o que Deus é. O que diz respeito a você diretamente é a Palavra de Deus. Se tiver um relacionamento adequado com a Palavra de Deus, o Espírito Santo lhe transmitirá todos os feitos de Deus e do Senhor Jesus. Se você abrir seu coração e invocá-Lo, como o publicano que orou para que Deus fosse misericordioso para com ele, ou em tradução mais precisa, ser favorável a ele, você será justificado. Uma vez que abrir seu coração para invocá-Lo, o Espírito Santo transmitirá a obra de Deus a você. Essa é a obra do Espírito Santo.
Estou falando somente das coisas iniciais da salvação. Realmente, todos os feitos do Espírito Santo seguem esse princípio. Sempre que você for a Deus para receber Sua Palavra, o Espírito Santo tornará viva essa Palavra. Pode parecer que você recebe coisas mortas, mas quando o Espírito Santo vem, Ele as torna vivas em você. Não tente cumprir qualquer coisa por si mesmo. Não pense que o Espírito Santo ignora sua fé na Palavra de Deus. Não, assim que você crê, Ele começa a agir imediatamente. Nada há que Ele não saiba. Essa é a obra do Espírito Santo na redenção. O Deus Triúno cumpriu toda a obra de salvação para que sejamos salvos.



TODO AQUELE QUE INVOCAR O NOME DO SENHOR SERÁ SALVO

Vamos ler Romanos 10:13: “Todo aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo”. O assunto de Romanos 10 é que Deus levou o Senhor Jesus a morrer e ressuscitar por nós. Nos poucos versículos anteriores a esse, Deus pergunta se há alguém que possa trazer a Cristo do céu para morrer por nós e se há alguém que possa descer ao abismo para ressuscitar a Cristo por nós (vs. 6-7). Não existe tal pessoa. Tal obra somente pode ser feita por Deus. Foi o próprio Deus quem levou Cristo a morrer por nós. Foi também Deus quem O ressuscitou por nós. Assim, todo aquele que hoje reconhecer que Jesus ressuscitou, que Ele é o Senhor e invocar o Seu nome, é salvo.
O homem carnal pode perguntar: Como isso ocorre tão rapidamente? É verdade que a obra de Cristo foi cumprida, mas por que eu seria salvo apenas crendo? Como pode a obra do Senhor na morte, ressurreição e ascensão ser aplicada a mim tão rapidamente? Atos 2 é uma explicação adicional a esse respeito. O versículo 17 diz: “E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne”. Devemos lembrar-nos de que desde a morte do Cordeiro, estamos vivendo nos últimos dias (Hb 1:2), portanto, Deus está derramando do Seu Espírito sobre toda a carne. Qual é o resultado disso? Ainda em Atos 2, o versículo 21 diz: “E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”. O versículo 17 está indiretamente ligado ao 21. Deus diz que derramará do Seu Espírito sobre toda a carne. Então Ele diz que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Dois elos estão faltando para ligar esses dois versículos:
O primeiro elo está no evangelho de João, capítulo 16, versículos 8, 13 e 14 que dizem: “Quando Ele [o Espírito] vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: (…) quando Espírito da verdade vier, Ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir. Ele Me glorificará, porque há de receber do que é Meu e vo-lo há de anunciar. Nestes versículos fica claro que é o Espírito Santo quem convence o homem a respeito de sua condição sem Deus. É Ele quem guia para Aquele que é a própria Verdade. É pela ação do Espírito que glorificamos o Senhor. É pelo Seu Santo Espírito, também chamado de Espírito da realidade (Jo 14:17, 15:26, 16:13) que Deus torna a Pessoa e a obra de Cristo reais para o ser humano caído.
O segundo elo está em 1Co 12:3b, que diz: “Por outro lado, ninguém pode dizer: Senhor Jesus!, senão pelo Espírito Santo”. Isso significa que, além de uma pessoa só poder reconhecer a realidade da pessoa de Jesus Cristo através do Espírito de realidade, ela só poderá reconhecer o verdadeiro Senhorio de Jesus pelo Espírito Santo.
Uma vez que você exista, o Santo Espírito de Deus está sendo derramado sobre você. Na medida em que o Senhor Jesus vai se tornando uma pessoa cada vez mais real para você, significa que o Espírito Santo está agindo em seu coração. Na verdade, tudo o que precisamos fazer é crer. Assim que há uma brecha no coração, o Espírito Santo entra. Quando Ele entra, a Pessoa e a obra completa do Senhor Jesus é trazida até nós. Uma vez que, pela fé, você O aceita em seu coração, você também aceitará a Sua obra redentora, Sua ressurreição e o Seu Senhorio. Então, impulsionado pelo Espírito Santo, você poderá chamá-Lo de seu salvador e seu Senhor.
Não sei se você percebe que é a coisa mais maravilhosa ser salvo apenas pela fé. Se você pensa que até mesmo invocar o nome do Senhor é uma obra, então Deus diz apenas para crer em seu coração na ressurreição do Senhor Jesus e isso será o bastante. Os versículos de 9b a 11 em Romanos 10 dizem: “Se, (...) em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação. Porquanto a Escritura diz: Todo aquele que nele crê não será confundido”. Uma vez que Deus levou o Senhor Jesus a morrer e ressuscitar por nós, todos os que desejam ser salvos só precisam abrir seus corações à Pessoa dEle. Eles, então, serão salvos. Tudo o que se precisa fazer é ter fé. Você não precisa fazer mais nada porque o Senhor já completou toda obra. Toda a obra foi concluída. Eis por que Paulo afirma com tanta segurança que somos justificados por fé e não por obras (Gl 2:16). Uma vez que o Senhor realizou a obra da morte e da ressurreição, nada temos a fazer. Desde que creiamos uma vez, tudo está feito.
Se houver alguém hoje cujos pecados não foram perdoados, e que ainda não sabe como ser salvo e como receber a vida eterna, que não sabe que o Senhor Jesus é seu Salvador e Senhor, essa pessoa deve lembrar-se de que Deus derramou o Espírito Santo sobre TODA a carne. Você é de carne? Então o Espírito Santo está sobre você agora; Ele está esperando por você e agindo em você. Uma vez que O Espírito Santo tornar reais a pessoa, a morte, a ressurreição e o Senhorio de Jesus Cristo para você, você irá invocá-Lo, você irá chamá-Lo de Senhor, você será salvo.

Por meio do Espírito Santo, Deus transmite tudo de Si e da obra do Senhor para dentro de nós. Deus preparou tudo relacionado com a nossa salvação. Além disso, o Espírito Santo veio e está pronto a transmitir-nos tudo o que Deus preparou. Se houver alguém ainda não salvo, esse alguém não pode dizer que Deus não o amou ou que o Senhor Jesus não cumpriu a redenção por ele. Ele não pode dizer que a palavra está muito longe dele e é inatingível.

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